quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

Ano novo, hábitos de sempre

Admiro a relação que temos, enquanto povo, com o dinheiro. É, digamos, especial. De desapego, diria. É o que se conclui depois de ver um cavalheiro, daqueles que dissertam habitualmente sobre poupança na televisão, a indagar pessoas na rua acerca do valor das comissões bancárias que o banco lhes cobra. Uns desconheciam o valor que estão a pagar, outros não sabiam nem estão muito interessados em saber e outros sabiam mas não se importam. Nenhum, apesar de informados pelo dito guru das poupanças sobre alternativas gratuitas, se mostrou interessado em mudar para um dos vários bancos que disponibilizam contas sem custos para o cliente. Nem mesmo aqueles que não estão amarrados a nenhuma instituição bancária por via do crédito à habitação deram grande importância à possibilidade de mudança.


Entre cartões e comissões para tudo e mais um par de botas, o custo médio destes “serviços” superará anualmente os cem euros. Em troca de nada. Aceitar pacificamente este saque revela uma espécie de relação de amor-ódio com os bancos. Enquanto, por um lado, levam a vida a vilipendiar a banca e os banqueiros, por outro enchem-lhes os bolsos voluntariamente. Esta passividade dos portugueses não constitui qualquer surpresa. São iletrados em matéria financeira, mas apesar de não saberem gerir a própria carteira estão convictos que conhecem todas as soluções para bem governar o país. E ainda têm a lata de se queixar…

2 comentários:

  1. Subscrevo totalmente e levaste-me ao IRS de 2025 sobre 2024 que muitos vão ficar espantados.
    Este governo é o máximo e até agora foi dos piores que já vi!
    Beijocas e tudo a correr bem!

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  2. A paternidade das tabelas do IRS (de 2024 e 2025) é, em enorme medida, também do PS e do seu aliado Chega.

    Os dois meses em que pouco ou nada se descontou, claro que não será devolvido - e noutros casos terá de ser pago - quando se fizer o acerto de contas. Mas isso, lá está, resulta da tabela imposta pela coligação PS+Chega e subsequente aproveitamento eleitoral do PSD. Por mim preferia, se isso fosse possivel, não descontar nada ao longo do ano e pagar o IRS quando efectivamente é devido. Por que raio hei-de eu começar a entregar dinheiro ao Estado em Janeiro quando o prazo para pagar apenas termina em Agosto do ano seguinte? Assim a brincar são vinte meses que o Estado se está a gozar do que é meu!

    Sim, concordo. Este governo, na linha dos anteriores, é uma lástima. São todos incapazes de reformar a sério o país e tornar isto numa coisa competitiva. Em vez de aprenderem com a Irlanda apenas sabem distribuir dinheiro pelos potenciais eleitores e pelas corporações que guincham mais alto.

    Cumprimentos!

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