
Sempre me intrigou que os migrantes - refugiados, invasores ou lá o que se lhes queira chamar - que atravessam o Mediterrâneo cheguem à costa europeia apenas na posse do telemóvel. Perdem tudo no mar, nomeadamente os documentos de identificação, mas o precioso aparelho salva-se sempre. Há, como em tudo na vida, uma ou outra excepção. Um destes dias chegou a Lampedusa um desses cavalheiros que trazia consigo uma ovelha. Uma companhia tão inusitada que suscitou a admiração dos guardas fronteiriços e originou uma animada sessão fotográfica. Desconheço se a criatura esclareceu as razões para não ter deixado para trás a sua amiga de quatro patas. Nem, sequer, vou especular acerca das motivações do jovem. Serão, seguramente, as mais nobres. Sendo que entre elas não deverá estar a intenção de a comer.
Se acabar por vir parar aqui ao Rectângulo tem o futuro garantido, com a entrada ao serviço da Aima (agora já não há estrangeiros nem fronteiras, só migrantes e asilantes) a ministra da area já disse que vai haver dignidade para todos, todas e todes.
ResponderEliminar"Já não há estrangeiros..." pois não agora assim que cá chegam transformam-nos logo em portugueses!
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