sábado, 18 de abril de 2009

Se um já era suficientemente mau, imaginem três...

Já noutras ocasiões que me desloquei à piscina municipal de Elvas fiz menção neste blogue das péssimas condições do espaço reservado ao público. Para além da inexistência de instalações sanitárias, os lugares destinados a quem quer assistir às competições são em número insuficiente nomeadamente quando, como hoje, se disputa uma prova como o Meeting internacional de natação daquela cidade, que por norma, dada a sua natureza, o número de equipas intervenientes e porque o clube da casa aproveita para “lançar” os seus mais jovens nadadores, regista uma afluência de público muito superior ao que o exíguo espaço é capaz de suportar.
Por isso, e também por uma grande falta de educação e de respeito por quem chega primeiro, durante uma parte significativa da prova a minha visão esteve limitada pela desagradável presença de três senhoras de cú bastante avantajado e repleto de adiposidades. Chegadas ao local, na ausência de outro lugar, as ditas criaturas não estiveram com mais aquelas. Encostaram-se ao gradeamento que protege a bancada tapando, com os seus traseiros avantajados, a visão das pessoas que já se encontravam sentadas nos escassos lugares aí existentes. Pelo menos vão ficar com o rabiosque um pouco mais conhecido. É que não resisto a partilhar a peida destas madames com os meus leitores. Salvo seja, claro.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Comprem! Comprem!

É oficial, não há volta a dar e até os mais fervorosos apoiantes e apaniguados do regime vigente reconhecem que a crise é grave, bastante pior do que inicialmente se previa e iremos passar por dificuldades que, ainda há bem pouco tempo, estávamos longe de imaginar pudéssemos voltar a viver. A recessão da economia é evidente e a culpa, garantem agora os experts na matéria, é dos portugueses que de consumistas inveterados passaram a forretas desmedidos a quem ninguém convence a comprar seja o que for ou pelo menos que comprem o bastante para evitar o perigo de uma tal deflação que, dizem em tom de ameaça, anda por aí a rondar.
Ainda tenho alguma esperança de ouvir uma certa figurinha ridícula, aquela que de vez em quando vem divulgar umas previsões acerca do futuro próximo da economia nacional, apelar ao sentido patriótico dos tontinhos e tontinhas para quem comprar constituía uma espécie de terapia, para que voltem à sua actividade predilecta. Exortar os portugueses a vestir o fato de treino e voltar aos shopinhgs. Ou, até mesmo, a pedir encarecidamente aos mais pedantes que se empenhem, passem fome durante um ano inteiro mas não deixem de ir uma semana para a Tailândia. Façam qualquer coisa mas, por favor, não deixem os preços baixar ou o homem, como represália, ainda manda o Zézito baixar-nos o ordenado. É que, parece, agora ao contrário de antes, inflação a subir é que é bom, comprar é o máximo e poupar está completamente out.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mouro na costa

A opção do governo pelo investimento em obras públicas de dimensão faraónica, como o novo aeroporto e o TGV, suscita inúmeras reservas junto de muitos sectores da sociedade. Em contradição aos argumentos avançados pelo executivo várias vozes, das mais diversas áreas de pensamento, têm evocado um sem número de razões pelas quais não se devia seguir este caminho. A este coro de dúvidas e de receios, juntou-se hoje um responsável do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que manifestou a sua preocupação pela possibilidade de estas obras atraírem pessoas “com uma ideia mais radical do islão”. Ou seja - e sou eu a acrescentar - corremos o sério risco de recebermos no país mais uns milhares de muçulmanos, radicais ou não, que assim prosseguirão a ocupação do espaço europeu que há muito iniciaram.
Provavelmente daqui a pouco, nos telejornais, o Bloco de Esquerda, o SOS Racismo e os outros parvos do costume vão considerar estas declarações xenófobas, racistas e violadoras de uns quantos direitos humanos. Não será por isso que o homem deixa de ter razão. E nem vale a pena argumentar que essas pessoas apenas procuram uma vida melhor, tal como os portugueses fazem quando emigram, porque todos sabemos que infelizmente não é assim. Os portugueses e os outros povos civilizados, nessas circunstâncias, procuram integrar-se nas sociedades que os acolhem e adaptam-se com facilidade aos seus costumes ou, pelo menos, não os põem em causa.
Este tipo de gente, pelo contrário, não se quer integrar, pretende continuar a viver segundo as “leis” da sua religião mesmo quando estas colidem com a legislação nacional, não gosta da democracia, da liberdade, nem da igualmente entre os seres humanos e não vem para o Ocidente para ser como nós. Vem, isso sim, para que nós sejamos como eles.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O "ponto" é fascista!

