sábado, 23 de julho de 2011

A média é quase sempre uma má maneira de medir...

Embora os valores apresentados nem me pareçam merecedores de grande destaque, até pela natureza das faltas em causa, um jornal de expansão nacional resolveu fazer manchete com um estudo segundo o qual os funcionários públicos faltam ao trabalho dezoito dias por ano. Isto em média, claro. E o problema reside principalmente aí. Estou, assim de repente, a lembrar-me daquela história – não sei se verdadeira mas tenho boas razões para acreditar que sim – de um vereador de um dos maiores municípios do país, simultaneamente detentor de um cargo numa empresa municipal e que, alegadamente, nem sequer sabia onde ficava a sede. Embora – isto também alegadamente – a generosa retribuição nunca tivesse deixado de ir estacionar na sua conta bancária.
Ora um gajo destes estraga claramente a média. Depois temos ainda aqueles fulanos que acumulam vários lugares em instituições diferentes. Apesar de toda a genialidade que sobejamente lhes é reconhecida, não terão o poder de estar, simultaneamente, em dois ou mais lugares. O que constitui mais uma desgraça para a estatística. A menos – hipótese que nem ouso colocar – esta malta não entre nestas contas.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Pagar uma vez é mau. Justo, mas mesmo justo, seria pagar duas. Ou três, vá.


Acho piada à tese, maioritariamente aceite como boa, que defende a incidência do imposto natalício, para além de outros ganhos, também sobre os juros de depósitos a prazo. Para a esquerda de uma maneira geral e para grande parte dos opinadores com direito a voz nas televisões, essa abrangência seria da mais inteira justiça, ao contrário de, como pretende o governo, taxar apenas os rendimentos do trabalho.
Considero, como escrevi noutras ocasiões, que este imposto produzirá efeitos nefastos na economia. Não vejo por isso que abranger outros rendimentos lhe acrescente qualquer tipo de justiça. Deixemos-nos de fingimentos e hipocrisias. Provavelmente muitos dos que vão ser abrangidos pelo corte no subsídio de Natal possuem acções e, seguramente, a larga maioria são titulares de depósitos bancários. Taxar estes rendimentos seria penalizar quem já vê parte significativa do seu trabalho ir direitinha para os cofres do Estado e cobrar, ainda mais, aos mesmos.
Nem vale a pena espernear muito em busca de argumentos contrários ao que acabo de escrever. Nem, sequer, armar em anjinho de pau carunchoso e acreditar que é apenas uma minoria que detém produtos financeiros. De acordo com os dados do boletim estatístico do Banco de Portugal, hoje divulgados, o total de depósitos aplicados por particulares atingiu os 122.249 milhões de euros em Maio, mais 1,386 mil milhões de euros face a Abril. Por detrás destes números estão, forçosamente, pessoas. Que trabalharam, pouparam e investiram. Entre os quais se encontram muitos reformados, que têm nos juros obtidos um complemento para as suas reformas. Mas, apesar disso, há quem considere uma injustiça não lhes sacar umas massas. Opiniões.
Reitero a minha convicção que, feito o apuramento final, o resultado do impacto deste imposto na economia e, por consequência, nas contas do Estado a médio e longo prazo será trágico, e tudo o que seja alargar a tributação servirá apenas para aumentar a dimensão dessa tragédia. Mas isso não é preocupante. Os dos costume continuarão a pagar os desvarios dos inimputáveis do regime.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

O passado está de regresso

Desde o final da década de oitenta - princípio dos anos noventa do século passado, vá - até há dois ou três anos atrás, era raríssimo ver ciganos nómadas por estas paragens. Agora, carroças repletas desta gente, são uma presença constante nas estradas do distrito de Évora. Não sei a que se deve tão estranho fenómeno mas, de verdade, não me agrada. Nem é por serem feios, porcos e, possivelmente, maus. Nada disso. O meu desagrado tem mais a ver com as memórias de um tempo em estas caravanas eram constituídas por muitas mais carroças e integravam largas dezenas ou centenas de pessoas que, à sua passagem, iam roubando o que podiam. Quase sempre a pessoas que pouco mais tinham do que eles, diga-se.
É a memória desse tempo, que parece prestes a regressar, que me causa um certo calafrio e me provoca, perante este cenário, um sentimento de déjà vu. Espero estar enganado e este não constitua mais um sinal de que estamos em claro processo de regressão social. Admitamos, antes, que esta malta aprecia a natureza, possui um indomável espírito de liberdade e que prefere levar a vida a passear. Admitamos. Até porque por estas bandas nem há areia onde possamos esconder a cabeça.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Crise de valores


Sempre considerei que é preciso um enorme descaramento e uma colossal falta de vergonha  – assim mesmo, sem nenhum conjunto de palavras pelo meio que possa dar azo a interpretação diversa – para pedir, que é como quem diz exigir, um subsídio a uma instituição pública para realizar uma festa, fazer uma jantarada ou promover um qualquer evento semelhante. Na actual situação em que vivemos vou ainda mais longe. Continuar a exigir – quase encostar os autarcas à parede, não é mera figura de retórica – apoios para os mais variados disparates que dirigentes associativos idealizam, constitui um acto lesivo do interesse de todos os portugueses e que me enoja profundamente. A existência de dinheiro público a financiar cantorias e cambalhotas, bejecas, camarão ou frango assado é, principalmente numa altura como a actual, um verdadeiro escândalo que devia envergonhar a todos os que, em alguma parte do processo, tem uma palavra a dizer.  
Quando se solicitam estes apoios, são evocados motivos aparentemente muito nobres que justificam a sua concessão. Desde o interesse público até coisas realmente imaginativas, como a promoção e a divulgação do concelho em causa.  Seja lá o que for que isso queira dizer. Presumo que terá sido nesse contexto que os “Amigos da Festa Brava”, certamente uma associação de reconhecido interesse público e que eventualmente promoverá o concelho onde está sediada, ganharam quase oito mil e duzentos euros de subsídio atribuído pela Câmara lá da terra. No entanto, nessa mesma terra, muitas famílias deixaram de receber abono de família, pagam bastante mais irs e vão ver parte do seu subsídio de Natal ser absorvido pelo imposto natalício. É a crise. De valores.

