domingo, 30 de julho de 2023

O direito à mesada colonial

Não tem mal nenhum que grupos de patetas se reúnam para reivindicar coisas. Mesmo que essas reivindicações apenas façam sentido para eles e que, na maioria das circunstâncias, não resultem de acontecimentos ou problemas reais, mas apenas de vozes que ecoam nas respectivas cabeças.


Num manifesto conhecido como “Declaração do Porto” um desses grupos reivindica a alteração do hino nacional. Não gostam da letra, argumentam. Estão no seu direito. Eu, por acaso, também não gosto. Aquela parte de marchar contra os canhões parece-me um claro incentivo à carnificina sem que daí se vislumbre qualquer vantagem para a nação.


Outra exigência é a isenção de propinas para alunos provenientes dos países e territórios colonizados por Portugal. Ou seja, que os contribuintes portugueses paguem, através dos seus impostos os estudos daquele pagode. Apesar de enaltecer a evidente paixão das criaturas pela educação e de apreciar que norteiem a sua vida pela busca da valorização permanente e generalizada das populações daqueles países, desconfio que não estão a ver bem a coisa. É que, se bem me recordo, o colonialismo acabou há quase cinquenta anos. Com estas reivindicações só fazem lembrar aqueles filhos que saem de casa dos pais, para ser independentes, mas que não abdicam da mesada...

4 comentários:

  1. Boa tarde
    Sobre "Aquela parte de marchar contra os canhões" estou plenamente de acordo e deveria voltar-se à Versão Original - que um politicamente correcto, antes do politicamente correcto - alterou de "contra os bretões marchar, marchar" para "contra os canhões marchar, marchar."
    Sem saberem (porque não me parece que eles tivessem conhecimento da versão original da "Portuguesa") os redatores da tal "Declaração do Porto" fizeram a ligação do Hino ao Colonialismo.
    A verdade é que "A Portuguesa" nasceu em defesa do Colonialismo Português X Colonialismo Britânico (os nossos "aliados" desde há cerca de seiscentos anos). É natural que os povos colonizados exijam dos colonizadores, não só uma contrapartida pelas riquezas pilhadas (pensamento aceite como correcto nos finais de oitocentos até, digamos, ao final dos anos 30/40 de 1900), mas também como compensação pela "civilização não feita", como defendiam os colonizadores para justificarem as colónias.
    «Com estas reivindicações só fazem lembrar aqueles filhos que saem de casa dos pais, para ser independentes, mas que não abdicam da mesada...». Quanto a mim esta comparação não é das mais felizes.
    Há uma outra, mais de acordo com os tempos, que melhor se aplicaria neste caso. É a do "vendedor de droga que, para conquistar mais um cliente, a fornece gratuitamente até que o novo consumidor não passe sem ela."
    De seguida o "vendedor" não quer saber se o "consumidor" tem, ou não, meios para pagar a dependência. Que se desenrasque e pague.
    Mesmo que o "consumidor" se liberte do "vendedor", não se terá libertado do vício e terá que o pagar. O mais lógico será recorrer a quem lhe meteu o "vício" no corpo.
    E se o "vendedor" for honesto reconhece a razão do antigo cliente; e se for inteligente"ajuda" porque assi voltará a tê-lo nas mãos.
    Não gostei da comparação «aqueles filhos que saem de casa dos pais, para ser independentes, mas que não abdicam da mesada», porque de facto nunca foram filhos dos colonizadores. Quando muito foram enteados muito mal tratados pelos padrastos.
    Estas palavras não são de modo algum uma verdade absoluta. É apenas uma outra leitura que, eu, faço dos factos. Não são um apontar de dedo a ninguém, nem de tentar dizer "o senhor" pense bem no que diz. Nada disso, é apenas mais uma opinião para que quem passe por este seu espaço, fique a saber que sobre o mesmo assunto há várias visões.
    Por isso, se por algum modo o ofendi, desde já peço desculpa,
    Zé Onofre

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  2. As opiniões diferentes das minhas não me ofendem. Era o que mais faltava pensarmos todos da mesma forma.

    Quanto aos estrangeiros que vem para cá exigir coisas - independentemente da liberdade que tem para o fazer - gosto sempre de citar o Xeique Mounir, "se não se sentem cá bem que se vão embora".

    Cumprimentos

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  3. Eu gosto muito do hino nacional, embora essa frase esteja um pouco desenquadrada.
    Quanto à isenção de propinas para estudante proveniente das antigas colónias portuguesa, não estou de acordo. Devem pagar como os nossos estudante.

    Beijinhos, Kruzes
    Feliz Dia

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  4. Estdem à borla nos países deles!

    Cumprimentos

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