terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Autarca visionário


Visivelmente satisfeito com a sua iniciativa, um presidente de junta de freguesia anunciava ontem a disponibilização de um serviço de baby sitter. Tão improvável oferta – quando vinda de um serviço público – teria, segundo o próprio, a finalidade de permitir aos seus eleitores fregueses desfrutar o dia dos namorados sem o empecilho dos fedelhos a estorvar as comemorações.  
A ideia até nem parece má. Apenas um bocadinho parva, vá. E potencialmente perigosa, também. Isto porque cria um precedente que pode levar a que o homem tenha de manter o serviço aberto vinte e quatro horas por dia, nos trezentos e sessenta e cinco dias por ano. E, para evitar acusações de discriminação, é melhor que o faça. Seria, sem dúvida, simpático ter um lugar para deixar os rebentos, o cão ou a sogra, enquanto se dá uma queca. Ou mais. Um visionário, este autarca.

domingo, 12 de fevereiro de 2012

Apaguem a luz, porra!


Embora não tenha dados que o comprovem, acredito que a freguesia de Glória será, no concelho de Estremoz, a que terá o maior número de vivendas com piscina. O que, naturalmente, não tem nada de mal. Antes pelo contrário. É um indicador que revela qualidade de vida – zona de conforto, talvez – e que constituirá, certamente, motivo de satisfação para a região.
Já, ao invés, o facto de a iluminação pública da aldeia se acender por volta das cinco e meia da tarde me parece absolutamente intolerável. A culpa não será, digo eu, dos moradores com piscina no quintal. Nem, se calhar, dos outros. Mas alguém deve ser responsável por tão precoce acendimento das luzes. Provavelmente alguém que vive num mundo cor-de-rosa, que ainda não se deu conta que a energia é cara e paga com dinheiro público. Ou então é accionista da EDP.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Estacionamento tuga


Estremoz. Centro da cidade. Sábado de manhã. Apesar da imensa placa central do Rossio Marquês de Pombal - onde cabe sempre mais um - ali mesmo ao lado, há quem insista em levar o popó até à porta do estabelecimento onde quer fazer compras. Neste caso talvez tenha sido o talho. A urgência em adquirir uns bifes para o almoço será uma razão de peso. Ou, quem sabe, a imperiosa necessidade em beberricar um cafezito no pastelaria ali ao lado. No caso em frente, para quem estiver no carro. Embora também não seja de descartar a hipótese da loja das cuecas. Há coisas que não escolhem dias nem horas e que não se compadecem com dificuldades logísticas. Nem de estacionamento.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Não gosto de ultimatos. É uma coisa que me aborrece.


Estrangeiros a mandar palpites acerca da maneira como nos governamos ou fazemos a gestão do nosso território é coisa que parece estar a tornar-se um hábito. Agora foram uns camionistas espanhóis. Diz que não querem pagar as portagens nas nossas auto estradas. Pior.  Têm a lata de fazer um ultimato ao governo – ao nosso, que apesar de ser uma merda é o nosso e portanto só nós é que podemos dizer mal – para no prazo de um mês criar uma zona livre de portagens até cento e trinta quilómetros da fronteira.
Apesar do meu carro, mesmo nos dias em que está na garagem, possuir o fantástico poder de passar por inúmeros pórticos das mais variadas ex-scuts – mas isso talvez constitua motivo para um post com mais pormenores – não discordo da cobrança de portagens neste tipo de vias. Se assim não for terão de ser todos os contribuintes a pagar. Mesmo os que não têm automóvel. O que, deve ser falta de visão estratégica, não me parece justo. Portanto quem as usa que as pague. Principalmente se forem espanhóis.
Fico a aguardar que todos os que se indignaram com as declarações da Merkel e do outro gajo alemão do parlamento europeu, manifestem igualmente a sua revolta com esta espécie de ultimado. Que envolve, ao que parece, a ameaça de uns quantos desacatos caso a sua pretensão não seja atendida. Desconfio, no entanto, que a reacção seja exactamente a contrária. É capaz de recolher simpatias do lado de cá. Principalmente entre um bando de alarves que se, num caso semelhante, fizessem o mesmo em relação a opções do governo espanhol – afectassem ou não os portugueses – eram gajos para não ter uma vida sossegada quando atravessassem a fronteira.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ninguém tem nada a ver como esbanjamos o dinheiro que nos dão!


