sexta-feira, 8 de maio de 2009

Novos negócios

Em tempos de crise qualquer estratégia é boa para ganhar uns euros. Mesmo a de não fazer nada, nem um único movimento. Esta opção, ou oportunidade de negócio como alguns tenderão a chamar-lhe, como tudo na vida, tem os seus inconvenientes e não é indicada para todos. Por razões óbvias e mais que evidentes não é recomendada aos que sofrem de stress. Mesmo que ligeiro.
Não devia ser necessário mas antes que alguns leitores mais mariolas mencionem o facto, esclareço desde já que a objectiva foi unicamente direccionada para o indivíduo vestido de branco com a cara pintada. Dispensam-se, portanto, piadas que insinuem eventuais semelhanças com outras fotos publicadas recentemente.

Opinião irrelevante do dia. Ou estúpida. E também parva.

A opinião irrelevante do dia, apenas idiota, completamente parva ou todas em simultâneo, pertence ao jardineiro – uma estranha mistura entre Jardim e engenheiro o que, como sabemos, não augura nada de bom – que um dia dirigiu um banco onde era conhecido pela generosidade compulsiva para com os mais chegados e que agora, a julgar pelas mais recentes declarações, parece ter enveredado pela stand-up comedy.
Garante o homem que “a remuneração dos administradores é sempre muito impressiva quando tornada pública, em especial neste momento de desemprego.” Acrescenta ainda o senhor, se é que devo chamá-lo assim, “é algo que pode perturbar a coesão social”. Tem piada, o velhote. Pensava eu, mas ninguém tem culpa da minha ignorância, que a coesão social se obtém com uma melhor distribuição da riqueza. Pelos vistos enganei-me. Basta que os desempregados não saibam quanto ganha o gestor que os despediu.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

"TUFA-TUFA"?!?!

A malta do volante lembra-se das coisas mais esquisitas para decorar o habitáculo da viatura e, o pior, é que têm de conviver dentro dele com essa mesma tralha durante horas a fio, nomeadamente, como é o caso, quando se trata de um profissional do ramo. Gostam de dar nas vistas, provavelmente sente-se bem assim e proporcionam aos papalvos que andam por aí de máquina em riste um bom motivo – razoavelzinho, vá - para lhe dar uso. E este até nem é dos piores…não fora aquela coisa do “TUFA-TUFA”…

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Pressões e ameaças

Esta coisa das pressões tem muito que se lhe diga. Pelo menos é o que dizem os que são pressionados, os que alegadamente pressionam e os que acham que meio mundo anda por aí a pressionar outra metade. Não tenho destas coisas grande experiência - nem pequena, diga-se - mas há quem garanta que a dita pressão pode assumir diversas formas, ser feita de várias maneiras e, por fim, ter as consequências mais díspares.
Depois de muitas queixas de alguns bloguistas estremocenses acerca de alegadas pressões de uma entidade misteriosa, que ficou conhecida por cá como a PJ dos blogues, é agora a vez de Abel Ribeiro, candidato à presidência da Câmara nas últimas eleições autárquicas e actualmente a viver no norte do país, denunciar algumas ameaças (uma forma mais parva de pressão) de que diz ter sido alvo por parte de alguém de Estremoz que, segundo acrescenta, considerava amigo. Isso dever-se-á, segundo escreve o próprio, à sua recente adesão ao Partido Socialista.
Não conheço pessoalmente o Dr. Abel Ribeiro, nem me identifico com as suas opções políticas. Passadas ou presentes. Tão pouco me importa que o presumível autor das alegadas ameaças tenha ou não bons motivos para proceder desta forma. Para mim o relevante da coisa é que o visado não se tenha remetido ao silêncio, nem optado pelas meias palavras ou por deixar ficar umas quantas suspeitas no ar. Se todos os que se dizem vítimas de pressões agissem assim, a vida dos que andam por aí a pressionar ficaria muito mais complicada…

