quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um conselho aos invejosos: Comprem um extintor.


A possibilidade do governo extinguir a ADSE, sistema de saúde dos funcionários públicos, provocou uma onda de entusiasmo nas caixas de comentários dos sites e blogues onde o assunto foi noticia ou tema de debate. Vindos, naturalmente, dos que não trabalham para o Estado e, por consequência, não têm acesso ao sistema que agora, ao que parece, terá os dias contados.
Não tenho paciência para este tipo de gente. Quem fica feliz pela má sorte dos outros não merece o meu tempo, e, por isso, não vou gastar os dedos, nem as teclas do computador, a insistir que a saúde dos actuais beneficiários da ADSE terá um custo muito superior para o Estado quando estes passarem a utilizar o Serviço Nacional de Saúde. Para além de tudo o resto que esta opção, a ocorrer, irá acarretar. Desde colocar em causa muitos empregos em clínicas privadas, até ao regresso a um passado não muito distante em que eram raros os profissionais de saúde que passavam recibo.
Recordo a satisfação com que os mesmos entusiastas de agora receberam a noticia do fim dos subsídios de férias e de Natal dos funcionários públicos. O que escrevi acerca do assunto pode ser lido escolhendo, na barra lateral deste blogue, as “Kruzadas antigas”. Infelizmente, pouco ou nada tem sido diferente do que eram as minhas expectativas. Daí que me pareça não haver grandes motivos para tanto entusiasmo entre os invejosos do costume. Ide pondo as barbas de molho. Ou arranjando um extintor.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Na volta a culpa ainda há-de ser minha...


Pretender atirar para a crise na zona euro a responsabilidade pela nossa actual situação só pode ser uma brincadeira. Ou, então, pretender branquear a actuação dos políticos que nos têm dirigido. Quiçá perdoar o comportamento tresloucadamente consumista adoptado pelos portugueses. O que se passa na Europa terá, naturalmente, uma influência directa e significativa na nossa vida enquanto nação. Mas, nem de longe, evita que a maior parte da culpa na tragédia que por cá se vive seja nossa.
Tudo o que nos conduziu a “isto” foi uma livre escolha dos portugueses. Dos que escolhemos para governar e dos outros. De nós. Podemos, é verdade, sempre recordar o BPN. De onde – lá está - alguns tugas mais espertos sacaram largos milhões de euros com esquemas mais ou menos mafiosos. Mas convém também não esquecer muitíssimos outros tugas, com recursos a esquemas igualmente manhosos, foram a outros bancos buscar dinheiro para a casa de dimensão inversamente proporcional ao tamanho da família que pensavam constituir, a mobília do melhor estilo, o carro capaz de impressionar a vizinhança ou as férias em Cancum, Djerba ou outro qualquer destino de fazer inveja aos colegas de trabalho. Tudo isto quando o ordenado mal lhes dava para um T1 num bairro periférico, um Fiat Uno em segunda mão e um fim de semana na Comporta.
Não consigo evitar, por tudo isso, de culpabilizar os portugueses pelo estado a que isto chegou. A todos. Tanto se me dá que tenham roubado milhões ou sacado milhares. Sou eu, que nunca me meti em engenharias financeiras com o dinheiro que não tinha, que sofro agora as consequências da irresponsabilidade dos outros. E sim, são todos igualmente culpados. Uma puta que cobra quinhentos euros e só atende em hotéis é tão puta como a que faz o serviço na beira da estrada por cinquenta euros.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Direitos adquiridos?!


(imagem obtida em ecos electrónicos)
Com o aproximar do Natal sucedem-se - na região, mas provavelmente não só – os almoços e jantares, organizados pelas câmaras municipais e juntas de freguesias, destinados aos idosos. São eventos que não têm uma componente social, no sentido de proporcionar uma refeição a quem passa dificuldades, tratando-se antes de uma festarola a que acorrem ou são transportadas largas centenas de velhotes.
Não se trata, obviamente, de nada ilegal. Sequer imoral. São opções legitimas de quem organiza estas comezainas, assim como perfeitamente normal é a presença dos comensais. Criticas a este tipo de organizações, mesmo antes da crise, sempre as houve e são igualmente dotadas de toda a legitimidade. Mais ainda em tempo de acentuado crescimento da miséria, em que não faltará quem entenda como mal empregue o dinheiro dos impostos assim despendido. Nem, também, quem manifeste dúvidas quanto às verdadeiras intenções dos organizadores destas almoçaradas e jantaradas.
O que se afigura de todo despropositado é considerar este tipo de evento como um direito adquirido do público a que se destina. Haja paciência. Dissertações propagandisticas como a que imagem documenta não ajudam a levar a sério quem as escreve, não dignificam estes eventos e até parece que é preciso arranjar justificações, mais ou menos manhosas, para realizar estas coisas. Vá lá saber-se porquê.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Fui ao café e paguei o iva. Será que me enganaram?


