quarta-feira, 24 de junho de 2009

Multiculturalismos...

Por mais que os multiculturalistas de pacotilha manifestem a sua indignação perante a proposta de Sarkozy no sentido de a fatiota islâmica que transforma qualquer mulher num saco de batatas ambulante vir a ser proibida em França, a verdade é que o homem está coberto de razão e tal medida já há muito que devia estar implementada, não só naquele país mas em toda a União Europeia.
Numa sociedade democrática este tipo de imposição pode causar um certo mal-estar e terá certamente uma forte resistência por parte dos muçulmanos e daqueles que acham que lhes devemos obediência. No entanto, embora não recorrendo aos mesmos métodos, espera-se que as autoridades tenham a mesma mão pesada que a Policia de Costumes teve lá para os lados das arábias para com uma cidadã portuguesa em viagem de turismo naquelas bandas. A senhora não se terá conseguido tapar convenientemente, uma madeixa de cabelo mais rebelde e um pedaço de perna desnudado terão sido o bastante para levar umas quantas chibatadas em plena rua. Coisas que os multiculturalistas compreendem na perfeição.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Follow the leader

Quando, no início da década de noventa do século passado, o Iraque invadiu o Kuwait e a televisão começou a mostrar ao Mundo o então Presidente do Iraque Saddam Hussein, nessa altura em plena forma e ostentando um farfalhudo bigode, causou-me alguma perplexidade constatar que todos os que o rodeavam, ministros e afins, exibiam uma igualmente vistosa bigodaça. Fácil me foi concluir que estaríamos perante uma evidente prova de culto do líder.
Em Portugal poucos anos depois caía o cavaquismo. António Guterres e a sua propensão para o diálogo iniciava um novo ciclo na vida política portuguesa em que o importante era dialogar. De preferência muito. Esta prática generalizou-se e não havia nem uma triste alma ligada a qualquer espécie de poder que não manifestasse, à semelhança do líder, um inusitado interesse em dialogar, mesmo que os interlocutores evidenciassem uma reduzida vontade de o fazer.
Sócrates, em 2005 chegou ao poder e impôs um novo estilo. Menos dialogo, mais acção, arrogância e um autoritarismo pouco visto em democracia são atributos do novo líder que depressa contagiou os seguidores que rapidamente abandonaram as tendências dialogantes que antes ostentavam e passaram a adoptar os comportamentos do chefe. Nada que se estranhe ou surpreenda se atentarmos nos antecedentes.
Com os novos comportamentos, socialmente cada vez mais aceites, não me surpreenderia se, à semelhança do que já acontece num ou noutro país, Portugal vier a ter num futuro não muito distante um primeiro-ministro paneleiro. Nem me causaria grande espanto que, a verificar-se essa circunstância, o seu exemplo fosse amplamente seguido pelos seus correligionários.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Os anónimos bons

Afinal o anonimato, tão criticado em certas ocasiões, nem é mau de todo. Por vezes até é bastante positivo. Principalmente se estiver em Teerão, colocar vídeos no Youtube, fotos em blogues e relatar o que se está, por estes dias, a passar na capital iraniana. Nestes casos a habitual cobardia dos anónimos, agora que desancam no Ahmadinejad, é transformada em coragem e enaltecida a sua actuação pela possibilidade de mostrar ao mundo o que está a acontecer por aquelas bandas. Vá lá perceber-se certa gente.

domingo, 21 de junho de 2009

Deixem-me dormir, porra! (II)

Relativamente ao post anterior importa esclarecer alguns aspectos, nomeadamente que:
- A origem da algazarra esteve nesta tenda montada junto à estrada nacional quatro, numa das entradas da cidade, a meia dúzia de metros de algumas habitações e a cerca de trezentos ou quatrocentos metros de três bairros residenciais e de um lar-residência de deficientes;
- Obviamente que, desta vez, a origem da chinfrineira não foi na zona alta da cidade. Pelo contrário. Tinha mais a ver com as partes baixas;
- O barulho, com a música excessivamente alta, não durou até às três da manhã como referi mas até muito mais tarde. Alguns moradores da zona, indignados e com vontade de torcer o pescoço a quem autorizou a montagem da tenda naquele local, garantem que perto das sete da manhã (!!!!) a musica continuaria a tocar.

