sábado, 24 de março de 2018

E as crianças nómadas? São menos que as outras?

Um silêncio ensurdecedor este que se ouve acerca da série de reportagens "mães interrompidas", emitidas pela TVI, onde se aborda a retirada de crianças às mães. Ninguém se pronuncia, as redes sociais não se incendeiam e até o Presidente da República continua calado.


Desta temática sei apenas, felizmente, o que ouço dizer. E o que se ouve – antes, ainda, da TVI dedicar algum tempo ao assunto – não é nada abonatório. Pelo contrário. Mas, admito, pode até estar a ser cometida uma enorme injustiça relativamente aos que trabalham na área. Porque, convenhamos, é absolutamente normal que qualquer técnica recomende o uso de roupas e calçado adequado, critique as mães que não sabem fazer uma sopa, defenda que uma criança deve ter um quarto só para si – de preferência com televisão - e que deve viver numa casa com todas as condições.


Mas acho, também, que todas as crianças são iguais. Parece-me, portanto, inadmissível que apenas a algumas seja concedido o privilégio de ingressar numa instituição. Enquanto existirem, no Alentejo por exemplo, crianças nómadas, sem nenhuma das condições de habitação que consideramos minimamente aceitáveis, não se pode considerar que as pessoas ligadas a esta área de intervenção social estão a fazer bem o seu trabalho. É que estas crianças, lá por pertencerem a uma minoria, não têm menos direito à institucionalização do que as outras.

4 comentários:

  1. Anónimo10:24 a.m.

    Vi ontem pela primeira vez na TVI24 o debate com a presença de uma mãe a quem lhe foi retirado o filho. NUnca tinha lido e visto nada acerca deste problema sério. Sim, bem sério e sei bem que existem imensas falhas no sistema e concordo contigo em absoluto, porque infelizmente continua a haver imensas falhas propositadas ou não, no trabalho da intervenção social em que a avaliação é feita em cima do joelho e na maioria das vezes "às escuras".

    Beijocas e bom domingo

    Fatyly

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  2. Contam-se histórias do mais rocambolesco que se pode imaginar envolvendo cpcj's e seg. social. Muitas serão mentira mas basta uma ser verdadeira para já termos uma tragédia. Esta é uma daquelas coisas onde não se pode errar.

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  3. Alvaro Silva4:20 p.m.

    A ânsia de protagonismo destes paineleiros televisivos é assustadora. Sempre houve, há e haverá crianças vendidas, traficadas a adoptadas. Basta ir pedir um RSI ou uma ajuda á S S para estar a fazer uma transação, que como bem sabemos, não existe sem contrapartidas. Não querem filhos toca de ir ao CPCJ para encaminhar as fêmeas para a pílula abortadeira gratuita. Qual é a contrapartida? Quando quiserem o próximo (filho) já estão hipotecadas. Ora fazer pela vida, trabalhar e educar os filhos é para muito/as tarefa muito custosa, mais fácil é arrenda-las, ou vendê-las e depois vir para a TV com choradinhos de quebrar pedras e corações sensíveis. Em minha opinião em 95% dos casos são puros embustes e ânsia de protagonismo do/as intervenientes. ganância das televisões e "voieurismo" mórbido dos portugas de coração mole e bolsos cheios de coton e bolor e cabeça cheia de conceitos progressistas.

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  4. Está enganado meu caro. Neste caso eles fogem das cpcj's como Maomé foge do toucinho. E têm boas razões para isso, acredite.

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