domingo, 17 de julho de 2011

Um pelo preço de dois

Numa loja de electrodomésticos de uma conhecida cadeia de hiper-mercados, enquanto aguardava a minha vez de pagar, decorria na caixa ao lado um dos mais interessantes negócios a que já tive a oportunidade de assistir. Um casal tinha acabado de adquirir uma arca congeladora e, como medida de protecção adicional à garantia, o vendedor propunha-lhe a subscrição de um seguro que, durante cinco anos, cobriria toda a espécie de azares que pudessem acontecer ao aparelho. Pela módica quantia de três euros e sessenta por mês. Uma insignificância quando comparada com a tranquilidade proporcionada, acrescentava. Qualquer coisa como duzentos e dezasseis euros no final dos sessenta meses, se nos dermos ao trabalho de fazer a conta.
Ao contrário do que seria de esperar, o casal – aparentemente de condição humilde, mas com idade para ter juízo - não demorou muito tempo a concluir pela aceitação da proposta do vendedor e, assim de repente, levar um electrodoméstico para casa e assumir o compromisso de pagar outro. Perante um cenário como o descrito anteriormente não é difícil concluir que os portugueses se deixam convencer com facilidade, manifestam uma confrangedora iliteracia financeira e uma preocupante inabilidade para fazer contas. Assim não vamos lá. Contudo ajuda a explicar porque chegámos até aqui.

sábado, 16 de julho de 2011

Uma "brasa" no Ministério da Agricultura (*)

Mesmo colocando as mais sérias reservas quanto à sua eficácia, aplaudo as medidas implementadas pela nova Ministra da Agricultura visando a optimização dos recursos energéticos pelos serviços do seu ministério. Se, por um lado, tudo o que envolve poupança me parece bem, já, por outro, não se me afigura que o simples facto de deixar de usar gravata e, por isso, poupar no ar condicionado resolva grande coisa. Até porque a ministra já manifestou publicamente a sua condição de friorenta, o que não augura nada de bom quando, lá mais para o Outono, as temperaturas começarem a baixar. A menos que, por essa altura, seja emitida alguma ordem de serviço a aconselhar os funcionários a incluir na sua indumentária gorros, cachecóis, luvas, sobretudos e ceroulas. Ou, fica a sugestão, os serviços do ministério distribuam uma mantinha a cada colaborador. De preferência daquelas artesanais para estimular a economia das zonas rurais.
O que, de todo, me desagrada é que a alegada poupança tenha apenas como alvo a gravata. Ou, visto de outra forma, que apenas o pescoço masculino mereça ser aliviado dos apertos a que normalmente está sujeito nos gabinetes e corredores institucionais. Surpreende-me que as feministas de serviço, os mais variados grupos pela igualdade e, até, o Bloco de Esquerda, não tenham ainda vindo reclamar pela institucionalização do decote generosamente mais amplo ou da saia mais curta. Tudo, claro, em nome da poupança, da redução da pegada ecológica e, principalmente, do direito das mulheres a arejarem aquilo que muito bem entenderem.

(*) Pelo conteúdo do texto percebe-se claramente que a “brasa” a que me refiro é a temperatura. Nada de más interpretações que o respeitinho é muito bonito e isto é um blogue sério.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Fogaréu

Faz-me espécie que, ano após ano, este cenário se repita nesta zona da cidade. Há, pelo menos, vinte e dois anos que em cada Verão os incêndios em redor das muralhas ocorrem com inusitada frequência. Que, refira-se, apenas não é estranha à força de tanto se repetir. 
Não existe por ali nada que potencie, mais que em qualquer outro local, o risco de incêndio. Nem, que se saiba, nada que interesse queimar. Daí não se perceber o que motivará o constante arder daqueles pastos. A não ser que estes – coisa difícil de acreditar – possuam invulgares características capazes de provocar a sua combustão espontânea. 
Se calhar, digo eu que não percebo nada de fogueiras, o melhor será mesmo deixar arder tudo de uma vez. A menos que se pretenda que estes pequenos focos de incêndio sirvam como teste à prontidão e capacidade operacional das forças competentes para intervir nestes assuntos. O que, bem vistas as coisas, até nem parece mal de todo.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Um coice na crise?

Esta imagem poderá revelar-nos que estaremos já em fase de retoma económica ou, pelo contrário, que regressámos ao tempo em que – presumo, porque não vivi nessa época – se comercializavam muares no principal largo da cidade. Seja como for, é de saudar o espírito de iniciativa destes comerciantes que resolveram mostrar as suas alimárias a eventuais compradores. 
Será, talvez, também um sinal que o regresso à terra – à lavoura, vá – está para breve. Quem sabe, com recurso aos métodos mais tradicionais e amigos do ambiente. Ou, vistas as coisas noutra perspectiva, poderão constituir uma alternativa aos actuais meios de transporte. Dispensam seguro, não gastam combustíveis fósseis e são fáceis de estacionar. Apesar disso desconfio que não terão grande sucesso no negócio. De resto só um parvo iria comprar uma mula a um cigano quando pode ter um jipe à borla. Ou com pouco trabalho e alguma ciganice. E os lavradores, como se sabe, não são nada parvos.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Patriotas, mas só relativamente.