Devo estar com problemas, para lá de preocupantes, ao nível da compreensão. Ando há um ano a ouvir os senhores da restauração a lamentar-se que não têm dinheiro para pagar o iva, nomeadamente agora que é a 23%. De cada vez que escrevo acerca do assunto e me atrevo a insinuar que a coisa não será bem assim, aparecem-me logo uns quantos a lembrar a minha ilimitada ignorância quanto a esta matéria. E também a outras, diga-se.
Começava, finalmente, a acreditar que estava errado e que os empresários estariam mesmo em sérias dificuldades para arranjar o dinheiro exigido pelo fisco. Os tais 23% sobre o valor da caixa, como sabiamente explicava um destes empresários. Mas, deve ter sido para me baralhar, ontem deram-me este papelinho. Uma venda a dinheiro toda catita e, aparentemente, dentro da legalidade. Onde me explicam que paguei vinte seis cêntimos de IVA. O tal que, alegadamente, os fulanos da restauração não têm dinheiro para pagar. Mas que eu já lhes paguei a eles. Estou, portanto, baralhado das ideias. Começo, até, a desenvolver novas teorias acerca do assunto. A mais plausível – já que nem coloco a hipótese da existência de esquemas mahosos – é que as caixas registadoras tenham um qualquer defeito de fabrico. Assim uma espécie de buraco por onde se escape o dinheiro dos impostos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Eu que não sou de intrigas


Desconfio quase sempre das entusiásticas manifestações de apoio a este ou àquele candidato. Ou, por vezes, ainda candidato a candidato. Excluo dessas desconfianças o entusiasmo dos pais e de outro qualquer familiar ou amigo mais chegado por, na maioria desses casos, ele se justificar com a satisfação pelo sucesso pessoal de quem se candidata. Seja lá a que cargo for. Estou, apenas, a pensar naqueles que de forma exuberante não se coíbem de expressar a sua admiração pelas insuspeitas qualidades do seu preferido, em contraponto com a ausência de atributos valorizáveis dos outros concorrentes. Não acredito que o façam de forma desinteressada, a pensar tão somente no melhor para o seu país, a sua cidade, vila, aldeia, clube ou agremiação cultural. Estarão, digo eu que não sou de intrigas – tá bem, sou – à procura de qualquer coisinha que o pote lhes possa dar. O pior é que, desta vez, o pote está vazio. Que é como que diz, não vai haver pão para malucos. Mas isso eles não sabem. Nem sonham. Ainda.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Touradas...ou cavalarias altas.


Um conhecido cavaleiro tauromáquico, residente na região, deverá ao fisco cerca de quatrocentos mil euros. O homem terá, com toda a certeza, as suas razões para, alegadamente, não pagar a maquia reclamada pelas finanças. Não ter dinheiro pode, eventualmente, ser uma delas. Ainda que o aspecto anafado que ostenta, os círculos que frequentará e alguns sinais exteriores de um modo de vida fora do alcance da esmagadora maioria, não levem a supor que o senhor esteja a passar necessidades de maior. Poderá é ter outras prioridades para empregar o guito.
A fuga ao pagamento de impostos é, em Portugal, socialmente bem aceite. Por norma olhamos de uma forma condescendente para quem se consegue eximir ao cumprimento das obrigações fiscais e - a menos que se trate de um politico, porque aí será um malandro da pior espécie - até com uma pontinha de inveja. Justificamos esse modo de pensar com a maneira como o Estado gasta o dinheiro dos nossos impostos e, até porque está na moda, debitando opiniões alarves acerca de cortes na despesa. Um dos argumentos do momento é, entre outros, o fim de muitos serviços públicos. Nomeadamente a extinção de freguesias e, no futuro próximo, de municípios.
Naturalmente que muito há a fazer – quase tudo, diria – no âmbito da poupança de recursos públicos. Embora, como é visível nestas páginas, o meu conceito de má despesa pública seja substancialmente diferente do que por aí vejo muitas vezes escrito. É por isso que, quanto à alegada divida deste toureiro, mais do que juízos de valor acerca do seu comportamento, deixo apenas um número. Caso se confirmem os valores divulgados, eles representam quase o dobro daquilo que o governo vai transferir em 2013 para o conjunto das quatro freguesias do concelho onde o senhor em causa tem residência.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Ainda a lamúria do iva da restauração