Deixem-me dormir, porra!

Apesar de não me irritar facilmente os meus níveis de irritabilidade atingiram, na noite/madrugada passada, patamares pouco vistos nos últimos tempos. Acontece que estava cansado, tinha sono, apetecia-me dormir – coisa que, pelo menos ao que penso, é um direito que me assiste – estava um calor do caraças e como por força da conjuntura doméstica o único lugar disponível para o fazer é o sótão, que como todos os sótãos tem o enorme defeito de estar perigosamente próximo do telhado e onde para piorar as coisas não disponho de ar condicionado, a única forma de sobreviver é manter as janelas abertas.
Como se tal cenário não fosse já suficientemente mau, na última noite, na zona alta da cidade ter-se-á realizado uma festa. Ou festarola, sabe-se lá. O certo é que a algazarra musical foi de tal ordem que o som espalhou-se muito para além do local do divertimento e entrava pela janela dentro como se estivesse a tocar no meu quintal. A música, em altíssimos berros, era popularucha, a convidar para um pezinho de dança e acredito que os participantes se tenham divertido à brava. O que deve mesmo ter acontecido, porque eram três da manhã e ainda a instalação sonora debitava os acordes do “Cheira bem, cheira a Lisboa” com um volume de decibéis que, ou muito me engano, estaria bastante acima do que a entidade responsável pela emissão da licença do ruído teria permitido. Mas isso não vem ao caso porque certamente existem autoridades que fazem cumprir estas normas e se elas não actuaram devo ser eu que estou enganado.
Temo que a coisa se vá repetindo ao longo do Verão. O pessoal não tem muito para fazer ao fim de semana, nem provavelmente nos outros dias, e por isso entretém-se a festejar coisas. Seja elas quais forem.

sábado, 20 de junho de 2009

Cenas do quotidiano

Tal como outros blogues muito mais sérios e muito mais a sério do que este, também por aqui vai haver, se me apetecer fica desde já claro embora isso não se revele minimamente necessário, posts temáticos. Mais posts e mais temáticos do que aqueles que de vez em quando, ou de quando em vez para quem vem em sentido contrário, vão sendo publicados neste espaço. Para além da pesquisa semanal – ultimamente a coisa tem estado fraca neste domínio - e da merda de cão – a que nos últimos tempos tenho estado pouco atento, facto lamentável e que já mereceu naturais reparos dos leitores mais fiéis do Kruzes - vão surgir umas fotos que retratem um pouco do nosso quotidiano.
Para começar fica a imagem desta simpática família, que não conheço de lado nenhum e por isso nem desconfio se o é ou não embora fique sempre bem usar esta expressão quando nos queremos referir a uma família que não conhecemos de lado nenhum, que descansa as oito patas que a constituem da canseira que é dar uma significativa quantidade de voltas ao Rossio.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

(Des)arrumações

Este tipo de situação repete-se com demasiada frequência, nomeadamente aos fins-de-semana, e contrariamente ao que muitas vezes se pensa não resulta apenas de uma qualquer falha na consciência cívica de quem assim procede. Em muitas circunstâncias não haverá grandes alternativas. Até porque, entre outras razões, nem sempre é fácil encontrar um meio para transportar a tralha até ao eco-ponto.
Este procedimento ocorre quase sempre na sequência do falecimento de alguém ou da necessidade de, por outro motivo qualquer, entregar a habitação ao senhorio. Mais do que desleixo, estas situações revelarão antes sinais preocupantes da desertificação do centro da cidade, do preocupante abandono, envelhecimento e acentuada diminuição da população do concelho e de toda a região em geral.
Não sei, nem quero saber até porque não me interessa nada, se no caso em concreto o motivo foi este ou outro qualquer. Agora que esta realidade ocorre com inusitada frequência é uma infeliz evidência.

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Outros blogues

Olha que reportagem tão interessante...

E da mosca? Ninguém diz nada?

E do moscardo violentamente assassinado pelo Obama, em frente às câmaras de televisão, ninguém diz nada?! Só porque é presidente já não merece a reprovação dos amiguinhos dos bicharocos? Ou lá porque o gajo é escuro não há problema e pode matar o que lhe apetece? E as criancinhas que assistiram pela tv a este bárbaro atentado contra uma forma de vida não terão ficado traumatizadas?! Então estas imagens de uma violência extrema e gratuita não deviam passar fora do horário nobre, assim lá para as onze da noite?