Não partilho da onda de indignação que para aí vai em resultado das declarações da chanceler alemã, por acaso uma cidadã da ex-RDA, acerca da maneira como na Madeira se desbarataram os muitos milhões de euros que, oriundos dos cofres europeus, desaguaram na ilha do Alberto João. A senhora podia até ter dito muito mais, porque muito mais havia para dizer. Portugal de norte a sul está repleto de exemplos que podiam perfeitamente figurar num compêndio sobre a maneira como se não deve esturrar dinheiro.
Obviamente não é agradável ouvir um estrangeiro tecer criticas à forma como nos governamos. Por mais razão que tenha. Edifícios que apenas são utilizados escassos dias por ano ou, como mostra a imagem, estradas no meio de nenhures com enigmáticas rotundas, são exemplos flagrantes da loucura despesista de alguns que fazem obras, independentemente da sua utilidade, apenas porque há dinheiro para gastar. Isto sem esquecer os milhares de “cursos de formação”, que vão entretendo desempregados e gente com manifesta aversão ao trabalho, de uma inutilidade sobejamente certificada e que de pouco mais servem para além de mascararem os números do desemprego.
Mesmo assim acho que a senhora devia estar calada. Nestas como noutras coisas a acção é muito mais importante que a conversa. E a criatura, se acha que andamos a gastar mal o dinheiro que manda para cá, há muito que devia ter agido. Fechado a torneira era capaz de ter sido uma boa opção. Com os exemplos que todos conhecemos, o cidadão comum não notaria grande diferença.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Os azelhas da comissão de trânsito


Umas quantas sumidades na matéria, reunidas sob a designação de Comissão Municipal de Trânsito, produziram – já lá vão uns anitos – uma proposta de alteração ao trânsito no Bairro da Salsinha, Monte da Razão e Quinta das Oliveiras, aqui em Estremoz, que revolucionou a maneira de circular nas referidas urbanizações. Nada que os moradores reivindicassem, assinale-se, mas que mesmo assim os conceituados especialistas insistiram em produzir. Embora, como é fácil de constatar no terreno, as soluções propostas revelem – já o escrevi inúmeras vezes e voltarei a escrevê-lo outras tantas – completo desconhecimento da zona, desrespeito absoluto pelos moradores e total ausência de preocupações ambientais ou com a poupança de combustível.
Atente-se, a título de exemplo, na imagem acima. Não é difícil perceber - pelo menos para quem conhece o bairro, grupo em que os membro da tal comissão parecem não se incluir - que há moradores a percorrer agora mais quinhentos metros de cada vez que se deslocam de automóvel para fora da sua zona de residência. Tudo porque os cavalheiros que assim decidiram gostam de ruas com sentido único. Ainda que dois veículos se cruzem com a maior facilidade. Se cada residente fizer este percurso duas vezes por dia, não será necessária grande inteligência para calcular o dinheiro gasto ingloriamente por causa da decisão destas mentes iluminadas. Verdadeiros génios da arte de gestão de tráfego, até. Pena que evidenciem uma gritante falta de jeito para o cálculo.

PS - As setas verdes representam a circulação que se fazia antes e as laranja a que se faz depois da implementação do plano engendrado pelos sábios da comissão de trânsito.

E se fosse o Sócrates?

Façamos um pequeno exercício. Um suponhamos, vá. Imaginemos que o primeiro-ministro era ainda José Sócrates – lagarto, lagarto, lagarto, ai Jesus, cruzes canhoto - e que, tal como o parvo que lá está agora, tinha decidido não conceder tolerância de ponto na terça-feira de Carnaval. Mais. Não contente com tamanho tiro no pé vinha, alarvemente, papaguear que quem não fosse trabalhar não era patriota. Não serão certamente necessários especiais recursos imaginativos para calcular o arraial que a comunicação social ia montar em torno de tamanho disparate. Com este tudo é diferente. Muito mais suave. O homem tem boa imprensa, os críticos de antes são os apaniguados de agora e os jornalistas não se atrevem a piar muito não vá o Relvas tecê-las.
Embora não seja especial apreciador de festas carnavalescas reconheço, tal toda a gente que saiba fazer contas, a importância desta quadra na economia e na tradição popular. A mesma para a qual Parvus Coelho se está nas tintas. O que significa estar nas tintas para o povo que governa. Mas isso, vindo de onde vem, a poucos surpreenderá. 
Tudo indica que em 2012, apesar de receber menos dois meses de salário, vou trabalhar mais cinco dias. Pelo menos. Daí que não reconheça a um badameco qualquer, autoridade para ganir acerca de atitudes patrióticas. Para isso ou para outra coisa. Porque – não me devo enganar muito – Terça-feira de Carnaval vai ser um feriado igual ao que sempre foi. Já da autoridade do primeiro-ministro não se poderá dizer o mesmo. O país vai desobedecer-lhe. Ostensivamente.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Concentradissimos no acessório

