Cada um veste o que quer, onde e quando muito bem entender. Será. Não consigo discordar convictamente desta tese, tão reclamada por estes dias, acerca da liberdade de escolha da indumentária. Mais. Estou com uma vontade danada de a colocar em prática. Assim do tipo ir à ópera de calções e xanatos. Ou ir à mesquita e não descalçar os sapatos. Ou ir ao banco com um capacete integral na cabeça. Daqueles com viseira escura e tudo. E não me digam que estes exemplos não valem por não se tratar de um espaço público. A opera pode ser no teatro cá da terra – que é municipal e de vez em quando também tem cenas dessas – o banco é a Caixa Geral de Depósitos – que mais pública não podia ser – e a mesquita como não paga impostos também pertence ao povo. Sempre quero ver se não me deixam entrar. Eu depois conto. Até já estou a imaginar, caso me barrem a entrada, a onda de solidariedade que se vai levantar na Internet em defesa da minha liberdade a vestir o que quiser quando muito bem me apetecer...
Por falar em solidariedade, tolerância e o camandro. Lembrei-me, vá lá saber-se porquê, daquele futebolista português que foi jogar para um clube espanhol e que na apresentação aos sócios e à imprensa local apareceu vestido com uma camisola onde estava estampada a cara do General Franco. Podemos ver neste link, no espaço reservado aos comentários, o que escreveram sobre isso uns quantos portugueses...Ou no último ano mudámos de opinião quanto a essa coisa de cada um vestir o que quiser ou então isto é tudo um bando hipócritas. Inclino-me mais para esta segunda hipótese.
Ou seja, cada um pode vestir o que quer, desde que se encontre dentro dos limites minimos de educação e respeito.
ResponderEliminarVerdade. O pior é que cada um estica estes limites de acordo com o seu ponto de vista...
ResponderEliminarSim, há pessoal que por falta de educação ou mesmo pouca moral não têm limites.
ResponderEliminarO que me preocupa é que esta questão de cada um vestir o que quer tenha vindo ao de cima com histórias como a do burkini. É ridiculo. Porquê que a muçulmana não pode ir à praia de burka, mas as ocidentais podem passear no centro comercial de fato de banho e calções?
Poderíamos ficar horas a encontrar factos e argumentos, não?!
Abraço!
Sem dúvida. Mas se houvesse bom senso não estávamos à beira de ter uma Europa islamizada. E é esse receio juntamente com a enorme quebra do negócio turístico nas zonas balneares mais procuradas pelos muçulmanos que está a provocar estas reacções das populações e dos autarcas.
ResponderEliminarQuanto ao resto são opiniões que, tal como nas vestes, cada um terá a que quiser.
Eu acho que há lugar para todos. A cultura europeia é muito forte, e não esqueçamos que a Europa recebeu já influencias de muitas culturas, e no mediterrâneo principalmente há vestígios da cultura muçulmana. Compreendo a preocupação, e o problema. Mas acho que a solução para tudo ainda reside na educação das pessoas, e a educação não está apenas na escola e não é adquirida apenas na infância. Há que desmistificar certas questões. Os muçulmanos não são terroristas, não são aberrações, e nós não termos que ter medo do que seja. Porque é mesmo isso que os verdadeiros terroristas querem, espalhar o medo e o ódio. E estão conseguir. Se assim o não estivessem, neste momento não estaríamos a rotular as pessoas, e a fazer julgamentos sem justa causa.
ResponderEliminarHá muito para mudar neste mundo. E a mudança só vai acontecer quando a dúvida e o preconceito estiverem quase extintos. Até lá vão continuar a generalizar as situações, a julgar inocentes, a sacrificar vidas, e a expor discussões ridiculas como a do "burkini".
Enfim, já escrevi tanto e não sei se me fiz entender correctamente.