Não se calam. Insistem na idiotice. Até ao aborrecimento, digo eu. Haja alguém que explique ao pessoal da restauração que não são eles que pagam o IVA. Seja o imposto à taxa mínima ou máxima quem paga é sempre o cliente. Esta insistência é bem elucidativa do que estes gajos percebem de impostos. Deve ser de não os pagarem.
Atribuir a culpa do negócio estar a dar para o torto ao IVA aplicado à restauração é, também, um bocado a atirar para o parvo. Muitos restaurantes estão às moscas pelos altos preços praticados, pela deficiente qualidade ou porque, como dizia e com razão um deputado qualquer, pelo excesso de oferta.
A mudança de comportamento do lado da procura é outro factor a ter em conta. E, aí, não será apenas a falta de dinheiro dos portugueses a principal razão. Se assim fosse as zonas de restauração dos grandes centros comerciais não estavam, às vezes muito para além das horas normais das refeições, completamente lotadas.
Depois há os que não saem de casa sem o farnel da ordem. A merenda, vá. Aqueles que, como forma de solidariedade para com os gajos da restauração, já nem põem os pés – nem o resto - nos restaurantes. Só para não lhes arranjar mais despesa com o IVA.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

O "inverno" árabe não incomoda os nossos democratas


Causa-me uma certa estranheza a ausência de reacção da esquerda, e da intelectualidade em geral, às manifestações que por estes dias vão agitando o Egipto. O contraste com o entusiasmo revelado quando daquilo a que chamaram primavera árabe é por demais evidente. Parece, até, que agora por aqueles lados nada se passa. À esquerda nem uma linha se escreve cerca da tentativas de islamização do país, da luta dos que heroicamente se batem contra a instalação de um novo regime ditatorial nenhuma voz dá eco e nem os arautos da liberdade, de todos os sectores ideológicos, se dignam a manifestar a sua solidariedade para com o povo egípcio.
Talvez seja por não perceber peva de politica internacional, ou ser um perfeito ignorante em estratégia geopolítica – seja lá isso o que for – mas incomoda-me que os “democratas” e outros “defensores da liberdade”, convivam tão pacificamente com os fascistas islâmicos. Será, provavelmente, da sua costeleta multiculturalista. Ou, então, é o ódio comum aos States a falar mais alto. Ou, quiçá, outra demência qualquer. Sim, porque não estou a ver esta malta a sobreviver uma semana – e já estou a ser condescendente – se tivessem de viver segundo os conceitos medievais da malta barbuda que reza de cú para o ar que tanto parecem admirar. À distância, claro.


sábado, 1 de dezembro de 2012

O elogio da incompetência


Um qualquer estudo de opinião recentemente publicado revela-nos que, segundo os portugueses inquiridos, o melhor primeiro ministro desde a instauração da democracia terá sido o engenheiro António Guterres. Isto apesar de até quem integrou a sua equipa governativa – Sousa Franco, Medina Carreira, entre outros - considerar que se tratava do pior governo desde o reinado de D. Maria I.
Admito a fiabilidade dos resultados obtidos neste inquérito. No momento de aperto como o que estamos a viver, é natural que muitos sintam saudades da bandalheira, da distribuição de dinheiro público em todas as direcções e da incapacidade de tomar decisões. De recordar que Guterres, entre outras ideias brilhantes, chegou a sugerir que o líder da oposição tivesse – enquanto tal - uma remuneração atribuída pelo Estado!!!!
Num país em que as noticias sobre o julgamento de um paneleiro que terá morto outro larila abrem, durante dias seguidos, os noticiários dos canais de televisão e onde telenovelas ou casas de segredos batem recordes de audiência, não parece estranho que um dos nossos maiores coveiros seja considerado como o melhor chefe de governo. É, afinal, de gente com especial apetência para o calote, para a vida de rico mesmo não tendo cheta e que tenha ar de gajo porreiro que a malta gosta. E se nos mantiver sempre em festa, melhor ainda.
Por último, mas não menos importante, haverá que esclarecer o local de realização da sondagem ou de residência dos sondados. Se foi, por exemplo, num bairro social ou num lugar tipo “Quintinhas” apenas surpreenderá não ter atingido uma votação perto dos cem por cento. 

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Fome, fomeca, larica ou já marchava qualquer coisinha...