Imaginação e capacidade para gastar dinheiro – que normalmente não têm, sublinhe-se – são atributos que reconheço à generalidade dos autarcas. Qualquer pretexto é bom para uma comemoração, uma festa ou para instituir a prática de uma qualquer actividade. Tudo à borla, de preferência, que isso de cobrar seja o que for aos eleitores envolve sempre aspectos desagradáveis. A menos, claro, que seja à socapa. Tipo no IMI, que aí eles pagam nas Finanças e a maioria nem sabe que a massa vai direitinha para os cofres das Câmaras e daí para as tais comemorações, festas e actividades importantes. 
Como, por exemplo, proporcionar a prática de yoga aos meninos do ensino básico e pré-escolar. Coisa fundamental na formação académica das criancinhas, ao que parece. Essencial para as manter atentas e elevar a sua capacidade de concentração nas aulas, diz que também. Deve ser, pois. Nem desconfio se os montantes envolvidos serão ou não relevantes. Pouco me importa. Se calhar a malta que encontrou emprego a dar estas aulas até nem ganha muito e, compreende-se, precisa de trabalhar que a vida está difícil. Depois queixam-se que as refeições escolares estão em perigo porque a autarquia não tem verbas… 
Nem tudo, no entanto, são actividades parvas ou despesas sem nexo. Algumas autarquias do interior estarão a ponderar a hipótese de se substituírem ao Estado no transporte de doentes a consultas e tratamentos médicos. De louvar, sem dúvida. Se podem levar velhotes e mais carenciados a discotecas, proporcionam viagens de avião só para experimentarem a sensação, organizam excursões a Fátima ou ao Oceanário e fazem as festas mais variadas e alarves, também podem ajudar quem necessita a aceder aos cuidados de saúde indispensáveis.
Mas isto sou só eu a divagar. É uma estranha mania de ver as coisas todas ao contrário que não há maneira de me largar.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Estroinas

Comparar a situação em que vive o país com a de um grupo de amigos que foi ao restaurante e no final da festarola não tem dinheiro para pagar a conta é apenas uma parte da verdade. E, como se sabe, uma meia verdade geralmente produz muito mais estragos que uma mentira. Embora a analogia faça algum sentido, seria bom esclarecer que, desse grupo de pândegos, alguns comeram caviar e beberam champanhe enquanto a imensa maioria apenas emborcou umas mines e mastigou uns tremoços. Convém também que se diga que, no final da pândega, a conta é a dividir por igual independentemente do que cada um tenha consumido e que, pasme-se, até os que não foram ao banquete têm de pagar. Mesmo assim, seria bom que quem faz estas comparações não se esquecesse de referir que ainda há uns quantos que insistem em continuar o repasto e outros que não querem pagar. Nem ficar a lavar os pratos, que foi a alternativa manhosa que a nova gerência da espelunca encontrou para minorar os prejuízos.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Poupar nas balas. E, já agora, nos juizes.