O patriotismo evidenciado pelos portugueses desde que a Moody's considerou a divida lusa como lixo é deveras enternecedor. Comovente, até. A maioria de nós descobriu, assim de repente e sem que nada o fizesse prever, uma repentina paixão patriótica. Quase tão intensa como naquele longínquo Verão de 2004 em enfeitámos tudo e mais alguma coisa com bandeirinhas nacionais. Daquelas compradas nas lojas dos chineses.
Apesar de achar alguma piada às tentativas de chatear os gajos da Moody's – ao ponto de também ter acedido e feito refresh inúmeras vezes no site da organização - e admitindo que as agências de notação até podem ser uns chatos do caraças, insisto, tal como escrevi aqui, que a culpa é quase exclusivamente nossa. Ninguém nos obrigou a pedir dinheiro emprestado. Nem, ainda menos, a não regularizar atempadamente os nossos compromissos. Só em processos de acção executiva a aguardar cobrança admite-se que estarão mais de vinte mil milhões de euros. Sensivelmente um terço da chamada ajuda externa recentemente negociada. Coisa pouca, portanto.
Admito que, sem a quantidade astronómica de dinheiro que nas últimas décadas desaguou no país, a nossa vida não seria a mesma coisa. Provavelmente não teríamos auto-estradas onde passam quase tantos veículos quantos os passageiros que embarcam ou desembarcam no aeroporto de Beja. Não haveria um campo de futebol relvado em cada aldeia e o Tony Carreira, certamente, daria menos concertos. Não teria sido construído um parque habitacional suficiente para acomodar vinte cinco milhões de habitantes nem, quase de certeza, veríamos qualquer gaiato ranhoso com o pai desempregado e a mãe no rendimento mínimo a manusear um telemóvel de última geração. Não era, de facto, a mesma coisa. Mas, se calhar, não era pior.

domingo, 10 de julho de 2011

Deve ser uma espécie de montra...


O dono deste veiculo pesado quer livra-se dele. Provavelmente já não é útil à sua actividade, pretende realizar algum capital ou, então, terá uma qualquer outra razão que não vem ao caso para o colocar à venda. É lá com ele. Está no seu direito e não temos nada a ver com isso. Principalmente quando – obviamente também é coisa que nem questionamos – terá pago todas as licenças que o habilitam a ter um bem em venda num espaço público.
O que já me parece questionável é a necessidade da viatura estar ali. Precisamente ali. Não mais à frente, ao lado ou mais atrás, mas exactamente naquele local que antes era ocupado por uma inoportuna pernada da árvore. Entretanto removida, como se pode ver na imagem, para dar lugar à camioneta que alguém pretende vender. Ramo esse que, como se pode constatar, nem se deu ao trabalho de colocar em local que pudesse ser recolhido pelos serviços de limpeza. Foi, como é visível, direitinho para a berma da estrada nacional.
Pertinente é, igualmente, o sentimento de impunidade que permite a alguns terem este tipo de comportamento. São muitos e muitos anos a cometer todo o tipo de tropelias impunemente. Danificar propositadamente uma árvore, plantada na via pública, com o intuito fútil de estacionar um camião pode ser coisa pouca. Constitui, no entanto, uma atitude reprovável e bem elucidativa do que, até nos mais pequenos pormenores, é hoje a bandalheira em que se tornou o nosso país.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

"Portantos, ainda hadem vir mais!"


Um homem muda de mulher, de partido, de opinião, de religião e, alguns, até de sexo. No entanto, por uma qualquer deficiência de fabrico que a ciência se revela incapaz de explicar, não consegue mudar de clube. Algures durante o processo de crescimento torna-se adepto de uma agremiação desportiva e, queira ou não, nunca mais se livra dessa paixão. O que é pena.
Por mim, benfiquista desde sempre, nomeadamente do tempo em que não era dado a estrangeiros o privilégio de vestir a camisola do glorioso, é particularmente doloroso ver aquilo em que se está a tornar o maior clube português. Despedem-se os jogadores que ainda constituíam as poucas e vagas referências e mandam-se vir charters de pseudo-craques do outro lado do Atlântico. Quase sempre de qualidade inversamente proporcional ao dinheiro que custam.
Nem sei – e para dizer a verdade prefiro nem saber – se, entre as largas de artistas do pontapé na bola, haverá por lá meia dúzia que tenha nascido cá pelo rectângulo. Provavelmente esta obsessão do treinador por gente de fora e a pressa que manifesta em despachar os poucos portugueses, terá a ver, mais do que com opções técnico-tácticas, com a pouca vontade de ter no balneário jogadores que não conseguem evitar um sorriso trocista quando o ouvem falar. Consta que o homem prefere os estrangeiros porque, pelo menos ao principio, não se apercebem das suas constantes calinadas.
O meu benfiquismo passou incólume por catorze anos sem títulos. Suportei estoicamente goleadas de cinco ou sete golos e outras humilhações igualmente penosas. Receio, contudo, que fique abalado por esta pré-época. E um sinal preocupante que isto pode estar a acontecer é quando dou por mim a fazer zapping logo que, nos telejornais, surgem noticias do Glorioso. Exactamente o mesmo que faço quando os noticiários se referem a Andrades e Lagartos. Terei de certeza, lamento pensá-lo e ainda mais escrevê-lo, alguma dificuldade em vibrar com uma equipa que se apresentará no relvado sem jogadores portugueses. Coisa que não se vê nem na Roménia ou em Chipre.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

São lixo?! E foi preciso pagar para saber isso?!

