Não faço contas à viabilidade das propostas da direita, nomeadamente da Iniciativa Liberal, sobre a redução do IRS. Até porque não as sei fazer. Para quem apresenta a proposta seriam quatro ou cinco mil milhões, para a Esquerda, que está contra tudo o que é redução de impostos, os cofres do Estado deixariam de contar com nove mil milhões caso a proposta fosse implementada. Tudo, obviamente, estimativas. Nem uns nem outros saberão ao certo qual o impacto de uma medida desta natureza. Dependeria sempre do que cada um fizesse com o dinheiro que lhe sobraria no bolso. Se, por exemplo, eu gastasse os meus – suponhamos – cem euros de alivio fiscal em bifes o Estado perderia noventa e quatro euros, mas se optasse por gastá-los em gasolina só perdia quarenta, mais coisa menos coisa em ambos casos. Já se fosse gastar os cem paus ali a Badajoz, aí sim, o Estado perdia tudo.
Seja como for, reduzir o IRS é da mais elementar justiça. O que nos estão a fazer constitui um roubo. De tal forma que a Esquerda já nem recorre à lengalenga habitual do “Estado-social”, da Educação ou do SNS. Prefere apelar ao sentimento de inveja e justificar a sua oposição à redução do imposto sobre o trabalho com a desculpa que quem ganha ordenados milionários é mais beneficiado. Ou seja, prefere prejudicar milhões de trabalhadores para não beneficiar dois ou três mil indivíduos. Não espero, obviamente, que os portugueses entendam o que está em causa e deem o merecido castigo a quem tem estas opções. Metade não paga IRS e, portanto, estes assuntos nada lhes dizem. Da outra metade muitos não sabem sequer ler o recibo de vencimento ou sentem-se confortáveis com o que pagam. É lá com eles. Só me aborrece é que ainda tenham o descaramento de achar que eu é que estou errado. Perdoai-lhes Senhor, que deve ser doença…
O maior problema é que são 5000 milhões (pode chegar ao 6700 milhões), só que 99,99991% serão poupados por quem ganha mais de 2000 euros mensais. Para os restantes, irão pagar mais. Quem ganhe 1200 euros vai pagar mais 140 euros, quem ganhe 1060 euros vai pagar mais 380 euros. É que as novas rubricas dedutíveis só interessam a quem ganhe mais de 3000 a 10000 euros mensais. Desde o aumento para 50000 euros de deduções na saúde e 70000 na educação, em que só os ricos poderão usar a dedução total, a acrescentar à redução de 80% no imposto que pagavam. Para quem ganhe 600000 euros, pagaria 270000 euros no sistema actual, pelo novo, iria pagar 1400 euros, usando as deduções.
ResponderEliminarMas, tem toda a razão. Tanto a IL, como a AD, já assumiram que a opção é mesmo a que refere: subir o IVA para 30%, acabando com as 3 taxas (isenta, reduzida e intermédia), como taxa única. Ao mesmo tempo dariam majorações, até 500%, para as empresas e empresários em nome individual, como era o caso da electricidade consumida, desde que adquiram carro eléctrico.
É daqui que há a fraude monumental em quem acredita que a receita fiscal "dispara" 47% (valor mais baixo previsto pela AD, pois o Chega diz conseguir 300000 milhões de euros de receita fiscal anual), porque as pessoas e empresas passam a pagar mais, por pagarem uma taxa mais baixa. Daí o crescimento previsto ser de 21,4% no PIB, para os 4 anos...
Fonte dos seus dados: Vozes na sua cabeça.
ResponderEliminarSão mesmo propostas ou ideias soltas do género 'deixa lá ver se os enganamos'?
ResponderEliminarCaríssimo KK, desculpará mas não tenho pachorra para vendedores de banha da cobra.
Cumprimentos
Nem eu. Nomeadamente para ladrões, porque os vendedores ainda os posso evitar. Já quanto à ladroagem que me rouba couro e cabelo (salvo seja, em matéria capilar) infelizmente nada posso fazer para lhes escapar.
ResponderEliminarCumprimentos, caro António.