sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

A moral, a moralização e outros pecados

Este post do meu amigo Albino no seu Estremoz em Debate motivou as mais variadas reacções. De concordância a maior parte, o que atendendo ao público-alvo não é de espantar, e outras que nem por isso. Inclusivamente alguém manifestou, sob a forma de comentário, o seu desagrado e também a sua ignorância relativamente à matéria acerca da qual o Albino dissertou.

Fez-se passar a ideia, com sucesso diga-se, que a moralização da administração pública passaria por uma reforma que, entre outras coisas, iria acabar com as promoções automáticas na carreira dos funcionários e que essas subidas passariam a ter apenas em consideração o mérito de cada um. Nada mais falso, como sabem os que conhecem estas coisas, porque nunca houve na administração pública promoções automáticas. Todo o processo de subida de categoria era precedido de um concurso, que obedecia a formalidades diversas que foram variando ao longo do tempo e dos humores dos governantes.

De forma automática e apenas condicionada pela obtenção de classificação de serviço nunca inferior a bom, era a progressão na carreira. Método que veio substituir, em 1989, as antigas diuturnidades que existiam desde tempos imemoriais na função pública e que ainda hoje são usadas em muitas empresas do sector privado.

A tão propalada reforma não veio alterar estes princípios. Pelo menos da forma radical que é anunciada e que muitos – coitados – gostariam que fosse. Aquilo que o governo fez foi alargar em muito o tempo necessário para a tal progressão automática e conceder aos dirigentes um poder discricionário – ou se quisermos discriminatório – acerca de quem deve ou não ser promovido ou progredir na sua carreira, como muito bem escreve o Albino.

Concluindo, actualmente o nabo com cartão do partido ou a gaja boazona que o dirigente máximo do serviço – qualquer que ele seja - anda a comer, continua a subir de forma automática, muito mais rapidamente e a ter aumentos maiores do que antes o funcionário competente. E quem diz a boazona diz um qualquer paneleiro, se o tal dirigente for desses, porque aqui pelo blogue não há discriminações.

Ou melhor. Haver até há, mas fica sempre bem dizer que não há.

Desculpas...

Apesar da crise, dos despedimentos e dos sucessivos encerramentos de empresas, parece haver ainda empresários patrões que necessitam recrutar pessoal e não encontram ninguém disposto a trabalhar nas suas empresas. Ao que garantem, a culpa será do chorudo subsídio de desemprego que generosamente é atribuído aos desempregados e que motiva pouca apetência aos beneficiários desta prestação social em aceitar qualquer emprego mal remunerado.

Não sei se os empresários patrões lusos terão ou não razão naquilo que afirmam. O que me parece é que, como dizia o amigo Simão Serafim¹, o exemplo tem de vir de cima e de cima há muito que não aparece nenhum exemplo de jeito, nem que mereça ser seguido quando a matéria a tratar é aproveitamento da coisa pública. Perante tudo o que se tem visto, lido e ouvido nos últimos tempos, quem pode criticar que alguém opte por ficar em casa e receber praticamente o mesmo dinheiro não trabalhando em vez de aceitar um emprego com um salário de miséria?!

Nem desconfio se situações dessas ocorrem com frequência. O que me parece estranho é que, sendo o mercado que comanda o funcionamento da economia e havendo escassez de mão-de-obra, não interessando para aqui o motivo, os salários não aumentem e os empresários patrões que disso se lamentam não subam o valor das remunerações pelas quais pretendem contratar trabalhadores continuando a insistir em oferecer o salário mínimo…

¹ Alguns sabem do que estou a falar e lembram-se da tirada, de todo inesperada, que deixou boquiabertos os que assistiam a uma célebre reunião no Teatro Bernardim Ribeiro…

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

No tempo do Eça estas coisas resolviam-se à bengalada. Essa é que é essa!

A detenção em flagrante delito não parece ter sido suficiente para desmotivar um bando que, tudo indica, continua a andar por aí. Segundo alguns rumores, terão sido novamente avistados cidadãos estrangeiros a rondar pelos bairros do Monte da Razão, Quinta das Oliveiras e da Salsinha, locais onde ainda recentemente foram assaltadas várias residências e duas mocinhas, vindas do leste europeu para exercitar as artes do gamanço, foram apanhadas com a boca na botija. Ou, talvez seja mais apropriado, com a mão na massa.

Claro que esta malta pode, com toda a legitimidade continuar a passear-se e a desenvolver a actividade que as trouxe até cá. Por mais assaltos que pratiquem e por mais vezes que sejam apanhadas haverá sempre alguém que se encarregará de as devolver à liberdade. Afinal vivemos num país livre e onde as mais amplas liberdades, garantias e direitos são assegurados a quase todos. Pelo menos aos que cometem algum tipo de crime.

Já os potenciais alvos desta rapaziada estão por sua conta e risco. Apesar dos avisos das autoridades, pouco ou nada poderão fazer para proteger os seus pertences da cobiça alheia. Acredito que não seja a melhor solução mas, a continuar assim, parece inevitável a organização de passeios de moradores pelas ruas do bairro. Cada um, como no tempo do Eça, munido de uma bengala. O que, para além de não ser proibido nem constituir nenhum crime, pode ser uma óptima maneira de resolver qualquer questiúncula como na época Queirosiana se resolviam os mais variados diferendos. À bengalada.

Erro irritante

Ao que se diz, Estremoz está cheio de gente que sabe tudo e mais alguma coisa acerca de todos os blogues que se publicam por cá. Devem por isso saber que o “KruzesKanhoto” dá-me este malvado erro cada vez que edito um post.

Se sabem assim tanto, resolver isto deve ser canja. Digam-me lá o que devo fazer porque, verdade verdadinha, esta coisa começa a irritar-me.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Os milhões, a familia e a sogra

Mesmo não conhecendo os contornos da história não deixo de achar ridículo que um casal de ex-namorados se digladie em tribunal porque ambos reclamam a posse de um boletim premiado do euro milhões e principalmente o respectivo prémio que ascenderá aos quinze milhões de euros.

É natural que tanto dinheiro dê origem a divergências quanto à forma de o gastar. Mais ainda quando, como parece ter sido o caso a serem verdadeiros os relatos da comunicação social, a família se mete ao barulho. Pior. Parece que a sogra, que nunca terá chegado verdadeiramente a sê-lo, estará, ainda segundo a comunicação social, também envolvida no assunto.

Seja como for não é fácil a quem está de fora e desconhece os meandros da tramóia perceber porque raios não dividem o prémio ao meio e vai cada um à sua vidinha. Serão sete milhões e meio de euros um valor incapaz de proporcionar aos litigantes uma qualidade de vida à medida dos seus anseios e que justifique uma querela capaz de se arrastar por muitos e longos anos pelos tribunais – e pela praça pública – sem que entretanto possam usufruir do dinheiro? Ou será gente tão endinheirada que mais milhão menos milhão bloqueado no banco durante dois, três ou mais anos pouca diferença faz? Provavelmente nem uma coisa nem outra. Estaremos apenas perante uma invulgar demonstração de ganância misturada com uma quantidade anormalmente elevada de parvoíce.

A lei certamente não o permitirá, mas bem feito – mesmo feito – era o juiz que julgar o caso atribuir o dinheiro a uma instituição de solidariedade qualquer.