domingo, 4 de novembro de 2012

Engalfinhai-vos e multiplicai-vos



Notícias inquietantes dão-nos conta do aumento de homicídios entre casais desempregados. Apesar da fraca capacidade para me surpreender sempre que nos factos noticiados há portugueses envolvidos, desta vez fiquei, confesso, para lá de espantado com tão estranha revelação. Cuidava que ia suceder exactamente o inverso. Que, ao contrário do que estará a acontecer, em lugar de morrer gente iríamos assistir a um baby-boom. Resultado – lá está a minha ignorância em constante produção de ideias parvas – do maior tempo que os membros do casal iam passar um com o outro, da provável falta de dinheiro para a tv por cabo e da ausência de guito para outro tipo de diversões, acreditava que estariam reunidas todas as condições para o número de quecas aumentar exponencialmente. Enganei-me, pelos vistos. O engalfinhanço, afinal, é de outra natureza e muito mais trágico.
O paragrafo anterior mais não é, evidentemente, que uma tentativa de graçola com pouca piada envolvendo um assunto que devia preocupar a todos mas a que poucos ligam. O envelhecimento da população e a desertificação de todo o interior do país. Causa-me especial inquietação a falta de visão estratégica e a incapacidade dos políticos – principalmente os autarcas, por serem os que estão mais perto do problema – em, sequer, reconhecer a existência de uma situação dramática com a demografia. Temos uma bomba relógio prestes a explodir nas nossas mãos e continuamos a assobiar para o lado na esperança que o contador pare no último segundo. Mas isso, ao contrário dos filmes, não vai acontecer. Sucederá, isso sim, o desaparecimento da esmagadora maioria dos concelhos do interior e o encerramento das lindas escolas e “centros educativos” em que agora andamos a esturrar o dinheiro dos eleitores contribuintes portugueses e europeus.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Há duas maneiras de gerir o dinheiro dos contribuintes. A alemã e a nossa.



Assisti um dia destes a um interessante documentário no canal televisivo National Geographic acerca de um grupo de turistas feito refém pela FARC. Um grupo terrorista, narcotraficante e alegadamente comunista, que desenvolve as suas actividades na selva colombiana. O sequestro que motivou a reportagem terá ocorrido por volta de 2003 e entre os sequestrados encontrava-se uma cidadã alemã. Na sequência das negociações para a sua libertação a embaixada germânica alugou um helicóptero que se deslocou à selva para resgatar a senhora e transportá-la de volta à civilização. A história não acabou sem uma surpresa para a resgatada. É que no regresso a casa a senhora tinha à espera a factura da operação de salvamento. Por a coisa envolver custos avultados – treze mil euros, ao que foi relatado – o governo acedeu a que a sua cidadã pagasse a divida em prestações suaves. Que, diz, ainda estaria a pagar à data em que a reportagem foi feita.
Este episódio recordou-me um outro – um bocado mais trágico, é verdade – que envolveu seis cidadãos portugueses que se deslocaram em visita turística ao Brasil e que por lá foram mortos pelo compincha que os tinha convidado. Vá lá saber-se porquê o governo português da época, chefiado por António Guterres, resolveu pagar a trasladação dos corpos para Portugal. Recorde-se que os mortos eram empresários da construção civil, que na altura vivia um período áureo, e que se tinham deslocado em viagem particular.
A Alemanha é um país rico e desenvolvido. Portugal nem por isso. A diferença entre ambos talvez comece logo pela maneira como é gerido o dinheiro dos contribuintes. Lá usa-se rigor. Por cá o desprendimento, relativamente a essas minudências, foi – e continua a ser - regra geral. É bom que se pense nisso antes de chamar nomes à Merkel.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Estacionamento Tuga…em Borba




Num outro blogue que se dedica em exclusivo a mostrar situações como esta, o tuga do Polo vermelho seria chamado de “parvo a estacionar”. Vá lá saber-se porquê deve ter-lhe parecido boa ideia estacionar de forma diferente de todos os outros, não ligar nenhuma à sinalização e ocupar dois lugares de estacionamento. Esperto, o gajo.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Ainda vou ter de replantar as couves...



Da discussão do orçamento do Estado, que hoje começou na Assembleia da República, apenas acompanhei apenas a intervenção da ministra Cristas. Aquela do ministério do mar, da agricultura e de mais outras coisas igualmente relevantes. Talvez por, no entretanto, estar empenhado em devorar o lanche – a fomeca é lixada - não me recordo de nada do que a criatura disse. O que não se afigura preocupante porque a senhora, presumo, nada deve ter dito de importante.
O que me deixou preocupado foram as intervenções seguintes. Nomeadamente de um deputado que lamentava o facto de Portugal ir perder não sei quantos milhões de euros em financiamentos comunitários para a agricultura. Mais um que ainda percebeu que fundos comunitários são despesa e que obrigam a derreter o dinheiro que não há. Que um qualquer borra-botas – como eu, por exemplo – pense assim ainda vá, agora um deputado, que em princípio será um gajo inteligente, não perceber isso é que já me parece esquisito…
Pelo contrário, o orador seguinte – do bloco de esquerda, pareceu-me – mereceu o meu mais veemente e entusiástico aplauso. Criticava o senhor a falta de dotação orçamental para o combate às pragas que afectam a agricultura. Tem toda a razão. As minhas couves são o exemplo vivo das consequências desastrosas que o desinvestimento nesta área pode trazer à economia. Estão a ser comidas a um ritmo alucinante por mais uma das múltiplas pragas que fazem do meu quintal o seu habitat natural. O que, é bom de ver, prejudica claramente a economia cá de casa. Não pode ser. Cortem onde quiserem menos na luta contra os devoradores de vegetais. Era o que mais faltava termos em 2013 um “monstro” amiguinho das lagartas!

domingo, 28 de outubro de 2012

"No decide". Mas paga...



Não constitui novidade – apenas o será para quem anda distraído – que os tratamentos efectuados no serviço nacional de saúde em consequência de agressões ou acidentes não são comparticipados. Por norma a vítima paga e, com alguma sorte, um dia mais tarde será ressarcida da despesa. Isto se a justiça fizer o seu trabalho e as seguradoras não conseguirem esquivar-se.
O irónico da coisa, para além da dupla penalização do agredido, é que enquanto para estes casos o SNS não assume a despesa com os serviços prestados, já em relação ao aborto a prática é completamente diferente. Tudo à borla com atendimento prioritário. Ou seja: o gajo que levou umas naifadas de um desconhecido ao virar da esquina o melhor que tem a fazer é dizer que caiu em cima de uma faca quando estava a preparar o almoço. Isto se não quiser gastar uma pequena fortuna no hospital. Já a gaja que se esqueceu das pílulas – oferecidas pelo Estado, diga-se – não precisa de arranjar desculpas para que lhe façam o “desmancho” gratuitamente. Parece-me justo! E parvo, também.