Quiçá, com o agudizar da crise, este equipamento urbano passe a
ter outra utilização que não apenas a de servir como ponto de depósito do vidro
usado. E quem diz a crise pode também dizer o aumento do IMI. Para muitos de
nós, se quem manda nestas coisas não ganhar juízo, não restarão muitas
alternativas para além de entregar a chave de casa à Câmara e mudar-se para um abrigo
deste ou doutro género. Com a vantagem, neste caso, de se poder dispor de uma
fantástica garrafeira. Pena que não seja fácil acomodar um colchão no seu
interior ou que mudar de roupa lá dentro se revele uma tarefa complicada. Mas
não se pode ter tudo. Principalmente se isento de impostos parvos.
quarta-feira, 14 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Quando o bom senso tem que ser imposto por uma lei...com pouco senso!
Pretende o governo, por imposição da troika e – quase de certeza –
de alguns fundamentalistas, reduzir em tempo recorde o montante da divida
pública e, bem assim, a quantidade de dias – que é como quem diz meses ou anos –
que um fornecedor tem de esperar para receber o dinheiro do bem que vendeu, ou
serviço que prestou, ao Estado ou a qualquer outra entidade pública. Para
atingir tal desiderato tratou de aprovar a chamada lei dos compromissos e
pagamentos em atraso, em vigor há coisa de vinte dias, com a qual pretende que
os organismos oficiais apenas adquiram bens, serviços, façam obras ou atribuam subsídios
se, para tal, tiverem dinheiro suficiente para pagar nos noventa dias
seguintes.
A ideia, assim à primeira vista, até parece boa. É, no fundo,
aquilo que qualquer pessoa precavida faz no dia-a-dia. O problema é que os
portugueses, quer os que governam quer os que são governados, não são pessoas
prudentes quando toca a gastar dinheiro nem nutrem particular simpatia por políticos
que apliquem com rigor o dinheiro público. Pior. Durante muitos anos gastou-se
sem rei nem roque e agora, assim de repente, querem que tudo mude e toda a
gente fique poupada. Quem sempre gastou o que não tinha vai perder o “brinquedo”
e, como se compreende, fica chateado. Para todos – ou quase todos – vai ser uma
tragédia. Daquelas que, mais tarde ou mais cedo, vamos descobrir não acontecem
apenas aos outros.
Tal como previ no post escrito no dia em que a lei começou a ser
aplicada, começamos a assistir a situações que, por enquanto, ainda não se
podem classificar de dramáticas mas que podemos – simpaticamente – considerar aborrecidas.
Como, por exemplo, na área da saúde. Diz que em algumas unidades hospitalares começará
já a haver dificuldade em fornecer medicação aos utentes por, alegadamente, os
fundos disponíveis – vulgo o dinheiro para pagar em noventa dias – não serem
suficientes.
Seguir-se-ão as autarquias. O que não admira. Pagar e morrer é a
última coisa que se faz na vida e no poder local o lema, não necessariamente
por esta ordem, é seguido à risca. Pretender mudar isto de um dia para o outro
é capaz de ser pedir de mais.
segunda-feira, 12 de março de 2012
"Ganda" nabo
Este vistoso nabo, de proporções épicas, podia esta manhã ser
apreciado – e comprado, também – numa das barracas de venda de fruta e
hortaliça instaladas bem no centro da cidade. Podia armar-me em chalaceiro e
fazer umas quantas piadolas envolvendo o Brassica rapa em exposição. A dimensão do tubérculo
presta-se a isso. Mas não. Não me apetece. Em certa ocasião, dava este blogue
os primeiros posts, fiz uma graçola com uma planta destas e, apesar muito mais
pequena do que a exposta, a coisa não correu nada bem. Houve logo quem se
revisse na prosa. Daí que, desta vez, expresse apenas o meu lamento – e, quiçá,
uma ligeira inveja - de na minha “horta” da crise não se desenvolverem vegetais
destas dimensões.
sexta-feira, 9 de março de 2012
Executa-se muito pouco...