Bom português

São coisas como estas que ainda me fazem ter esperança na geração da malta mais nova. Aquela que está agora a dar os primeiros passos nas traquinices, próprias da idade, que ou se fazem agora ou então nunca se farão. E refiro-me a esta geração de rapaziada porque não acredito que outros mais velhos se dediquem a escrever seja o que for. Ainda menos em locais como este. Já a esperança vem do facto de não estar escrito “putax” ou vakax”, o que significa que, mesmo entre os mais novos, ainda há quem saiba escrever em português. Do bom.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Moeda ao fundo

Atirar uma moeda - ou mais - para dentro de fontes, lagos ou outros locais onde se encontre uma razoável concentração de água, parece ser um divertimento com muitos adeptos. Não sei com que propósito ou finalidade mas a verdade é que é relativamente comum encontrarem-se exemplos onde, assim a olho, é fácil adivinhar que estão depositados vários quilos e uma quantidade significativa de dinheiro.
O que verdadeiramente me intriga é a razão porque os mendigos não adoptam esta táctica. Sabendo-se da propensão dos tugas em atirar moedas para a água – é verdade que também atiram outras coisas como cascas de banana, garrafas vazias ou preservativos – é-me difícil entender porque raios não substituem a caixa de esmolas por um balde cheio de água. Quase de certeza teriam mais sucesso na recolha de fundos.
Também por uma qualquer estranha razão ninguém atira moedas para o lago do Gadanha. Um laguinho tão simpático, situado no centro da cidade e nem uma moedinha repousa lá no fundo. Tá mal. Ou são todos uma cambada de tesos ou não se sabem divertir.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Condenado a perder

Um senhor Presidente de Câmara, possivelmente despeitado pelo facto da sua terra ter uma importância cada vez menor no contexto regional em que está inserida, terá proferido hoje, ou por estes dias não interessa nada, estas declarações que tomei a liberdade de sacar do blogue Tasca Real: “Não existe nenhuma vantagem em ser cidade, basta ver o exemplo de Estremoz, nenhum calipolense trocaria Vila Viçosa por Estremoz. Estremoz é uma pasmaceira”. “Fica-se enojado em Estremoz ou Borba com o desalinho, o lixo e a sujidade das ruas, ser cidade não traz mais qualidade de vida”.
Nesta última parte o homem tem razão. O facto de uma terra ser ou não cidade não traz para os seus habitantes mais ou menos qualidade de vida. Mas isso não é problema dele. Nem nosso. Os borbenses que sejam felizes na sua nova condição e que dela tirem todos os proveitos – se é que existe algum para tirar – que possam. O que me parece descabido, idiota até, é a azia que este assunto está a causar em Vila Viçosa e em especial ao seu Presidente da Câmara. Dizer mal das terras vizinhas não lhe fica bem. Mesmo nada bem. Principalmente quando a sua não serve de grande exemplo para ninguém.

Autárquicas 2009

Porque será que alguns candidatos de uma determinada força partidária cujo nome não será aqui revelado, em vários municípios do país, não têm nos outdoors onde propagandeiam a sua candidatura nada que os identifique com o partido pelo qual se candidatam? Hesito entre pensar que se trata apenas de uma gralha tipográfica e desconfiar que começa a haver gente a acreditar que mais vale só do que mal acompanhado.

É o mercado...

Não resisto a, também eu, largar a minha posta de pescada acerca do negócio do momento. A ida mais que adivinhada de Cristiano Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid.
O dinheiro envolvido no negócio parece ser o pomo da discórdia. Não falta por aí quem critique os montantes evolvidos usando argumentos tão delirantes como as milhentas coisas, alegadamente boas, que se podiam fazer com tão elevada maquia. Desde acabar com a fome em África até financiar investigações para umas quantas maleitas o graveto que os espanhóis vão pagar aos ingleses daria, dizem os críticos da negociata, para quase tudo.
Daria, se essa fosse a finalidade das partes interessadas. Que, obviamente, não é. Trata-se de duas empresas privadas que entre si decidiram negociar a compra e venda de um activo. Apenas isso. Mais uma transacção como muitas outras que se fazem todos os dias e acerca das quais ninguém se queixa embora, quase de certeza, sejam de menor rentabilidade esperada. Ou, digamos, de retorno menos absoluto.
De lembrar ainda que não consta haver dinheiro público metido ao barulho, nem é expectável que o governo espanhol venha a ter de intervir para pagar o chorudo vencimento que o craque vai auferir.