Não sou especial apreciador da maneira como os polícias abordam o vulgar cidadão. Arrogância e não raras vezes má-educação parecem ser requisitos essenciais para pertencer a qualquer força de segurança. Que essa postura seja exibida em situações críticas ou na presença de potenciais criminosos é compreensível, mas quando se trata de uma qualquer banal ocorrência é esta pose absolutamente descabida e reveladora, entre outras coisas, de má conduta profissional.
Nutro, no entanto, alguma admiração pelo trabalho policial. Nomeadamente aquele que obriga a dar o coiro ao manifesto. Que é como que diz a lidar com todo o tipo de escumalha e arriscar a vida, na maior parte das situações, por muito pouco. Daí que tenha dificuldade em perceber que um policia seja condenado em catorze anos de prisão por ter morto um meliante. Na sequência de um assalto, diga-se. Parece que o agente terá agido com negligência. Durante o assalto e na perseguição que se seguiu não manteve o cano da arma apontado para cima e o dedo longe do gatilho. Coisa que, pensava eu – mas ninguém me manda ser parvo – devia ser, ela sim, considerada negligente. Se assim é não se justifica que a polícia ande armada. Era até uma boa maneira de poupar. Não se gastava dinheiro em armamento, não se apanhavam os assaltantes e poupava-se um dinheirão com os trâmites judiciais. Só vantagens, portanto.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Justiça cega

Valentim Loureiro foi hoje absolvido por um tribunal qualquer. Parece que era acusado de coisas. Que, como é óbvio, não terá feito. Tal como já aconteceu, em tempos, com a Fátinha de Felgueiras, com o Avelino de Marco de Canavezes e está para acontecer com o Isaltino de Oeiras. Ou como irá suceder sempre que em causa esteja alguém – autarca ou não – a quem a parolada bate palmas. Nem se percebe bem porque razão a justiça perde tempo com ninharias em lugar de se preocupar crimes realmente importantes. Tipo roubo de peixe congelado, feijão verde ou champô. Vá lá que, de vez em quando, aparecem juízes com “eles no sítio” capazes de punir, com a severidade que este tipo de crime merece, os perigosos sem abrigo e as temíveis velhinhas que espalham o terror nos supermercados.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Lágrimas de crocodilo

As noticias sobre velhinhos sozinhos e abandonados à sua sorte – ou, no caso, azar – voltaram a estar na ordem do dia. Infelizmente aquilo que, por estes dias, as televisões não se tem cansado de mostrar não constitui novidade e, antes pelo contrário, não se trata de um fenómeno isolado nem, ainda menos, passageiro. O envelhecimento da população e outras circunstâncias que, quase sem se dar por elas, se foram acentuando na sociedade potenciam o surgimento de cada vez mais casos como os que têm sido relatados.
Soluções para situações desta natureza não existem. Nem será fácil encontrar uma forma de as minimizar. O que se dispensam são as lágrimas de crocodilo. Nomeadamente de jornalistas bem pagas ou de assistentes sociais com jeito para a representação. Não se espera que ninguém, principalmente esta gente, faça milagres. Agora o que gostava era que as profissionais da assistência social tivessem a honestidade de, perante as câmaras de televisão, ter a mesma atitude que exibem nos seus gabinetes a quem as procura para encontrar uma solução de acolhimento para os seus parentes mais velhos. Ou, por exemplo, quando nos hospitais procuram a todo o custo despachar, seja para onde for, os doentes com alta médica mas sem condições para ficar em casa. E, já agora, que jornalistas de lágrima prestes a brotar as interrogassem acerca disso.

domingo, 29 de janeiro de 2012

E a crise que não há maneira de chegar à praga dos animais de estimação

Esta é uma nova foto do alhal da crise, bastante mais pormenorizada do que a anteriormente publicada e obtida poucas semanas depois. É por isso visível, entre as viçosas plantas que entretanto evidenciam um razoável crescimento, a presença de um vistoso cagalhão. Não tendo eu nenhum cão, gato ou qualquer outro animal de estimação que produza dejectos destas dimensões a sua presença só pode significar que o meu quintal anda a servir de retrete à canzoada da vizinhança.
A julgar pela inusitada frequência com que estas coisas me aparecem por aqui, tudo leva a crer que algum canito das redondezas terá qualquer problema do trato intestinal e apenas consegue aliviar a tripa nesta circunscrita zona do bairro. Onde, por azar, se situa o meu pequeno quintal. A identificação do abusivo prevaricador está a revelar-se difícil. O que é uma pena. Teria todo o gosto em devolver o presente ao legítimo proprietário. Enquanto isso não acontece decidirei se, quando souber a quem pertence o cachorro, lho atiro para o quintal ou o introduzo na caixa do correio. Até lá vai direitinha para o meio da rua. Literalmente.