terça-feira, 5 de maio de 2009

Porco português regressado do México

Um javardola, acabado de chegar do México, quando no aeroporto foi interrogado por uma jornalista se iria tomar precauções relativamente à gripe A, como é conhecida agora, garantia peremptoriamente que “nem pó!”. Quarentenas, máscaras ou lá o que fosse, não eram para ele. Divertiu-se nas suas ricas feriazinhas lá pela terra onde os porcos desataram a espirrar e, tenha ou não apanhado o vírus, possa ou não transmiti-lo, contagiar pessoas não é coisa que preocupe o suíno falante em causa.
É este o verdadeiro espírito tuga. “Eu”, “eu” e “eu” sempre “eu” e o meu conforto e os meus interesses em primeiro lugar. Os outros que se lixem. E se por acaso se lixarem mesmo, melhor ainda. Isso realçará como “eu” sou esperto.

Contribuinte solitário

Esta foto foi obtida um destes dias à porta da Repartição de Finanças de Estremoz. Não tem nada de especial nem me ocorre nada de interessante para escrever acerca dela. Deve ser falta de inspiração, porque certamente muito haveria para dissertar sobre o facto de alguém, de idade já relativamente avançada idade e aparentemente poucas posses, aguardar quase uma hora pela abertura de um serviço público de que muitos fogem a sete pés e outros nem sabem onde fica.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pergunta a um vizinho (seja ele quem for)

Custava muito, era uma trabalheira do camandro, algo que te deixasse derreadinho de todo, separar o lixo e colocar as vinte quatro mines dentro do vidrão?! Exigia-te um esforço sobrenatural teres enfiado com a porra da caixa no contentor das embalagens? O que ostenta a cor azul, e que estava mesmo à frente das tuas ventas?! Bolas pah, assim não dá. Só espero que o facto de te teres dobrado para deixar as garrafas no local errado não te tenha causado nenhum problema nas cruzes! Mas se provocou, olha, vou-te dizer, foi muito bem feito.

E o massacre das sardinhas?!

A propósito de algumas polémicas que por aí tem existido acerca de touradas, circos e de outras palermices relacionadas, supostamente, com a protecção dos animais - que são apenas coisas no enquadramento jurídico nacional, recorde-se – apetece-me perguntar: Então e o massacre das sardinhas? Ninguém protesta contra a quantidade de cadáveres de sardinhas que são queimados pelos santos populares? E dos pimentos, que também têm vida?! Pois, porque raio ninguém reclama dos pimentos?

domingo, 3 de maio de 2009

Como compensar uma gaja

Quem cria um blogue e o mantém actualizado gosta de ter visitas. Muitas de preferência, porque, como me dizia com alguma piada um leitor a quem sistematicamente não aceitava os comentários, “um blogue sem leitores não passa de um acto de masturbação intelectual”. Saber o que procura quem nos lê é por isso essencial na gestão de um espaço destes, daí prestar uma especial atenção aquilo que é pesquisado na internet e estar atento às pesquisas registadas pelos contadores de visitas onde, não raras vezes, deparo com buscas merecedoras de destaque.
“Como compensar uma gaja”. Esta talvez tenha sido a pesquisa mais inquietante que, na semana transacta, trouxe um leitor até este blogue. Faço votos para que a cavalheiresca criatura tenha encontrado, aqui ou noutro qualquer lugar, a resposta à dúvida que o atormenta. Infelizmente são poucos os que se preocupam em compensar alguém e é por isso enternecedor constatar que existe quem dedica uma parte importante do seu tempo a tentar encontrar uma forma de compensar outrem. O que, reconheça-se, lhe fica bem. Sejam quais forem os motivos – bons, quero acreditar - pelos quais pretende atribuir a compensação.

sábado, 2 de maio de 2009

Afinal quem é o pirata?!

