Os
resultados dos Censos 2011 baralham-me. E nem sou daqueles que prestam especial
atenção aos pormenores ou que se dedicam a analisar cada dado comparando-o com
resultados obtidos anteriormente por outras operações do género. Neste aspecto
não serei o único. Os números já foram divulgados há algum tempo e, por mais
estranho que possa parecer, não se assiste a qualquer debate, seja a nível local
ou nacional, acerca daquilo que foi apurado. Um ou outro artigo de opinião,
quase sempre a lamentar a perda de população do interior, e o assunto morre por
aí. Lamentavelmente.
Como refiro no inicio, os valores
apurados relativamente ao concelho de Estremoz deixam-me aturdido. Se no que
diz respeito à quebra do número de residentes a surpresa não é por aí além, o
mesmo já não se pode dizer quanto a outros números. O de edifícios, por
exemplo. Esclareça-se que, segundo o Instituto Nacional de Estatística, o
conceito de edifício é o seguinte: “Construção permanente, dotada de
acesso independente, coberta e limitada por paredes exteriores ou paredes-meias
que vão das fundações à cobertura e destinada à utilização humana ou a outros
fins.”
De
acordo com os dados divulgados no site do INE, o aumento do número de edifícios
no concelho de Estremoz cifrou-se em – pasme-se - vinte e sete! Se olharmos os
mapas que acompanham este texto verifica-se que a situação é especialmente
preocupante na Freguesia de Santo André onde, entre novas construções e
eventuais demolições, desaparecem cento e quarenta e nove edifícios. Se a
diminuição de habitantes é justificável pelos mais diversos factores, quase todos
identificados, para a redução de edifícios será necessário procurar outras causas.
A começar por algumas dificuldades que possam ter existido na recolha de
informação. Porque, pelo menos que me lembre, não ocorreu na última década qualquer
fenómeno capaz de fazer desmoronar tanto edifício.
Estes
números são ainda mais surpreendentes porque nos concelhos vizinhos a sua
evolução foi completamente diferente. Borba e Vila Viçosa cresceram 401,
Alandroal 489 e Sousel 124. Ou seja, em média, 13 vezes mais do que Estremoz.
Tem, portanto, que existir aqui qualquer coisa mal explicada. E não, nem vale a
pena argumentar que a culpa é do arquitecto Bouça!