sábado, 28 de janeiro de 2012

Jardinismo

Ao contrário de muitos comentadores, que nos últimos dias não se têm cansado de declarar o fim do “jardinismo”, tenho alguma dificuldade em acreditar que esta forma de governar esteja a chegar ao fim. Direi mesmo que o anúncio do seu termo é manifestamente exagerado. Isto porque apesar da aparente rendição forçada do Jardim da madeira, onde se calhar a coisa de ora em diante irá piar ligeiramente mais fino, há em quase todos nós um pequeno Alberto João.
Se, com o chamado plano de resgate da Madeira, o original e grande Alberto terá forçosamente de alterar um bocadinho - pelo menos é o que se espera – a sua forma de governar a ilha, por cá vai continuar tudo na mesma para os muitos jardinistas que dirigem municípios, juntas de freguesia, empresas públicas, fundações e demais instituições onde, de alguma forma, é gerido dinheiro público. O rigor – não digo austeridade porque sou contra e acho-a desnecessária – ainda não tem data marcada para aparecer nessa espécie de universos paralelos onde tudo corre como se vivêssemos num país onde o dinheiro brota das árvores. E, quando um dia aparecer, não me enganarei muito se servir apenas para despedir funcionários, mandriões inúteis e malcriados, quase todos principescamente bem pagos. Malta que, como se sabe, ganha muito e trabalha pouco.
Mesmo ao nível do cidadão comum o jardinismo continuará a imperar. Continuaremos a adorar quem tapa cada pedacinho de terreno com betão e a aplaudir quem esturra fortunas – nossas, só por acaso – em cantorias e festarolas badalhocas. Vamos continuar a desprezar quem pretende gastar os dinheiros públicos de forma racional, a odiar os que procuram gerir a coisa pública com transparência e a votar em Isaltinos, Fátinhas ou Valentins.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Estacionamento tuga


Em Estremoz poucos são os que se deslocam a pé. Excepto, claro, os que ao fim da tarde, depois de arrumar o carrinho na garagem, caminham freneticamente pelas ruas da cidade para, alegadamente, melhorar a saúde e, aspecto não menos importante, diminuir o tamanho do rabo. Os mesmos – a chamada brigada do croquete - que não faltam a nenhuma das inúmeras caminhadas promovidas pelo Município e juntas de freguesia cá do sitio. Mas aí compreende-se. Mudar o de trás para a frente dá uma fomeca do caraças e a certeza de encontrar um lauto banquete, ainda para mais à borla, no final da etapa causa um efeito deveras estimulante nos caminheiros de fim-de-semana.
Deve ser pela ausência de qualquer manjar oferecido pelos comerciantes da zona que, de segunda a sábado até ao final da manhã, nesta rua da cidade, o tuga estremocense – maioritariamente na versão feminina – estaciona o popó sem se importar com quem vem a seguir e não cabe na faixa de rodagem. Que trepe o passeio se quiser passar, porque deixar o tugamobil mesmo à porta do pronto-a-vestir ou da esteticista é algo de que elas não prescindem.
Compreendo a necessidade de andar trajada segundo os últimos ditames da moda. Aceito, também, que comprar uma roupita toda janota fará bem ao ego. Percebo que tirar o bigode, depilar o sovaco ou suprir pilosidades indesejáveis de locais mais recônditos, seja uma necessidade imperiosa. Mas, que diabo, não podiam deixar a merda do carro no rossio?! Porra, são apenas cento e cinquenta metros. Para além de poderem exibir a figura, não chateavam ninguém e não obrigavam os outros a cometer uma infracção às normas do trânsito. Sim, não sei se sabem, circular de automóvel pelo passeio dá direito a multa.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Eu também não mudo de ideias...