Então o governo português manda um barco da armada portuguesa, que custa a todos uma pipa do dinheiro que não temos, para os mares da Somália combater a pirataria que assola aquelas paragens e quando os nossos bravos marinheiros pescam uns quantos piratas têm de os soltar porque afinal a sua actividade não constitui crime à luz das nossas leis penais?!?!?!?! A ser assim o que é que foram para lá fazer? E NINGUÉM, os que gajos que mandam nestas coisas, sei lá, quem toma as decisões de enviar as tropas, viu isso antes de uma situação como esta cobrir o país de ridículo aos olhos da comunidade internacional?! Porra, pá! Já basta a incompetência a nível interno, não havia necessidade de ir lá para fora fazer parvoíces.
Já estou a imaginar as piadas de portugueses que se passarão de agora em diante a contar lá para os lados do corno de Africa…

Objectos e objectivas

Habituado como estou a apontar a máquina em direcção ao chão, revelo algumas dificuldades em obter fotografias jeitosas quando direcciono a objectiva para outros alvos posicionados num ângulo diferente. Isso, aliado ao facto de a máquina nova ainda estar em fase de habituação ao fotógrafo, nem sempre me permite obter fotos com o mínimo de qualidade e que mereçam vir parar aqui ao Kruzes. É o caso da que acompanha este post e que foi tirada ontem à noite na Fiape, em Estremoz. Em palco – o mesmo onde hoje estará o José Cid e amanhã o Tony Carreira - estava, estou em condições de o confirmar, um tal de Angélico que, a julgar pelas reacções entusiasmadas de algumas teenagers, deve ser um gajo famoso naquilo que faz. Seja lá o que for.
P.S – (Lagarto, lagarto, lagarto) Pronto, já partilhei com o mundo que tenho uma máquina fotográfica nova, uma Kodak com montes de pixéis e uma carrada de funções que não desconfio para que servem nem, ainda menos, como utilizar. A antecessora teve um triste fim que um destes dias aqui hei-de relatar.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Habituem-se!

Não sou, nunca fui, apologista da violência. No entanto, a propósito do tabefe que o candidato do Partido Socialista às eleições europeias terá hoje levado quando pretendia fazer campanha eleitoral numa manifestação comemorativa do Primeiro de Maio, apetece-me dizer que o homem estava mesmo a pedi-las. Ou, como diz o nosso povo, só se perdem as que caiem no chão. Alguém ligado ao partido do governo misturar-se com as vítimas da acção governativa cheira mesmo a provocaçãozinha. Quem semeia ventos colhe tempestades e isto pode ser apenas uma pequena amostra do que, futuramente, poderá vir a acontecer quando outros políticos optarem por acções de proximidade com os eleitores. Habituem-se, porque quem se mete com o povo, mais tarde ou mais cedo, leva.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Cagadela exemplar

Desde o inicio deste blogue não tem conta as fotos e os textos que publiquei denunciando e condenando o comportamento dos responsáveis pelo triste cenário com que nos podemos deparar nas ruas das nossas cidades. Assim sendo, que mais posso eu escrever que demonstre a indignação que sinto sempre que deparo com gente a passear o canito, para que este possa aliviar a tripa, ou a abrir a porta do quintal para o animal ir cagar suficientemente longe da casa dos donos? Provavelmente nada. Mas não será por isso que deixarei, ainda que isso irrite uns quantos leitores ocasionais, de continuar a criticar esta atitude negligente e mal-educada de pessoas que têm, ou tiveram, uma posição relativamente importante no contexto social em que estão inseridas. Recordo que, na zona da cidade onde estas fotos foram obtidas, residem muitos professores – no activo e aposentados – que tem cães e que permitem que eles defequem onde muito bem lhes apetece. Destas pessoas seria de esperar um comportamento diferente e que servisse de exemplo para os outros cidadãos. O que, no caso e bem vistas as coisas, até estará a acontecer. Pela negativa, claro.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Ano do barroco

