O medo está instalado entre os mais velhos. Nomeadamente naqueles que vivem sozinhos. Como se a crise, as baixas reformas, a solidão e as maleitas associadas ao avançar da idade não constituíssem já motivo bastante para preocupações, os acontecimentos dos últimos dias têm deixado muitos idosos à beira de um ataque de nervos. E o caso não é para menos. De repente toda a gente começou a dar conta do sumiço de um vizinho detestável, daqueles que normalmente se deseja que vão morrer longe, e vá de chamar a policia, os bombeiros ou outras pessoas com jeito para arrombar portas e janelas, no intuito de se certificarem que o velhote se encontra no recesso do seu lar.
Não sei se já terá ou não ocorrido - mas se não ocorreu não tardará a ocorrer - uma situação em que alguém saia de casa sem dizer água vai, de resto não é obrigado a fazê-lo, com o intuito de passar uma temporada em casa dos filhos, de amigos, conhecidos ou de alguma amante e, no regresso, se depare com a porta deitada abaixo ou alguma janela estilhaçada por uma legião de vizinhos intrigados com a sua ausência. Aliás esse pode muito bem passar a ser o álibi para qualquer amigo do alheio que revolva introduzir-se numa residência. Se apanhado pela policia, pode sempre argumentar que se foi apenas inteirar se o morador - de preferência idoso - se encontrava vivo e bem de saúde.
Nem tudo, neste campo, são más noticias. Terá sido, finalmente, encontrada uma idosa viva na sua própria casa. Aguardam-se, com expectativa, que sejam reveladas as razões para tão macabro achado.