Para muitos “trabalhadores” o relógio de ponto constitui um inimigo visceral. Não admira por isso que, nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril, aquele mecanismo de controlo da assiduidade fosse visto por muitos como um inimigo do proletariado, traidor da classe operária e aliado do capital. Grande ou pequeno, porque, então, isso era coisa que não interessava nada.
Ora, à época, ser conotado com estas tendências era quase um crime, como em próximos posts e imagens a publicar durante este mês – se tal me apetecer – poderemos constatar. Daí não surpreenderem atitudes e manifestações de desagrado contra o relógio de ponto, como as que a fotografia mostra, em que alguém se insurge contra a presença de tão vil instrumento ao serviço de um patronato retrógrado e que não tardaria a ser expulso das fábricas, das empresas e, algum, até do país. O que, diga-se, em certos casos foi muito bem feito ainda que as razões para o fazer tenham sido as piores.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Vândalos, javardos e inúteis

Pode haver quem “compreenda” o que leva certos meninos a conspurcar tudo o que é parede ou equipamento público. Chamem-lhe, como alguns se referem a este tipo de comportamento, forma de expressão de uma juventude sem perspectivas de futuro ou arranjem outro disparate qualquer para designar o vandalismo praticado contra bens públicos e privados. Para mim é apenas má educação de gente desocupada e a mais na sociedade.
Conheço relativamente bem Quarteira, onde me desloco com relativa frequência – em férias e não só – e não acho que a cidade sofra qualquer espécie de abandono. Antes pelo contrário. Aos olhos do visitante este tipo de lamúria mais parece de alguém que se queixa de barriga cheia. No entanto com aventesmas capazes de fazer este tipo de javardices não me admira que, pelo menos à noite, se vá assemelhando cada vez mais a uma cidade fantasma.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

(In) tolerância de ponto

Em praticamente todo o Alentejo a segunda feira de Pascoa é, desde que me lembro, o dia em que, tradicionalmente, se vai para o campo fazer um picnic e comer o não menos tradicional assado de borrego. O comércio encerra, muitos municípios celebram o feriado municipal e outros concedem tolerância de ponto, no que são imitados pela generalidade das empresas. Até mesmo cafés, pastelarias ou restaurantes são raros os que estão abertos ao público.
Não se compreende por isso a indignação de um casal de velhotes que hoje, precisamente hoje e não noutro dia qualquer dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano que têm livres, pretendiam aceder a um serviço encerrado pelo motivo acima mencionado. Provavelmente a cabecita já não ajudará muito e, talvez, nem tivessem noção da data em que nos encontramos. O velhote, mais expansivo e indignado guinchava que são todos uma cambada de “malandros”, de "filhos da puta” e de “cabrões”. Já a velhota, de lenço na cabeça ao uso lá do monte e enrolada num xaile, que isto a Primavera anda envergonhada cá por estas bandas, era mais comedida nas críticas e limitava-se a assegurar que “já ninguém quer é trabalhar”.
O transtorno causado a este tipo de gente é, de facto, notável. Amanhã, ou noutro dia qualquer, terão de voltar à “vila” no seu mata-velhos manhoso e perder um tempo precioso que lhes fará imensa falta. Quase de certeza que deixarão de fazer coisa nenhuma para tratar de algo que, ou muito me engano, pode esperar pelo Dia de S. Nunca.

