Era inevitável. A questão das reformas teria de vir, mais cedo do que tarde, de novo à discussão. Pena é que não se consiga fazer de forma séria e que uma questão desta natureza seja tratada como mera questiúncula politica. Lamentável, igualmente, que os cidadãos não percebam o que está em causa e, menos ainda, aceitem que o sistema está prestes a colapsar.
Particularmente irritante – pelo menos para mim – é a retórica politicamente correcta, que vai da direita mais à direita até à esquerda mais à esquerda, que não se pode cortar nas pensões. Como se não fosse o que tem andado a ser feito nos últimos anos. A minha reforma, a que hei-de ter daqui por uns anos, já foi mais do que retalhada. Mas essa parece que não faz mal. Pode-se cortar à vontade. Nas de quem se reformou com a idade que tenho agora – e mais novos, até – é que não se pode tocar. Ou seja, sou triplamente penalizado. Desconto mais, trabalho muitos mais anos e, no fim, tenho uma reforma mais baixa. Isto para garantir o conforto de quem trabalhou menos, descontou menos e recebe uma pensão maior. Estranho conceito de justiça social, este.
Concordo contigo, mas também discordo em absoluto de centenas para não dizer milhares que recebem reformas altíssimas e juntam um ordenado chorudo pago igualmente por todos nós. É no exército, é no parlamento, é no governo, é em Câmaras, em empresas etc, etc. já para não falar pensões vitalícias dos ex-políticos. Sabendo eu que a maioria destas reformas foram dadas por debaixo da mesa ou entre grandes jogadas.
ResponderEliminarTrabalhei 4o anos e paguei a reforma dos meus avós e pais, hoje os que trabalham pagam a minha, porque em tempo algum foi: descontei para garantir a minha reforma.
O dinheiro da Segurança Social sempre foi usado por este governo e os anteriores "para tapar buracos" e agora o que pretendem é uma guerra entre trabalhadores e reformados, entre jovens e velhos, entre e esta a meu ver bem pior, privados/particulares e funcionários públicos.
Um bom dia
Beijocas
Os reformados têm estatuto de intocáveis! Os que trabalham e têm filhos para educar, encargos com habitação, etc. que se lixem; pagam -lhe as mordomias e mais tarde chucham no dedo!
ResponderEliminarA Segurança Social foi usada, entre outras coisas, para cobrar divida pública quando já ninguém nos emprestava dinheiro e António Costa quer usá-la para financiar a recuperação de prédios.
ResponderEliminarO problema das reformas chama-se natalidade. Ou substituição de gerações. Pode-se andar à volta com as desculpas esfarrapadas que se queiram arranjar mas enquanto não se encontrar solução para isso a SS está condenada à falência. Ah, espera, o Costa encontrou a solução. Taxar as heranças acima de um milhão de euros...Que devem ser muitas, presumo.
Os politicos hoje em dia já não acumulam pensões e vencimentos de cargos politicos. Isso é coisa do passado.
Então...depois não tinham dinheiro para os cruzeiros. Alguns, claro.
ResponderEliminarO problema das reformas é muito complexo porque entram em jogo muitos factores.
ResponderEliminarPodemos imaginar todas as situações de abuso e de reformas douradas porque existem mas ficam diluídas no mar do bolo.
Entre as reformas ditas estruturais há uma de que ninguém fala.
Com a terciarização da economia, a inovação tecnológica e a globalização há muitas empresas com elevados volumes de facturação e com reduzido número de empregados; são muitas com pouco emprego e que pagam marginalmente para a Segurança Social. Isto acontece há mais de duas décadas. É muito dinheiro que escapa às malhas do sistema.
Este seu post é bem o exemplo da guerra de gerações que este governo conseguiu. Ao invés de estarmos todos do mesmo lado contra este tipo de medidas (que até são inconstitucionais, pequeno detalhe!!) vamos começar a apontar o dedo e a ver quem trabalhou mais e quem descontou menos e quem é o mais preguiçoso, e aquele que gastou mal o seu dinheiro ... Triste. Desculpe dizê-lo mas acho triste.
ResponderEliminarNão se trata de guerra nenhuma. Pelo menos da minha parte. Mas lá que os sacrifícios não estão a ser repartidos entre os actuais e os próximos pensionistas isso não estão. E isso, sim, é que é triste. E não se perceber esta realidade, para além de profundamente egoísta, é igualmente triste.
ResponderEliminarPerceber esta realidade é saber que as gerações mais novas do que a sua não têm a mesma hipótese de descontar tantos anos: primeiro porque as pessoas iniciam a vida laboral mais tarde (depois do 12.º ano de escolaridade e outros depois de uma licenciatura). Depois porque os períodos de descontos tendem a ser menores: desemprego. Muito desemprego. E com esta nova leva, em que os ordenados são cada vez menores, alguém até pode trabalhar 40 ou 50 anos que corre o risco de ter sempre uma reforma inferior. As coisas mudaram, não são assim tão lineares, logo, não se podem colocar, em meu entender, as coisas nesses termos.
ResponderEliminarOu seja, não há dinheiro para manter os actuais níveis das reformas por muito mais tempo. O sistema está à beira do colapso e, das duas uma, ou se cortam as pensões ou se aumentam os impostos. Outras soluções, por mais simpáticas que pareçam, não se afiguram realistas. Ou, pelo menos, dependentes da nossa vontade.
ResponderEliminarO principal problema reside na natalidade. Não há substituição de gerações e, quando assim é, um sistema baseado na solidariedade intergeracional terá forçosamente de ruir.
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