Acredito que a vida de agente de execução, solicitador e demais
malta que exerce actividade no ramo da cobrança de dívidas, não seja fácil.
Nem, se calhar, especialmente proveitosa. Pelo menos se levarmos em conta a
quantidade de trabalho que provavelmente terão, o risco associado ao exercício dessas
funções – negócio, digamos – e os resultados, que em muitas circunstâncias,
decorrem das suas diligências.
Repare-se, por exemplo, nos bens penhorados e colocados em venda
no concelho de Estremoz. Uma miséria franciscana. Como se pode ver no site de
onde foi retirada a imagem, entre prédios - em altura de profunda crise do
sector imobiliário – e cinco botijas de gás vazias, ainda conseguiram “apanhar”
uma máquina de musculação. A vender em conta, ao que parece. Vá lá saber-se
como é que a conseguiram confiscar…
quinta-feira, 8 de março de 2012
Ler blogues, eu? Kruzes Kanhoto!!!
São muitos os que manifestam uma profunda relutância em admitir
que lêem blogues. Ou que, pelo menos de quando em vez, lhes dão uma vista de
olhos. Há mesmo quem não se coíba de declarar - do alto do seu elevadíssimo QI
e de uma dose QB de ignorância – a sua aversão à blogosfera e ao que por cá se
escreve. Ainda que, como gostam de frisar, não percam tempo com essas
parvoíces. Apesar de, quase sempre, estarem a par de todas as novidades que se
vão publicando.
Ao contrário do que, alegadamente, acontecerá com outros sistemas
de aferição de audiências, os contadores de visitas não mentem. E, como se pode
ver na imagem junta, gente a visitar este blogue não tem faltado. O pico de
audiência – há que dizer isto com estilo – foi atingido no dia cinco de Março,
segunda-feira, com mil e treze visitantes e mil quinhentas e quarenta e três
páginas vistas. O que, para um espaço desta natureza, constitui um número
muito assinalável. Mas ninguém lê blogues. A gente sabe que não…
terça-feira, 6 de março de 2012
Gasolina cara? Não parece.
O preço do litro de gasolina – nas marcas de referência e nas
outras não tardará a chegar lá - já ultrapassa um euro e setenta cêntimos.
Trezentos e quarenta escudos, para aqueles que ainda se lembram do valor do
dinheiro. Nada que impeça os intrépidos condutores tugas de continuar a usar o
seu tugamóbil como se não houvesse amanhã e o precioso liquido que faz mover o
mundo fosse ao preço da água. Por mais incrível que pareça, até numa localidade
de reduzidas dimensões como Estremoz, o número de automóveis a circular afasta
qualquer ideia de crise ou de dificuldade em enfrentar os elevados preços dos combustíveis.
O que não deixa de ser espantoso por se tratar de uma cidade que se atravessa a
pé, de uma a outra ponta, em meia-hora e onde qualquer lugar não dista mais de dez
ou quinze minutos do centro.
É por estas e por outras que tenho dificuldade em perceber a filosofia
da política fiscal relativamente ao automóvel e à habitação. Que é como quem
diz aos valores que se pagam de IUC – Imposto Único de Circulação e de IMI –
Imposto Municipal sobre Imóveis. Em relação a este último vamos, dentro de um
ano e fruto da reavaliação que está a ser levada a efeito, pagar largas
centenas de euros por uma coisa que é, supostamente, nossa e que, coitada, está
ali parada e não faz mal a ninguém. Já quanto ao carrinho, embora sujeito a
múltiplos impostos, não tem nem de perto a mesma importância que a habitação,
prejudica e incomoda bastante mais. Daí que a sua utilização – e não tanto a
compra ou a posse – devesse ser muitíssimo mais penalizada. Substituir os
actuais impostos que incidem sobre o automóvel e passar a cobrá-los nos combustíveis
era capaz de ser muito mais justo. Digo eu, que gosto de andar a pé.
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