
O reconhecimento pela Unesco dos bonecos de Estremoz como património imaterial da humanidade será para a cidade, presumo, um dos acontecimentos mais marcantes de sempre. Constitui também, como muito bem salientaram os responsáveis pela iniciativa, uma responsabilidade acrescida para quem os cria e para quem os promove. Até porque, de ora em diante, muito mais gente vai estar de olho neles. Nos bonecos. E, quase aposto, não vão faltar as criticas. Nomeadamente daqueles que não entendem o contexto em que esta arte surgiu e se desenvolveu.
A cena da "matança do porco", por exemplo, calculo que deve incomodar os amiguinhos dos animais. Ou a inexistência - acho eu - de bonecos que representem ciganos, homossexuais, muçulmanos, coxos, marrecos e anões. Coisa que, provavelmente, não deixará de suscitar a indignação da policia do politicamente correcto por, à luz dos modernaços conceitos agora tão em voga, não promover a inclusão desses segmentos populacionais. O que, a acontecer e para além da risota que nos vai proporcionar, até poderá ajudar. Como oportunidade de negócio.