domingo, 23 de setembro de 2012

O dever acima de tudo



Esta crise que nos atormenta é culpa nossa. De todos os portugueses em geral e de alguns em particular. Embora, como em tudo na vida, uns sejam mais culpados do que outros e a esmagadora maioria não passe de miseráveis cúmplices. Grupo este – o último – em que vergonhosamente me encontro incluído. E nem sequer é pelo facto de, no passado, ter votado nos que lá estiveram, nos que lá estão agora ou, no futuro votar nos que hão-de ir para lá continuar a afundar o rectângulo. Digamos que sou cúmplice porque, cobardemente, nunca fui capaz de espetar um par de murros nos cornos dos políticos quando eles anunciaram a intenção de realizar as obras onde esturraram muitos milhares de milhões. Quem diz eu, diz os outros quinhentos mil que andaram por aí a manifestar-se um destes dias.
Há, depois, a questão dos princípios pelos quais nos regemos. Achamos, por exemplo, que o dever está acima de tudo. Ao pagar ninguém dá importância nenhuma e, como toda a gente sabe, está na nossa escala de valores cá muito por baixo. Fazemos mesmo gala em afirmar que pagar e morrer é a última coisa que se faz na vida. Temos, também, em elevada conta aqueles que morrem no cumprimento do dever. Dos que pagam, desses, nem reza a história. Repare-se igualmente como o pagamento está sempre associado a uma espécie de penitência. Já o dever é, em muitas circunstâncias, quase confundido com um direito. Podia continuar por mais umas linhas a lembrar o quanto o dever é enaltecido entre nós em detrimento do pagamento. Mas não posso. O dever chama-me.

sábado, 22 de setembro de 2012

Onde pára a equidade?!



O governo vai distribuir vacinas da gripe pelos portugueses com mais de sessenta e cinco anos. Apesar da clara discriminação para com os portugueses de sessenta e quatro anos, parece-me uma decisão acertada. O custo desta vacinação em massa será com certeza bastante elevado mas, ainda assim, é provável que os ganhos decorrentes desta medida profiláctica superem aqueles que resultariam da contracção da doença.
O que já não me parece assim tão bem é que esta súbita generosidade governativa seja atribuída em função da idade e não, como seria de esperar, do rendimento. Poderá, até, tratar-se do grupo de maior risco. Fico, também, satisfeito pela diminuição do número de pessoas que vão andar por aí a tossir e a espirrar para cima de quem está por perto. Mas – e isto não é pretender que eles faleçam por não lhes ser administrada – acho uma indecência e uma ofensa a quem trabalha, que gente com reformas acima daquilo que são os valores do salário médio em Portugal não pague esta vacina. E depois venham para cá com histórias da carochinha acerca dos custos da saúde, da necessidade de austeridade e outras badalhoquices que uns quantos javardolas insistem em nos impingir. Para sermos um país normal bastava-nos RIGOR. Infelizmente poucos sabem o que isso significa.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Há reformas e reformas...



Tenho o maior respeito pelos reformados. Até porque, se outro motivo não houvesse, um dia destes – espero - serei um deles. Isso não me impede de ficar com os nervos à flor da pele e com vontade de chamar nomes feios, até esgotar o repertório, quando ouço a generalidade dos opinadores defenderem as pensões de reforma como intocáveis perante os cortes de rendimento a que a generalidade dos portugueses têm vindo a ser alvo.
Naturalmente que pensões miseráveis, a maioria abaixo do salário mínimo, devem ser protegidas. Era mesmo o que mais faltava que assim não fosse. Agora tratar todas os pensionistas por igual, excluindo-os aos sacrifícios que nos estão a ser impostos tal como defendeu, entre outros, Manuela Ferreira Leite, é uma aberração tão grande como cortar aos que recebem menos. É, pelo menos para mim, difícil de entender que quem ganha mil e cem euros seja espoliado de 14% do vencimento e se defenda que quem tem uma reforma de dois, três ou cinco mil euros deve continuar igual passando incólume por esta crise.
Talvez, digo eu assim de repente, estejamos antes perante uma reacção corporativa e de defensa de interesses pessoais. Se analisarmos com atenção os diversos painéis de comentadores que enxameiam as televisões, encontraremos com facilidade uma legião de ex-políticos que auferem chorudas pensões do Estado. Uma espécie de prémio por terem contribuído para arruinar o país. Não me surpreende, portanto, que falem assim. Escusam é, apesar de já não estarem no activo, de continuar a querer fazer de nós parvos.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Eleições autárquicas



A pouco mais de um ano das eleições para as autarquias locais é inevitável que apareça uma multidão de interessados em ocupar a cadeira da presidência de uma qualquer Câmara Municipal. Seja por desconhecimento da realidade autárquica por parte dos putativos candidatos, por vaidade ou pelo desejo de protagonismo, esse é um cargo cada vez mais desejado. Claro que, entre todos os que se vão apresentar a sufrágio, haverá também alguns com vontade de trabalhar em prol da população do seu concelho e de contribuir com o seu esforço para a melhoria da sua qualidade de vida. Mas esses serão os que demonstram algum desprendimento em relação ao cumprimento das leis que têm vindo a tentar moralizar a administração pública ou os que se preocupam em gerir a coisa pública com o mesmo zelo com que gerem aquilo que é seu.
Igualmente inevitável é que, no primeiro grupo, surjam uns quantos nomes que primam pela originalidade e que, na maioria das circunstâncias acaba por nem ir a votos. Entre esses nomes estará um indivíduo - não sei se este será o termo mais correcto, mas não encontro outro melhor - conhecido no mundo da futilidade como José Castelo Branco que pretenderá candidatar-se à presidência da Câmara Municipal de Sintra. A fazê-lo acredito que a criatura possa até chegar a um lugar de vereador. O descrédito da classe política é de tal ordem que não me surpreende se esta versão urbana do Tiririca vier a ter assento no próximo executivo municipal lá do sítio.
Luís Filipe Meneses anunciou também a sua candidatura à Câmara do Porto. Será, muito provavelmente, o próximo presidente da invicta. O que representará, finalmente, uma vitória eleitoral autárquica de Pinto da Costa.