A emissão da manhã da rádio Antena Um tem estado a ser dedicada à pobreza, ao empobrecimento e, de uma forma geral, a dar voz a situações de algum dramatismo que envolvem as novas condições de vida dos portugueses. Foram muitos os relatos de quem perdeu quase tudo – a casa, o emprego e a qualidade de vida anteriormente desfrutada – e que agora é colocado perante alternativas com que, de forma alguma, esperava vir a deparar-se. Ou, pior ainda, a falta delas.
Verdade que cada situação será sempre diferente e que cada individuo lá “sabe as linhas com que se cose”. Há no entanto alguns relatos que me deixam de pé atrás. É o caso descrito por um desempregado, alegadamente a receber mil e cem euros de subsidio de desemprego, com dois filhos que também não trabalham – provavelmente estudam – recebendo a esposa seiscentos e cinquenta euros provenientes de um emprego num call-center. Cerca de mil e oitocentos euros seriam, segundo o próprio, o rendimento total da família. Um valor que, acrescentava, insignificante e que em breve o faria regressar para casa da mãe pois, garantia, estaria a passar fome. Finalizou a sua história afiançando que com aquele montante era impossível dar de comer a quatro pessoas e que o seu desespero ainda era capaz de o levar a alguma loucura.
Nada na actual situação me surpreende. Não sou bruxo, adivinho, nem tenho qualquer tipo de poderes que me permitam antecipar o futuro. Contudo, nada do que se está a passar era difícil de prever. Estava, aliás, mesmo a ver-se que era no que ia dar. Como quem tiver a paciência de ler o que aqui escrevo desde 2005 poderá atestar. O que ainda me vai aborrecendo são historietas como a que acima referi. O homem viverá, não duvido, uma situação lixada e que poucos invejarão. No entanto, convenhamos, mil e oitocentos euros é um montante de que muitíssimos portugueses, ainda que empregados, não dispõem mensalmente para viver. E não passam fome, pagam a renda ou a prestação da casa, os estudos dos filhos e alguns, pasme-se, até vão de férias. Se calhar, mas isto cada um sabe de si, o senhor terá sido dos que andou a viver com as possibilidades que tinha e que agora insiste em viver da mesma maneira com as possibilidades que não tem. Isso é lá com ele. Não precisa é de vir chatear com o seu “problema”.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Luzinhas milagreiras


Ainda não vai assim tão distante o tempo em que o país desbaratava euros aos milhões a iluminar festivamente os centros das cidades, nomeadamente nas áreas de maior concentração de estabelecimentos comerciais, por ocasião da quadra natalícia. Hoje os gastos em luzinhas de Natal estão muito mais comedidos e aqueles que continuam a insistir neste esbanjamento de dinheiro são já um número muitíssimo menor por comparação ao que ocorria há dois ou três anos. Ainda assim, uma meia-dúzia de esbanjadores de dinheiro dos outros continua a fazer a mesma vidinha e a esturrar, impunemente, os recursos que não temos ou que podiam ser usados em coisas realmente úteis.
Os argumentos em defesa das iluminações de Natal – as das ruas, claro – são absolutamente fantásticos. Há quem acredite que isso fará com que as pessoas comprem mais no pequeno comércio e ajudem a dinamizar a economia da sua terrinha. Ainda que não tenham dinheiro. Deve ser uma espécie de milagre. Assim do género da multiplicação dos pães dos tempos modernos, que faz aumentar o número de notas na carteira dos cidadãos que por elas forem iluminados. Cada um acredita no que quer. Não tem é o direito, pelo menos moral, de o fazer à nossa conta. 

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Coisas do diabo


A capa da última edição do semanário “O Diabo” revela - como se fosse necessário fazê-lo, porque quase toda a gente sabe – mais uma maneira como é esturrado em Portugal o dinheiro que não temos. Os valores apresentados, saliente-se, são apenas para o artista em causa. Agora imagine-se o resto. O quanto se derrete neste permanente “sempre em festa” em que vivemos. Depois, quando a conta é apresentada, andamos por aí a dizer mal da Merkel, da troika e a atirar pedras à policia. Enquanto isso os verdadeiros culpados desta tragédia vão-nos enganando. Com festas e bolos.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Défice de educação




Não aprecio as piadas de alentejanos. Muito menos aquelas que nos apresentam como mandriões, sem vontade nenhuma de nos mexermos e, como se não fossemos portugueses como os demais, portadores de uma parvoíce sem limites. Digamos que se muitas dessas piadolas palermas tivessem como protagonista um paneleiro, um cigano ou um preto desconfio que quem as contasse teria de certeza problemas com a justiça porque alguém havia de descobrir ali um comportamento xenófobo, racista e intoleravelmente discriminatório.
Ao deparar-me com imagens como esta – acontecem em qualquer ponto do país, diga-se – admito que alguns alentejanos e os portugueses em geral se enquadram no estereótipo do preguiçoso, ignorante e parvo. De facto é preciso reunir estas três condições para não mexer o cú dez metros mais para o lado e depositar os garrafões de plástico ou as caixas de cartão no local que lhes está destinado. Isto custa-nos dinheiro. A todos. Mas eles não sabem ou não se importam. São burros.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Manifestem-se contra o despesismo, porra!


