sábado, 12 de agosto de 2017

Mais um direito adquirido

Parece que agora existe um novo direito adquirido. Ou inalienável, talvez, que é morar no centro da cidade de Lisboa. Estou farto de ler, seja em blogues ou jornais, reivindicações de quem, não sendo proprietário de nenhum imóvel na zona, se acha no legitimo direito de viver naquelas bandas e que culpa turismo e a ganância dos donos das habitações pela aparente impossibilidade de concretizar o seu sonho.


Todos os sonhos são respeitáveis e este também é. Tão respeitável como o sonho do infeliz que até há pouco tempo recebia uma miséria de renda pelo aluguer de um prédio que nem lhe dava para pagar o IMI e que agora, finalmente, consegue tirar algum rendimento daquilo que é seu com o aluguer aos turistas.


Mas sonhos são sonhos e a realidade é o que é. E se os alentejanos e os beirões dos anos sessenta e setenta que foram forçados a abalar para Lisboa para escapar à miséria se fixaram nas periferias, porque razão os que agora demandam aquelas paragens não hão-de também ir morar para os arrabaldes? São mais que os outros? Não. Apenas imaginam que têm direito a tudo e que o universo existe para satisfazer os seus caprichos.

3 comentários:

  1. Concordo com o que dizes... há pessoas que se acham no direito de ter tudo sem fazer nada por isso...
    Mas que é verdade que Lisboa está a ficar muita cara, lá isso está... eu só tenho é medo que se veja o que se vê em Paris, quartos, estúdios ou T0 a custar, facilmente, mais de 70%/80% do salário mínimo nacional do país... já se vê parecido por Lisboa...
    Ao menos que fortaleçam o sistema de transportes da periferia para a cidade, coisa que tenho visto ser muito criticada ultimamente...

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  2. Nem todos podemos morar na praça e há que aceitar isso. Infelizmente começa a existir uma estranha tendência para a inversão do conceito de "direitos". Desde o direito de propriedade até aos direitos das mulheres e da própria liberdade de expressão. Mas isso, enfim, já é outra história...ou não!

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  3. Já não há mais «direitos adquiridos» porque já foram todos comprados, desde há 40 anos, pelos mandantes desta coisa que foi um País.
    Conheço bem a saga dos Alentejanos que rumaram à capital desde 1950-60. Vinham para ganhar mais e, daí, viver melhor. E, como são ajuizados, começaram por se instalar na margem sul do Tejo, ignorada e de rendas baixas. Usavam os barcos para vir trabalhar e para voltar.
    Mantiveram o comércio na Baixa e trabalharam como funcionários públicos. Nada a ver com os FP de agora que não trabalham porque têm emprego.
    Sendo de Lisboa, tive a sorte de conhecer (e conviver com) muitas famílias Alentejanas. Tenho por essa «raça» um grande respeito e apreço.

    Abraços, muitos

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