sexta-feira, 20 de maio de 2011

Cartazes

Este cartaz anuncia uma qualquer espécie de evento que, um destes dias, se vai realizar por cá. Não sei ao certo o que é, nem, em boa verdade – e em má também – me interessa. O que acho interessante é que se vão realizando iniciativas deste género. E de outros. Pena que não sejam mais frequentes. Mesmo que alguns as desvalorizem, são importantes como factor de dinamização. Nomeadamente a nível económico. Um acontecimento destes, para além de constituir um pólo de atracção para trazer pessoas à cidade, mexe com diversos sectores da economia local. Desde o gajo que vai vender as cervejas até à gráfica que imprimiu os cartazes. A menos que, coisa em que não acredito, alguém ofereça a cerveja.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Um dia destes estamos fundidos

Apraz-me constatar que há mais quem pense como eu quanto à forma como deve ser reorganizado o quadro autárquico do país. Se, coisa em que não acredito, essa parte do programa de governo que nos foi mandado cumprir chegar a ser executada. Propunha alguém, ligado ao Partido Socialista e responsável por uma entidade oficial responsável pela gestão territorial, que o caminho a seguir seria o da fusão de municípios, e dava como exemplo o caso de Gaia e Porto que deviam, na sua opinião, constituir apenas um concelho. Já quanto ao interior era de opinião que, a nível concelhio, seria de manter a actual estrutura pois, em seu entender, fundir ou extinguir municípios conduzirá a uma ainda mais acentuada desertificação. 
Esta posição coincide exactamente com aquilo que venho escrevendo há anos e, não é para me gabar, mas a única que fará algum sentido. Não sendo totalmente ingénuo sei que tal ideia é absolutamente irrealista e, se extinguir Barrancos ou Monforte ia ser uma chatice, fazer fusões como a proposta seria a “guerra civil”. Temo, por isso, que se por um extraordinário acaso a medida da troika se concretizar e o futuro governo seja mesmo obrigado a mexer na divisão administrativa vigente, a opção recaia, por exemplo, em juntar num só os concelhos de Estremoz, Borba e Vila Viçosa. Tinha, concordarão, a sua piada. Negra, estarão igualmente de acordo.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

A tia rabugenta

As declarações da Merkel deixaram hoje irritados muitos portugueses que, ofendidos com os desmandos da bruxa germânica, destilaram a sua indignação em todos os locais onde o puderam fazer. Até a classe politica não se coibiu de manifestar o seu desagrado e foi deixando, embora de forma mais contida que a generalidade dos cidadãos, um ou outro remoque dirigido à dirigente teutónica. 
Apesar de não me agradar a exigência da senhora – sim, aquilo foi uma ordem – para que nos reformemos mais tarde e tenhamos menos dias de férias, não vejo motivo para indignações. Parece-me, antes, que afirmações deste género, em lugar de nos causarem elevados índices de irritabilidade, deviam era provocar em nós um sentimento de vergonha. Mesmo que a mulher não tenha razão nenhuma naquilo que diz, a verdade é que somos obrigados a aturá-la. Afinal é ela quem tem o dinheiro de que nós precisamos. Mal comparado é como aquela tia velha e rabugenta cuja presença apenas suportamos porque é ela quem paga as nossas extravagâncias. 
Ultrapassar uma situação como a que vivemos e deixar de ser o alvo da chacota e do desprezo dos outros povos, deveria constituir um desígnio nacional. Infelizmente a causa não parece ser suficientemente motivadora. Até porque os que nos podiam mobilizar aparentam estar satisfeitos, revelando mesmo uma mal dissimulada simpatia por estas reprimendas vindas da estranja.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Reciclar não é "chique"?!


Os moradores da zona da cidade onde esta foto foi obtida não são propriamente pessoas incultas, iletradas, sem acesso à informação ou que desconheçam os procedimentos básicos que se devem seguir para efectuar a separação dos resíduos sólidos urbanos. No entanto, por alguma razão que a própria razão terá dificuldade em explicar, adoptam de forma reiterada a prática que a imagem demonstra, evidenciando um lamentável desprezo pela comunidade e um comporatmento cívico abaixo de miserável. Nem sequer se tratará de comodismo. Dada a distância a que se encontra o eco-ponto será antes uma atitude provocatória. Uma espécie de rebeldia parva, talvez. 
Em causa não está apenas o lado ecológico da questão. Mais do que esse aspecto choca-me o quanto, desnecessariamente, isto nos custa a todos em termos económicos. Para lá dos custos inerentes à recolha, que são bastantes, cada quilo de lixo indiferenciado - todo o que não é depositado nos eco-pontos - que é recolhido e depositado no aterro sanitário, é pago pelo Município quase a peso de ouro. Preço que, naturalmente, a autarquia faz repercutir na factura da água que, pelo menos alguns de nós, pagamos mensalmente. Ou seja, de cada vez que alguém não recicla tudo o que pode ser reciclado, estamos todos a pagar. 
Este é apenas um pequeno - pequeníssimo e insignificante - exemplo do que podemos fazer pelo país e de como o comportamento negligente de alguns tem reflexo na carteira de todos. E se num bairro onde habitam, em número significativo, pessoas de escolaridade elevada ou com algum destaque social se vêem coisas destas, não será difícil imaginar um cenário desolador noutros locais com realidades sociais bem piores.

domingo, 15 de maio de 2011

Perdoais-lhes senhor...