domingo, 12 de abril de 2009

Velharias

A feira das velharias que se realiza no Rossio Marquês de Pombal, em Estremoz, aos Sábados de manhã, nasceu de forma espontânea e cresceu ao longo dos últimos anos de forma mais ou menos anárquica. O seu crescimento ocorre mais ou menos ao mesmo ritmo do declínio do mercado da fruta e dos legumes e constitui um importante foco de interesse por parte dos que se deslocam a Estremoz nas manhãs de Sábado.
Embora nunca ali tenha comprado nada ou, sequer, alguma vez vislumbrado qualquer coisa que, mesmo só vagamente, me pudesse interessar, constitui um ponto de passagem obrigatória que não deixo de percorrer semanalmente. Vale a pena fazê-lo. Nem que seja apenas para ouvir os vendedores pedir larguíssimas dezenas de euros - ou centenas, dependendo da “velharia” - por verdadeiras inutilidades que muitos de nós colocaríamos sem hesitar no contentor mais próximo e para apreciar o ar de entendido na matéria de muitos compradores verdadeiramente extasiados com tanto objecto, passo a citar, “bem demonstrativos da cultura de um povo”. Cá para mim, com tanta cultura, estão é mesmo a pedi-las…

sábado, 11 de abril de 2009

Piratas desajeitados

Não é apenas para os lados dos mares da Somália que a pirataria está activa. Pela internet anda igualmente muita gente a dedicar-se a essa actividade. Uns com mais jeito, outros com menos, alguns com sucesso e muitos que, coitados, de tão desastrados e tão nabos que são até metem dó. Neste último grupo inclui-se o autor, ou autores, deste e-mail que recebi há dias em que o suposto webmaster do sapo me pede, sob a ameaça de ficar sem a conta, que envie os meus dados pessoais para um determinado e-mail. Nem vou questionar que tipo de idiota, provavelmente só um principiante nestas coisas, pede estes dados seja a quem for mas interrogo-me que parvalhão usa para esse efeito uma conta do gmail e, ainda para mais, em castelhano.
Provavelmente estaremos em presença de algum infeliz que necessita ganhar a vida sem recorrer a esse método desagradável, cansativo e muitas vezes mal remunerado que se convencionou designar por “trabalho”. Esta atitude, embora revele um notável espírito de iniciativa, demonstra também que o seu autor não possui um jeito por aí além para o negócio e que como aldrabão é fraquinho. Uma verdadeira bosta, diga-se.

Que ecológico que ele é...

O actual governo tem tomado medidas bastante audazes e inovadoras no domínio do ambiente e das energias renováveis, fazendo investimentos avultados nesta área e apoiando com incentivos fiscais os particulares e empresas que decidam apostar neste tipo de energia. O que só lhe fica bem e constitui, quanto a mim, um ponto forte da actividade governativa.
Esta preocupação é extensível aos membros do governo que terão optado por adquirir viaturas oficiais amigas do ambiente. Veja-se o magnífico carrinho da foto, sacada à sorrelfa ao Jornal O Mirante. É um Lexus GS 450H, transportava um secretário de estado que se deslocou a um município socialista para inaugurar qualquer coisa e está equipado com motor a gasolina auxiliado por dois motores eléctricos alimentados por uma bateria.
Claro que estas coisas têm custos, mas isso pouco importa quando em causa estão aspectos importantes como o aquecimento global ou o lince da Malcata. Se alguém quiser saber se a preocupação compensa, em termos de dinheiros públicos, é só fazer as contas, como diria o Engenheiro Guterres. O popó custa apenas oitenta e dois mil euros.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A indumentária da "nossa" indignação

Na falta de melhor a blogosfera nacional, nomeadamente a mais à esquerda e dada às liberalidades dos usos e costumes, está hoje indignada com as normas que supostamente são impostas às funcionárias da Loja do Cidadão no que concerne à indumentária que as mesmas devem ou não utilizar naquele serviço de atendimento ao público.
Mais do que a fatiota envergada pela funcionária de qualquer serviço, público ou privado, o que interessará ao cliente ou ao utente é forma, preferencialmente expedita e competente de quem o atende. No entanto não me parece que uma mini-saia reveladora ou um decote generoso constituam o traje mais adequado a quem trabalha em permanente contacto com o público. Assim de repente não me lembro de ter visto no Modelo, no Continente, no Pingo Doce, na Worten ou qualquer banco ou companhia de seguros, nenhuma empregada nesses preparos. E, até agora, ninguém se queixou por isso.
É absolutamente fantástico como futilidades deste género conseguem em Portugal fazer manchetes de jornais e ser notícia televisiva. Por estas e por outras é que o país não avança!

Amadores...

