sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Não gosto



Continuamos – ou pelo menos muitos de nós continuam – a não perceber o que nos está a acontecer. Todos os dias surgem novos sinais da nossa ignorância quanto à realidade dos tempos que vivemos e da falta de percepção que temos acerca dos que estão para chegar. Só assim se justificam as reacções idiotas relativamente às declarações da responsável pelo Banco Alimentar. No fuçasbook, por exemplo, a parvoíce assume proporções verdadeiramente assustadoras. O que não surpreende. Foi aí que encontrei, na página da mesma pessoa que chama tudo menos mãe à doutora Isabel Jonet, a imagem que anexo e que diz muito quanto à noção que, quem a colocou, tem acerca do momento que o país e os portugueses estão a viver. Mas depois a Merkel é que tem a culpa.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Taxa turistica (Nem se pode dormir descansado)



Já são algumas as autarquias que resolveram cobrar uma taxa – no valor de um euro, ao que julgo saber – por cada dormida, em unidade hoteleira, no território que administram. A finalidade, ao que tem sido divulgado, será ajudar os mais carenciados. Assim uma espécie de roubar aos ricos para dar aos pobres. Mas numa versão cobarde porque, ao contrário do Robin dos Bosques, fazem-no à socapa, por interposta pessoa e quando apanham os que consideram mais abonados a dormir.
O argumento para a cobrança desta taxa é mais do que ridículo. Servirá, quando muito e nem isso dou como adquirido, para tentar equilibrar as depauperadas contas das autarquias que a estão a lançar. Até porque a medida pode produzir um efeito exactamente ao contrário. É que eu não sei se esta malta sabe fazer contas, mas um euro por dormida dá para uma família de quatro pessoas que passe uma semana de férias na terra desses iluminados pagar qualquer coisa como vinte oito euros de taxa a somar ao custo do alojamento. A menos que esta gente acredite que vão ser os operadores turísticos a suportar o custo desta ideia completamente parva.
Os nossos bolsos estão a ser atacados por todos os lados e sob os pretextos mais estapafúrdios. Há que resistir. Não sei exactamente como fazer face a todos os ataques mas, quanto a este, a forma de resistência é por demais evidente. Evitar pernoitar em municípios onde esta taxa seja cobrada. E, já agora, incentivar os outros a fazer o mesmo. Eles que façam caridade ou acertem as contas com o dinheiro deles. Já que acabar com comes e bebes, passeatas e festarolas é capaz de ser pedir de mais… 

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Ai aguenta, aguenta (II)



Levar velhinhos - ainda estou para perceber porque raio lhes chamam seniores - a passear constitui uma das actividades preferidas das câmaras municipais e juntas de freguesia. Encher-lhes a pança de comida e bebida sempre que a ocasião se proporcione, também é coisa que não descuram. Se, como parece ser o caso, podem fazer tudo isso na mesma oportunidade melhor ainda.
Deve ser para fomentar este tipo de iniciativas que os autarcas nacionais conseguiram que o governo não cumprisse as determinações a que se tinha obrigado com a troika no sentido de cortar nas transferências para a administração local. Podiam aproveitar o exclusivo da generosidade governativa, pensará qualquer cidadão que goste de honrar as suas contas, para pagar aos credores a quem devem aos milhões. Poder, podiam. Mas no dia do voto não era a mesma coisa.
Este é mais um daqueles casos em que o tal banqueiro tem razão. Se o poder local aguenta mais austeridade? Ai aguenta, aguenta. Deixar de fazer concorrência às agências de viagens até nem se afigura dos cortes mais dolorosos.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Ai aguenta, aguenta!

Muita celeuma têm gerado as palavras de um banqueiro qualquer acerca da capacidade do país e dos portugueses aguentarem mais austeridade. A expressão “ai aguenta, aguenta” já se tornou famosa e vai de hoje em diante, enquanto me apetecer ou sempre que achar oportuno, servir de mote para uma série de posts em que adicionarei imagens de situações que, no meu modesto entender, darão alguma razão à criatura que a pronunciou.
O que penso quanto à austeridade está suficientemente expresso em dezenas – quiçá centenas - de artigos publicados neste blogue. Quem quiser que os leia ou releia. Agora que aguentamos, enquanto povo, muito mais cortes, ai isso aguentamos, aguentamos. Os donos dos bichanos e cachorros da notícia, por exemplo, aguentarão uma vida mais austera. Que, diga-se, até trará benefícios aos animaizinhos.



domingo, 4 de novembro de 2012

Engalfinhai-vos e multiplicai-vos



Notícias inquietantes dão-nos conta do aumento de homicídios entre casais desempregados. Apesar da fraca capacidade para me surpreender sempre que nos factos noticiados há portugueses envolvidos, desta vez fiquei, confesso, para lá de espantado com tão estranha revelação. Cuidava que ia suceder exactamente o inverso. Que, ao contrário do que estará a acontecer, em lugar de morrer gente iríamos assistir a um baby-boom. Resultado – lá está a minha ignorância em constante produção de ideias parvas – do maior tempo que os membros do casal iam passar um com o outro, da provável falta de dinheiro para a tv por cabo e da ausência de guito para outro tipo de diversões, acreditava que estariam reunidas todas as condições para o número de quecas aumentar exponencialmente. Enganei-me, pelos vistos. O engalfinhanço, afinal, é de outra natureza e muito mais trágico.
O paragrafo anterior mais não é, evidentemente, que uma tentativa de graçola com pouca piada envolvendo um assunto que devia preocupar a todos mas a que poucos ligam. O envelhecimento da população e a desertificação de todo o interior do país. Causa-me especial inquietação a falta de visão estratégica e a incapacidade dos políticos – principalmente os autarcas, por serem os que estão mais perto do problema – em, sequer, reconhecer a existência de uma situação dramática com a demografia. Temos uma bomba relógio prestes a explodir nas nossas mãos e continuamos a assobiar para o lado na esperança que o contador pare no último segundo. Mas isso, ao contrário dos filmes, não vai acontecer. Sucederá, isso sim, o desaparecimento da esmagadora maioria dos concelhos do interior e o encerramento das lindas escolas e “centros educativos” em que agora andamos a esturrar o dinheiro dos eleitores contribuintes portugueses e europeus.