A cada vez mais provável vitória de José Sócrates nas próximas eleições legislativas constituirá um interessante caso de estudo, a ser analisado ao pormenor, pelas diversas áreas da ciência contemporânea. Nos dias que se seguirão ao funesto acontecimento não irão faltar especialistas, em tudo e mais alguma coisa, a tecer considerandos acerca do porquê de tão parva decisão dos eleitores. 
Por mim, especialista em coisa nenhuma, a resposta parece-me óbvia e resumir-se-à mais ou menos a isto. Os portugueses, embora desconheçam quanto as medidas que nos foram impostas os vão afectar, estão apreensivos relativamente ao futuro. Mesmo sabendo que lhes estão a mentir, as pessoas demonstram preferir quem lhes diz que isto não há-de ser nada, optam por ignorar as más noticias e vão escolher para governar aquele que pensam que não irá cumprir as ordens dos gajos que nos emprestaram o dinheiro. 
Nada que constitua motivo para grandes surpresas. Basta ver a quantidade de contratos, de toda a ordem, que os portugueses deixaram de cumprir nos últimos anos. A única diferença para José Sócrates, é que os incumpridores tugas primeiro apanharam-se na posse do dinheiro emprestado e depois é que deixaram de cumprir, enquanto o candidato socialista ainda não tem o dinheiro e já diz que não cumpre...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Critérios para a extinção de municipios

Embora conste do memorando que o país está obrigado a cumprir, não acredito que o futuro governo – ou outro que lhe venha a suceder – se atreva a extinguir um único município. Nem, sequer, a promover a sua fusão mantendo, pelo menos transitoriamente, assim uma espécie de mini-associação. 
A ideia, no entanto, estará já presente na mente de muitos autarcas que começam a posicionar-se para a guerra que, inevitavelmente, será travada e em que todos irão apresentar argumentos para que o concelho a extinguir seja o do vizinho e não o seu. Talvez seja por isso que, ao que consta, alguns Presidentes de Câmara estejam já a preocupar-se com o nível de endividamento a que conduziram as autarquias que governam. Será relativamente consensual entre os que estudam a matéria, que o tamanho ou a demografia não deverão constituir os únicos factores a ter em conta quando estiver em cima da mesa a discussão acerca dos municípios que vão fechar portas. Haverá quem defenda – e com muita razão, acho eu – que o montante do endividamento terá de ser um critério a ter em conta. 
Desconfiando da marosca, jogando na antecipação ou simplesmente procurando acautelar-se, autarcas mais perspicazes e previdentes, temerosos do que possa acontecer aos seu sconcelho e não querendo inscrever o nome na história como o último presidente da Câmara lá do sitio, iniciaram este ano um curioso programa de contenção de despesas. Por mais que isso desagrade aos seus munícipes. Que não apreciam a ideia – são muitos anos de maus hábitos – mas que poderão, no futuro, ter de lhes dar razão.
Ainda que acredite no fim de uma ou duas centenas de freguesias, reitero que não vislumbro como possível a extinção de um único município. Mas se estiver enganado desconfio que o critério a seguir será apenas um. Fecham os que Sócrates quiser. O que, diga-se, me parece justo. E merecido. Principalmente para quem se prepara para o reeleger.

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Agarra-se mais depressa um mentiroso do que um coxo

A redução da Taxa social Única suportada pelas empresas tem estado no centro do debate politico nos últimos dias. Foi lá colocada por José Sócrates e sus muchachos, ao criticar a intenção do PSD de a reduzir em quatro pontos percentuais. O que, goste-se ou não, mais não é do que quantificar aquilo que quem nos empresta o dinheiro exige que o país faça. A reacção socialista a esta proposta tem sido violenta e procura forçar os sociais democratas a admitir que, para compensar a perda de receitas, terão de aumentar o iva ou, pelo menos, passar alguns bens e serviços das taxas miníma e intermédia para a taxa máxima. 
Afinal, como se ainda houvesse dúvidas quanto a isso, podemos hoje confirmar no debate televisivo, que estamos perante um bando de pantomineiros que nos pretendem intrujar e, pior do que isso porque a esta prática nós já estamos habituados, não terão qualquer pejo em ludibriar quem vai financiar os seus devaneios. Francisco Louçã – por quem, diga-se, não nutro qualquer simpatia ideológica – desmascarou a tramóia socialista ao revelar o compromisso, escrito e assinado pelo actual governo, em reduzir, provavelmente até forma mais acentuada, a contribuição patronal para a segurança social. Confrontado pelo líder bloquista, que trucidou autenticamente José Sócrates ao longo de quase todo o debate, este foi incapaz de reagir de forma convincente e acabou mesmo por afirmar pateticamente que a grande redução, com que se comprometeu à socapa, era coisa para se cifrar em zero virgula vinte cinco por cento! Foi humilhante e, por um brevíssimo momento cheguei a ter pena do coitado do mentiroso, tal era a atrapalhação que o homem evidenciava. 
O desnorte nas hostes do Partido Socialista é de tal ordem que, noutro canal e após o debate, um conhecido paineleiro televisivo e deputado por aquele partido, quando instado a pronunciar-se acerca da dita carta, assinada pelo Ministro das Finanças, garantiu que “valia zero”. Ficamos assim a saber que, afinal, uma carta do governo chefiado por José Sócrates, dirigida a uma instituição internacional – que por acaso até nos vai emprestar o dinheiro – não tem qualquer valor. Vale zero, segundo o douto comentador. Triste sina a de um país que está entregue a esta gente e triste gente a deste país se escolher continuar a ter estes governantes.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Não há "jovens" maus. Alguns não deviam era existir.

