Em nome da contenção orçamental o governo decidiu suspender o programa “cheque
dentista”. Mas só para crianças. Os velhotes, entre outros, vão continuar a
beneficiar do apoio estatal para tratar dos dentes. Faz todo o sentido. Os
miúdos, um destes dias vão-se embora, logo não faz grande sentido gastar
dinheiro prevenir cáries futuras. Quando as tiverem já cá não estão. Quanto aos
velhos, a maioria nem dentes tem. E, que se saiba, o “cheque dentista” não
serve para consertar próteses…
sábado, 27 de outubro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
Cem mil?! Duzentos mil! Ou mais..
Há quem defenda a necessidade imperiosa de despedir cem mil funcionários
públicos como única maneira de equilibrar as contas do país. Outros cortes,
teorizam, pouco ou nada adiantam. Talvez tenham razão. Mas, à cautela, por mim
despedia duzentos mil. Só para ter a certeza que a medida resultava mesmo.
Não faço a mínima ideia quantos sejam, mas assessores, especialistas e
outros serviçais que pululam por todos os níveis da administração pública
seriam – só para dar o exemplo – os primeiros a receber guia de marcha. Dada a
irrelevância da poupança seguir-se-iam os consultores, os gajos dos projectos,
dos outsourcing´s e “empresas” cujo único cliente é o Estado. Coisa para
envolver, assim por alto, mais umas dezenas de milhar de “funcionários”. Como,
muito provavelmente, os ganhos ainda não seriam os pretendidos podia continuar com
as construtoras que sobrevivem à conta das obras inúteis. Lá teriam de regressar
aos seus países de origem mais uns quantos “funcionários”. É a vida.
Ainda assim não teria obtido os milhões necessários nem atingido o
objectivo de pôr no desemprego duzentas mil almas. Haveria, portanto, de cortar
mais. As próximas vítimas seriam os artistas “funcionários” que vão percorrendo
o país a fazer espectáculos pagos com dinheiro público. Com toda a estrutura
que mantém esta festa nacional a funcionar deve ser possível poupar mais umas
dezenas de milhar de empregos suportados pelo Estado. Temos pena.
Por fim a educação. A vaca sagrada onde todos têm medo de tocar.
Terminavam de imediato as chamadas “actividades extra-curriculares”. Por serem
isso mesmo. Extra. Trata-se de uma invenção com meia-dúzia de anos, que custa
para cima de um dinheirão aos portugueses e pouco mais servem do que para os
papás terem os meninos entretidos. Importante é manter a parte curricular. De
resto se não há dinheiro não há luxos.
Se ainda assim não chegasse – e não chegava, de certeza – podiam sempre
mandar para casa aqueles funcionários que os políticos contratam para ajudar os
dois trabalhadores, já existentes na entidade, que fazem o serviço que podia
ser feito por um.
terça-feira, 23 de outubro de 2012
Nacional hipocrisia
Segundo um estudo de opinião divulgado um dia destes, mais de oitenta por
cento dos portugueses preferem que o orçamento do próximo ano promova cortes na
despesa do Estado em alternativa a um novo aumento de impostos. Passou-me
despercebido o local e o público-alvo do inquérito. Deve ser do tamanho
diminuto – cada vez mais pequeno para a minha vista – da ficha técnica que
normalmente acompanha estas coisas. Mas o seu resultado, assim de repente,
parece-me em absoluta contradição com a realidade. A menos que a sondagem tenha
sido efectuada numa reunião daqueles economistas que vão aos canais televisivos
arrotar postas de pescada. E cagar estacas, também.
Os portugueses podem até estar de acordo com toda a espécie de cortes
orçamentais. Basta ser cumprida uma condição. E se duas melhor ainda. Que não
os afecte e, de preferência, que atinja em cheio o vizinho do lado. Daí que
estes resultados não surpreendam por aí além. Revelam na perfeição a nacional
hipocrisia e comportamento colectivo que nos conduziu a esta triste situação. E
que, não serão necessário grandes dotes adivinhatórios para o prever, nos
levará ainda a muito pior.
Um bom exemplo do que acabo de escrever pode ser constatado no facebook.
