quinta-feira, 20 de abril de 2023

Meio país a sustentar a outra metade

Quase metade dos portugueses não pagam IRS. Muitos deles, a maior parte provavelmente, começaram hoje a receber mais um dos múltiplos apoios que o Estado, na sua imensa generosidade, lhes concede. Muita dessa gente são verdadeiros profissionais no ramo dos benefícios sociais e convictos praticantes do levantamento do copo, lançamento da beata e raspagens diversas. Incluindo nestas últimas a popular “raspadinha”, a carteira dos velhotes mais alarves ou a conta bancária de algum cidadão menos prevenido. Isto enquanto usufruem gratuitamente de tudo o que é serviço público e desfrutam de todos os direitos que os outros, os que têm deveres, lhes pagam. No âmbito dos direitos, reconheça-se, têm um nível de informação invejável. Trata-se de uma pratica que cultivam durante toda a vida e que vão, sabiamente, transmitindo de geração em geração. Se numa terra escassamente habitada como a minha são às centenas, nem quero imaginar quantos serão no país. Mas, claro, o problema que urge resolver é o da meia-dúzia de nómadas digitais e de uns milhares de estrangeiros endinheirados a quem é concedida a isenção de IRS durante dez anos. Nós gostamos é de pobrezinhos. Especialmente daqueles que podemos manter na nossa dependência. Deve ser uma espécie de mania da superioridade.

2 comentários:

  1. KK, o seu post é uma lição. Um texto para se aprender o que é viver neste paiseco.

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