Os portugueses mentem cada vez melhor. Até os estrangeiros que escolheram o país para assentar arraiais depressa apanharam o jeito e conseguem mentir com uma desfaçatez de fazer inveja ao mestre. Debitam mentiras a uma verdade alucinante e constroem uma verdade alternativa com uma perícia ao alcance de poucos. Estou mesmo em crer que eles próprios, às tantas, se convencem que estão a falar verdade. 
A rebaldaria provocada ontem em Odivelas, por uns quantos meliantes, será um exemplo que ilustra na perfeição a extraordinária capacidade para pregar petas que os portugueses – e os que à nossa terra vieram parar – estão a desenvolver. Um bando de energúmenos terá entrado em confronto com a policia, na tentativa de evitar a detenção de um ladrão – do qual seriam colegas de actividade, provavelmente – tendo provocado uma série de desacatos e danos em bens públicos e privados. Mas, ainda assim, conseguem garantir que foram vitimas de racismo e de violência policial. Conseguiam até permanecer sérios enquanto, perante as câmaras de televisão, juravam terem sido eles, pacatos cidadãos, os atacados. 
Não sei como é na selva. Nunca lá estive. Contudo numa sociedade civilizada, como a nossa ainda é, a quem a policia solicita a identificação tem, naturalmente, que se identificar. Quem não o faz, resiste à detenção ou, no caso do bando em causa, ataca as autoridades para evitar que os amigos, tão meliantes quanto eles, sejam levados para a esquadra, não pode esperar que lhes sejam oferecidas flores. Nem um cházinho com bolos. O mais natural é que seja tratado com dureza e, se insistir, que leve uns murros nos cornos. 
Nestas circunstâncias é normal surgirem – demoram um pouco a chegar porque normalmente moram longe de onde estas coisas acontecem – agitando a bandeira do racismo, os gajos dos direitos humanos e outros palhaços de nível semelhante. Para eles o comportamento daquela gente é para lá de angelical. Pena que tenha de aparecer a policia, qual diabinho, a estragar a paz celestial em que aqueles anjinhos vivem e perturbar o seu cândido relacionamento com as outras pessoas. 
O que verdadeiramente me perturba é que são capazes de nos olharem nos olhos e dizerem-no sem se rirem. Quem é capaz de o fazer é perigoso. Muito perigoso. Atente-se no exemplo de um individuo que o faz todos os dias à hora dos telejornais.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Poli...quê?!

No exercício dos direitos de cidadania qualquer um pode dirigir uma petição à Assembleia da República que, estou em crer, receberá dos representantes da nação a melhor atenção. Seja o assunto qual for. Desde o mais abrangente e de relevante interesse público até ao mais parvo. 
Face aos argumentos invocados, hesito quanto à maneira como classificar o texto que o peticionante da matéria constante do documento que publico em anexo a este post, dirigiu às mais altas individualidades da hierarquia do Estado. Por um lado parece óbvio que o homem está a gozar, mas, por outro, porque não levá-lo a sério?! Embora a coisa tenha uma relativa piada. Principalmente quando, na parte final da sua exposição, baralha os canais e revela alguns equívocos quando ao tipo de casamento que pretende ver legalizado. 

Clicar na imagem para aumentar ou ver aqui o documento original.

domingo, 8 de maio de 2011

Em português é pior. Principalmente depois de lido.

Há quem tenha dos blogues e dos seus autores a pior das ideias. Injustamente, acho eu. É nestes espaços que, quase sempre, é possível conhecer antecipadamente factos e noticias que apenas muito mais tarde chegam aos meios de comunicação social e ficar a par de outras que nunca lá aparecem. Trata-se, em algumas circunstâncias, de verdadeiro serviço público. 
É o caso do blogue Aventar. Os seus autores meteram mãos à obra e resolveram traduzir para português o documento da chamada troika, que esteve a passar a pente fino as contas nacionais, para estabelecer os termos do negócio através do qual o país vai poder honrar os seus compromissos a troco de um empréstimo de proporções épicas. 
A divulgação das conclusões a que chegou a embaixada estrangeira deixou toda a gente quase radiante – graças, em grande parte, à intervenção televisiva de José Sócrates – por ter afastado aquilo que muita gente contava como inevitável e, também, percebi agora, por o documento estar redigido em inglês. Língua que, à semelhança do primeiro ministro, os portugueses dominam mal ou desconhecem de todo. 
Incompreensivelmente - ou talvez não - não houve quem traduzisse aquilo de imediato para português e, mesmo os gajos que analisaram as determinações da troika, não fizeram uma abordagem detalhada das medidas que terão de ser tomadas. Que, como se pode ler aqui, serão durissimas. O que dará – provavelmente, porque não conheço o grego - razão aos que defendem ser este um plano mais exigente do que o aplicado à Grécia. 
Mantenho o que, em tom irónico, escrevi há poucos dias acerca das dúvidas, quase certezas, quanto ao cumprimento daquilo que nos querem impor. Mas se assim não for e o futuro governo revele capacidade para cumprir à risca tudo o que foi delineado, o modo de vida que temos mantido ao longo das últimas décadas estará irremediavelmente condenado. A única alternativa que vislumbro é emigrar. De preferência para aquele país em que vive o José Sócrates.

