Hoje estou do lado dos amiguinhos dos animais. Algum dia teria de acontecer. Isto a propósito do individuo que foi morto por um cão que guardava a propriedade onde o homem teria ido, alegadamente, apropriar-se indevidamente de algo que não lhe pertencia.
É, não apenas mas principalmente, para isto – guardar - que estes animais servem. Sempre assim foi. O cão guarda o monte. Defende-o dos intrusos. É a lei da vida. O que não é normal – nem, muito menos, natural – são cães em zonas residenciais, encerrados em apartamentos, a ladrar e a incomodar os vizinhos. Nomeadamente durante a noite perturbando o sono a quem quer ou precisa de descansar.
Um dos primeiros trabalhos que me foi atribuído tratava-se do licenciamento de canideos. Que, há época, se dividiam essencialmente em duas categorias. De guarda e de caça. Nenhum deles podia estar alojado em espaço urbano. Aí eram considerados animais de companhia ou de luxo e pagavam uma taxa exorbitante. Várias vezes superior aos primeiros. Talvez por isso, porque as pessoas tinham mais juízo e respeito umas pelas outras ou não tinham dinheiro para extravagâncias esses cães eram uma raridade. Hoje constituem a esmagadora maioria e nem sei se algum está devidamente licenciado. Coisas de uma sociedade evoluída.