Não era necessário possuir invulgares dons adivinhatórios. Nem, sequer, ter grandes conhecimentos em matéria económica ou financeira. Bastava não ostentar um nível de parvoíce acima do tolerável. Era, portanto, bastante fácil perceber desde o inicio que cortes de salários e outros crimes contra quem trabalha não constituem solução para coisa nenhuma. Pelo contrário. Apenas contribuem para agravar ainda mais o triste estado do país.
Como se pode constatar, já lá vão uns anos que ando a escrever isso mesmo nas páginas deste blogue. Devem ser às centenas os comentários que deixei noutros espaços onde este assunto tem vindo a ser abordado. Nem têm conta os “gafanhotos” que já mandei a vociferar contra estas opções de quem nos tem governado e a contrariar os que acham que este é que é o caminho certo. Daí que não possa deixar de me congratular com a posição do FMI recentemente divulgada. Afinal, agora, a austeridade já é uma coisa má. E também perigosa, parece. Se é verdade que apenas os burros não mudam de ideias, esperemos que estes não tenham mudado tarde de mais. Já quanto a outros asnos não tenho grandes dúvidas que vão continuar a fazer jus à sua condição.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Clubes-palhaço


A constituição de empresas municipais tem servido quase sempre – embora não haja disso noticia, admito que possa haver um ou outro caso em que assim não seja – para contornar procedimentos, empregar clientelas e, até algum tempo atrás, para continuar a aumentar alegremente o endividamento das autarquias.
Estas entidade empresariais desenvolvem a sua actividade nos mais diversos sectores. Mesmo naqueles em que a autarquia, a iniciativa privada ou o movimento associativo, fariam igual ou melhor por muito menos. Veja-se, por exemplo, no desporto. Por mais estranho que possa parecer existem em Portugal empresas municipais com equipas federadas, nas mais diversas modalidades, a competir como se de um vulgar clube desportivo se tratasse. E não, não me estou a referir aos clubes que são financiados quase a cem por cento pelos governos regionais, câmaras municipais ou juntas de freguesia. São mesmo empresas municipais. Assim, rigorosa e descaradamente.
Podem argumentar que se trata de proporcionar aos jovens uma salutar prática desportiva. É, por norma, um bom argumento. Colhe simpatias, também. Mas, isto sou eu a especular, pode-se igualmente acrescentar que gera postos de trabalho. E todos sabemos da importância de empregar a malta amiga que acabou um curso ou que anda para aí aos caídos. Principalmente daquela que possui o cartão do partido ou que segurou o pau da bandeira por alturas das eleições. Haverá certamente, nestas – e nas outras- empresas municipais, lugar para todos. Desde o administrador ao roupeiro. Não esquecendo os treinadores e outros profissionais. Tarefas que nos clubes são, na maior parte das circunstâncias, desempenhadas gratuitamente por pessoas que dão algum do seu tempo ao clube da terra.
Este tipo de “organizações” causam-me um elevado nível de alergia. E nem é por recentemente ter aturado uma claque de um destes “clubes” palhaços, devidamente uniformizada com t-shirts da empresa, que acho profundamente erradas estas concepções de desporto e de iniciativa empresarial local. Ainda que os progenitores que a constituíam, nomeadamente as mamãs, berrassem mais do que três claques femininas do Nacional da Madeira. Coisa que, convenhamos é muito desagradável.

domingo, 22 de janeiro de 2012

Totós


A escumalha que se dedica a encher as cidades de gatafunhos não passa de uma cambada de totós. Tal como o que não encontrou melhor local do que este para largar um pouco de tinta. Mas, ao contrário de outros, reconhece a sua condição de totó. Javardice à parte, fica-lhe bem a auto-crítica.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Alguém que interne esta gente!


Diz-se com frequência que se isto fosse um país a sério a maioria dos políticos estariam presos. Não é que discorde. Nem, sequer, que não considere a parte de lá das grades como um sitio jeitoso para manter um número significativo daqueles que nos conduziram a este triste estado. Mas, parece-me também, em muitas circunstâncias estaremos antes na presença de loucos. Verdadeiros indigentes mentais. O que não os torna menos perigosos.
Três deles saltaram para a ribalta durante a semana de passou com declarações ao melhor nível de um doente mental. Primeiro foi um obscuro deputado social-democrata, exultante com o recente acordo no âmbito da concertação social. O discurso do homem foi de tal forma nojento que até as reacções das deputadas Ana Drago e Rita Rato pareceram de alguém dotado de uma sapiência intocável. Veio depois Daniel Bessa e a sua convicção de que cada português que se for embora resolve, de uma assentada, dois problemas. O seu e o dos que cá ficam. Partindo do principio que quem emigra é porque está desempregado ou ganha mal, se esta besta desaparecesse resolveria certamente muitos problemas. Por fim Cavaco Silva. O quase indigente. Diz que tem uma reforma de miséria. Pois. É capaz. Isso ou, como se diz por cá de alguém que não junta o gado todo, não conhece bem o dinheiro.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