sábado, 7 de maio de 2011

Cultos

Nada tenho contra as religiões nem contra quem as pratica. Desde que os seus seguidores não andem por aí à espadeirada, a rebentar bombas e que, principalmente, não me causem aborrecimento. Ou seja, que se dediquem às práticas religiosas nos locais reservados para o efeito. E a rua, nomeadamente a minha, não se me afigura como o local mais indicado para manifestações de fé. Ainda mais quando a minha liberdade de circulação é limitada, ou de todo cortada, porque um grupo de devotos, mesmo que minúsculo, resolveu demonstrar publicamente a sua devoção. 
Pese o exposto reconheço, no entanto, o seu direito a incomodarem-me. Tal como espero que os participantes nestes préstitos revelem a mesma paciência quando eu os incomodar, um ano destes, ao celebrar mais uma conquista do Glorioso. Embora também reconheça – neste caso com uma profunda mágoa - que os santos são em muito maior número do que os títulos ganhos pelo Benfas.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

"O FMI não manda aqui!"

Não andarei muito longe da verdade quando penso que, por esta altura, a esmagadora maioria – para não ser peremptório e dizer a totalidade – dos que detém cargos públicos, com poder de decisão, já estarão a engendrar um qualquer esquema manhoso para contornar as medidas anunciadas pelo triunvirato e continuar com a vidinha que sempre fizeram atá agora. “Como é que vamos dar a volta a isto?!” será, tão certo como eu estar a escrever, a pergunta mais repetida perante o conjunto de intenções que nos foi imposto. Para a qual, não duvido, depressa surgirão respostas cada uma mais imaginativa do que a outra. 
Já escrevi noutra ocasião que o pessoal do FMI e respectivos comparsas, não sabe com quem se meteu. Atrevem-se, coitados, a pensar que nos metem na ordem com um cardápio de regras que, supostamente, devemos seguir na sua ausência. Assim uma espécie de trabalho de casa. Um rol de ideias, espalhado por trinta e quatro longas páginas, que o mais atento dos nossos responsáveis políticos lerá na diagonal. Após o que, não me devo enganar muito, arrotará, convicto, um sonoro “tá bem abelha, mas quem manda aqui sou eu”. Isto enquanto manda todos esses alarves para uns quantos sítios pouco recomendáveis. 
Excepção feita ao aumento de impostos, meia-dúzia de cortes que dependam apenas da aprovação de umas quantas leis mal-amanhadas e deverá ficar por aí o cumprimento do plano que nos tentam impor. Extinguir municípios é coisa que, aposto, não vai acontecer. Muito menos fundações, governos civis, institutos e outros albergues. Com sorte serão extintas uma ou duas dezenas de freguesias, despovoadas e no meio de nenhures. Reforma da justiça, essa, tá-se mesmo a ver que sim...e, finalmente, trazer o endividamento do Estado, regiões autónomas e autarquias locais, para níveis próximos daquilo que recomenda o bom senso e a razoável gestão, é algo mais improvável do que o Sporting ser campeão.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

As não medidas

É indisfarçável na maioria dos desabafos deixados nas caixas de comentários dos blogues, fóruns e sites onde estas coisas se discutem, uma certa frustração por entre as não medidas ontem anunciadas pelo alegado não constar o despedimento em massa, a redução de vencimento dos funcionários públicos ou, no mínimo, o anúncio que ficariam sem o subsídio de férias e de natal. O argumento para defender esta posição era tão simples quanto básico: “São os meus impostos que pagam o ordenado deles”. A isto pode contrapor-se algo igualmente simples e não menos básico: “É o meu ordenado que mantém o emprego deles”. Ou seja, todos precisamos uns dos outros.
Apesar da azia que possa provocar, num lado, ou da injustificada satisfação que pode causar no outro, não me parece que ninguém saia a ganhar. A inexistência de mais cortes nos vencimentos não se deverá, como sustentam alguns, ao facto do FMI ter aprendido com a Grécia e a Irlanda. As causas mais prováveis talvez se encontrem entre a proximidade das eleições, os baixos salários que por cá se praticam e as alternativas encontradas a obter o mesmo resultado mediante ao recurso a uma forma mais maquilhada. 
Seja como for, a comunicação ao país feita ontem à noite pelo alegado tratou-se de mais uma encenação ridícula, despropositada e que dá mais uma vez um sinal completamente errado. Afinal, ficámos a saber, estamos no melhor dos mundos. Perto do paraíso, quase. Por mim fiquei tão optimista e confiante num futuro radioso que senti vontade de agarrar no cartão de crédito e desatar a endividar-me.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