A CGTP vai amanhã promover mais uma manifestação frente à Assembleia da República. Não está em causa a legitimidade do ajuntamento. Nem, ainda menos, o justeza dos motivos que levam a organização sindical a convocá-lo. O que me aborrece é o desinteresse desta malta perante o contínuo esbanjar de dinheiros públicos que, apesar da dita austeridade, continuamos a ver delapidar. Como se a conta não fosse para nos ser apresentada num futuro mais próximo do que muitos supõem.
Amanhã, ou muito me engano, assistir-se-à a um desfile de autocarros de câmaras municipais e juntas de freguesia em direcção a Lisboa. A maioria, provavelmente, colocados à disposição dos trabalhadores que, certamente por conta de um dia de férias ou com perda de um dia de salário, se vão manifestar. Não estarão em causa - a serem suportados pelo erário público – valores significativos. O BPN, só para usar o argumento que actualmente serve para justificar todos os disparates que se continuam a cometer, é bem mais criticável. O pior é que o conjunto de pequenas insignificâncias, contra as quais este pessoal não se insurge, representam vários BPN's. Mas contra isso ninguém se manifesta. Vá lá saber-se porquê.

domingo, 25 de novembro de 2012

Deve ser a isto que chamam refundar o Estado


Dizia um destes dias um individuo, deputado ou merda que o valha, que o país não pode manter o actual número de funcionários públicos. Até porque, justificava, agora existem computadores e uma infindável panóplia de meios técnicos ao dispor dos cidadãos que os aproximam muito mais da administração e que, pretenderá a besta, se pode por isso dispensar o trabalho de muita gente. Um pequeno pormenor terá escapado ao animal. Ou então não escapou e o bói estará é a querer enrolar os mais ingénuos. É que, caso o idiota não saiba, as admissões de pessoal não pararam desde que a informática se generalizou na administração pública. Pelo contrário. Nos últimos dez ou quinze anos teremos assistido à entrada de cem ou duzentos mil novos funcionários. A mesma quantidade que agora alguns iluminados entendem como necessária colocar no olho da rua para salvar as contas públicas.
A par desta alegada necessidade de reduzir os custos do Estado, de contenção da despesa, da eliminação de gorduras e de mais umas quantas parvoíces que os javardolas que nos governam vão vomitando, aparecem de vez em quando noticias que ainda têm a capacidade de nos deixar de queixo caído. É o caso do projecto de lei que pretende criar mais uns quantos tachos. A pensar, talvez, nos autarcas que se não podem recandidatar às próximas eleições. São as chamadas entidades intermunicipais. Chefiadas por um “artista” que vai bater quatro mil euros por mês mais 30% para despesas de representação. Diz que vão ser ai uns noventa...Isto, se mal pergunto, será coisa para dar quanto em subsídios de férias ou de natal? Ou em IMI? Ou IRS? Haja por aí um qualquer apaniguado destas politicas que faça as contas.

sábado, 24 de novembro de 2012

Tremei caloteiros...


Diz que estará em cima da mesa um proposta de alteração legislativa  que, alegadamente, revolucionará o funcionamento da justiça. Entre muitas outras coisas, parece, estará em causa a maneira como, até aqui, se têm cobrado as dividas em Portugal. A ir avante aquilo que estará previsto no documento recentemente vindo a público muito irá mudar na relação dos portugueses com o calote. Um dos aspectos fundamentais da nova legislação será, caso se verifique a sua aprovação, a possibilidade de um agente de execução proceder à penhora, sem necessidade de intervenção de um juiz, das contas bancárias do devedor. Vai ser o bom e o bonito. Ai vai, vai...

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Agricultura da crise




Embora sempre tivesse desconfiado que se tratava de um modo de vida que, mais tarde ou mais cedo, se revelaria insustentável fui, confesso, daqueles que cheguei a acreditar que não valia a pena produzir. Outros o fariam por nós. A nossa parte no processo limitar-se-ia ao acto de comprar a um preço mais ou menos em conta. Tão em conta que não justificava que nos déssemos ao trabalho de sujar as mãos. E se, contra as expectativas, o preço não fosse assim tão em conta, lá estaria a banca e o seu crédito rápido, fácil e barato para nos ajudar. O pior é que o mundo mudou e a insustentabilidade desta estranha forma de vida chegou muito mais cedo do que as minhas piores desconfianças.
Se no ano passado a agricultura da crise se limitou ao pequeno logradouro a que ouso chamar quintal, este ano a actividade agrícola estendeu-se, também, à courela da família. Enquanto no primeiro as favas da crise apresentam já este aspecto todo janota, na propriedade foi, por estes dias, tempo de semear. Alhos e ervilhas, foram ontem e hoje lançados à terra. A juntar às couves e nabiças que por lá vão medrando. E aos marmelos. Mas esses são de geração espontânea.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Transtornados


