É opinião – uma evidência,
diria - mais ou menos unânime que o governo está numa situação de absoluto
desnorte. O mesmo, ainda que tal apreciação não recolha idêntica unanimidade, se
passa com os restantes portugueses que não integram o restrito grupo de
ministros, nem o assim não tão restrito grupo de adjuntos, assessores e outros
pingentes que rodeiam os governantes. Está tudo desnorteado.
Ainda me recordo do tempo
em que, para muitos daqueles que hoje protestam, cortar salários era uma coisa
aceitável. Roubar dois ordenados por ano não era algo assim tão mau nem, para
os refilões de agora, constituía motivo para protestos. Tenho também uma vaga
ideia do assalto aos bolsos de centenas de milhar de portugueses não suscitar
grandes preocupações quanto aos efeitos perversos e devastadores que isso teria
na economia. Não foram poucos – provavelmente até alguns do que hoje reclamam –
os que tentaram fazer-me ver que aquelas eram as medidas certas e que eu estava
redondamente enganado.
Tenho, pelo atrás
escrito, todo o à-vontade para recordar a esta malta que não há dinheiro. Por
mais que se manifestem, atirem pedras, partam coisas ou mostrem as mamocas. Pena
que não tenham feito o mesmo antes. Já não digo há um ano atrás, quando estas
coisas apenas atingiam uns quantos malandros. Nem, sequer, desde há dez ou
quinze anos quando políticos de toda a espécie esturraram o dinheiro que,
então, já não havia. Podiam, pelo menos, ir fazer idêntica chinfrineira junto
daqueles que todos os dias anunciam novas obras – megalómanas e de utilidade
duvidosa, quase sempre - com o dinheiro que não há. E com gajas nuas, de preferência.