"Tablets"

Segundo as previsões dos especialistas na matéria, as vendas de tablets em Portugal deverão crescer oitocentos por cento. Por saber que os especialistas revelam uma estranha tendência para não acertar quando fazem palpites acerca das matérias nas quais são especialistas, confesso que fiquei de pé atrás com tão elevadas expectativas. Céptico, digamos. É que, mesmo não conhecendo os números, pareceu-me que isso daria muitos quilos de chocolate por habitante. 
Percebi depois que, lamentavelmente, afinal os tablets – ou as tablets, não sei se aquilo é gaja – não são coisa que se coma. Embora, ao que se me afigura, muita gente se coma por ter uma gigajoga daquelas nas unhas. Sei agora, houve quem tivesse a paciência de me explicar, que se trata de uma categoria de objectos muito úteis para fazer coisas. Algumas, até, importantes. Mas que justificam cada um dos muitos euros pelos quais são postos à venda. 
Apreciadores, como somos, dos prazeres da vida - ter um tablet entre mãos diz que dá muito prazer – é natural que procuremos investir o dinheiro que temos e o que pedimos emprestado em algo que nos dê gozo. Daí que o mercado destas traquitanas em Portugal vá crescer quase três vezes mais do que no resto do mundo. Não admira. Um aparelho destes é mesmo, mesmo, mesmo, o que nos está a fazer mais falta. Face a estes números arrisco-me a concluir que muitos estarão à rasca para ter um. Embora, mas isso sou eu a especular, alguns vão ficar à rasca por o terem.

domingo, 1 de maio de 2011

Perguntas parvas

Na inauguração da escola secundária de Vila Viçosa o ainda primeiro-ministro, referindo-se ao líder do PSD, dizia mais ou menos isto: “Se não gostam do investimento do Estado na educação, então que digam onde é que devemos investir”. Significa isto que José Sócrates ainda não percebeu a alhada em que nos meteu. Nem ele, nem os que o rodeiam e que abanam servilmente a cabeça a cada tonteria do chefe. 
A resposta à questão suscitada pelo alegado engenheiro é, obviamente, não dispomos de recursos para investir em coisa nenhuma. Qualquer bom pai de família – coisa que os nossos dirigentes políticos não aparentam ser – sabe que nos momentos de aperto, em que o dinheiro escasseia, as prioridades não podem ser gastar o que não se tem à custa de endividar ainda mais o país. Isso é o que fará qualquer vigarista.

Espertos, aldrabões e outros manhosos

Quando, já lá vão uns anos, a Drª Maria José Nogueira Pinto manifestou a sua discordância relativamente à maneira como estavam a ser distribuídos alguns apoios sociais a idosos, não faltou quem se indignasse. Argumentava a senhora que o dinheiro devia ser usado de outra forma porque, assim, seria mal gasto pelos velhotes que, segundo ela, o gastariam em cervejas e doces ou, pior, seriam as famílias a esbanjar desregradamente esses subsídios estatais. 
Também a opinião do Dr. Leite Campos, do PSD, recentemente emitida acerca dos beneficiários de certas prestações sociais, que terá afirmado serem recebidas pelos mais espertos e aldrabões e não pelos que verdadeiramente precisam, suscitaram a fúria de muita gente com voz activa na comunicação social e na blogosfera mais esquerdista. 
Eu, que não sou de me indignar facilmente, repúdio veementemente qualquer uma destas posições. Quer a das personagens em questão, quer a dos indignados, ofendidos e furiosos com o teor das declarações. Isto porque os cinquenta e poucos euros do abono de família que me está a ser roubado – e sublinho roubado – não só não era gasto em cervejas nem bolos como, garanto, o dinheiro que deixou de vir para o meu bolso não está a contribuir para o equilíbrio das contas nacionais.
Não tenho dúvidas que muitos dos que continuam a receber prestações sociais são bêbados, drogados e gastam o dinheiro que lhes é dado de forma leviana. Basta, para comprovar isso, ir a qualquer café, pastelaria ou ao Continente cá do sitio. Igual certeza manifesto quanto ao facto de alguns espertos – aldrabões, talvez – continuarem a receber os apoios que a outros são retirados. Provavelmente até no meu local de trabalho.

Reprovo, no entanto, as generalizações. São perigosas. É em circunstâncias como as actuais que o Estado não se pode demitir de apoiar quem realmente necessita de apoio. Mas de forma criteriosa. O que, duvido, esteja a acontecer. Daí apetecer-me salientar a espantosa  coincidência de ser o Porto o distrito do país onde existem mais beneficiários do Rendimento Social de Inserção e, simultaneamente, onde a venda de bolas de golfe mais subiu no último ano. Ele há coisas...

Opinião irrelevante (ou nem por isso) do dia

Portugal é um caso de policia, de incúria e mau uso dos dinheiros públicos! (Autor desconhecido)

sábado, 30 de abril de 2011

Sinalização tuga

Que a justiça seja célere é o que todos desejamos. E, já agora, que tenha lugar para estacionar. Pelo menos alguns dos seus intervenientes.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Poupar?! O que é isso?