A generalidade dos políticos portugueses estão chateados. Disso mesmo se tem dado conta nos últimos dias. Já os restantes portugueses, na sua esmagadora maioria – quase arriscaria dizer a totalidade – estão-se nas tintas para a mais recente preocupação da classe politica. A causa da esquizofrenia dessa malta é, pasme-se, a provável diminuição dos fundos estruturais a que Portugal terá direito nos próximos anos. Tal possibilidade levou já o primeiro ministro a garantir que vetaria o orçamento da União Europeia caso a proposta reflectisse esta intenção.
Não me surpreende o aborrecimento nem, ainda menos, o consenso que o tema gerou entre os actores políticos dos diversos quadrantes. Sabe-se a forma como grande parte do dinheiro vindo da Europa tem sido aplicado. É hoje aceite que a enxurrada de financiamentos é uma das principais, para mim a principal, causa da situação dramática que vivemos. Para além de ter levado ao endividamento sem controlo, permitiu a construção de infraestruturas sem as quais passávamos lindamente e que hoje, só em manutenção e outros custos que entretanto vieram criar, nos custam os olhas da cara.
Há, depois, o resto. Aquilo de que todos falam, que poucos podem provar, que ninguém condena e que eu desconheço em absoluto. Daí que não seja difícil de perceber o transtorno que a diminuição de fluxos monetários causará à classe dirigente. Já para os portugueses esta será, a concretizar-se, uma excelente noticia. Talvez assim não haja dinheiro para despedir duzentos mil funcionários públicos e rebentar de vez com o que resta das funções do Estado.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Prioridadezinhas


“As pessoas primeiro” ou ”as pessoas não são números”, foram apenas dois slogans, entre outros, de campanhas partidárias relativamente recentes. Significavam que, pelo menos em teoria, seriam as pessoas a estarem no centro das preocupações dos partidos políticos – que, se não estou enganado, até chegaram ao poder – que, na época, os propagandeavam.
Hoje, por maioria de razão, devem ser as pessoas a merecer a atenção, se não de quem nos governa, de todos os que, de uma ou outra forma, se preocupam com a tragédia que estamos a viver. Não é, infelizmente, essa a realidade. Os portugueses parecem ter outras prioridades. Nada respeitáveis, diga-se. Se olharmos para os “movimentos” mais votados, uma espécie de causa que qualquer um pode promover no site do governo, no top cinco os três primeiros envolvem a protecção e o bem estar dos animais, o quarto pretende estabelecer em vinte o número máximo de alunos por turma e o quinto visa proibir os menores de assistirem a touradas.
Em finais de Novembro de 2012, ano dois da troika em Portugal e quando estamos a um pequeno passo de um verdadeiro cataclismo social, são estas as prioridades de alguns milhares de portugueses. Elucidativo.

terça-feira, 20 de novembro de 2012

Estes gajos têm um trauma com os funcionários públicos...

Da enfadonha conferência de imprensa do ministro das finanças fica a perspectiva de, no tocante aos funcionários públicos, mais um ataque àquilo que uns quantos badamecos – com tanto de invejoso como de ignorante – apelidam de direitos adquiridos ou, noutros dias, privilégios inqualificáveis.
Uma das medidas que ficou a pairar foi a intenção de aumentar a carga horária dos trabalhadores da função pública para quarenta horas semanais. O que não me parece desapropriado uma vez que esse é o horário praticado pela generalidade de quem trabalha no sector privado. Como é possível constatar no arquivo do Kruzes, defendo esta ideia há muito tempo. Lamento apenas que estes idiotas que nos governam sejam incapazes de definir um rumo para o país e não tenham, em lugar de roubar salários, começado exactamente por aí.
Para lá do lado moral – que, como referi, se afigura por demais evidente – esta medida a concretizar-se irá ter efeitos perniciosos que, receio, não estejam a ser equacionados. Primeiro porque a produtividade que se pretenderá alcançar, dado o actual estado de espírito reinante entre os funcionários públicos, dificilmente será conseguida. Depois porque o aumento da jornada de trabalho implicará um aumento de custos, os tais consumos intermédios, nomeadamente energia e seguros. Finalmente, porque será expectável a redução do intervalo para almoço ou até adopção da jornada contínua, veremos o impacto desta alteração nos cafés, restaurantes ou pastelarias que se situam nas imediações dos organismos públicos. Nomeadamente nos centros urbanos de maior dimensão onde muitos, na impossibilidade de – como eu – ir almoçar a casa, ainda conseguem ter dinheiro para comer uma sopinha e um croquete na espelunca mais próxima.
Anunciam-se também mexidas na ADSE. Mas quanto a isso nem vou perder mais tempo a comentar. Alguém que acha que vai conseguir poupanças com a sua extinção nem merece resposta. De tão estúpida que é a ideia.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Quem paga a limpeza?