O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, alerta que são curiosos e amadores que tomam as decisões relativas ao trânsito na maioria das câmaras municipais do país.
José Miguel Trigoso diz que, em muitas autarquias, quem decide, por exemplo, a localização dos sinais de trânsito são pessoas sem qualquer formação nesta área. O alerta foi feito, esta manhã, no espaço “Uma ideia para o País” do Rádio Clube Português.
Nada que eu não constate assim que abro a porta da minha casa.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Monstrengo

Nas férias do ano passado era nesta esplanada que a meio da manhã beberricava o meu cafezinho e me inteirava das notícias do país, do mundo e, principalmente, do Benfas. Local agradável, tranquilo, café de boa qualidade, uma vista privilegiada para o mar, a escassos metros da praia…sitio catita, portanto.
Este ano a esplanada continua lá, no mesmo local, igualmente perto da praia e, aparentemente, mantém intactas todas as características que fizeram com que a escolhesse como local de eleição para ingestão da dose diária de cafeína e de actualização da leitura. Tem, contudo um adereço novo. Um mamarracho de proporções gigantescas e gosto duvidoso plantado no meio.
Desconheço que função está atribuída ao monstrengo. Será que é algo parecido com o papel dos sapos de louça espalhados pelas lojas?! Custa-me a acreditar que assim seja porque, se exceptuarmos a minha presença, aquilo até era um espaço bem afreguesado.

Empregos mil

Em consequência de politicas sociais pró-activas - seja lá isso o que for – e de protocolos diversos, a Câmara de Gaia anunciou que vai criar mil postos de trabalho. Parece-me uma excelente iniciativa. Principalmente se os outros trezentos e sete municípios lhe seguirem o exemplo e nada garante que, algumas, não o estejam já a fazer.
Graças a estes autarcas pró-activos o desemprego poderá passar a ser uma realidade desconhecida em Portugal. Pelo menos até ao final de Outubro.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Súbita generosidade

Com a aproximação das eleições e o agudizar da crise o governo parece ter sido atingido por um súbito sentimento de generosidade. Depois da apresentação de investimentos públicos de utilidade tão duvidosa quanto o seu financiamento e a sua rentabilidade, do anuncio de sucessivos “pacotes” de apoio a empresas e a familias - também conhecidos como eleitores - onde o executivo de José Sócrates se propõe gastar os milhões que antes não tinha, surge agora a ideia peregrina de atribuir o subsidio de desemprego a gestores e empresários.
Sabe-se da relação difícil, diria praticamente inconciliável, que estas classes mantêm com o rigor e a honestidade. São por demais conhecidas as artimanhas que usam na fuga aos impostos, à segurança social e a forma como não cumprem as suas obrigações para com os seus trabalhadores e fornecedores. É público que descapitalizam empresas com fins que envergonhariam qualquer gestor ou empresário digno desse nome, provocam falências fraudulentas e utilizam em proveito próprio – ou deverei dizer impróprio - dinheiros provenientes de subsídios estatais ou europeus.
Como bónus por tão notável comportamento deste tipo de gente, o governo equaciona a hipótese de atribuir uma prestação social quando uma destas criaturas resolve fechar a empresa de que é proprietário ou cessar a actividade que vem exercendo. Espero estar equivocado mas uma medida destas provocará uma vaga de encerramentos de pequenas empresas familiares. E logo para começar será, provavelmente, o fim dos mercados e feiras tal como os conhecemos…

terça-feira, 7 de abril de 2009

Soldados que queriam levar a cabo...

O período que se seguiu ao Vinte cinco de Abril foi um dos mais agitados da história recente do país. Se exceptuarmos, talvez, aquele Verão em que no chamado defeso futebolístico, Sousa Cintra, o então Presidente do Sporting, todos os dias contratava um jogador do Benfica. Mas futebolices à parte, até porque não embarco em futebóis, principalmente desde que o glorioso deixou de ser tão glorioso como era antes, o Verão de mil novecentos e setenta e cinco foi um tempo de alucinação colectiva em que cada dia surgiam acontecimentos novos, mais estranhos que os do dia anterior, disparatados e desprovidos de qualquer senso comum.
Na imagem que hoje publico pode ler-se um manifesto dos SUV, Soldados Unidos Vencerão, uma “organização” que pretendia mobilizar a tropa para coisas que se proponha levar a cabo. Ou seja, já nessa altura, a causa que verdadeiramente motivava essa malta era a promoçãozinha…

segunda-feira, 6 de abril de 2009

A crise foi ao fundo...