domingo, 14 de junho de 2009

Os novos oprimidos

Não. Não foi um Tribunal português que decidiu isto. A coisa, no entanto, é capaz de vir a fazer escola.

Reciclagem

Por razões que me escapam, mas suspeito tenham a ver com interpretações incorrectas de alguns posts em que abordo essa matéria, há quem pense que sou totalmente insensível às questões de carácter ambiental. Não que isso me incomode por aí além – na verdade não me incomoda mesmo nada – mas tal não corresponde minimamente à verdade.
O que eu não suporto são os fundamentalistas da ecologia. Aqueles para quem a diminuição da população e a crescente ausência de pessoas em muitas regiões do país é encarado como algo positivo e qualquer tentativa de inverter este processo é visto como um crime hediondo contra a natureza. Esses, provavelmente, prefeririam um mundo sem outras pessoas que não eles.
Ao que garantem diversos estudos, embora os haja para todos os gostos, os recursos do planeta estarão a níveis perigosamente baixos o que poderá, num futuro não muito distante, pôr em causa a sustentabilidade da vida na terra tal como actualmente a conhecemos. A maior preocupação será, de momento, a falta de água potável. Há, por isso, que procurar alternativas. Como sempre, sensível a esta temática, deixo aqui uma sugestão que pode constituir uma alternativa interessante e que pode contribuir para minorar o problema. Trata-se de uma solução já testada pela NASA, com resultados bastante positivos e que alguém, pelos vistos, anda por aí a experimentar.

sábado, 13 de junho de 2009

Estatisticas irrelevantes

Um leitor atento deste blogue – este blogue pode não ter muitos leitores mas os que tem são quase todos atentos – sugeriu-me que, para além da pesquisa semanal mais esquisita, publicasse de vez em quando alguns dados quanto ao número de visitantes, a sua origem, as horas de maior acesso e outras curiosidades que o contador de visitas vai guardando.
Embora este tipo de estatística não me pareça de grande relevância, até porque não revela um grau de interesse que justifique a sua inclusão no blogue, como gosto de ver os visitantes deste espaço agradados com os conteúdos que vou publicando, aqui fica uma pequena análise do tráfego registado nos dias 5 e 12 de Junho. Duas sextas-feiras, a última e a penúltima, para melhor se perceber quem e quando visita o Kruzes.
Nas imagens os novos visitantes aparecem a castanho mais escuro, o total de visitas a castanho mais claro e a azul os totais de páginas visitadas. Como os gráficos facilmente deixam perceber, o tráfego verificado entre as 9 e as 13 e as 14 e 18 horas não é significativamente diferente entre uma e outra sexta-feira. E, saliente-se, nestes períodos estão incluídos os espaços de tempo que medeiam entre as 12,30-13 e as 17,30-18 que, como é óbvio, não integram o período laboral na maior parte das instituições. Neste espaço horário a sexta-feira dia 5 contou com 35 visitantes e 48 páginas lidas enquanto ontem, sexta-feira 12, se verificou a presença de 43 visitas e foram lidas 71 páginas.
Facilmente se concluirá que, contrariamente ao que muitas vezes se pretende insinuar, os trabalhadores – sim porque aqui não se alinha nessa modernice dos colaboradores - que dispõem de acesso à internet no seu posto de trabalho não passam a vida a ler blogues. Pelo menos a ler este blogue. Não é no entanto garantido que não ocupem parte significativa do seu tempo a reencaminhar, para todos os contactos, e-mails parvos acerca de meninos raptados e piadas jocosas acerca do engenheiro Sócrates. Ou a jogar no computador. Ou a fazer outras coisas que agora não vêm ao caso.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

A minha sardinha é muito melhor do que a da vizinha!