Mas porque raio há-de uma Câmara Municipal ser avaliada por uma agência de notação financeira?! Por mais que me esforce não consigo enxergar uma única vantagem para os munícipes dos municípios avaliados e, se a lei não mudou desde ontem, os segundos apenas existem para satisfazer as necessidades dos primeiros. Neste caso nem os argumentos muito rebuscados, que os autarcas – e os políticos, de uma maneira geral – costumam utilizar para justificar decisões racionalmente injustificáveis, servem de fundamento. A menos que nos queiram provocar, de tanto riso, uma valente dor de barriga.
Não estou por dentro dos preços – por acaso nunca me ocorreu entrar nesse ramo de negócio – mas, calculo, um servicinho deste género não deve sair nada barato. Será, acredito, tão caro quanto inútil. Até porque, por melhor que fosse a classificação obtida, não serve para nada. É, por isso, muito bem feito que as Câmaras que o solicitaram tivessem sido consideradas como lixo. Estavam mesmo a pedi-las.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Agências de rating prestes a considerar divida portuguesa como "merda de cão"


Provavelmente serei dos poucos que não embarcam nessa nova moda nacional de dizer mal das agências de rating, que de repente transformou cada português num auto-proclamado especialista em análise de risco de investimento. Até porque “lixo” ainda não me parece suficientemente grave. Por mim apenas vou ficar aborrecido – mas mesmo assim só um bocadinho - quando a divida nacional for classificada como ”merda de cão”. Grau que, por este andar, não demorará a atingir.
Não sei se as tais agências erram ou não muitas vezes nas apreciações que fazem. Desconfio que não. Se assim fosse, se calhar, já não tinham clientes. A menos que a estes perder dinheiro desse um especial gozo. É verdade que falharam redondamente quando recomendavam como bom negócio o tal banco que faliu lá para as Américas mas, que diabo, de gente que se engana de forma ainda mais redonda estamos todos nós mais que fartos.
Assim, de repente, nada me ocorre que possa ter causado tanta perplexidade na classificação da divida portuguesa como lixo financeiro. Isto, mal comparado, é como se eu for todos os meses ao banco pedir um empréstimo para manter o nível de vida a que estou habituado e, simultaneamente, o meu rendimento mensal não parar de ficar cada vez mais reduzido. Nestas circunstancias será perfeitamente normal que o fulano do banco – provavelmente um rapazola, escondido atrás de um computador e, quase de certeza, com ar de fuinha – comece a desconfiar da minha capacidade de cumprir com o pagamento e, às tantas, é gajo para me considerar um cliente de alto risco.
Nada disto acontecia se não recorrêssemos sistematicamente ao crédito e nos limitássemos a viver à medida da nossa capacidade de gerar riqueza. Ou, dito de outra maneira, não quiséssemos armar naquilo que não temos dinheiro para ser. Aí estaríamos-nos nas tintas para as tais agências, podíamos mandar os mercados dar uma volta e rir na cara dos especuladores. Mas não. Nós somos mesmo assim. Não gostamos é de ouvir a verdade.

terça-feira, 5 de julho de 2011

O ordenado da senhora FMI


Nada tenho contra os ordenados chorudos que por aí se vão praticando. É por isso que não partilho da indignação que assola uns quantos comentadores, relativamente ao vencimento a auferir pela senhora francesa que vai chefiar o FMI. Há que ser realista. Está em causa uma instituição que opera à escala planetária, que movimenta uma quantidade inimaginável de dinheiro pelo que, assim sendo, o cargo deve ser principescamente pago. O que, bem vistas as coisas, nem é o caso. Principalmente se tivermos em conta que a gaja vai ganhar menos que o chefe máximo da Caixa Geral de Depósitos. Um banco que, segundo julgo saber embora isso não seja relevante para o caso, nem estará entre os cem maiores bancos do mundo. Portanto, nem mesmo pensando à nossa dimensão, se pode considerar que a criatura tenha um salário por aí além. Dá para ir vivendo, mas não é lá grande coisa.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Ajudar os "desgraçadinhos" é prioridade nacional

Em tese será muito defensável a ideia de que uma redução significativa da Taxa Social Única, paga pelas empresas sobre a remuneração dos trabalhadores ao seu serviço, contribuirá para aumentar a competitividade da economia portuguesa. Supõem os defensores desta ideia que a diminuição de encargos com o factor trabalho terá reflexos nos custos finais dos produtos ou serviços comercializados o que, por consequência, se traduzirá por preços mais baixos. O que significa, ainda para quem defende esta tese, que as empresas exportadoras ficarão em melhores condições de concorrer no mercado externo. Internamente os benefícios também se farão sentir porque, garantem os apoiantes da ideia, será possível produzir a preços mais competitivos para o mercado interno e, assim, diminuir as importações.
Só vantagens, portanto. Estamos em presença de um plano quase perfeito. Engendrado, talvez, por um génio da táctica. Assim a modos que uma espécie de Mourinho da economia. Confesso que até o meu aguçado espírito critico se depara com inesperadas dificuldades em encontrar pontos fracos, ou criticáveis, em ideia tão brilhante. Digamos que apenas um pequeno pormenor me inquieta. Muito ligeiramente, é certo, mas ainda assim não me deixa inteiramente descansado. Que é o facto de em Portugal os patrões – o que raramente é sinónimo de empresário – serem, na sua imensa maioria, portugueses. Trata-se de uma classe constituída, em grande parte, por aldrabões, broncos e semi-analfabetos, sempre prontos a enganar tudo e todos. Seja o Estado, os trabalhadores ou os clientes. Daí que não me espantaria se, a verificar-se a prometida redução da TSU, ela fosse encaminhada, ao contrário do pretendido, para o aumento da importação. De Ferraris, uísque, brasileiras e tudo o mais que ocorra à fértil imaginação do patronato nacional.