Uma espécie de premiozinho...

Esta malta dos blogues gosta de distribuir prémios e, vai daí, de vez em quando lembram-se de mim. Agora foi o JP, do Palavra Estranha, que resolveu presentear-me. Coisa que, obviamente, muito me apraz. A imagem do dito prémio vai causar sorrisos trocistas nos leitores que me conhecem, mas façamos de conta que neste caso se aplicam os mesmos princípio dos apoios aos agricultores em que, para efeito do subsidiozinho, a juventude dos ditos se prolonga generosamente por mais umas quantas décadas.
Como umas das “regras” é passar a mais uns quantos, vou optar por distribuir a coisa ao pessoal que me linka e que, desconfio, é jovem. Já quanto à parte do pensar não tenho dúvidas. Ou não fossem leitores do Kruzes…Então cá vai:
O Requerimento é Idiota; As Crónicas de Lambão; Tasca Real; La Finestra del Mondo; Verbum pro Verbo; Estremoz Revisited e Arrifanasea.
Eis as regras: 1. Exiba a imagem do prémio 2. Poste o link do blog que o premiou 3. Indique dez blogs para fazerem parte do “Manifesto Jovens que Pensam” 4. Avise os indicados 5. Publique as regras
(Não se aceitam reclamações, devoluções nem outras atitudes à Pedro Silva)

domingo, 5 de abril de 2009

Taça de Portugal de Maratonas (XCM)

Este não é um blogue noticioso nem de reportagem. Primeiro porque o seu autor não tem qualificações para isso, segundo porque não quer e, terceiro, porque acha completamente parvo faze-lo. Por isso a referência à prova a contar para a Taça de Portugal de Maratonas (XCM), a decorrer hoje em Estremoz, serve apenas para manifestar o meu apreço por aqueles que utilizam as suas bicicletas para percorrer caminhos onde não incomodam ninguém, ao invés de outros que, nas suas pasteleiras, andam por aí a empatar o trânsito. Pelo menos é o que dizem os maníacos dos automóveis…onde, obviamente, não me incluo.

"Modus operandis" do passado e do presente

Numa acção de formação promovida pelo Tribunal de Contas que frequentei já lá vão para aí vinte anos, o formador, distinto jurista daquela instituição, explicou o “modus operandi” que, à época, aquele Tribunal utilizava na recolha das primeiras impressões quando realizava auditorias externas às autarquias locais, nomeadamente às mais pequenas, do interior do país e com presidentes menos mediáticos.
Explicou-nos então o Doutor X, chamemos-lhe assim, que o trabalho iniciava-se umas semanas antes, com a leitura e compilação de notícias saídas na imprensa relacionadas com a localidade a visitar. Seguia-se uma visita onde, de forma incógnita, se iam ouvindo conversas de café, falando com alguns comerciantes e abordando um ou outro funcionário da autarquia – jardineiro, varredor ou algo do género – a quem perguntava o caminho para o edifício dos Paços Concelho e, como quem não quer a coisa, dava dois dedos de conversa sobre ordenados pequenos que por vezes são arredondados de formas mais ou menos ardilosas. Procedimentos que, garantia, se revelavam quase sempre eficazes na detecção de situações eventualmente menos transparentes.
Hoje nada disso é necessário. Comodamente sentado no seu gabinete, com meia dúzia de cliques, pode aceder a um leque de informação muito mais variada e completa acerca da instituição que lhe caiba auditar. É essa a força das novas tecnologias, nomeadamente dos blogues, que a alguns tanto assusta. O que se escreve acerca de determinada assunto pode ser lido em qualquer lugar do planeta a qualquer momento. Tanto pode ser lido num cyber-café do outro lado do mundo como no gabinete de um ministro. Hoje ou daqui por seis meses. Por mim considero este escrutínio claramente positivo. Sabendo-se de alguma forma vigiado o decisor tenderá, por norma, a ter um maior cuidado e um rigor redobrado nas decisões a tomar e, com isso, todos ficarão a ganhar.

