Outro corte no ordenado, este ano. Mais um. Já vou estando habituado. Tal como também me vou habituando a que todos achem muito bem o que antes achavam mal só por ser mais uma reversão à moda do Costa, esse santo milagreiro. Verdade que, desta vez, não será bem um corte. É mais um adiamento. Restituem-me daqui por dez meses o que me tiram hoje. Ainda assim surpreende-me que todos aqueles – e são mais que muitos – que passam a vida a reclamar que o vencimento só lhes chega até ao dia cinco – ou nem isso – não se queixem agora que, quase de certeza, ainda acaba mais cedo.
A ideia de pagar “por atacado” estará fundamentada na tal dinamização da economia através do consumo. O governo terá esperança que, quando o pessoal se deparar com muito mais dinheiro na conta, desate a consumir como se não houvesse amanhã. Por mim não lhe vou fazer a vontade. Se puder – e também para contrariar – ainda irei gastar menos. O mesmo deverá acontecer com o restante pagode que entende a medida como mais uma genialidade da geringonça. Ou muito me engano ou os cinquenta por cento do décimo terceiro mês nem para metade do cartão de crédito há-de chegar...