Um dos primeiros sinais de velhice é quando se começa a pensar que não era má ideia escrever as nossas memórias. Talvez por isso, ou por outra coisa qualquer, lembrei-me um destes dias que devia fazer um desmentido. Ou melhor, um desmentido público. Melhor ainda, um importante desmentido público. Embora, convenhamos, pouco público porque este blogue não tem grande audiência e a importância da coisa a desmentir seja pouco menos que insignificante. Mas, como o blogue é meu e o desmentido também, chamo-lhe o que muito bem me apetecer. E, no caso, apetece-me chamar-lhe importante desmentido público.
Passemos aos factos. Como muitos se recordarão, pelo menos os que moram em Estremoz, em 2004 ou 2005, não sei ao certo, o Município local levou a efeito um conjunto de actividades culturais a que resolveu chamar o “Ano do Barroco”. Ora os alentejanos – pelo menos a maior parte – têm um apurado sentido de humor, gostam de trocadilhos e demonstram uma apetência natural para “rebaptizar” este tipo de coisas. Recorde-se a quantidade de alcunhas que existem por esse Alentejo fora e que não encontra paralelo em mais nenhuma região do país.
Não foi portanto de estranhar que o “Ano do Barroco” depressa passasse a ser conhecido, em Estremoz, como o “Ano do Bacoco”. De estranhar é que tal “baptismo” tenha sido atribuído, de imediato e convictamente, à minha pessoa. A tal ponto que, ainda hoje e apesar da veemência dos meus protestos, continua a haver quem esteja convencido que fui eu a inventar tal designação. É por isso que, mais uma vez, faço este importante desmentido público. E veemente, também. É uma piada engraçada, irreverente como quase todas as boas piadas, mas nada tenho a ver com a sua origem. Ainda assim, aproveito a ocasião para parabenizar o autor que, desconfio, é gajo para de vez em quando dar por aqui uma espreitadela.

terça-feira, 28 de abril de 2009

As "mines"

A malta das “mines” não é conhecida pelas preocupações ambientais ou outras causas que envolvam a preservação da paisagem. Nomeadamente a urbana. Mas tenhamos esperança porque já não falta tudo. Alguns já vão conseguindo deixar os restos de uma noite animada relativamente perto do ecoponto.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A pergunta que se impõe

Prosseguindo a senda de modernização do país e de melhoria de condição de vida dos portugueses, o espectacular, fantástico, competente, extraordinário, sublime, esplêndido, o melhor entre os melhores e absolutamente genial governo presidido pelo não menos fabuloso, excelso, perfeitíssimo e quase mitológico José Socrates, prepara-se para adoptar mais uma medida essencial para o bem-estar geral e, diria mesmo, fundamental para o progresso do país. Trata-se da aplicação aos trabalhadores das autarquias da famosa lei dos disponíveis. A proposta de lei pode ser vista na integra aqui, deverá entrar em vigor no inicio do próximo ano e, ou muito me engano, vai contribuir para um acentuado aumento da qualidade de vida de muitas famílias.
Posto (mais) isto a pergunta impõe-se. Podíamos viver sem um governo socialista? Podíamos. Mas não era a mesma coisa.

domingo, 26 de abril de 2009

Dia do engraxador

Hoje, segundo alguns estudiosos destas coisas de “dias comemorativos”, ter-se-á assinalado o dia do engraxador. Não teve destaque na comunicação social nem consta que a data tenha merecido especiais comemorações. Uma injustiça, acho eu que tenho pelo trabalho destes profissionais – e de outros, também – o maior respeito. É, todos o sabemos, uma actividade difícil e que, apesar de muito praticada, não está ainda suficientemente valorizada perante grande parte da população que olha os engraxadores com algum desdém.
É, no entanto, justo que o engraxador tenha o seu dia próprio. Sabe-se que dar graxa nem sempre se revela uma tarefa fácil e que, por vezes, é difícil agradar ao engraxado. Uma mancha aqui, falta de brilho ali ou uma borradela acolá, são deslizes quase sempre fatais para o engraxador e que provocam, mesmo que de uma forma velada, a ira do cliente quase sempre desdenhoso de quem lhe puxa o lustro ao calçado.
Curiosamente as novas tecnologias não contribuíram aí além para melhorar esta actividade. Contudo alguns engraxadores desenvolvem, ainda assim, esforços assinaláveis no sentido de aplicar estes novos meios aos seus intentos, visando aperfeiçoar a técnica e promover de forma eficaz a resplandecência daqueles a quem servem. O pior é que embora possam ganhar eficácia perdem em discrição, pela exposição a que ficam sujeitos uns e outros. Mas, provavelmente, isso pouco lhes importa.