Podemos acompanhar, quase em directo, as actividades estapafúrdias - onde se
esturram os euros que não há - que muitos políticos fazem questão de
compartilhar connosco e, salvo raríssimas excepções, os likes são mais que
muitos. Poucos ousam questionar quanto custa, porque se faz, ou diga que não
gosta das inventivas maneiras que aquela malta arranja para delapidar o nosso
dinheiro. Podiam, digo eu, começar por ali a expressar o desejo de redução da
despesa. Um pouco de honestidade intelectual não lhes ficava nada mal.
domingo, 21 de outubro de 2012
sábado, 20 de outubro de 2012
O Estado paizinho
Constitui para mim um
mistério sem explicação racional que, em Portugal, o Partido Comunista e o
Bloco de Esquerda não obtenham, de cada vez que há eleições, noventa por cento
dos votos. Ou, mínimo dos mínimos, a maioria absoluta. Isto porque os portugueses
adoram que o Estado regulamente o mais ínfimo pormenor das suas vidinhas. Acham
mesmo que constituiu um dever fundamental do Estado dar-lhes tudo. Desde as
pílulas contraceptivas, para a malta fornicar à vontade – e pagar o aborto caso
tenham o azar de calhar na margem de erro – até pagar-lhes o funeral, não vá
dar-se o caso de começar a ficar gente por enterrar. Não se percebe por isso
que chegada a altura de fazer a cruzinha no boletim de voto a mão escorregue
para outras opções que prometem quase sempre reduzir a intervenção do Estado na
vida dos cidadãos.
Atente-se, só a título de
exemplo e deixando de lado outras premissas, no caso recente da miúda de
Quarteira a quem não terá sido serviço o almoço por causa de uma alegada divida
dos pais. O assunto desencadeou uma onda de comentários parvos, petições
imbecis e levou inclusivamente uns quantos a apelarem a que seja consagrada na
lei a obrigatoriedade do Estado garantir, de forma gratuita, as refeições
escolares a todas as crianças. Cuidava eu, vá lá saber-se onde é que fui buscar
esta ideia, que a alimentação dos filhos – em todas as circunstâncias – era obrigação
dos pais. Pois parece que não. Que nisso, como em quase tudo, o melhor é desresponsabilizar
os progenitores - esses já tem os cães para se preocupar – e passar essa ancestral
responsabilidade parental para o Estado protector.
Para além desta estranha
tendência de simpatizar com princípios comunistas mas votar em partidos de
direita, os portugueses – o caso acima mencionado é especialmente elucidativo –
tem também o mau hábito de “emprenhar pelos ouvidos”. Ou, como prefiro dizer, comem
toda a palha que lhes põem na camela.
quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Ir (apenas a alguns bolsos) para além da troika
Desde o inicio da
intervenção da troika que o PSD anunciou a sua intenção de ir além das medidas que
constavam do memorando de entendimento assinado pelo anterior governo. Os
portugueses é que não perceberam o que líder dos sociais-democratas queria
dizer com tal afirmação. Ou então não ligaram nenhuma. A verdade é que nem
nisso o homem cumpriu na totalidade. Se, naquilo que afecta quem trabalha, a
ultrapassagem das metas impostas foi feita com toda a tranquilidade e sem medo
de greves, manifestações ou protestos diversos, já relativamente àqueles que
lhe apertam os calos a criatura piou fininho.
As autarquias locais são
disso o melhor exemplo. Escapam à extinção de um número significativo de municípios,
recebem o bónus do IMI, que poderá – segundo algumas estimativas - atingir os
quatrocentos milhões de euros, em resultado do acréscimo de receita proveniente
da reavaliação dos imóveis e não perdem os 175 milhões de euros que o ponto
1.29 do memorando determinava que ia ocorrer em 2013. Em troca - imagine-se o
topete - do cumprimento da lei dos compromissos!!!!!! Como se, para cumprir uma
lei da república, fosse condição oferecer dinheiro como contrapartida!
É o que dá esta coisa da
democracia e de não ser possível suspendê-la por uns anos. As eleições estão
quase à porta e para as ganhar, para além de uma boa dose de populismo, são
necessários recursos financeiros. Fico, no entanto, tranquilo quanto à maneira
como será gasto tanto milhão. Boa mesa e boa música não vão faltar. Os velhotes
que o digam lá mais por altura do Natal.
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