"Tempos modernos"


A culpa do pouco crescimento da economia, do elevado desemprego, da baixa produtividade e, em suma, do nosso atraso em relação aos outros países europeus era a rigidez das leis laborais. Era. De ora em diante vai deixar de ser. O futuro será radioso. O desenvolvimento, o progresso e o emprego para quase todos não tardarão em chegar. Tudo isso porque vai ser ainda mais fácil e barato despedir, trabalhar-se-à muito mais e ganhar-se-à muito menos. Só vantagens competitivas, portanto. Lamentavelmente ficou apenas por consagrar a possibilidade legal do patrão poder chicotear os empregados menos produtivos ou que ousem olhá-lo de soslaio. Nada que, numa próxima revisão do código do trabalho, a UGT não se disponha a aceitar.
As perspectivas são de tal forma entusiasmantes que o primeiro-ministro não hesitou em considerar que vivemos um momento histórico. Até pode ser. Embora desconfie que pelas piores razões. É que, tal como dizia hoje o proprietário de um comercio qualquer, se não houver clientes não há negócio. Não sei é se esta gente estará a perceber que aqueles que vão trabalhar mais tempo, receber um ordenado menor e, muitos, ser despedidos é que são os tais clientes que fazem mover qualquer negócio.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O cliente tem sempre razão. Mesmo quando parte a loja.


Cidadãos indignados terão hoje partido a pontapé uma divisória em vidro numa “Loja do Cidadão”. Estaria mesmo a pedi-las, suponho. Tal como também acredito que bastou escaqueirar o objecto em causa para que o motivo que provocou tão elevado grau de indignação ter ficado de imediato resolvido. Porque, como toda a gente sabe, para resolver certos assuntos nada como partir coisas. Ou, no mínimo, elevar em muitos decibéis o nível da berraria.
Ao que parece, na origem do desacato terá estado o desagrado de alguns beneficiários da segurança social que terão sido chamados a repor comparticipações a que não teriam direito. O que, naturalmente, provocou a ira dos lesados e motivou a sua colérica reacção. E nada melhor e adequado para resolver a coisa do que começar por ofender os funcionários e partir a loja.
Normal nos dias que correm, diga-se. Hoje quem se dirige a uma repartição pública, nomeadamente quando o assunto a tratar envolve algo que o utente entende não o beneficiar, fá-lo quase sempre de forma deselegante, agressiva e ostensivamente provocadora. Pena que toda essa coragem e ousadia seja dirigida, por norma, aos alvos errados. Seria, com certeza, muito mais apropriado que o fizessem quando, por exemplo nas campanhas eleitorais, os políticos vão visitar os locais onde vivem. Mas não. Aí portam-se que nem santinhos, talvez na esperança de receber uma torradeira, um emprego ou outra qualquer benesse. E não, não estou a pensar apenas em gente de poucos recursos, baixa escolaridade ou de certas franjas sociais. Bestas engravatadas ou mulas de salto alto é coisa que não falta.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Paradigmas há muitos...


Não seriam necessários grandes estudos, elaborados ou não por reputados especialistas de conceituadas instituições, para sabermos que a economia paralela representa um valor assustador em relação ao PIB do país. Nem, tão pouco, que constitui uma das principais causas de muitos desequilíbrios da nossa sociedade. O seu combate devia constituir um desígnio nacional e uma das principais apostas de qualquer governo que tivesse tempo - ou bom senso, talvez – para ver mais longe que o horizonte eleitoral.
Podia, também, servir de pretexto para a actuação de um desses auto intitulados movimentos de intervenção cívica que, de vez em quando, surgem por aí a promover causas aparentemente nobres. Quem sabe a capacidade de mobilização dessa malta não produzia resultados surpreendentes capazes de equilibrar o défice ou, menos provável, de levar o governo a ser mais simpático com aqueles que não podem fugir às garras da máquina tributária.
No actual cenário a vida parece sorrir aos que vivem à margem da realidade fiscal. Poucos sentirão qualquer espécie de apelo, patriótico ou outro, para depois do canalizador, o electricista ou o limpa-chaminés terminarem um serviço pelo qual cobraram cem euros, ainda desembolsar mais vinte e três. A somar, muito provavelmente, a outras centenas ou milhares que o governo já lhes sacou no ordenado e nas dezenas de impostos e taxas que pagamos a toda a hora. Pelo menos enquanto não mudar o paradigma. Que é coisa que, por estes dias, fica sempre bem dizer. E escrever.