sábado, 4 de abril de 2009

Coisas do PREC

Ironicamente nos anos loucos de setenta e quatro e setenta e cinco em pleno PREC, quando no país reinava a mais completa desorganização, todos os dias surgiam novas “organizações” que, cada uma à sua maneira, contribuía para desorganizar mais um bocadinho uma sociedade à deriva e sem saber ao certo o que o que fazer com a liberdade que lhe tinha sido dada. Sim dada, porque essa história de ter sido conquistada é uma grande treta…
Os militares, também eles, associavam-se segundo as mais diversas tendências e cada uma não hesitava em dar conta da sua existência e dos princípios que defendia para o país. Emitiam comunicados, que eram amplamente divulgados pelos meios de comunicação social, onde se escreviam coisas que hoje, vistas com um distanciamento de trinta e cinco anos, não passam de disparates desprovidos de qualquer sentido. De um “manifesto” aos soldados, marinheiros, classe operária e povo trabalhador em geral, publicado por uns auto-intitulados “Oficiais Revolucionários” em Novembro de mil novecentos e setenta e cinco, destaco as seguintes alarvidades:
“…foram dados passos importantes no sentido da organização autónoma da classe operária e do povo trabalhador”;
“A saída para a crise (já havia crise nessa altura) está pois na construção dum poder revolucionário assente num programa de unidade revolucionária”;
“Os trabalhadores só serão capazes de conquistar o poder e de o aguentarem nas mãos se estiverem armados”;
“Só o armamento dos trabalhadores e a sua organização com os soldados, formando um exército revolucionário, pode impedir a organização da burguesia”;
“Não admitimos mais conspirações de gabinete, alheias à organização dos trabalhadores e dos soldados”;
“Não admitimos mais as manobras dos políticos…”;
“É da base e para a base dos trabalhadores, que o poder tem de vir e tem que ir”.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Tvi, Sexta-feira

O jornal da noite das sextas-feiras da TVI constitui um dos momentos televisivos mais aguardados da semana e é com expectativa que apoiantes e detractores do primeiro-ministro e líder socialista - ou vice-versa – aguardam semanalmente o sacramental “boa noite, eu sou Manuela Moura Guedes”.
Com tanto rigor jornalistico, provavelmente ainda nos serão revelados crimes mais ou menos hediondos, alegadamente cometidos pelo improvável engenheiro, que a TVI descobrirá fruto de um exaustivo e rigoroso trabalho de investigação e nos apresentará em primeira mão. Estou em crer que várias testemunhas incriminarão José Sócrates por diversos crimes de triciclojaking, cometidos por volta de mil novecentos e sessenta. É mesmo provável que ainda surja alguém a revelar-nos um ou mais casos em que, por essa época, o homem tenha sido subornado com alguns berlindes.
Até eu, que não acredito em campanhas qualquer que seja a cor, começo a estar farto. Felizmente, no caso da TVI, posso mudar de canal.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Proposta indecente

Acabo de descobrir um novo blogue. Chama-se “Pensando no tempo” - já foi adicionado à lista daqueles que se atrevem a linkar o Kruzes apesar da má fama que isso acarreta - e parece estar no ar desde ontem. Provavelmente o seu autor deverá estar ligado à meteorologia ou, pior, anda com a cabeça nas nuvens. É o mínimo que se pode concluir da sugestão que apresenta, num post que acaba de publicar, onde defende a ideia de transformar Estremoz numa freguesia do concelho de Évora, no âmbito de uma eventual e futura divisão administrativa do país!
A regionalização é um tema que me é caro. Penso que os portugueses desperdiçaram, no referendo onde a questão foi a votos, uma ocasião soberana de pôr um ponto final no centralismo de Lisboa e iniciar um novo caminho onde os centros de decisão estariam perto dos eleitores. Lamentavelmente os eleitores não entenderam assim e, é minha convicção, que todos ficámos a perder. Nomeadamente todos os que estão longe dos corredores do poder.
Quanto à reorganização da divisão administrativa parece-me evidente que ela terá de acontecer. É, mesmo, urgente. A extinção de algumas freguesias será, então, um dado adquirido no nosso concelho, porque casos como o de S. Bento de Ana Loura e Santo Estevão, pelo menos, não têm qualquer razão para continuar a existir por evidente falta de população. Já a extinção de concelhos, salvo um ou noutro caso noutras regiões do país, não se afigura como necessária no distrito de Évora. E, como defende o autor do “Pensando no tempo” despromover Estremoz e os restantes municípios a freguesias é, no mínimo, uma piada de muito mau gosto.
Parada ou não no tempo – isso normalmente depende do lado de que se olha e da cor que se aprecia – os problemas de Estremoz pouco têm a ver com a forma como é, foi ou será gerida. O verdadeiro drama é a falta de pessoas. E, enquanto a tendência de desertificação que há décadas se vem verificando não for invertida, as coisas pouco irão melhorar. Mas enquanto os casais mais jovens preferirem ter cães a fazer filhos não sairemos da cepa torta.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Dia das mentiras

