Esta mania, tão apreciada pelos portugueses, de o Estado se meter em todos os aspectos da nossa vida aborrece-me profundamente. Hoje é um organismo qualquer – oficial, presumo, dado que tem como líder um destacado militante socialista – que vem propor uma comissão para analisar o impacto social das raspadinhas. Podia ser para estudar uma coisa séria. Como a influência do IRS no miserabilismo dos salários, por exemplo. Mas não. A preocupação tem antes a ver com o alegado vício de reformados e outros desfavorecidos em relação aquele jogo de azar da Santa Casa. O que, para além das maleitas de carácter social, até faz com que os coitados estejam a ser sujeitos a uma espécie de imposto, alegam os especialistas em vícios de pobrezinhos, velhinhos e outros coitadinhos.
Esta perspectiva acerca do comportamento dos cidadãos que investem em lotaria instantânea cheira-me, entre outras coisas, a discriminação no âmbito da jogatina e do comportamento em geral. Pode haver - e provavelmente haverá - muita gente a esturrar a reforma ou o rendimento mínimo em raspadinhas. Tal como outros esbanjarão o que têm e não têm no casino, nas apostas on-line, nas putas, em viagens, em carros ou naquilo que a imaginação lhes ditar. Ninguém quer saber. Só, pasme-se, os velhinhos e os pobres é que não podem fazer o que bem lhes apetece dos seus rendimentos sem que venha logo alguém apontar-lhes o dedo e criar comissões que estudem a maneira de os impedir de raspar em busca da sorte. Se isto não é discriminação, então, temos de rever o conceito do que se entende por discriminar. Ou, se calhar, é ainda pior. Quiçá a ideia seja, um dia destes, generalizar aquela cena do “Regime do Maior Acompanhado” às pessoas a quem o PS o Estado acha que andam a raspar em demasia...
ResponderEliminarA sério que vão fazer isso?
Beijinhos
Boa Tarde
Muito bom! Principalmente, tendo em conta que o(s) vício(s) dos 'ativos' jovens e não tão jovens carregados de património acumulado sabe-se lá como acabam, quando a coisa dá para o torto, por pesar, e de que maneira, no erário público e, a jusante, no bolso de todos nós.
ResponderEliminarSeria bem melhor que o Estado despendesse os seus parcos meios com a prevenção da criminalidade de colarinho branco, em lugar de aborrecer pessoas que, por défice educacional e não porque têm mais alguns anitos em cima, lá se vão, no meio da miséria, entretendo como podem.
Votos de uma boa semana!
Eles pensam em tudo...
ResponderEliminarBom domingo!!
Nem colarinho branco nem de outra cor qualquer. As leis protegem os criminosos e esquecem as vitimas.
ResponderEliminarCumprimentos