Continuo a achar que a existência em profusão de merda de cão nas ruas das nossas cidades é, claramente, revelador da má formação cívica dos moradores que possuem um canito como animal de estimação. Ainda assim não deixo de, também, responsabilizar por esta pouca-vergonha todos aqueles que, a qualquer nível, têm algum tipo de responsabilidade na gestão da coisa pública. Taxas mais elevadas pelo licenciamento de canideos, adequada fiscalização da legalidade do animal e aplicação de coimas em conformidade, seriam algumas das medidas mais fáceis de implementar e que teriam como consequência a diminuição da população canina e, por força disso, a existência de dejectos na via pública.
Mas naturalmente ninguém usará o poder de que foi investido para mexer uma palha. Nesta como noutras coisas o melhor é não levantar ondas. Fingir que não passa nada. Os porcos são mais do que muitos e também votam. Daí que aborrecê-los com minudências de que mais tarde, na altura do voto, venham à memória é coisa de todo desaconselhável.


sábado, 17 de novembro de 2012

Mas esta gente julga que somos parvos?!


Das muitas propostas de alteração ao orçamento de Estado para 2013 há uma de que gosto particularmente. Aquela - da autoria dos partidos da coligação - que altera a data de pagamento do IMI. O tal imposto que mais não é do que uma renda que cada um dos que compraram casa tem de pagar ao respectivo Município. Pois parece que o pagamento do dito imposto, em lugar de ocorrer – como até agora - em Abril e Setembro, vai passar para Abril e Novembro.
Longe de mim sequer imaginar que esta mudança possa ter a ver com o facto das eleições autárquicas se realizarem em Outubro. Eu era lá capaz de insinuar que aquela malta pretende fazer de nós parvos. Nada disso! Eles pensaram apenas no nosso bem estar. Em Setembro muitos ainda estão de férias e, portanto, sem tempo para ligar a essas minudências. Depois há o regresso às aulas e os encargos associados. Assim sendo nada melhor que adiar o pagamento do IMI para depois das eleições dessas preocupações. Quem é amiguinho, quem é? O PSD e o CDS, pois então...

Aiiiii...róbaram mi burro!


Estes animais passeavam-se tranquilamente um destes dias pela zona industrial de uma cidade vizinha. Diz – não sei se verdade – que será prática mais ou menos corrente. Tudo indica que serão propriedade de uns cavalheiros que residem numa espécie de bairro situado em terreno contiguo ou dos seus compinchas que, de vez em quando, vão montando acampamento na dita zona residencial.
Acredito que, atendendo ao volume de transito no local, a circulação desta bicharada possa não causar males maiores. Os donos causarão, provavelmente, mais estragos. É também por coisas como esta que, ao contrário do que alguns pretendem, considero a actuação que os responsáveis cá do burgo têm tido desde sempre quanto a esta matéria, como altamente sensata. Quem quiser “casinhas”, de qualquer espécie, que as compre. Ou arrende. Ou, melhor ainda, vá-se embora.

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

PAEL fofinho


Mais de oitenta municípios assinaram hoje com o governo um contrato de empréstimo que vai permitir às autarquias aderentes saldar as dividas mais antigas. É o denominado PAEL - Programa de Apoio à Economia Local – que, na sua versão fofinha, quase não tem obrigações para as câmaras que a ele recorrem. Excepto, claro, aquela parte chata, aborrecida e desagradável que envolve o seu reembolso. O pagamento das prestações. Vinte e oito, no total. Ou seja, os juros e a amortização do empréstimo a saírem das contas municipais a cada seis meses durante catorze anos.
Trata-se de uma operação financeira que vai trocar divida de curto prazo por divida a médio e longo prazo. O endividamento total fica na mesma – a divida à financeira cresce em igual montante da diminuição da divida comercial – e portanto, assim à primeira vista, a adesão a esta medida do governo pode, a alguns, parecer uma boa opção de gestão. A mim, substituir uma divida por outra nunca me pareceu boa ideia. Trata-se, mal-comparado, de pedir emprestado ao amigo porreiraço para pagar ao gajo lixado que leva o tempo a moer o juízo.
Pretende-se com o PAEL colocar o “contador” das dividas a zero e começar uma vida nova. E é precisamente aqui que começa o meu cepticismo. Não acredito que quem sempre viveu a construir divida – a estrutura das autarquias e os autarcas em geral – sejam capazes ou, sequer, queiram mudar de vida. De hoje a um ano, mil milhões de euros e um acto eleitoral depois, a maioria das autarquias que hoje assinou o programa e as que dentro de dias irão assinar vão estar, seguramente, mais endividadas. Algumas, talvez, até incapazes de cumprir as obrigações para com a banca. Mas isto sou a profetizar, porque se calhar muitas até conseguirão obter descontos de pronto pagamento...

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Perderam-se as que caíram no chão...


