Costuma dizer-se, com razão, que o tempo é dinheiro. Ao espaço, seja físico ou blogosférico, aplicam-se igualmente critérios de rentabilização de acordo com aquilo que cada um pretende fazer dele. Assim, também por isso, na sequência de uma orientação editorial que há algum tempo já vem sendo seguida neste blogue, deixarão de ser disponibilizados links a todos os que não seguem igual politica de reciprocidade.
Da actualização efectuada hoje poderão ter resultado a eliminação de algumas ligações que apontam para este espaço ou a não inclusão de outras por desconhecimento da sua existência. Se assim for agradeço que as enviem para a caixa de comentários e oportunamente serão inseridas na barra lateral.
O Procurador-geral da Republica manifestou-se, um destes dias, preocupado com a criminalidade que se verifica no país e que segundo ele, poderá aumentar significativamente este ano. Atento ao problema José Sócrates terá já encontrado a solução que fará melhorar drasticamente as estatísticas nesta matéria e que envolve uma complexa e profunda revisão de toda a legislação da área criminal.
Assim, assaltar bancos ou roubar caixas multibanco deixará de ser crime. Esta actividade passará a ser conhecida como “levantamentos não autorizados” e não será punida criminalmente. À semelhança, aliás, do que já acontece quando os fundos são desviados a partir de dentro da própria instituição bancária.
Assaltos a supermercados, joalharias e outros que envolvam bens de consumo, adorno ou decoração também não serão considerados crimes. Passarão a ser designados como “recolha de bens essenciais por parte de pessoas com necessidades de consumo para além das suas posses” e o governo criará um fundo para pagar os prejuízos aos comerciantes afectados por este tipo de actuação.
O mesmo principio se aplicará ao “carjacking”. Mas, nestes casos, as viaturas serão devolvidas aos legítimos proprietários enquanto ao até agora considerado criminoso, será entregue uma viatura igual à que foi alvo da sua cobiça, com a qual poderá prosseguir livremente as suas actividades que, como já se disse, deixarão de ser crime.
Quanto aos assaltos a pessoas, apenas deixarão de ser considerados como actos criminosos se o assaltante emitir recibo, verde ou de qualquer outra cor, que será dedutível no irs do assaltado e, para além disso, não estiver em divida para com o fisco e a segurança social. Caso não se verifiquem estes pressupostos, e apenas nesse caso, o praticante desta actividade será severamente punido. Embora ainda não sejam conhecidas as medidas sancionatórias a aplicar, acredita-se que poderão passar pela suspensão da atribuição do rendimento mínimo.
Relativamente às vítimas que ofereçam resistência ou que tenham o descaramento de, ainda assim, incomodar as autoridades policiais, poderão vir a ser acusadas de desacato e desobediência civil, podendo mesmo ser expulsas do país. Refira-se que o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista terão já manifestado o seu apoio a estas medidas por serem “da mais elementar justiça social, que em muito contribuirão para diminuir as assimetrias sociais e que apenas pecam por tardias”.
Quando vou às compras a caixa a que me dirijo é invariavelmente a mais lenta. Mesmo que a bicha – neste blogue não se alinha em brasileirismos – tenha metade das pessoas que as caixas ao lado, aquela em que eu estou demora sempre mais tempo. E qualquer razão é boa. Produtos com defeito, preços incorrectos ou velhotas que insistem em encontrar moedas de cêntimo no fundo da carteira. Principalmente em carteiras que não tem cêntimos no fundo.
Ontem, optei por pagar as compras numa caixa onde apenas se encontrava um grupo de três jovens, com pouco mais de meia dúzia de produtos visivelmente destinados a uma festarola de fim de ano e que aparentemente pareciam ser breves. O pior é que eles resolveram meter-se com a empregada, toda gira, diga-se, ainda que vagamente parecida com a Popota, que ficou deleitada com a tanga que a rapaziada lhe estava dar. O resultado foi larguíssimos minutos de espera em consequência de vários enganos provocados pela animada troupe e pela atrapalhação evidenciada pela rapariga que provavelmente nunca ouvira tanto elogio em tão pouco tempo.
Ainda assim não foi dos dias piores. Até nem havia ciganos. Devem ter ido todos passar o ano fora. Ou dentro, sabe-se lá.
Fim de ano é tempo de eleger, nomear ou simplesmente apontar, aqueles que ao longo do ano mais se distinguiram seja naquilo que for. Uma discriminação, diria eu, porque os que não conseguiram ser os melhores em qualquer coisa só porque houve alguém que conseguiu ser ainda melhor, também merecem a nossa atenção. Tal como também merecem os muitos que nem sequer conseguiram ser bons mas que, apesar de tudo, não foram maus.
Foi dentro deste espírito que resolvi considerar o Homem do Bloco a “Personalidade Assim-assim do Ano”. Como repetidamente aqui – e noutros locais, também - foi referido ao longo do ano que agora termina, o nosso homem não é de esquerda e não tem por hábito escrever em jornais. Nem mesmo, pelo menos que se saiba, anda metido nessa coisa dos blogues. Não gosta, não lê e, como muitos outros, acha que isso é para quem não tem mais nada que fazer. Alguém de manifesto bom senso, portanto.
Foi todo este conjunto de qualidades que me levou a considerá-lo a “Personalidade Assim-assim” de 2008. Não consta que tenha feito algo útil para a sociedade, como poucas vezes fazem os seus iguais, mas isso não é matéria que releve para o caso. O facto de andar por aí já é suficiente.
É verdade que o KruzesKanhoto não é um blogue tão bom quanto outros que por aí se vão publicando mas, porra, não constar desta lista é intolerável. Principalmente quando se vê o que ficou em centésimo lugar...