domingo, 15 de janeiro de 2012

Comprar só quando se pode pagar?! Que ideia tão parva...


Nestas situações de aperto como a que actualmente se vive nem tudo é mau. Existem também alguns aspectos positivos. Constatarmos que afinal, contrariamente aquilo que pensávamos, não somos ricos e que teremos que gerir muito melhor os recursos de que dispomos será seguramente um deles. Ainda que, em muitas circunstâncias, essa constatação tenha de nos ser imposta pela via legislativa.
Até agora o Estado e demais entidades públicas têm comprado tudo o que muito bem lhes apetece. Mesmo que não exista dinheiro para pagar nem a sua existência seja previsível para os meses – quiçá anos – mais próximos. Nem, às vezes, para os mais distantes. Por mais irresponsável que pareça a ideia, o governo vai pôr um ponto final neste peculiar modelo de gestão. Estará, ao que se sabe, para breve a publicação de legislação que limitará novas compras dos serviços públicos à possibilidade de as pagarem no prazo máximo de noventa dias.
Não faltarão sorrisos trocistas perante tão patética ideia. Teorias impraticáveis de gente que não tira o cú dos gabinetes, afiançarão uns quantos. Impossível. Se for assim “isto” pára tudo, garantirão outros. A mim o que me surpreende é que apenas agora, quando a desgraça está consumada, é que alguém se tenha lembrado de impor ao Estado e restantes administrações uma regra tão básica. Comprar apenas quando há dinheiro ou, mesmo não havendo no momento, haja a garantia da sua existência num prazo considerado aceitável.
Governar ou gerir uma instituição sujeita a pressões das mais diversas clientelas – em sentido lato, porque nem todas têm interesses ilegítimos – com as novas regras que se avizinham não será fácil. Mas também ninguém disse que a função governativa deve ser algo que se faz com relativa facilidade. Isso é o que tem acontecido até aqui, com os resultados que estão à vista. Aliás se fosse fácil qualquer badameco lá podia estar.

Blogue do ano 2011


O Aventar, um dos melhores blogues portugueses, está a promover uma votação destinada a escolher o “Blogue do ano de 2011”. Entre os muitos candidatos, na categoria “Actualidade politica - individuais”, está o Kruzes Kanhoto. A votação decorre entre 15 e 21 de Janeiro e a mesa de voto está instalada em aventar.eu/blogs-do-ano-2011/. Todos os que se interessam por estas coisas podem ir até lá – e os não se interessam também - e votar neste blogue. Ou então num realmente bom.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Pontes da discórdia


Ciclicamente vem à baila a malfadada história das pontes. As quais, pelo menos até agora e ao que me tenho apercebido, constituíam um exclusivo dos funcionários públicos e representavam um intolerável privilégio dessa classe de malandros que não merecem o ar que respiram nem a água que bebem. Principalmente agora que o precioso liquido está cada vez mais precioso. Há semelhança, diga-se, de quase todas as matérias que se apresentam naquele estado.
Vaí daí que não percebo a indignação causada pela intenção do patronato que, segundo a manchete do “Jornal de Negócios”, pretenderá encerrar as empresas sempre que ocorra uma ponte e descontar o dia nas férias dos trabalhadores. Admito não estar a ver bem a coisa. Concedo que a minha capacidade de análise destas matérias não seja a melhor. Dou, até, de barato que esteja a fazer uma confusão qualquer. Mas esta gente queixa-se do quê?! Alguém que me corrija se estiver enganado, mas não é por causa dos funcionários públicos – essa cambada – poderem fazer exactamente o mesmo que é agora proposto para os privados que tantas criticas lhes têm sido dirigidas?! Não percebo.