Discordo o mais possível dos que consideram a actuação das forças policiais, ontem frente ao parlamento, como tendo sido adequada às circunstâncias. Por mim foi tudo menos isso. Não me parece adequado que uma policia, que tem como finalidade manter a ordem, seja condescendente para com um bando de desordeiros. Principalmente quando a desordem ocorre mesmo nas suas barbas e se prolonga por um período de tempo bastante significativo.
Impõe-se, como defendem uns quantos – embora por outros motivos – que seja instaurado um inquérito à maneira como a policia agiu. Nomeadamente porque permitiu, impávida e serena, a destruição de mobiliário urbano, de infraestruturas e de outros bens públicos e privados, que agora terão de ser pagos por todos nós. Não é tolerável que um aparato daquela natureza seja mobilizado para conter eventuais desacatos e depois se limite, muito para lá do aceitável, a assistir a um triste e deprimente espectáculo protagonizado por vadios e outros marginais que se interessam tanto por politica quanto eu por folclore nepalês.
Perante aquele cenário não são muitos os que se queixam da cacetada distribuída pela policia quando, finalmente, se dignou intervir. Até agora apenas a Amnistia Internacional, como não podia deixar de ser, se colocou do lado dos arruaceiros. Deve ser por posições desta natureza, perante factos por demais evidentes, que são poucos os que levam aquela organização a sério. Pretenderia, provavelmente, que em vez de serem expulsos à bastonada tivessem sido convidados para tomar um chazinho. Ou fumar umas brocas. 

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Os likes da greve



A greve de hoje constitui o tema forte das redes sociais. As opiniões, como seria de esperar, dividem-se entre apoiantes e críticos, cada um com as suas razões que acha, invariavelmente, melhores e mais consentâneas com a realidade do que as daqueles que pensam de maneira diferente. Tudo normal, portanto.
Não foi, no entanto, isso que verdadeiramente me interessou. Principalmente depois de encontrar declarações como as da imagem. O senhor em causa é presidente de uma câmara municipal e, no seu espaço pessoal no fuçasbook, dá conta que na sua terra os serviços camarários contaram com uma adesão à greve de noventa e nove por cento. Só não consigo perceber se está triste ou contente. Mas parece-me, assim à primeira vista, que estará satisfeito por praticamente ninguém ter trabalhado na organização que dirige. O que a mim, mas se calhar sou eu que estou a ver mal, se afigura um bocadinho estranho...A menos que o autarca esteja a pensar nos euros que o município poupou.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Xunning



Este modelo da Fiat conheceu os seus tempos de glória há mais de vinte anos. Agora, em plena decadência, é alvo da irreverência do seu proprietário que o vai artilhando como pode e com o mau gosto que se vê. Colar fotos de gaja – para mais tipo passe - na carripana não lembra a ninguém. Ainda que, provavelmente, a ideia seja tapar um outro buraco provocado pela ferrugem.

domingo, 11 de novembro de 2012

Luta selectiva




Satirizar a próxima greve geral não terá sido – digo eu, mas não é que tenha a certeza - o objectivo de que quem “vestiu” algumas estátuas e bustos da cidade com a indumentária alusiva à jornada de luta da GCTP a ter lugar dentro de dias. Embora hesite que seja coisa - a greve -  para levar muito a sério. Isto porque olhando para a Grécia – a nossa bola de cristal onde olhando para o seu passado podemos ver o nosso futuro – se constata que, mais de uma dezena de greves gerais depois, tudo tem ido de mal a pior.
Continuo a insistir que existem motivos de sobra para a indignação. Por exemplo a escandalosa maneira como o dinheiro público continua a ser esturrado. Basta fazer uma pequena busca nos sites da especialidade e constatar-se-á que a quadra natalícia irá ser comemorada em muitos locais como se a crise morasse ao lado. Iluminações de natal, festas, jantaradas, cartões e presentes diversos – estou, naturalmente, a referir-me a actividades oficiais porque das outras não temos nada a ver com isso –  vão animar o eleitorado a malta  durante as semanas que se seguem. Mas contra esses desmandos, que também saem dos nossos impostos, ninguém “luta”. Nem os profissionais do protesto. Porque será?

sábado, 10 de novembro de 2012

Uma enxada para cada português



A julgar pelo que se lê nas redes sociais os portugueses estão encantados com a solução islandesa e parecem desejar que por cá se adopte solução idêntica. Desconfio é que o entusiasmo não terá muito a ver com as opções políticas e económicas encontradas – até porque, se calhar, não as conhecem – mas apenas com o facto de os responsáveis governativos na altura em que rebentou a crise terem sido levados a julgamento.
Admito que a maioria ficasse satisfeita, numa primeira fase, caso deixássemos de pagar a divida. Talvez alguns não se mostrassem especialmente preocupados se saíssemos do euro e a nossa moeda desvalorizasse, logo de seguida, setenta ou oitenta por cento. Agora o que – quase de certeza - deixaria a esquerda esquizofrénica, muito activa em tudo o que é espaço online onde se publicite opinião, à beira de um ataque de nervos, seria a garantia do primeiro-ministro que ninguém morreria à fome enquanto o governo pudesse oferecer uma enxada a cada português. O equivalente nacional à cana de pesca que o presidente da Islândia prometeu ao seus concidadãos para evitar que morressem à mingua.