Os conselhos quanto à necessidade de poupar e as sugestões acerca da melhor maneira de o fazer têm-se sucedido nas últimas semanas. A comunicação social, falada e escrita, não tem poupado esforços para nos mostrar onde podemos deixar de gastar uns trocos que, todos somados, representam no final do mês uma maquia considerável. Sem, com isso, afectarmos de forma significativa a nossa qualidade de vida. Como fazem questão de assinalar. 
Apesar de louvável e de revelar um interessante sentido de serviço público, não me parece que obtenha resultados significativos. Pelo menos por enquanto. Os portugueses (já) não sabem conjugar o verbo poupar na primeira pessoa do singular e, após vinte cinco anos de consumismo desenfreado, não acreditam na necessidade de o fazer. Por alguma espécie de alucinação colectiva continuamos a acreditar que o dinheiro nasce das pedras e que basta pontapear meia-dúzia para, de imediato, os euros desatarem a saltar para as nossas carteiras. 
Face a este comportamento, temo que casos como o da vizinha Filomena - a ser verdade que a senhora faz o que os jornais escrevem - se multipliquem por mais que muitos. De resto o prevaricador deve ser a única espécie que não estando em extinção – pelo contrário, existem cada vez mais – é generosamente protegida por lei. Se este estado de coisas não fôr radicalmente alterado podemos estar perante um perigoso congregar de sinergias entre a fome e vontade de comer. O que pode resultar numa grande merda.

A excepção à regra

Vou hoje quebrar uma regra deste espaço. Aliás todas as regras tem uma excepção e chegou a altura de, também por aqui, confirmar a sapiência popular. A regra tem sido, desde o inicio, criar apenas ligações para blogues que tenham um link para o Kruzes Kanhoto. Mas perante este blogue que acabo de descobrir não resisti. O MÁ DESPESA PÚBLICA é ainda um recém chegado à blogosfera mas que promete. Pelo menos matéria prima não lhe falta. A partir de hoje fica disponível na barra lateral para todos os que gostam de saber onde o nosso dinheiro é malbaratado.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Metam o estado social no cú grandes filhos da puta!

Estou emocionado. Comovido, mesmo. A defesa do Estado Social – hesito quanto ao uso de maiúsculas mas o meu lado inocente acaba por levar a melhor – deixa-me assim. A protecção dos mais pobres é coisa que mexe comigo. Daí até já ter esquecido que, a bem de quem realmente precisa, deixei de receber abono de família. Ou que, quando insisto em adoecer, tenho de pagar oito euros e quarenta cêntimos por uma consulta no Centro de Saúde cá do sitio. É bem feita. Ninguém me manda ser um alarve dum ricaço,  com filhos, que adoece de vez em quando.
Isso do Estado Social é para os pobrezinhos. Coitadinhos. Como aquele comerciante, com várias lojas espalhadas pela cidade, possuidor de automóveis de gama alta e que - eu vi numa ocasião- deposita uma enorme quantidade de notas em instituições bancárias. Muito justamente receberá abono de família e tem consulta grátis no serviço nacional de saúde. O que é bom. Principalmente para mim que não tive de esperar que o funcionário lhe fizesse o troco. 
Estou inequivocamente rendido às maravilhas do estado social. Ou socialista, sei lá. Após mais um ou outro ajustamento, que certamente não tardarão, desconfio que sou gajo para entrar em êxtase com tão elevado nível de justiça social. Quem sabe se me retirarem mais três ou quatro privilégios – o que para mim não é nada porque os que tenho são incontáveis, para além de escandalosos e injustificáveis - possa contribuir com mais alguma coisinha que melhore ainda mais a qualidade de vida de comerciantes como aquele. Isso é que era!

terça-feira, 26 de abril de 2011

O cuecão

Há quem não esconda a sua indignação perante o velho e popular hábito de estender roupa à janela, na varanda ou em qualquer outro lugar ao alcance da vista de quem circula na via pública. A mim não é coisa que me choque, incomode ou pareça especialmente mal, quando tal acontece na sequência da barrela periódica Há, sem dúvida, coisas piores. Como, por exemplo, deixar o cuecão exposto ao olhar de quem passa. E sublinho cuecão. Trata-se, convenhamos, de uma visão desagradável. Principalmente pelas dimensões da coisa. Mete respeito.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Passarões