É nesta altura de Santos Populares que ficamos a saber que a "nossa" sardinha, a portuguesa, é muito melhor que a sua congénere espanhola. E porquê? Bom, as razões são muitas mas a julgar pelas explicações de umas quantas fulanas mal apessoadas tudo tem a ver com a água onde é pescada que, como se sabe, é completamente diferente…

Generalidades

O Presidente da República alertava no seu último discurso para a necessidade de pôr fim ao esbanjamento de recursos a que temos vindo a assistir em Portugal ao longo das últimas décadas. A mensagem não teria apenas como alvo os poderes públicos, até porque quando chega a hora de pagar os desvarios de quem ocupa os lugares de decisão a conta é a repartir por todos. Ela, a mensagem, destinar-se-á a todos os portugueses.
Manifestamos uma estranha insistência em viver muito acima das nossas possibilidades, esbanjamos o pouco que ganhamos em inutilidades e dificilmente conseguimos justificar de forma racional a necessidade que tivemos de as adquirir ou em que medida é que elas de facto melhoram a nossa qualidade de vida. Pior. Quase sempre o fazemos esbanjando o dinheiro que vamos ganhar daqui por alguns anos. É o que se chama fazer vida de rico com ordenado de pobre. Ou fazer figura de general quando se não é mais que um “praça rasa”.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Caça à multa

Quero acreditar que a Brigada de Transito da Guarda Nacional Republicana, ou lá como se chama agora a força policial com poderes de regulação e controlo do transito nas estradas nacionais, não tem como missão angariar receitas para os cofres do Estado. Ou, mais vulgarmente, praticar a caça à multa. Quase sempre à custa do automobilista mais incauto. No entanto quando me cruzo com um radar móvel de controlo de velocidade no IP2 entre Portalegre e Estremoz, no meio de nenhures, camuflado e estrategicamente colocado numa recta de vários quilómetros, numa estrada em excelentes condições e em que o volume de transito é ridículo quando comparado com outras onde quase não existe fiscalização, não posso deixar de pensar o contrário. Até porque, ao que parece, a “caçada” repete-se todos os dias
Obviamente que nestas circunstâncias ninguém circula abaixo do limite de velocidade e, por isso, o “êxito” da operação é garantido. Não fora a solidariedade entre automobilistas, com os insistentes sinais de luzes no cruzamento com outros veículos, seria mais um dia em cheio para a execução orçamental e, provavelmente, para o cumprimento dos objectivos estipulados para a avaliação do desempenho dos agentes. Se depender de mim continuarão apenas a ter “Bom”.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Outras oportunidades

Costumava, noutros tempos, dizer-se que “quem tem unhas é que toca guitarra” a propósito do aproveitamento das oportunidades por parte dos que estavam melhor preparados ou, não raras vezes, dos mais espertos. Hoje nem sempre é assim. Se calhar raramente é assim. Os atributos para agarrar as oportunidades que vão surgindo já não passam tanto pelas unhas ou pelas guitarras mas sim, e quase sempre, por outras sensações que envolvem o manuseamento de outros instrumentos.

terça-feira, 9 de junho de 2009

Gente precisa-se

A desertificação e o envelhecimento da população são os principais problemas do Alentejo e, de uma maneira geral, de todo o interior do país desde Bragança a Castro Marim. O diagnóstico não é novo, há muito que está feito, mas no entanto ninguém com responsabilidade governativa, ou aspirações a isso, parece muito preocupado com o facto. Obviamente que a solução para este problema não é fácil e mesmo as medidas para o inverter que algumas autarquias tem vindo a promover não demonstraram, pelo menos até agora, resultados minimamente animadores.
Mais do que investir em cimento ou alcatrão é nas pessoas que os candidatos a autarcas, que brevemente se irão apresentar aos eleitores alentejanos, devem centrar as suas promessas. Não me parece que construir edifícios para determinados fins só porque o concelho do lado também tem, quando se sabe que não há gente para meter lá dentro, ou construir estradas onde ninguém passa, seja uma aposta inteligente. O Alentejo precisa de pessoas. Sem elas vai acabar por morrer, por se tornar num imenso deserto onde o cimento e o alcatrão não passarão de ridículos monumentos à idiotice da actual geração de políticos. E de eleitores.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Improbabilidades e outras parvoíces