Hoje foi o dia em que tradicionalmente se diz uma mentira sem que ninguém se importe com isso. Ou quase. É que há mentiras e mentiras.
Uma das mais geniais e bem elaboradas que conheço, contada já lá vão uns bons anitos, garantia que um helicóptero se teria despenhado nas imediações de Estremoz e que miraculosamente todos os tripulantes teriam saído do aparelho sem um único arranhão. Afiançava ainda o seu autor que os estragos nas capoeiras e quintais das redondezas eram avultados, toda a zona apresentava um cenário de destruição nunca vista por aquelas zonas e que tratar-se-ia de uma coisa digna de um filme de Hollywood. A descrição dos pormenores do suposto acidente foi de tal forma convincente que motivou por parte dos vizinhos uma verdadeira romaria até ao local onde a queda teria tido lugar e que distava cerca de dois quilómetros do sítio onde a narrativa foi efectuada…Claro que quando estes constataram o logro em que tinham caído ficaram ligeiramente chateados mas, como bons praticantes deste tipo de humor, levaram a partida com fair-play e depressa reconheceram a genialidade da brincadeira.
Outras, principalmente quando o seu autor tem o mau gosto de inventar doenças a terceiros, não têm piada nenhuma. São apenas parvoíces.

terça-feira, 31 de março de 2009

Uma espécie de campanha negra

Um livro recentemente publicado ou a publicar em breve, não sei ao certo, nos Estados Unidos dará conta de vários aspectos menos conhecidos da vida do Presidente Barack Obama. Entre eles estarão alegadas relações homossexuais que este terá mantido durante a sua juventude. Provavelmente tudo não passarão de calúnias visando desacreditar o homem que, como se sabe, tem tomado algumas medidas incomodativas para gente poderosa que não está habituada a prestar contas da utilização que faz do dinheiro dos outros nem suporta ser incomodada pelo poder político.
Embora mantenha que cada um com o respectivo cú faz o que muito bem entende e que mandar o “besugo” à merda é uma opção que só ao próprio diz respeito, espero que essas afirmações não passem de miseráveis atoardas. Ou de uma espécie de campanha negra. É que, finalmente, começava a acreditar que os eleitores americanos tinham feito uma boa escolha.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Twitando

Não consigo achar ponta de utilidade ao twitter. Criei lá uma conta, nem sei se é assim que se diz, mas continuo sem perceber para que raio serve aquilo ao cidadão apenas relativamente parvo. Salvo melhor opinião não passa de uma “invenção” patética destinada a verdadeiros patetas. Daqueles mesmo à séria.
Goza no entanto, ao que relatam os média, de grande popularidade entre os deputados que, com esta nova ferramenta informática, se podem assim ofender e mandar para os mais diversos sítios muito mais discretamente.

A importância suprema do penalti

Ficámos agora a saber, pela boca de Isaltino Morais, que afinal muitos e muitos – políticos entenda-se – não entregariam a declaração de património e rendimentos ao Tribunal Constitucional. Obrigatória, segundo a lei. Ao que parece não servia para nada e, portanto, ninguém ligava a isso.
Faltas deste género pouco importam aos portugueses. A prova disso é a eleição sucessiva de vários políticos que, apesar de não terem sido considerados culpados de qualquer crime ou sobre eles recaiam suspeitas fundamentadas de algum ilícito, não gozam de especial boa fama devido a diversas traquinices ciclicamente divulgadas pela comunicação social. Abuso de poder, apropriação de bens públicos em benefício próprio ou corrupção na classe política não é coisa que preocupe ou interesse por aí além na hora de decidir o sentido de voto. Deve ser do hábito.
Importante mesmo, determinante até, é punir severamente o sacana do árbitro que marca erradamente o penalti que não foi ou, descaradamente, fecha os olhos ao que foi. Malandro!