Provavelmente por influencia de ambientalistas urbano-depressivos que sonham com um mundo sem outras pessoas para além deles, algum legislador - desses que abundam em Lisboa e em Bruxelas - tão iluminado quanto inútil, achou, num daqueles dias aborrecidos em que não tem nada de útil para fazer que justifique o vencimento que os contribuintes lhe pagam, que os pássaros estão em via de extinção. Mesmo aqueles que, reconhecidamente, existem em tal abundância que constituem verdadeiras pragas. 
Assim de repente, sem grande esforço, estou a lembrar-me de andorinhas, pardais ou melros. As primeiras causam uma imundice, como aquela a que podemos assistir à entrada de muitos edifícios públicos, porque, apesar de serem aos milhões, não é permitido derrubar os ninhos. Os pardais são mais que muitos e devoram tudo o que lhes aparece à frente mas, ainda assim, ai de quem ousar atirar sobre eles ou montar umas miseras armadilhas com a finalidade de os apanhar. Já matar melros pode, inclusivamente, dar cadeia se o juiz tiver tendências ecologistas. Foi o que aconteceu a um incauto cidadão que, farto de ver esses passarões atacar-lhe o pomar, resolveu pôr mãos à obra e dar sumiço a uns quantos. Atrocidade que lhe valeu seis meses de cadeia como punição por tão perverso crime. 
Não sei, por isso, que metodologia usar – táctica de guerra é capaz de ser mais apropriado – para proteger o quintal dos bandos de malfeitores alados que, constantemente, fazem devastadoras incursões sobre os bens alimentares que tento produzir. De momento são as cerejas – que começam a ficar vermelhas – que apresentam maior vulnerabilidade e que constituem o alvo mais apetecido. Receio que cd's, fitas de cassetes ou um espantalho, não constituam elementos suficientemente dissuasores. Preciso, portanto, de ideias para combater esses malditos invasores e afugentá-los do meu espaço aéreo. Ou exterminá-los. À sorrelfa, claro.

domingo, 24 de abril de 2011

Fiape

A Fiape será, segundo os entendidos, uma das maiores e melhores feiras dedicadas à agricultura, artesanato e actividades correlativas. O espaço onde se realiza é, a todos os titulos, magnifico. Muito longe já vai o tempo em que o evento decorria num indescritível lamaçal, bem no centro da cidade e infernizando a vida a quem por ali tinha de fazer o seu dia-a-dia. A justificar, portanto, uma visita. Principalmente agora que o pior – a chuva e o espectáculo do Quim Barreiros - já passou. 

P.S – O corrector ortográfico do OpenOffice insiste em mandar-me substituir “Quim” por “Ruim”. Uns brincalhões, estes informáticos.

sábado, 23 de abril de 2011

É possivel tropeçar três vezes no mesmo calhau?!

Só a indigência mental de um povo pode justificar a expressiva votação que se prevê venha a obter, nas próximas eleições, o actual primeiro ministro ou, até, a sua eventual reeleição. Não é que a oposição seja muito melhor nem, sequer, que qualquer que venha a ser o vencedor do próximo acto eleitoral, tenha grande margem de manobra para se desviar daquilo que o FMI e a Europa – leia-se Alemanha – mandar executar. Mas, que diabo, não penalizar quem nos arrastou para o abismo ou, pior ainda, acreditar que quem nos colocou lá é o gajo indicado para nos tirar, já é coisa para suspeitar que se trata de um caso do foro psiquiátrico da maior gravidade que afecta significativa parte do eleitorado nacional.
Podem os seus apoiantes mostrar os indicadores que quiserem. Publicitar os gráficos que muito bem entendam. Torturar os números até à exaustão por forma a que digam aquilo em que eles querem que nós acreditemos. Podem fazer tudo isso e muito mais. O que não vão conseguir é esconder a realidade. E essa vai revelar dentro de pouco tempo a qualidade da gente que tem dirigido este país. Pelo menos aos que ainda acreditam neles, porque os outros há muito que perceberam o calibre dessa gentinha. 
Ainda a propósito de números, surpreende-me, a mim que não sou de intrigas, que a síntese da execução orçamental, divulgada mensalmente pela Direcção-Geral do Orçamento, não inclua “o” mapa de controlo da execução orçamental da receita e da despesa. Seriam apenas mais meia-dúzia de páginas – o que num documento que tem quarenta e oito não seria muito – e sempre permitiria a cada um tirar as suas próprias conclusões. Não é que eu vá duvidar da análise feita pelo governo. Nãããããão...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Os donos da bola

Segundo alguma comunicação social os vencimentos dos jogadores de um clube de futebol dos Açores terão sido pagos pelo governo regional lá do sitio. Não sei se é ou não verdade mas, a ter acontecido, não é coisa que me surpreenda. Afinal, trata-se do mesmo orgão executivo que não aplicou a redução salarial determinada pelo governo da república - a que ainda pertencem - aos funcionários públicos da região pelo que, a  ter acontecido o que os jornais relataram, este tipo de tropelias não constitui grande novidade. 
O caso não será, no entanto, virgem. Muito pelo contrário. Desde que o poder local democrático espalhou tentáculos pelo país têm-se sucedido rumores – desconheço se confirmados - acerca de ordenados de craques do pontapé na bola que, alegadamente, serão suportados pelo respectivo Município. E quem diz futebol diz outro qualquer desporto. Envolva ou não o uso de bolas. E quem diz desporto diz, também, cultura. Nas suas mais diversas expressões. E quem diz cultura diz, também, outras coisas. 
Não consigo descortinar razão para tanto espanto por causa desta decisão do governo socialista dos Açores. Se é que foi assim que as coisas se passaram. Pagar ordenados por portas travessas será - a acreditar em tudo o que se diz, escreve ou ouve - prática mais ou menos corrente. Mas, se calhar, ainda bem. Mesmo que de forma enviesada sempre vai mantendo e povo feliz. E um pouco menos desempregado. Tudo isto, reitero, alegadamente.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Reduzir o salário do vizinho é bom. Reduzir o meu é mau.

