Esta segunda-feira um jornal diário escreveu, na primeira página, que "corrida a certificados cria pressão sobre reembolso da divida pública em 2033”. Já hoje, terça-feira, numa perspetiva muito mais optimista, igualmente na sua capa, garantia que "ganhos com taxas de juro colocam famílias a poupar”. Isto porque, esclarecia no segundo artigo, “está a compensar investir em depósitos”.
Longe de mim estar para aqui a perorar sobre as intenções destas publicações jornalísticas. Nem ao de leve me ocorre que se pretenda instalar a desconfiança relativamente à capacidade do Estado reembolsar os aforradores que optaram por investir em certificados, levando-os a desviar as poupanças para os bancos. Ná. Até porque, também eu, escrevi num post datado de 23 de Fevereiro de 2023, "Há por enquanto, dinheiro para quase tudo e quase todos. Veremos é se chega para devolver todo o aforro, acrescido dos juros prometidos, investido nos tais certificados. Com a vontade de ir buscar dinheiro a quem o tem, já manifestada em tempos por uma mais que provável futura ministra, começo a desconfiar que, na altura da liquidação da coisa, o dinheiro tenha tido um destino mais solidário, chamemos-lhe assim. Leram primeiro aqui...”
Por mim, que não sou de intrigas, mais do que da capacidade do Estado para – tal como garantiu - devolver o dinheiro de quem poupou, desconfio da vontade política de o fazer se, então, o poder estiver ocupado pela esquerda. Mas aí, se ainda por cá andar, vai ser divertido ver a reação daqueles que defendem o não pagamento da divida quando for o dinheiro deles a arder. Sim, porque acredito que muita dessa malta também deve ter investido em certificados. Aposto que até as perninhas lhes vão tremer...
Felizmente a nível económico, você é igual aos jornalistas...
ResponderEliminarDeixo-lhe uma curiosidade, para pensar nisso nas próximas 40000 horas e evitar fazer 5400000 milhões de perguntas ao chatgpt:
O artigo económico, refere-se aos certificados de aforro da Série E. Esta série esteve disponível de 2018 a 2022. A série F (a tal que os media dizem dar 0,00001% do que dá o depósito mais simples da banca comercial) começou em Maio de 2023 e não está a recuperar os valores que estão a sair da série C (que será encerrada em Março de 2025) e da série D (que será encerrada em 2028). Como é que apontam para um valor de 66000 milhões de euros para um só exercício? Será que os portugueses liquidaram 66000 milhões de euros das séries anteriores e investiram tudo, a 1 de Junho de 2023, na Série F?
Os reembolsos vão sendo feitos ano a ano. É o que está a acontecer agora, com a série C (que é eliminada, em Março, do próximo ano, deixando de pagar 4,5% de juros anuais), seguida da série D (que paga 3,5%, no máximo) e a série E será liquidada até 2032 mas, não é devolver 127% do valor do certificado, tudo no mesmo ano, como você acredita e leu que é. Os valores são pagos aos longo dos 5 anos de vigência, ao final do 10 ano de manutenção. O que divide os 27% dos juros (são 127% do valor do certificado se nunca for levantado até ao fim do 10 ano e se os juros gerais se mantiverem acima de 2,5%), pelo menos, por 6 orçamentos de estado.
Além de que, desde 4 de Junho de 2024, os certificados (da série F) já voltaram a pagar mais que 99% dos depósitos a prazo (não contando com os estruturados ou investimentos noutras fontes muito voláteis), sem necessidade de pagar mensalidades elevadas, à banca.
Ora aí está um comuna com 1 000 000 000 000 000 de euros dispersos por diversos investimentos.
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