Isto dos incêndios é uma coisa curiosa. Todos os anos – ou quase – se atira mais dinheiro para cima do problema, se afectam mais recursos e apesar disso fica-se com a sensação que, mais fogo ou menos fogo e mais hectare ardido ou menos hectare ardido, continua tudo na mesma.
Depois há aqueles que reclamam por estudos, debates, ordenamento do território e outras iniciativas que se costumam sugerir quando não se sabe como resolver um problema. Não vale a pena. Podem estudar, debater e ordenar o que quiserem se isso lhes dá prazer. Não adianta. Desde que o homem descobriu o fogo que existem incêndios. E incendiários. Que, por mais estranho que pareça a alguns citadinos, a mata não arde sozinha. Isso da combustão espontânea, do pedaço de vidro que origina uma chama ou de árvores que não ardem não existe. É uma treta. Haverá sempre alguém que provoque um fogo. Nem que seja por queimar o papel a que limpou o rabo. E é em relação a estes gajos – malucos ou não – que se terá de fazer alguma coisa. Prende-los, sei lá. Por mais estranha que esta ideia aparente ser a quem aplica a justiça. A menos que incendiar constitua – por praticado reiteradamente – mais um daqueles direitos adquiridos sempre tão protegidos pelos tribunais.
Claro que só pode ser Direito Adquirido...
ResponderEliminarMas se, por anomalia do Destino, não o for, não me importo de uns anitos para a prisa porque ali é que se está bem. Quase tão bem como na AR.
Concordo consigo no que respeita á origem dos fogos. Exceptuando uma raríssima trovoada seca que pode fazer ignição por um raio, tudo o mais, isso será mais de 99% têm causa humana, por negligência ou dolo de incendiários. Quanto ao "trato" a ser dado aos incendiários tenho opinião formada, ao contrário dos juízes/as que exercem o seu ofício neste "eucaliptal á beira mar plantado" que dá por nome de Portugal, há já mais de 900 anos. Recapitulando, tudo o que fosse incendiário assumido e julgado ser-lhe-ia dada uma sentença exemplar e perpétua. O dito incendiário, logo que abrisse a época de fogos (1ºº de Julho) iria ser internado num qualquer quartel de bombeiros, de preferência a mais de 50 quilómetros da sua residência habitual, onde seria aquartelado a expensas próprias só lhe fornecendo um catre, uma manta e umas algemas para os pés (á moda americana, que era para não ir longe, na minha terra fazia-se isso ás vacas e cavalos para não se afastarem muito do olho do dono). Posto isto e devidamente instalado quando a sirene tocasse a fogo o nosso incendiário encabeçava o ataque ao fogo bem á frente, de agulheta em punho, para ter uma visão previlegiada sobre as chamas que tanto o inebriam e assim satisfazer o seu ego e instinto pirómano. Qualquer recuo injustificado do dito dava-lhe direito a uns "cascudos" para que criar hábitos de trabalho e a não virar costas ao "querido amigo", assim que caísse de exaustão tinha direito a uns baldes de água pela cabeça abaixo para esfriar os neurónios e volta novamente ao trabalho e, como normalmente os jornais dizem que "são alcoólicos" o tratamento de duche frio evitando a auto ignição do alambique-pirómano. Assim se fazendo teremos imensa vantagens, sendo a maior o estarem a trabalhar naquilo que gostam e que os estimula. Mais era um exemplo para futuros candidatos e assegurava-se mão de obra grátis e voluntariosa, amigas do ofício. Chegados a Outubro recolheriam a penates, para preparar a próxima safra
ResponderEliminarO mais chocante nos incêndios é ser fogo-posto por reincidentes. O sistema penal está a falhar É o que a realidade demonstra.
ResponderEliminarMais uma vez se vê as falhas da governação de colarinho branco portuguesa. Muitos dos ministros são advogados, académicos e teóricos que desconhecem a realidade e depois acontecem as desgraças ano após ano.
Não invejo os residentes nesses lugares. E ambos pelas mesmas razões.
ResponderEliminarPara a justiça os maus da fita são os proprietários dos terrenos. A esses é que são aplicadas multas. Os que deitam fogo nem as custas dos processos pagam...
ResponderEliminarIsto só lá vai pela via da repressão. Não há outra forma. É a vida, goste-se ou não.
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