Embora muitos falem do assunto como se tratando de uma afastada fatalidade, que apenas atingirá os outros e à qual escaparão incólumes, tentar adivinhar quais serão as medidas que a chamada troika irá propor tem constituído uma espécie de desporto nacional. Uma das que tem sido sugerida atá à exaustão, nomeadamente na comunicação social, é a redução de vencimento dos funcionários públicos. Basta dar uma rápida vista de olhos – a qualidade dos comentários não merece grande atenção e é bem reveladora da inteligência de quem os produz – pelos diversos fóruns e outros sítios da Internet onde se debatem estes assuntos para perceber que, a ser adoptada, esta seria uma decisão que reuniria a concordância – mais do que isso, o aplauso - de uma significativa margem de portugueses. Que, suponho, trabalham ou se dedicam a actividades no sector privado. 
Já escrevi o que penso, de uma forma geral e não apenas na função pública, acerca da redução de salários bem como das consequências desastrosas que isso provocaria na economia. Nomeadamente o aumento do desemprego. Mas, o que hoje me faz voltar a escrever acerca do tema, são as opiniões que acabo de ler nos mesmo sítios – talvez, até, escritas pelas mesmas pessoas - em reacção à proposta de redução de salários nas empresas privadas, que os representantes dos patrões entregaram aos fulanos do FMI e associados que por cá andam a vasculhar as nossas contas. De uma maneira geral a tónica é esta: “Aquilo que ontem era bom e devia ser aplicado de imediato aos outros, hoje já não presta e deve motivar uma revolta generalizada porque me toca a mim”. Talvez, há quem o sugira, constitua mesmo motivo para pegar em armas. Esclarecedor, portanto, quanto ao que verdadeiramente motiva muito boa gente. 
Infelizmente os portugueses são assim. Mesquinhos, egoístas, aldrabões, trafulhas, incapazes de pensar no bem-estar colectivo e preocupados apenas com o seu umbigo. Deve ser por isso que se preparam para reeleger aquele cujo nome não me apetece escrever. Um dos que, entre nós, melhor personifica o “ser” português.

terça-feira, 19 de abril de 2011

O ponto da tolerância

Embora o conteúdo dos posts que por aqui vou deixando possa por vezes – muito raramente, vá – dar uma ideia diferente, a verdade é que sou um gajo tolerante. Aprecio a tolerância. Principalmente a de ponto. Que, por mais estranho que pareça, é a menos tolerada. Há mesmo quem a veja como algo absolutamente intolerável e revele em relação a ela – a tolerância – uma atitude preocupantemente intolerante. 
Não esperava que, desta vez, o alegado engenheiro dispensasse a função pública de trabalhar na tarde do próximo dia vinte e um. Ainda que, ao contrário de muita gente, não considere que daí venha grande mal ao mundo ou que a economia do país sofra prejuízos assinaláveis, não me parece que esta seja uma decisão sensata. No actual contexto, os sinais que se transmitem são quase tão importantes como as medidas que se tomam. E este não é, manifestamente, o melhor nem o mais adequado sinal de que os portugueses precisam. 
Esta decisão, para além da concessão de uma tarde de descanso, tem a grande vantagem de me tranquilizar. Fico com a certeza de que entre as más noticias que um destes dias nos serão dadas a conhecer não constará o aumento do horário de trabalho. Seria uma incongruência dificilmente justificável. Embora, convenhamos, vindo de um sujeito incongruente não era coisa para me surpreender por aí além.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Dia de Rendimentuuuu

A julgar pela clientela que, antes das nove da manhã, se começava a juntar à porta da estação de correios deve ter sido dia de distribuição do “rendimentuuu”. O que significa que esta é uma zona a evitar e um serviço a que, por estes dias, não se deve recorrer. O aglomerado de pessoas, a má educação que evidenciam, o desrespeito pelo espaço e por quem tem o azar de não poder adiar uma ida ao balcão dos CTT assim o aconselham. 
Não tenho nada contra o RSI nem, ainda menos, contra as pessoas que pelas vicissitudes da vida são obrigados a recorrer a esta prestação social. Acredito que muitos dos que o recebem de bom grado trocariam a sua situação de dependência por qualquer outra forma de sustento igualmente digna. Apesar de toda a controvérsia que este apoio tem causado na sociedade portuguesa, que se trata de uma boa medida e que, apesar de todas as entendo dificuldades ou principalmente por causa delas, deve ser mantida. 
O que acho verdadeiramente lamentável é a forma como a sua aplicação foi generalizada. São por demais conhecidas situações, que ultrapassam o absurdo, de pessoas que fazem do RSI uma forma de vida, dos que o recebem sem dele necessitarem e, ainda mais revoltante, dos que ostentam de maneira absolutamente escandalosa os seus sinais exteriores de riqueza, em tom claramente provocatório, quando vão receber um subsidio que não lhes devia ser atribuído. É por estas e por outras que muitos tem dificuldade em acreditar na existência da crise. Apenas um país rico se pode permitir ao luxo de distribuir dinheiro por quem foge do trabalho como o diabo da cruz ou Maomé do toucinho. E, por mais estranho que pareça, por cá distribui-se.