Os políticos de Lisboa estão-se nas tintas para o interior do país. O mesmo sucede, de uma maneira geral, com os habitantes dos grandes centros urbanos. Dois terços do território estão votados ao abandono pelo Estado central e quem cá mora entregue à sua sorte, sem que alguém se importe minimamente com isso. Ninguém quer saber. Daquilo a que chamam província apenas o tratamento dado aos animais suscita preocupação a essa gente. Um gato chamuscado, um touro lidado numa praça ou uma cabra atirada do cimo de um campanário é que causam inquietação aos urbano-depressivos, aos políticos e aos indignados militantes das redes sociais. O resto não lhes importa. Só os bichos. Não me surpreende muito, até porque é costume dizer-se que cada um preocupa-se com os seus.
O drama, desta vez, é um galo. Que, diz, vai ser morto à paulada na festarola de uma aldeia qualquer. O PAN – qual Sporting – até já fez umas quantas queixinhas, visando acabar com a prática. Os doentinhos do Facecoiso, claro, indignaram-se e sugeriram que, no lugar do galináceo, a vitima das pauladas fosse uma pessoa. Por mim esta sugestão parece-me extremamente válida. Nem sei porque não se voluntariaram para substituir o bicho. As vantagens, convenhamos, seriam inegáveis. Mas isso, desconfio, só acontecerá quando descobrirem uma terra onde a tradição não seja matar um animal, mas ir-lhe ao cú.
O "Interior" não interessa a essa gente, que têm a mania de serem seres superiores, mas quando há algo do género que descreves e os populares, cumprem a sua tradição, não falta logo o alarido do costume! Bolas NÃO metam o bedelho e ignorem como fazem em relação a tudo o que não é LITORAL.
ResponderEliminarMai nada!
ResponderEliminarHá uns 35-40 anos havia uma cantiga para crianças (e crianços) que se chamava «Atirei com o pau ao gato». Os infantes (e as infantas) cantavam-na com franco prazer — bichófobo talvez, mas com prazer. Cai-me o queixo quando me apercebo que os pim-pam-pum ainda não o meteram no Index (até tem um pau para meterem aonde lhe souber melhor).
ResponderEliminarE parece que há, numa terreola, uma tradição do galo: quem partir um ovo (que desperdício) recebe um galo — espero que não tenha sido ele a pô-lo...
E o Kruzes tem toda a razão: ainda nenhuma terreola — em vez dos 'eventos' Medievais — se alembrou de criar a semana do cú. Eram bancas, tascas e casas cheias. Sempre nos falhou o jeito pró negócio.
Essa cantilena do gato e outras do género já devem ter caído em desuso entre a criançada. Acho que agora na escola até já lhes ensinam a ser bicha...
ResponderEliminarConcordo contigo e acho que a defesa dos animais (que não sou contra) já excedeu em muito a defesa do ser humano.
ResponderEliminarMais...os tais defensores e ou políticos deveriam levantar-se da poltrona vermelha e visitar mais o interior rural e não o fazer apenas em campanhas eleitorais.
Não tenho pachorra amigo.
Um abraço
O interior não interessa aos políticos. Não há pessoas, logo não há votos...
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