sábado, 25 de abril de 2009

Espalhafato

Os panos que, nas últimas semanas, têm “engalanado” várias janelas e varandas no centro da cidade, vão constituindo motivo de falatório e de interrogações, por parte da populaça desinformada e pouco dada a estas macacadas culturais, acerca do que significa tal espalhafato. São, ao que garantem alguns, peças artísticas que estão em exposição. Uma forma de arte, portanto. E da boa, afiançam outros mais entendidos no assunto. Ou apenas mais gozões, não sei ao certo.
Para mim, um trapo é isso mesmo. Um trapo. Por mais voltas que queiram dar ou enfeites manhosos que lhe acrescentem. Assim como assim, ainda prefiro o velho costume português de secar a roupa à janela. Apesar de tudo vejo mais arte numas cuecas, num soutien ou num par de ceroulas. Mesmo de gola alta.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

"Bispo" tecnológico

O “Bispo” Edir Macedo é um fulano que “orienta”, digamos assim, uma espécie de confissão religiosa. Pelo menos consideremo-la, benevolentemente, como tal. Há quem não partilhe desta opinião e ache que a Igreja Universal do Reino de Deus, é isso que o dito Edir comanda, é outra coisa muito pior. Opiniões, digo eu, que de religiões, seitas, confrarias e organizações de mal feitores não percebo nada.
Do que não restam grandes dúvidas é que o homem tem olho para o negócio. A prová-lo está o verdadeiro império que a organização detém em vários países, nomeadamente no Brasil, e também em Portugal onde nos últimos anos comprou diversos edifícios nas principais cidades do país, alguns deles simbólicos, para instalar locais de “culto”. Dizem, porque, como é manifesto, cultura não é o meu forte e do ramo imobiliário e negócios adjacentes só sei o que leio nos jornais.
Apesar de aparentemente a “coisa” movimentar muitíssimo dinheiro, nada parece ser suficiente para as ambições do autoproclamado bispo. Vai daí lançou no site que possui na internet uma nova campanha de angariação de fundos. Para o efeito disponibiliza a informação necessária para que os fiéis depositem nas contas indicadas as respectivas doações. É nestas alturas que lamento não ser um génio da informática, para poder substituir os números daquelas contas bancárias por outros que me são mais familiares…

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Anda por aí uma ladroagem…

Podia muito bem ser o título desta foto que nos mostra como até uma simples cadeira pode ser objecto da cobiça dos amigos do alheio. Ou então trata-se apenas de alguém, muito preocupado com a possibilidade de perder o lugar, que resolveu prevenir-se prendendo o assento ao poste de iluminação.

terça-feira, 21 de abril de 2009

Perseguições revolucionárias

Tal como escrevi em posts anteriores, o período se seguiu ao vinte cinco de Abril foi um tempo estranho. A democracia foi posta em causa e iniciado um percurso que, se não tivesse sido travado a tempo, podia ter tido consequências trágicas. É normalmente isso que acontece quando o poder persegue alguém por ter opiniões diferentes. Seja antes ou depois de setenta e quatro, em ditadura ou em democracia.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Pilha galinhas