Através de um comentário – devidamente aprovado - a um post que publiquei há poucos dias é-me possível constatar que um leitor, suposto autor de uma das pesquisas que recentemente aqui mereceram destaque, não gostou de ver tornado público o que andou a pesquisar no Google confortavelmente instalado no recesso do seu lar. Não reconheço qualquer razão ao seu desagrado. Não foi identificado, não revelei nenhum dado que eventualmente fosse susceptível de pôr em causa a sua privacidade – até porque não possuo meios, conhecimentos ou interesse em o fazer - pelo que a indignação que demonstrou, bem patente nos termos da pesquisa efectuada e na referência implícita que deixa ao conhecido motor de busca, não se justifica. Trata-se apenas, há que dize-lo com toda a frontalidade, de uma manifesta falta de fair-play da parte do desconhecido, mas nem por isso menos estimado leitor. Uma parvoíce, até. Se quisermos ser mais precisos.
O que é verdadeiramente extraordinário e me motivou a escreveu acerca deste comentário e pesquisa que lhe esteve associada, não foi qualquer espécie de irritação ou azia – nem tão pouco africa - relativamente ao seu autor, mas sim o facto, que considero absolutamente espantoso, de o internauta em causa ter voltado a cruzar-se com este blogue. Deve ser uma daquelas improbabilidades tão improváveis que apenas acontecem no mundo virtual que é a internet. Ou é isso ou gostou do Kruzes. O que, verdade se diga, ainda parece menos provável.

E o burro sou eu?!

Se o pior cego é aquele que não quer ver, o maior burro será aquele que não quer entender. E parece que há quem não queira entender os resultados eleitorais de ontem. Todos os partidos tiveram mais votos do que os obtidos nas anteriores eleições europeias, à excepção do ps que perdeu perto de seiscentos mil votos. Ou seja mais de meio milhão de eleitores, um terço dos que o tinham feito em dois mil e quatro, deixaram de votar no partido que sustenta o governo.
Não vou perder tempo a fazer análises eleitorais aos resultados de ontem. Os números são claríssimos e não deixam a mínima margem para dúvidas quanto ao descontentamento dos portugueses, à cor do cartão que mostraram ao executivo socialista, nem espaço para interpretações mais ou menos rebuscadas que permitam transformar derrotas em vitórias morais. Por mim, que não exulto com a vitória laranja nem deposito grandes esperanças numa eventual governação social-democrata, espero que estes resultados sirvam para que os governantes e aqueles que os apoiam concluam que se calhar não são tão geniais quanto julgam ser, as suas ideias talvez não sejam tão brilhantes quanto pensam e que, provavelmente, os parvos nem sempre são os outros.

domingo, 7 de junho de 2009

Amnésia selectiva

Um jornal diário de expansão nacional tem nos últimos tempos dedicado muito do seu espaço ao escrutínio do património dos autarcas. Embora isso possa desagradar aos visados, trata-se de um salutar exercício de cidadania só possível em regimes democráticos e onde quem é eleito e pago para nos governar tem obrigação de ter uma conduta acima de qualquer suspeita. A bem da própria democracia, da transparência e da credibilidade das instituições.
Na edição de hoje do dito jornal o alvo é uma Presidenta de Câmara, relativamente menos jeitosa do que aquela a quem me refiro no post de ontem apesar de não ser nenhum estafermo, que revela uma falta de memória preocupante. A acreditar no que é publicado a senhora não consegue recordar se o valor inscrito - três milhões e setecentos mil - na declaração entregue ao Tribunal de Contas referente aos rendimentos auferidos nos anos de 2002 e 2004 são euros ou contos...
A diferença parece-me significativa e bem capaz de ser coisa para não esquecer nem ao mais distraído. Embora, por aquilo que tenho tido oportunidade de constatar desde que estes rendimentos têm vindo a ser divulgados, quando o assunto envolve dinheiro, rendimentos ou impostos a memória dos autarcas – e se calhar dos políticos em geral – revela-se muito, mas mesmo muito fraquinha.

