Como era de esperar Alberto João, o rei da Madeira, já veio a publico manifestar o seu desagrado com a perspectiva de em Janeiro – caso a lei não seja inconstitucional ou as excepções não se transformem em regra - deixar de poder acumular a sua pensão de reforma com o vencimento que aufere como presidente daquela região autónoma. Tem, obviamente, toda a razão em expressar o seu lamento. E, mais ainda, quando não se coíbe de se indignar por este procedimento do Estado que apelida de ladrão.
Alberto João tem, no entanto, uma grande vantagem relativamente a todos os portugueses. Depende apenas dele e só dele continuar ou não a poder auferir da reforma por inteiro. Basta apenas para isso que vá trabalhar para a iniciativa privada. Onde, com toda a certeza, alguém lhe pagará muito mais do que o tal Estado-ladrão lhe paga actualmente. Infelizmente a generalidade dos portugueses não tem essa opção. Por uma ou outra razão quase todos teremos no próximo ano menos dinheiro disponível nas contas bancárias e poucos terão a oportunidade de que dispõe o Alberto João.
Sou desde a primeira hora – mesmo antes de o homem ter ganho as primeiras eleições – um critico convicto de Sócrates. Para mim é perfeitamente inconcebível que pessoas que tenho como muitíssimo mais inteligentes, cultas e letradas do que eu manifestem uma estranha admiração pelo primeiro ministro e consigam quase sempre justificar o comportamento do suposto engenheiro. No entanto não me custa reconhecer que neste caso, tal como na lei de proibição de fumar em recintos fechados, o governo esteve bem. Mas, para seis anos de poder, é manifestamente pouco.