domingo, 3 de julho de 2011

O Estado é um gordo comilão que recusa fazer dieta


Prevê-se que a metade do subsidio de natal convertida em imposto renda aos cofres do Estado qualquer coisa como oitocentos milhões de euros. Pecúlio indispensável, dizem, ao cumprimento das metas do défice. Será, também, uma espécie de adiantamento. Quando o Costa do BPN - e restantes amigalhaços - forem condenados a pagar ao Estado cada euro que este já injectou, mais os mil milhões que se prepara para injectar, naquele arremedo de banco, seremos todos reembolsados. E com juros, naturalmente.
Por sua vez a RTP custa aos contribuintes um pouco mais de trezentos e trinta e quatro milhões de euros por ano. No entanto, em nome dos interesses das estações privadas, não se pode privatizar e, assim, aliviar desse fardo quem ainda vai pagando impostos. Ia estragar o negócio ao tio Balsemão e aos chatos da TVI que, lixados como são, eram gajos para ir buscar outra vez a Manuela Moura Guedes. Ou porque, dizem outros, é fundamental manter um serviço público de televisão.
Por mim estou claramente dividido. Sem décimo terceiro mês ainda consigo sobreviver, mas quem me tira o inenarrável “Último a sair”, ou aqueles programas com parolos aos berros que preenchem as manhãs e as tardes do canal público, tira-me tudo. Isso sim é que é serviço público. Mas, por outro lado, o graveto dava-me um jeitão do caraças. É que sem ele vou ter de passar a beber Cergal...

sábado, 2 de julho de 2011

Assalto ao pote

Mudar de vida nem sempre é fácil. Principalmente quando essa mudança é para pior. A isso chama-se por cá passar de cavalo para burro e, naturalmente, constitui uma alteração pela qual ninguém gosta de passar. Infelizmente vivemos um dos momentos mais difíceis das ultimas décadas e, queiramos ou não, estamos a ser obrigados a mudar radicalmente os nossos hábitos. Por mais que não concordemos. O pior que podemos fazer é assobiar para o lado, continuar a proceder como até aqui e manter o estado de negação da realidade a que temos vindo a assistir nos últimos meses.
Poucos são, pelo menos a julgar por noticias que se vão lendo ou ouvindo, os que parecem ter consciência desta realidade. Veja-se o caso de um grupo de cristãos, de uma localidade do interior do país, que não esteve com mais aquelas e vá de pedir um subsidio, no valor de trezentos euros, à autarquia lá do sitio, para a realização de um passeio cultural e de recreio dos mais directos colaboradores da comunidade cristã ao monumento do Cristo Rei, em Almada. Subsidio que, naturalmente, foi concedido.
Não está em causa o valor, quase insignificante, do apoio concedido. O que me espanta é a distinta lata de um grupo de pessoas que resolve ir passear e pedir para isso financiamento público. Não está igualmente em questão a legitimidade da atribuição do referido subsidio. O exemplo que é transmitido, por quem pede e por quem dá, é que me parece absolutamente deplorável. Se, em lugar de trezentos euros, fossem trinta mil que se destinassem a apoiar em termos de saúde, alimentação ou para suprir outras carências de quem realmente necessita, seria uma iniciativa louvável que revelaria a preocupação de todos os envolvidos com as necessidades dos seus semelhantes. Assim dá quase a impressão de que, uns e outros, parecem ter manifesta dificuldade em perceber que o dinheiro público não pode servir para satisfazer prazeres pessoais. Por mais pequenos que sejam.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

E o burro sou eu?!


Mário Soares terá dito em certa ocasião, à laia de justificação para alguma incoerência no seu discurso, que apenas os burros não mudam de ideias. É uma tirada que gosto de citar, até porque não tenho receio absolutamente nenhum de mudar de opinião quando me demonstram – ou descubro por mim – que estou equivocado. Há, no entanto, assuntos acerca dos quais ninguém me consegue “desmontar da burra”. Por mais que ilustres entendidos nas matérias alvo da minha casmurrice se esforcem em demonstrar quanto o meu entendimento, relativamente à matéria em apreço, apresenta graves falhas. Pode, até, ser assim. Aceito que, sendo um leigo em quase tudo – ignorante, vá – não terei grandes argumentos académicos para contraditar os detentores da sabedoria. O pior – infelizmente, porque nem sempre fico satisfeito por ter razão – é que o tempo acaba por demonstrar que, afinal, os experts não são assim tão espertos.
Vem isto a propósito do programa de governo apresentado hoje. Nomeadamente da ideia peregrina de criar um imposto extraordinário sobre o subsidio de natal. Ando há anos a escrever neste blogue – e noutros espaços onde vou mandando uns bitaites – que não será retirando dinheiro às famílias, seja aumentando impostos, baixando salários ou inventado outras manigâncias, que o problema do défice do Estado se resolve. Esta receita é velha e está mais que provada a sua ineficácia perante os objectivos que quem a implementa pretende atingir. Basta ver que tem sido aplicada continuamente nos últimos dez anos com o sucesso que se conhece.
Ainda assim Passos Coelho e os restantes rapazolas que o rodeiam insistem em trilhar este caminho. Com o aplauso, quase envergonhado, de muita gente com idade para ter juízo. Uns e outros deviam saber que existe um ponto a partir do qual as pessoas não estão dispostas a pagar mais impostos. Ou não querem. Ou não podem. Ou, como dizia um que também revela uma especial queda para o bitaite, há limites para os sacrifícios. E esse ponto está prestes a ser deixado para trás. Com as consequências que não são difíceis de imaginar. E o burro sou eu?!

