Segundo o “Correio da Manhã”, que se baseia num estudo do fisco, mais de metade das rendas escapam aos impostos. Apesar de considerar a carga fiscal elevadíssima – ao nível do furto – e de achar que, no actual quadro fiscal, escapulir ao pagamento dos impostos é um acto de legitima defesa esta é uma prática que não recomendo. Não neste sector. Por muitas razões. Umas que tem a ver com as garantias do próprio senhorio e outras com as do inquilino que, coitado, nestas circunstâncias se vê impossibilitado, também ele, de resistir ao esbulho fiscal nos casos em que é igualmente vitima.
Nisto de impostos os portugueses são, na sua maioria, uns absolutos analfabetos. É arrepiante a ignorância que, nesta matéria, por grassa. Mesmo entre gente com cursos superiores e em posições sociais ou profissionais com algum destaque. Deparo-me todos os dias com criaturas que, por exemplo, desconhecem como funciona o IRS ou os rendimentos sobre os quais incide. Há, até, quem nem saiba ao certo o que isso é. Mas, confesso, aos que acho mais piada são aqueles – malta de esquerda, essencialmente - que espumam com a intenção do governo de reduzir o IRC. Não é que seja um entusiasta da ideia, mas relativamente a esta coisa de baixar impostos aos ricos, às grandes empresas e ao grande capital em geral gosto sempre de recordar os “incentivos” que os municípios de todas as cores concedem a essa tropa com o fundamento da atracção do investimento. Lembro-me, inclusivamente, de um que se recusava a reduzir a sua participação no IRS, mas arranjou maneira de isentar de IMT um certo figurão. Tudo dentro da legalidade, obviamente. É, no fundo, aquela velha mania lusitana de “se for eu a fazer não tem mal nenhum, se forem os outros é que está errado”.
Cá para mim o maior riso é dos apoiantes de direita (como você) que festejam reduzir o IRC em 50% e que o país "vai ter mais receita fiscal, entre, 60000 a 100000 milhões de euros anuais, pois 99,99999999999% das empresas não vão fugir aos impostos". O pior é que há 100% de provas que reduzir os impostos a empresas e empresários, NUNCA deu mais receita fiscal, até pelo contrário, reduziu-a ainda mais.
ResponderEliminarMas, tem razão. Mais de 95% dos portugueses não sabe para que são os impostos nem como se calculam.
E nisso, você dá mostras que também não sabe (ou apoia a ideia e não quer que saibam que defende o corte de 3600 milhões de euros no IRC, apesar de o valor, nas contas do governo, são 530 milhões, pois há 2 rubricas (Derrama (que são 5 impostos separados) e a tributação autónoma (que é onde 97% das empresas pagam alguma coisa ao fisco)) que são as que o governo quer eliminar, ao mesmo tempo que defende que o reduzir o IRC para 15% daria um crescimento do PIB em 38% (a 4 anos) e receber 9300000 milhões de euros de investimento estrangeiro. E é aqui que a vaca torce o rabo. É que a doutrina de direita afirma que reduzir 5%, num imposto, pode dar 700 vezes mais receitas fiscais só que, até hoje, TODOS os países que o fizeram, nunca viram crescimento acima de 0,01% e acabaram por subir os impostos indirectos.
É aqui que PSD-CDS-IL-Chega andam a alicerçar uma subida de 270% no IVA, para os próximos 2 anos. Vão já começar em 2025, com 892 produtos/serviços a voarem do IVA reduzido para o IVA normal (subida de 17%) e há a suspeição de vários artigos, do intermédio, para o normal, assim como a possibilidade do IVA normal subir para 25%, ao mesmo tempo que acabam com as isenções de IVA.
Acerca do IMT, posso já dar-lhe uns números: 9333 vendas já estão programadas para acontecer entre 1 de Agosto e 15 de Agosto. 9331 são de pessoas com menos de 35 anos e com valor médio de 342000 euros por habitação. Nalguns casos, vão existir escrituras de 10 apartamentos, por 620000 euros, que exigem 3 a 4 milhões de euros em obras de remodelação. Graças ás regulamentações permitirem alguém, com menos de 35 anos, poderá adquirir esses 10, beneficiar da total isenção de IMT, dos pagamentos de registos e de 50% do IMI. Depois podem ganhar 730000 euros anuais, com rendas, de partes do seu património, declarando o valor das obras realizadas, para não pagar IRS e manter as isenções, pelos 6 anos. Ao final desse prazo, poderá vender os 10 apartamentos e ainda terá direito a 85% de redução de mais valias pelas vendas de património indiviso. O Governo foi avisado dessas situações, não quis mexer na lei.
Importa-se de identificar, um a um, os tais 892 produtos a que vão passar da taxa reduzida para a taxa normal? É que tenho a despensa um bocadinho vazia...
ResponderEliminarDizem por aí que os impostos são elevados poruqe há muita fuga. Confesso que me custa aentender como é que se arrenda casa sem declarar ao fisco, mais que não seja pelos problemas que daí podem surgir a todos os níveis.
ResponderEliminarOs impostos são altos porque os partidos que vão ocupando o poder precisam de ganhar eleições e, vai daí, estão permanentemente a aumentar a despesa. Só que, ao contrário do que muita gente pensa, isto um dia tem de parar...
ResponderEliminarArrendar casa sem contrato não é a melhor opção. O Estado rouba 1/4 do valor da renda e depois ainda se queixam que as rendas estão altas. Se calhar já iam reclamar com o governo!
Somo mesmo muito analfabetos ... ou então gostamos do insuportávelmente confortável que nem questionamos.
ResponderEliminarAi mentes tão pequeninas temos!
Beijinhos, Kruzes
Feliz Domingo
Devo ser dos poucos a quem esta coisa dos impostos causa um nível de irritabilidade tal que me leva a ficar fora de mim. É absolutamente intolerável o que o Estado nos rouba!
ResponderEliminarCumprimentos