Quiçá motivado pela ida a julgamento de um indivíduo que alegadamente terá roubado umas quantas galinhas, meio país acha hoje que esse tipo de crime não justifica o tempo nem os meios que a Justiça gasta para o julgar. O argumento utilizado é quase sempre o da comparação com outros crimes, cometidos por outro tipo de gente, com proveitos incomensuravelmente maiores. Por outras palavras, e em termos práticos que é o que realmente importa, há quem defenda que o roubo de galináceos devia ser despenalizado.
Obviamente não posso estar mais em desacordo com esta ideia absurda de despenalizar o roubo, furto ou lá o que lhe queiram chamar, só porque o objecto alvo dos amigos do alheio é de valor insignificante face aos custos do processo tendente a apurar os factos e, se for o caso, punir o prevaricador. Pior ainda quando se argumenta que a Justiça terá casos muito mais preocupantes para se entreter. Se aplicarmos este tipo de argumentação a outros serviços públicos, ainda um dia deixaremos de ser atendidos no serviço nacional de saúde se padecermos de uma gripe ou de uma unha encravada porque o custo do atendimento não se justificará no caso de maleitas tão ligeiras e os serviços terão pacientes com doenças mais preocupantes para tratar.
Defender a despenalização só porque outros que roubam quantias mais avultadas não são penalizados pelo sistema judicial é igualmente revoltante. A ser assim, ainda um destes dias alguém se lembraria de isentar um assassino de ser julgado face à impunidade de que gozaram muitos criminosos que mataram aos milhares e são hoje idolatrados por alguns.

sábado, 18 de abril de 2009

Se um já era suficientemente mau, imaginem três...

Já noutras ocasiões que me desloquei à piscina municipal de Elvas fiz menção neste blogue das péssimas condições do espaço reservado ao público. Para além da inexistência de instalações sanitárias, os lugares destinados a quem quer assistir às competições são em número insuficiente nomeadamente quando, como hoje, se disputa uma prova como o Meeting internacional de natação daquela cidade, que por norma, dada a sua natureza, o número de equipas intervenientes e porque o clube da casa aproveita para “lançar” os seus mais jovens nadadores, regista uma afluência de público muito superior ao que o exíguo espaço é capaz de suportar.
Por isso, e também por uma grande falta de educação e de respeito por quem chega primeiro, durante uma parte significativa da prova a minha visão esteve limitada pela desagradável presença de três senhoras de cú bastante avantajado e repleto de adiposidades. Chegadas ao local, na ausência de outro lugar, as ditas criaturas não estiveram com mais aquelas. Encostaram-se ao gradeamento que protege a bancada tapando, com os seus traseiros avantajados, a visão das pessoas que já se encontravam sentadas nos escassos lugares aí existentes. Pelo menos vão ficar com o rabiosque um pouco mais conhecido. É que não resisto a partilhar a peida destas madames com os meus leitores. Salvo seja, claro.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Comprem! Comprem!

É oficial, não há volta a dar e até os mais fervorosos apoiantes e apaniguados do regime vigente reconhecem que a crise é grave, bastante pior do que inicialmente se previa e iremos passar por dificuldades que, ainda há bem pouco tempo, estávamos longe de imaginar pudéssemos voltar a viver. A recessão da economia é evidente e a culpa, garantem agora os experts na matéria, é dos portugueses que de consumistas inveterados passaram a forretas desmedidos a quem ninguém convence a comprar seja o que for ou pelo menos que comprem o bastante para evitar o perigo de uma tal deflação que, dizem em tom de ameaça, anda por aí a rondar.
Ainda tenho alguma esperança de ouvir uma certa figurinha ridícula, aquela que de vez em quando vem divulgar umas previsões acerca do futuro próximo da economia nacional, apelar ao sentido patriótico dos tontinhos e tontinhas para quem comprar constituía uma espécie de terapia, para que voltem à sua actividade predilecta. Exortar os portugueses a vestir o fato de treino e voltar aos shopinhgs. Ou, até mesmo, a pedir encarecidamente aos mais pedantes que se empenhem, passem fome durante um ano inteiro mas não deixem de ir uma semana para a Tailândia. Façam qualquer coisa mas, por favor, não deixem os preços baixar ou o homem, como represália, ainda manda o Zézito baixar-nos o ordenado. É que, parece, agora ao contrário de antes, inflação a subir é que é bom, comprar é o máximo e poupar está completamente out.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Mouro na costa