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Parecenças e desconfianças


Repete-se até à exaustão que Portugal não é como a Grécia e que as realidades dos dois países não são comparáveis. Há um ano, pelo menos, que ando a ouvir esta conversa. Não sei porquê, desconfio. Longe de mim pensar que o facto de andarmos uns meses atrasados em relação ao gregos, no que diz respeito intervenção do FMI e associados, não seja mais do que uma simples coincidência. Ou, sequer sugerir, que os pormenores que vão sendo conhecidos acerca do delírio colectivo que afectará a sociedade grega têm a mais leve parecença com a realidade nacional.
Provavelmente inspirada por uma reportagem publicada pelo jornal espanhol El Mundo há cerca de uma semana, a escandalizada repórter TVI em Atenas anunciava, como exemplos do que teria contribuído para o actual estado de coisas, que um hospital com três árvores no pátio teria quarenta e sete jardineiros, um organismo que dispõe somente de uma viatura terá ao seu serviço quase meia-centena de motoristas, que as filhas solteiras de funcionários públicos falecidos auferem uma pensão vitalícia de mil euros mensais e que um em cada quatro gregos não pagam impostos.
Nada disto, obviamente, ocorre por estas paragens. As noticias do que por cá se vai passando, dão-me apenas conta da existência de hospitais com muitos mais administradores do que jardineiros contratados em regime de outsourcing. Ou, quase todos os dias, da renovação completa da frota automóvel – invariavelmente topo de gama – de mais uma empresa pública. De vez em quando surge também uma ou outra noticia mais discreta que revela estimativas onde se considera que a economia paralela representará perto de vinte cinco por cento do PIB. Ciclicamente vão igualmente surgindo informações sobre quanto o país gasta com os políticos - aqueles que adquiriram o direito, porque para os outros a mama já acabou - que se vão aposentando após oito penosos anos de actividade. A maioria, ao que se sabe, vale por algumas celibatárias gregas.
Como está fácil de ver, não há mesmo comparação possível entre a Grécia e Portugal. Eu é que sou desconfiado.

domingo, 26 de junho de 2011

Não será pedir demais?


Talvez por o número de cães existentes nas zonas urbanas, partilhando o mesmo espaço que as pessoas, constituir já uma calamidade, são cada vez mais aqueles a quem desagrada a javardice em que se tornaram os passeios, zonas ajardinadas e outros espaços públicos, provocada pela falta de civismo, higiene e educação de grande parte dos donos.
Daí não surpreender que, de vez em quando, surja um ou outro conflito, ou troca de opiniões mais exaltada, entre o gajo – ou gaja - que passeia o canito e não recolhe o presente que este deixou e alguém, mais consciente do seu direito a ter uma rua limpa, que lhes chama a atenção. Uma imensa maioria prefere, por enquanto, ir chamando nomes em surdina, reclamando contra as autoridades que nada fazem ou deixando recados. Como este, que fotografei numa rua de Estremoz.

sábado, 25 de junho de 2011

Estacionamento tuga

Este não é um típico estacionamento tuga. Vai além disso. Envolve uma “garagem” improvisada visando proteger o pópó do tórrido sol alentejano que fustiga, sem dó nem piedade, o indefeso rodinhas. Está, reconheço, bem pensado. Melhor só se a coisa fosse portátil, coubesse na bagageira e pudesse ser montada e desmontada sempre que houvesse necessidade da viatura se deslocar. Isso é que era uma grande ideia.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Falência com muita técnica

O número de famílias que declararam insolvência está a ter um aumento assinalável relativamente ao ano anterior. Embora as circunstâncias que levam um agregado familiar a optar por pedir ajuda ao tribunal possam ser muito respeitáveis, acredito que, pelo menos em algumas situações, estaremos perante mais um caso de chico-espertismo tão característico na sociedade portuguesa.
Quem é declarado insolvente vê a sua vida ser gerida, durante cinco anos, por alguém nomeado pelo tribunal. Durante este período, em principio, os seus rendimentos ou eventuais bens que possua, serão preferencialmente utilizados para saldar as dividas acumuladas. O que, convenhamos, para quem nada tem de seu, ganha pouco e deve muito, constitui um verdadeiro euro milhões. Até porque, findo este prazo, fica completamente livre de dividas e nada o impede de voltar ao antigo estilo de vida.
Trata-se, portanto, de mais uma genialidade legislativa em que o infractor sai nitidamente beneficiado. Nem se pense que o credor – o gajo que se lixa nesta história - é sempre o malvado do banco e que é muito bem feito para não serem alarves e andarem por aí a obrigar as pessoas a contrair empréstimos. Pode ser qualquer um. Desde o fulano da mercearia da esquina, que graças aos devedores não consegue cumprir as suas obrigações, ao senhorio que alugava a casa e vê a vida andar para trás porque o investimento que fez num apartamento para alugar acabou, afinal, por ser mais rentável para os aldrabões a quem o arrendou do que ao próprio.
Como comecei por referir, as razões que levam alguém a percorrer este caminho podem ser do mais atendíveis que se possa imaginar. Acredito, também, que não será uma situação fácil de viver e pela qual a esmagadora maioria não gostaria de passar. Mas, como dizia o outro, para quem não tem vergonha é uma barrigada de rir. E desses – dessas, também – não faltam por aí.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Como exemplo não está mal...falta o resto!