sábado, 6 de junho de 2009

Coisas em que acredito

Gramo à brava a Fátinha de Felgueiras. Não sei ao certo porquê, mas gramo-a mesmo. E quando ela diz coisas como as que vêm hoje publicadas na imprensa em que, sem papas na língua, afirma “tomara que todo o governo fosse tão honesto como Felgueiras” a minha admiração pela mulher atinge níveis que até a mim próprio surpreendem.
Não sei se, com esta afirmação, ela se estará a referir a si ou à população do seu concelho. Acredito na primeira hipótese. Acredito sempre na distinta senhora. A Fátinha. E também no Valentim, no Isaltino, no Pai Natal e que o Benfica vai ser campeão na próxima época.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Desta vez vou votar

Vou pela primeira vez, tanto quanto me lembro, votar nas eleições para o parlamento europeu. Não o faço por de repente ter ficado interessado nos problemas decorrentes da construção europeia ou por algum dos muitos candidatos ter apresentado propostas que me tenham feito acreditar que o meu futuro, enquanto cidadão europeu, seria mais risonho se lhe entregasse o meu voto. Nada disso. À excepção dos principais partidos nem sei quem são os cabeças de lista, sou incapaz de identificar o segundo candidato de qualquer uma das forças concorrentes e não me recordo de uma única proposta eleitoral que alguém tenha feito.
Ainda assim irei votar. Contra. Contra aqueles que ao longo dos últimos quatro anos destruíram as perspectivas profissionais – e em muitos casos pessoais – de milhões de portugueses. Contra os que instalaram a instabilidade laboral onde antes não a havia. Contra os que caluniaram, difamaram e perseguiram quem trabalha. Contra os que atiraram os portugueses, pelo menos os que são honestos, para a beira do abismo. Votar nessa gente é, seguramente, dar o passo em frente.
Apesar de apenas um voto não fazer a diferença, culpo-me por nas últimas legislativas ter optado por me abster. Não o voltarei a fazer. Embora não adiante muito, desta vez poderei alegar que a culpa não foi minha.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Reorganizem-se!

O Partido do Proletariado deve ser uma coisa, chamemos-lhe assim, muito complexa. Pelo menos a julgar pelo tempo que já leva de existência um alegado movimento reorganizativo que manifesta reiterada e convictamente a intenção de reorganizar esse dito partido. O dos proletas.
Apesar de admirar a sua persistência, andam nisto já lá vão para aí uns quarenta anos e ainda não conseguiram os seus intentos, parece mais que evidente que terá chegado a altura desta malta cair em si e fechar a loja. Para além de em tanto tempo não terem conseguido reorganizar aquilo a que se propunham, deixaram acabar o segmento populacional que seria a razão da sua tarefa. O proletariado. É claro que, em alternativa, poderão sempre tentar a reorganização de outra coisa qualquer.
Disso cedo se aperceberam políticos brilhantes, como Ana Gomes e Durão Barroso, que depressa abandonaram o movimento liderado pelo grande educador da classe operária Arnaldo Matos e foram tratar da vidinha para outras forças políticas onde a hipótese de reorganizar qualquer coisa era bem mais real. Afinal apenas seguiram o conselho do lider. Sem hesitações.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Uma questão de centimetros...

O CDS-PP transmite-nos neste cartaz a mensagem que não anda a brincar aos políticos e que terá soluções sérias para Portugal. Quero acreditar que sim. De resto é o que se espera daqueles que se candidatam a representar-nos nas mais altas instâncias europeias.
O que me parece pouco sério, diria até que aparenta ser uma brincadeira, é a colocação deste placard junto a um portão da escola secundária. Se atentarmos numa das imagens é fácil constatar que um dos pilares que o suporta está exactamente colocado frente à entrada que dá acesso directo a um depósito de combustível da dita escola.
Obviamente que aquela será uma entrada utilizada apenas esporadicamente e que o acesso, apesar de limitado pelo pilar, não está de todo cortado e nem daqui advirão grandes males ao mundo. Obviamente também que o partido publicitado pouco ou nada terá a ver com a instalação do outdoor naquele local. Actualmente a militância já não é o que era e estes trabalhos são agora feitos por empresas da especialidade que se estão perfeitamente nas tintas para os impactos que estas coisas possam ter no meio circundante. E, no caso, até tinha dado o mesmo trabalho ter feito o buraco um nadinha mais ao lado.