A opção do governo pelo investimento em obras públicas de dimensão faraónica, como o novo aeroporto e o TGV, suscita inúmeras reservas junto de muitos sectores da sociedade. Em contradição aos argumentos avançados pelo executivo várias vozes, das mais diversas áreas de pensamento, têm evocado um sem número de razões pelas quais não se devia seguir este caminho. A este coro de dúvidas e de receios, juntou-se hoje um responsável do Serviço de Estrangeiros e Fronteiras que manifestou a sua preocupação pela possibilidade de estas obras atraírem pessoas “com uma ideia mais radical do islão”. Ou seja - e sou eu a acrescentar - corremos o sério risco de recebermos no país mais uns milhares de muçulmanos, radicais ou não, que assim prosseguirão a ocupação do espaço europeu que há muito iniciaram.
Provavelmente daqui a pouco, nos telejornais, o Bloco de Esquerda, o SOS Racismo e os outros parvos do costume vão considerar estas declarações xenófobas, racistas e violadoras de uns quantos direitos humanos. Não será por isso que o homem deixa de ter razão. E nem vale a pena argumentar que essas pessoas apenas procuram uma vida melhor, tal como os portugueses fazem quando emigram, porque todos sabemos que infelizmente não é assim. Os portugueses e os outros povos civilizados, nessas circunstâncias, procuram integrar-se nas sociedades que os acolhem e adaptam-se com facilidade aos seus costumes ou, pelo menos, não os põem em causa.
Este tipo de gente, pelo contrário, não se quer integrar, pretende continuar a viver segundo as “leis” da sua religião mesmo quando estas colidem com a legislação nacional, não gosta da democracia, da liberdade, nem da igualmente entre os seres humanos e não vem para o Ocidente para ser como nós. Vem, isso sim, para que nós sejamos como eles.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

O "ponto" é fascista!

Para muitos “trabalhadores” o relógio de ponto constitui um inimigo visceral. Não admira por isso que, nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril, aquele mecanismo de controlo da assiduidade fosse visto por muitos como um inimigo do proletariado, traidor da classe operária e aliado do capital. Grande ou pequeno, porque, então, isso era coisa que não interessava nada.
Ora, à época, ser conotado com estas tendências era quase um crime, como em próximos posts e imagens a publicar durante este mês – se tal me apetecer – poderemos constatar. Daí não surpreenderem atitudes e manifestações de desagrado contra o relógio de ponto, como as que a fotografia mostra, em que alguém se insurge contra a presença de tão vil instrumento ao serviço de um patronato retrógrado e que não tardaria a ser expulso das fábricas, das empresas e, algum, até do país. O que, diga-se, em certos casos foi muito bem feito ainda que as razões para o fazer tenham sido as piores.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Vândalos, javardos e inúteis

Pode haver quem “compreenda” o que leva certos meninos a conspurcar tudo o que é parede ou equipamento público. Chamem-lhe, como alguns se referem a este tipo de comportamento, forma de expressão de uma juventude sem perspectivas de futuro ou arranjem outro disparate qualquer para designar o vandalismo praticado contra bens públicos e privados. Para mim é apenas má educação de gente desocupada e a mais na sociedade.
Conheço relativamente bem Quarteira, onde me desloco com relativa frequência – em férias e não só – e não acho que a cidade sofra qualquer espécie de abandono. Antes pelo contrário. Aos olhos do visitante este tipo de lamúria mais parece de alguém que se queixa de barriga cheia. No entanto com aventesmas capazes de fazer este tipo de javardices não me admira que, pelo menos à noite, se vá assemelhando cada vez mais a uma cidade fantasma.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