Embora aplauda a decisão de não nomear governadores-civis, apenas lhe reconheço algum mérito se, daí, resultarem consequências e os dezoito representantes do governo, bem como o inevitável gabinete de apoio pessoal, cessarem efectivamente funções e rumarem a outras paragens. Se assim não acontecer estaremos apenas na presença de uma tentativa de dar o exemplo de contenção e de austeridade. O que, constituindo um sinal interessante, é manifestamente pouco.
Não falta quem entenda este anuncio como uma cedência ao populismo fácil. Os mesmos, provavelmente, que justificam outros cortes com pragmatismo. É verdade que a poupança não será grande. Nem, tão-pouco, será por esta via que os cofres do Estado estancarão a sangria de recursos públicos. Mas, para além de constituir o primeiro passo para o fim de uma estrutura de utilidade mais que duvidosa, é bom que se façam outro tipo de contas. Nomeadamente que apenas os vencimentos e encargos dos governadores-civis e respectivo staff equivalem à transferência anual, prevista no Orçamento do Estado, para mais de cem freguesias. As tais que - é bom não esquecer - a troika e os partidos que assinaram o acordo, se preparam para extinguir.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

Coisas do além

Que um médico vivo passe receitas a um paciente morto – poucos mortos revelarão sinais de impaciência, diga-se – não constituirá surpresa de monta. Estou mesmo em crer que a Ordem dos Médicos, o Sindicato ou qualquer outra estrutura representativa da classe, terá uma explicação mais ou menos lógica para o acontecido.
Embora mais difícil de justificar, também o curioso fenómeno de médicos falecidos continuarem a emitir receitas a doentes vivos, merecerá uma justificação mais ou menos convincente. Por mim nem acho mal que tal aconteça. Face à falta de médicos com que o país se debate não nos podemos dar ao luxo de prescindir deles. Nem pelo facto insignificante de já terem batido a bota.
Menos normal me parece – acho até que é mais coisa para o paranormal, as ciências ocultas ou actividades afins – que médicos mortos prescrevam medicamentos a doentes que também já adquiriram o estatuto de defunto. Principalmente quando em causa estão fármacos que custam os olhos da cara. Mesmo daqueles que a terra há muito já comeu.
Acredito, ainda assim, que entre médicos, farmacêuticos, doentes, investigadores, políticos e juízes – se fôr caso para tal – se concluirá que tudo se regeu pelos mais elementares princípios deontológicos e que, bem vistas as coisas, o Estado ainda poupou muitos milhões de euros. Ou então que a culpa foi do morto.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

E o estado de graça, pá?!


Logo após serem conhecidas a composição e a estrutura do governo, politólogos, comentadores habituais, conceituados analistas e gente em geral, ultrapassando o costumeiro estado de graça de que os governos desfrutam, desataram à procura de qualquer coisa que servisse para dizer mal do executivo acabado de anunciar.
Falta de experiência politica foi a primeira critica – generalizada, quase - que se ouviu. Apesar de mais de metade dos membros do futuro governo fazerem parte das máquinas partidárias há largos anos, nem dessa coisa da experiência politica nunca ter faltado em governos anteriores com os resultados que se conhecem. Logo, a menos que eu esteja a ver mal, ainda podemos ter uma pequena réstia de esperança nos quatro ou cinco “maçaricos” que se aprestam para iniciar funções governativas.
A inexistência do Ministério da Cultura constitui, também, objecto de critica. Até uma cidadã espanhola a quem as televisões, inexplicavelmente e sem razão que o justifique, vão dando palco, se achou no direito de criticar as opções seguidas nesta matéria por um governo estrangeiro. Estrangeiro, para ela bem entendido. Por mais que desagrade aos que estão habituados a mamar na teta cultural esta é, igualmente, uma boa opção e que merecerá o aplauso de todos os que sabem que tarantantam não enche barriga.
Já o inevitável Jerónimo lamentou que, pela primeira vez desde tempos imemoriais, não exista o Ministério do Trabalho. Desilude-me cada vez mais este camarada. Esperava eu - mas se calhar é culpa minha e das elevadas expectativas que às vezes deposito nas pessoas – ouvi-lo protestar veementemente por, mais uma vez, o governo, cedendo aos interesses do grande capital, não instituir o Ministério do Descanso e ele sai-se com esta. Tá mal, camarada!

domingo, 19 de junho de 2011

O que faz falta...


É isto, segundo uma força politica habitual concorrente a eleições e que - por mais estranho que possa parecer - até reúne votos suficientes para estar representada no parlamento, faz falta ao país. Não consta que quem entende serem estas as necessidades dos portugueses esteja internado para tratamento ao evidente estado de degradação mental. Pelo contrário, parecerá até uma coisa muito moderna e própria de uma mente muito aberta, evoluída e onde as aranhas não constroem teias. De esquerda, portanto.
Haverá, presumo, outros que comungarão a premência destas ideias. Por mim nem perco tempo a tecer considerandos. Mas vou ficar atento a eventuais frangos do guarda-redes do Porto quando tiver de enfrentar remates dos laterais do Sporting. Que isto depois da fruta e do leite com chocolate já nada me surpreende.

