sábado, 6 de dezembro de 2008

Os optimistas

Acho alguma piada àqueles que, por missão ou convicção, demonstram todo o seu optimismo garantindo-nos que o país é hoje um lugar melhor do que num passado não muito distante. Não mais distante que a duração da legislatura.

Este estado de espírito, ora optimista e confiante, ora pessimista e descrente, vai variando consoante o partido que apoiam – ou a que se apoiam - está no poder ou na oposição. Mesmo que as melhorias de que falam não sejam enxergáveis aos olhos de qualquer cidadão que não veja as coisas com a paixão da partidarite a toldar-lhe as emoções e o raciocínio.

Por mim, que já não tenho idade para acreditar em políticos mas que, obviamente, reconheço a infeliz impossibilidade de vivermos sem eles, divirto-me a assistir a este alternar de opinião e ao esforço, quase sempre inglório, que uns e outros vão fazendo para nos convenceram da sua razão. Ou para se convencerem a eles mesmo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Yes, Prime Minister.

2009 vai ser um ano bom. Pelo menos se acreditarmos nas promessas de José Sócrates. O popular vendedor de Magalhães garante que no próximo ano vamos ter gasolina barata, juros baixos e – pasme-se – até os funcionários públicos terão um aumento salarial superior à taxa de inflação prevista. Se o homem diz é porque vai ser assim de certeza absoluta, sem qualquer margem para erro ou lugar a dúvidas parvas daqueles que estão sempre do contra.

Por mim - que faço os possíveis por andar a pé, não tenho empréstimos a pagar e não acredito em qualquer pantomineiro - teria preferido que o Primeiro-ministro tivesse desde já assegurado que o Benfica ia ser campeão. Isso sim é que era uma medida verdadeiramente popular e que faria a felicidade de, pelo menos, dois terços dos portugueses. Sempre queria ver se os seus apoiantes portistas e sportiguistas iam ter a ousadia de discordar de tão inteligente medida do divino, idolatrado e querido líder.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Os culpados do costume

Ciclicamente, surgem na imprensa os resultados de aturados estudos que nos dizem quantos dias não vamos trabalhar durante o ano e as implicações, desse facto, nos resultados das empresas e os custos que esse descanso acarreta para o país. Quase sempre alarmantes e preocupantes, não necessariamente por esta ordem, a acreditar nos alarmados e preocupados estudiosos que produzem estas alarvidades.

Desta vez garantem que, no próximo ano, os cento e trinta e sete dias sem trabalhar vão ser responsáveis por perdas que poderão representar perto de um por cento do PIB e que isso pode constituir a diferença entre o crescimento económico e a recessão.

Obviamente não tenho dados, ou conhecimentos académicos, que me permitam pôr em causa os valores divulgados. Ainda assim, parece-me coisa própria de sabujo pretender atribuir culpas a quem trabalha pelos resultados desastrosos da economia do país.

Como gosto de números, vou estar atento a outras análises. Nomeadamente quanto custou aos portugueses - e já agora o seu peso no PIB - a salvação das fortunas dos investidores especulativos do BPP e os desmandos dos administradores do BPN. Ou, se não desse muito trabalho a estudar, as reformas obscenas obtidas após meia dúzia de anos de serviço, as indemnizações milionárias e os salários principescos dos gestores e administradores.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

As inquietações do deputado

O deputado Paulo Pedroso interpelou hoje na Assembleia da Republica o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, acerca dos voos da CIA que transportaram prisioneiros para Guantanamo e que, alegadamente, terão sobrevoado o território nacional.

O deputado do Partido Socialista mostrou-se vivamente interessado nesta questão, apesar da mesma não passar de um pequeno problema e constituir apenas um tema menor da política nacional. Até porque este é mais um daqueles casos em que a verdade dificilmente será apurada e onde ninguém vai ser condenado, mesmo que não seja declarado inocente. Ainda assim ficam-lhe bem estas preocupações. É sempre bonito estar ao lado dos mais desprotegidos e desafortunados. Muito mais bonito que estar por trás. Ou pela frente.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Os seniores

Tenho fundamentado receio de nunca chegar a ser velho. Não que tencione morrer cedo – antes das vinte e três horas não me dá jeito – ou acredite que a ciência vai descobrir qualquer coisa que me impeça de envelhecer. Nada disso. A mania do politicamente correcto vai encarregar-se de tudo e fazer com que eu daqui por uns anitos seja algo que, por enquanto, nem consigo imaginar.

Vejamos o que me leva a esta conclusão. Quando era miúdo, aos velhos chamava-se isso mesmo. Velhos. Num tratamento cordial podíamos apelidá-los de velhotes ou, mais ternamente, velhinhos e alguém menos educado chamar-lhe-ia, depreciativamente, velhadas.

No pós “vinte cinco do A” a intelectualidade de esquerda achou mal esta designação e, vai daí, passaram a ser a “terceira idade”. Mas como no singular não dava muito jeito desatámos a tratá-los por idosos. Ultimamente é ainda pior. Já não são nem uma coisa nem outra. São conhecidos agora como seniores.

Ora isto suscita algumas questões de carácter linguístico que considero assaz pertinentes. Por exemplo, o que devo dizer em lugar de velhinho? Seniorzinho?! Não me parece. Idosinho soaria ligeiramente melhor, mas demasiado demodé. E depreciativo? Não encontro pior do que veterano. E como se substitui o sempre simpático e afável velhote? Por qualquer coisa impronunciável, certamente… Era nestas coisas que os gajos que andam sempre a inventar estas mariquices deviam pensar antes de se porem com ideias.

Noutra perspectiva e vendo o lado positivo, reconheço algumas vantagens nesta nova semântica. Nomeadamente ao nível do piropo de andaime. Imagine-se um destes dias um trolha, perante uma senhora que apesar da idade mantenha ainda intactas algumas qualidades, a gritar: “Olha-me aquela sénior… toda jeitosa! Ainda fazia uma perninha nos juniores.”