domingo, 29 de março de 2009

Pesquisa da semana

A semana que passou foi parca em pesquisas “fora do anormal”. A maior parte dos visitantes chegam até ao Kruzes directamente ou através de links de outros blogues que apontam para este espaço e, por isso, não são muitos os que vem ao engano de pesquisas feitas nos diversos motores de busca. A bem dizer nem são muitos os que perdem o seu tempo a vir até este blogue seja de que forma for. O que se compreende. Por cá não se publicam informações daquelas que não se encontram em mais lado nenhum, como a realização da “Festa do Ovo Estrelado” em Frigideira de Cima, nem tão pouco existem motivos para, por obrigação ou devoção, este blogue constituir motivo da reverencial visita obrigatória.
Considerandos à parte, até porque não é esse o tema do post, a pesquisa merecedora de destaque na semana que passou não é difícil de escolher. Foi feita por alguém que procurou saber mais acerca de "subida de categoria função pública 2009”. É uma busca tão estranha que, sinceramente, fiquei sem palavras. Parece-me um abuso, falta de respeito até, que alguém ainda pense em subidas de categoria, de índice remuneratório, de ordenado ou seja do que for. Vão mas é trabalhar, ó!

Ruas do meu país

Estas duas fotografias foram obtidas hoje na minha rua. Mas podiam ter sido tiradas ontem, anteontem, antes de anteontem, amanhã, depois de amanhã ou depois de depois de amanhã. Na minha rua ou em qualquer outra rua da minha cidade. Ou noutra rua de qualquer outra cidade.
Pode argumentar-se que não há nada a fazer e que os cães têm de cagar em algum lugar. Também é verdade que há muitíssima gente com animais em casa e que tomar medidas – por exemplo fazer cumprir a lei – relativamente a coisas destas é chato, desagradável e pode, em última instância, prejudicar eleitoralmente quem o fizer. Portanto o melhor é fazer como os canitos. Cagar para o problema. O que não sei se será a melhor opção, porque quem não tem cão também vota e pessoas indignadas com este tipo de situação são cada vez mais. Sou eu que vos digo.

sábado, 28 de março de 2009

Sustos

“É assustador jogar contra Portugal”. Quem o garante é Cristiano Ronaldo algumas horas antes do jogo de logo mais à noitinha com a Suécia. Talvez seja. Principalmente antes de o jogo começar. Essa é a altura em que somos mesmo bons e não há, no planeta, quem nos passe a perna.
Ainda assim, em matéria de sustos, as afirmações do craque do pontapé na bola não são completamente descabidas. É, de facto, assustador ver Portugal jogar.

Gestores e outros ladrões

São cada vez mais as vozes, todas de economistas, gestores e outros nababos bem instalados na vida, a defenderem a redução de salários em Portugal. Não a redução dos ordenados ultra-mega milionários de que por aí se ouve falar, mas sim a baixa generalizada dos vencimentos dos trabalhadores que, argumentam, recebem muito acima daquilo que é a produtividade do país.
Para defender esta tese são usados argumentos brilhantemente rebuscados dignos de uma classe que, não só não foi capaz de prever a crise que actualmente se vive como, pior, tem enormes responsabilidades na sua existência. Uma classe a que, recorde-se, pertence a corja de ladrões e vigaristas responsável por falências fraudulentas e desfalques de muitos e muitos milhões.
Defendia hoje uma besta qualquer desta área de actividade, que sim senhor os ordenados dos trabalhadores deviam ser reduzidos em virtude da sua produtividade não estar ao nível daquilo que lhe é pago. Questionado acerca da aplicação do mesmo princípio aos gestores, respondeu que não porque esses, num ápice, mudar-se-iam para outros países deixando as empresas portuguesas desprovidas de gestores qualificados.
Confesso-me atónito perante tamanha barbaridade e inusitada prova de estupidez. Milhões de portugueses saíram do país em busca de um emprego e de um ordenado digno, mas entre eles contar-se-ão, seguramente, bem poucos gestores. E se num futuro próximo esses bandalhos conseguirem levar a sua avante muitos outros irão embora, rumando a outras paragens e a outras economias geridas por gente menos tacanha. Quanto aos gestores também acredito que emigrem. Podem sempre ir lavar sanitas para a Suíça ou para a Alemanha porque, para outro cargo, duvido que alguém os queira.