sábado, 18 de junho de 2011

Regresso ao passado

Acho imensa piada àquilo a que, muitos municípios, resolveram apelidar de “balcão único”. Não porque a ideia me pareça descabida ou a sua implementação não possa contribuir para uma melhoria significativa do atendimento ao público, nem, ainda menos, queira pôr em causa uma opção perfeitamente legítima de cada autarquia. Nada disso. O que me faz rir é a forma como é anunciada a sua criação e o orgulho inusitado que o respectivo município exibe perante o que considera ser uma genial inovação. Ainda por cima com inauguração solene e a inevitável comparticipação comunitária ou, na ausência desta, ao abrigo de um qualquer generoso protocolo com a administração central. 
O cómico da coisa, se não fosse trágico, é que não se trata de nenhuma inovação. A centralização do atendimento ao público num único local não é mais do que o regresso ao que, até há vinte cinco ou trinta anos, existia em todos os municípios de pequena dimensão e não era raro encontrar mesmo nos de média dimensão. Nessa altura existia aquilo a que se chamava “secretaria” onde funcionavam, de forma concentrada, todos os serviços municipais de carácter administrativo. Só a partir do inicio da década de oitenta do século passado se iniciou uma descentralização, mais ou menos acentuada conforme os casos, e que permitiu dotar as autarquias, mesmo as mais pequenas, de múltiplos cargos dirigentes e de outros figurões que fazem tanta falta numa autarquia como um solário em África. 
Reitero que considero o “balcão único” uma boa solução. Mas todo o alarido em torno desta solução de atendimento, como se fosse uma grande e original ideia que até chateia de tão grande e tão original que é, não passa de provincianismo bacoco e própria de vendedor de banha da cobra. Assuma-se, antes, que o modelo seguido nas últimas décadas falhou, que foi construído com base noutros interesses que não o dos munícipes e que estamos agora de regresso ao passado. Falar verdade nem sempre é fácil e o povo raramente gosta, mas, por mais difícil que seja a tarefa, é tempo de o começar a fazer.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Direitos adquiridos vs deveres esquecidos

Nós, os portugueses em geral, entendemos que temos direito a tudo e mais alguma coisa. Evocamos constantemente os nossos direitos – qualquer analfabruto é capaz de berrar, principalmente se tiver uma câmara de televisão à frente, pelos “meus direitos” - mas esquecemo-nos com frequência dos nossos deveres. Quer a exigência do respeito escrupuloso dos nossos direitos, quer o esquecimento absoluto dos nossos deveres, ganham uma dimensão ainda maior na nossa relação com o Estado ou com os seus agentes. Basta ver o tom provocatório, a agressividade, a má educação e os modos dignos das pessoas que se dedicam à venda de pescado – sem qualquer desprimor para estes – com que muita gente se dirigem a qualquer repartição pública. E já nem menciono a maneira como, no dia-a-dia, tentam evitar o cumprimento das suas obrigações sempre que em causa está o pagamento de impostos ou de outras contribuições.
A nossa relação com a autoridade é igualmente preocupante. Ficamos paralisados de medo perante um meliante, ainda que munido de uma pistola de plástico ou de um canivete incapaz de cortar um pedaço de queijo mais duro, mas, na presença de um policia que tente restabelecer a ordem num desacato ou manifestação em que participamos, não hesitamos em desobedecer e, se necessário fôr, lhe pregar uns valentes tabefes. Sim, que isto de policias e quejandos só se perdem as que caem no chão. 
Vem isto a propósito da já dada como certa absolvição das duas criaturas que foram detidas quando estavam acampadas no Rossio, em Lisboa, para exigir – lá está, é só o que sabemos fazer – uma democracia verdadeira. Seja lá isso o que for. Não acredito que os agentes da policia se tivessem dado ao trabalho de deter os campistas ocasionais apenas porque sim. Ou porque estavam cheios de tédio e, para espairecer, se lembraram de recolher dois daqueles seres exóticos que por ali faziam...coisas. Pior. Parece que, ao que anunciava uma rádio, os agentes envolvidos poderão vir a ser objecto de procedimento disciplinar!!! Se calhar, para tornar isto um país a sério, é capaz de não ser suficiente mudar de governo...

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Por isso é que a Alemanha é um país desenvolvido, pá!

Na Alemanha foi criada uma linha telefónica de apoio a potenciais bombistas suicidas. O objectivo – nobre, reconheço – será o de evitar que aquela malta que tem o vicio de rezar de cú para o ar e as antenas viradas para Meca, se ande por aí a explodir. Não sei se em território germânico existirão muitos ou poucos indivíduos dispostos a fazer-se rebentar. Não consta que haja muitos. Pelo menos ao que se julga saber. Nem se, de entre eles, um número significativo hesitará quanto às suas intenções ao ponto de as confessar a uma linha de apoio. Acredito, no entanto, que poucos se deixarão convencer pelo operador que os atender e que não bastará uma simples conversa telefónica para os demover. Digamos que se trata, portanto, de uma ideia parva donde resultará, quando muito, apenas um aspecto positivo. O de permitir localizar o presumível bombista e rebentar-lhe com o canastro antes que a besta tenha tempo de causar danos. 
Por cá, já que parecem não abundar os candidatos a homem-bomba, podia-se investir na criação de outro tipo de linhas de apoio a gente igualmente perigosa. Com todas as vantagens daí inerentes, logo a começar pela criação de emprego. Assim de repente estou a lembrar-me da utilidade que teria um serviço telefónico de apoio ao assaltante, ao consumidor compulsivo ou ao politico. Tudo, claro, no mesmo callcenter.

domingo, 12 de junho de 2011

Sinalética tuga

Nem sempre as obras na via pública são devidamente sinalizadas ou colocada informação clara, acerca de procedimentos que peões ou automobilistas devem adoptar, para minorar os transtornos causados. Nada disso se aplica neste caso. Aqui, para aqueles que não percebem a sinalética, foi feito um desenho onde um boneco – com ar todo feliz, por sinal – indica o caminho que quem anda a pé deve seguir. Estamos, portanto, a evoluir.