(In) tolerância de ponto

Em praticamente todo o Alentejo a segunda feira de Pascoa é, desde que me lembro, o dia em que, tradicionalmente, se vai para o campo fazer um picnic e comer o não menos tradicional assado de borrego. O comércio encerra, muitos municípios celebram o feriado municipal e outros concedem tolerância de ponto, no que são imitados pela generalidade das empresas. Até mesmo cafés, pastelarias ou restaurantes são raros os que estão abertos ao público.
Não se compreende por isso a indignação de um casal de velhotes que hoje, precisamente hoje e não noutro dia qualquer dos trezentos e sessenta e cinco dias do ano que têm livres, pretendiam aceder a um serviço encerrado pelo motivo acima mencionado. Provavelmente a cabecita já não ajudará muito e, talvez, nem tivessem noção da data em que nos encontramos. O velhote, mais expansivo e indignado guinchava que são todos uma cambada de “malandros”, de "filhos da puta” e de “cabrões”. Já a velhota, de lenço na cabeça ao uso lá do monte e enrolada num xaile, que isto a Primavera anda envergonhada cá por estas bandas, era mais comedida nas críticas e limitava-se a assegurar que “já ninguém quer é trabalhar”.
O transtorno causado a este tipo de gente é, de facto, notável. Amanhã, ou noutro dia qualquer, terão de voltar à “vila” no seu mata-velhos manhoso e perder um tempo precioso que lhes fará imensa falta. Quase de certeza que deixarão de fazer coisa nenhuma para tratar de algo que, ou muito me engano, pode esperar pelo Dia de S. Nunca.

domingo, 12 de abril de 2009

Velharias

A feira das velharias que se realiza no Rossio Marquês de Pombal, em Estremoz, aos Sábados de manhã, nasceu de forma espontânea e cresceu ao longo dos últimos anos de forma mais ou menos anárquica. O seu crescimento ocorre mais ou menos ao mesmo ritmo do declínio do mercado da fruta e dos legumes e constitui um importante foco de interesse por parte dos que se deslocam a Estremoz nas manhãs de Sábado.
Embora nunca ali tenha comprado nada ou, sequer, alguma vez vislumbrado qualquer coisa que, mesmo só vagamente, me pudesse interessar, constitui um ponto de passagem obrigatória que não deixo de percorrer semanalmente. Vale a pena fazê-lo. Nem que seja apenas para ouvir os vendedores pedir larguíssimas dezenas de euros - ou centenas, dependendo da “velharia” - por verdadeiras inutilidades que muitos de nós colocaríamos sem hesitar no contentor mais próximo e para apreciar o ar de entendido na matéria de muitos compradores verdadeiramente extasiados com tanto objecto, passo a citar, “bem demonstrativos da cultura de um povo”. Cá para mim, com tanta cultura, estão é mesmo a pedi-las…

sábado, 11 de abril de 2009

Piratas desajeitados

Não é apenas para os lados dos mares da Somália que a pirataria está activa. Pela internet anda igualmente muita gente a dedicar-se a essa actividade. Uns com mais jeito, outros com menos, alguns com sucesso e muitos que, coitados, de tão desastrados e tão nabos que são até metem dó. Neste último grupo inclui-se o autor, ou autores, deste e-mail que recebi há dias em que o suposto webmaster do sapo me pede, sob a ameaça de ficar sem a conta, que envie os meus dados pessoais para um determinado e-mail. Nem vou questionar que tipo de idiota, provavelmente só um principiante nestas coisas, pede estes dados seja a quem for mas interrogo-me que parvalhão usa para esse efeito uma conta do gmail e, ainda para mais, em castelhano.
Provavelmente estaremos em presença de algum infeliz que necessita ganhar a vida sem recorrer a esse método desagradável, cansativo e muitas vezes mal remunerado que se convencionou designar por “trabalho”. Esta atitude, embora revele um notável espírito de iniciativa, demonstra também que o seu autor não possui um jeito por aí além para o negócio e que como aldrabão é fraquinho. Uma verdadeira bosta, diga-se.