O actual governo tem tomado medidas bastante audazes e inovadoras no domínio do ambiente e das energias renováveis, fazendo investimentos avultados nesta área e apoiando com incentivos fiscais os particulares e empresas que decidam apostar neste tipo de energia. O que só lhe fica bem e constitui, quanto a mim, um ponto forte da actividade governativa.
Esta preocupação é extensível aos membros do governo que terão optado por adquirir viaturas oficiais amigas do ambiente. Veja-se o magnífico carrinho da foto, sacada à sorrelfa ao Jornal O Mirante. É um Lexus GS 450H, transportava um secretário de estado que se deslocou a um município socialista para inaugurar qualquer coisa e está equipado com motor a gasolina auxiliado por dois motores eléctricos alimentados por uma bateria.
Claro que estas coisas têm custos, mas isso pouco importa quando em causa estão aspectos importantes como o aquecimento global ou o lince da Malcata. Se alguém quiser saber se a preocupação compensa, em termos de dinheiros públicos, é só fazer as contas, como diria o Engenheiro Guterres. O popó custa apenas oitenta e dois mil euros.
sábado, 11 de abril de 2009
sexta-feira, 10 de abril de 2009
A indumentária da "nossa" indignação
Na falta de melhor a blogosfera nacional, nomeadamente a mais à esquerda e dada às liberalidades dos usos e costumes, está hoje indignada com as normas que supostamente são impostas às funcionárias da Loja do Cidadão no que concerne à indumentária que as mesmas devem ou não utilizar naquele serviço de atendimento ao público.
Mais do que a fatiota envergada pela funcionária de qualquer serviço, público ou privado, o que interessará ao cliente ou ao utente é forma, preferencialmente expedita e competente de quem o atende. No entanto não me parece que uma mini-saia reveladora ou um decote generoso constituam o traje mais adequado a quem trabalha em permanente contacto com o público. Assim de repente não me lembro de ter visto no Modelo, no Continente, no Pingo Doce, na Worten ou qualquer banco ou companhia de seguros, nenhuma empregada nesses preparos. E, até agora, ninguém se queixou por isso.
É absolutamente fantástico como futilidades deste género conseguem em Portugal fazer manchetes de jornais e ser notícia televisiva. Por estas e por outras é que o país não avança!
Amadores...
O presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa, José Miguel Trigoso, alerta que são curiosos e amadores que tomam as decisões relativas ao trânsito na maioria das câmaras municipais do país.
José Miguel Trigoso diz que, em muitas autarquias, quem decide, por exemplo, a localização dos sinais de trânsito são pessoas sem qualquer formação nesta área. O alerta foi feito, esta manhã, no espaço “Uma ideia para o País” do Rádio Clube Português.
Nada que eu não constate assim que abro a porta da minha casa.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Monstrengo
Nas férias do ano passado era nesta esplanada que a meio da manhã beberricava o meu cafezinho e me inteirava das notícias do país, do mundo e, principalmente, do Benfas. Local agradável, tranquilo, café de boa qualidade, uma vista privilegiada para o mar, a escassos metros da praia…sitio catita, portanto.
Este ano a esplanada continua lá, no mesmo local, igualmente perto da praia e, aparentemente, mantém intactas todas as características que fizeram com que a escolhesse como local de eleição para ingestão da dose diária de cafeína e de actualização da leitura. Tem, contudo um adereço novo. Um mamarracho de proporções gigantescas e gosto duvidoso plantado no meio.
Desconheço que função está atribuída ao monstrengo. Será que é algo parecido com o papel dos sapos de louça espalhados pelas lojas?! Custa-me a acreditar que assim seja porque, se exceptuarmos a minha presença, aquilo até era um espaço bem afreguesado.
Empregos mil
Em consequência de politicas sociais pró-activas - seja lá isso o que for – e de protocolos diversos, a Câmara de Gaia anunciou que vai criar mil postos de trabalho. Parece-me uma excelente iniciativa. Principalmente se os outros trezentos e sete municípios lhe seguirem o exemplo e nada garante que, algumas, não o estejam já a fazer.
Graças a estes autarcas pró-activos o desemprego poderá passar a ser uma realidade desconhecida em Portugal. Pelo menos até ao final de Outubro.
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Súbita generosidade
Com a aproximação das eleições e o agudizar da crise o governo parece ter sido atingido por um súbito sentimento de generosidade. Depois da apresentação de investimentos públicos de utilidade tão duvidosa quanto o seu financiamento e a sua rentabilidade, do anuncio de sucessivos “pacotes” de apoio a empresas e a familias - também conhecidos como eleitores - onde o executivo de José Sócrates se propõe gastar os milhões que antes não tinha, surge agora a ideia peregrina de atribuir o subsidio de desemprego a gestores e empresários.
Sabe-se da relação difícil, diria praticamente inconciliável, que estas classes mantêm com o rigor e a honestidade. São por demais conhecidas as artimanhas que usam na fuga aos impostos, à segurança social e a forma como não cumprem as suas obrigações para com os seus trabalhadores e fornecedores. É público que descapitalizam empresas com fins que envergonhariam qualquer gestor ou empresário digno desse nome, provocam falências fraudulentas e utilizam em proveito próprio – ou deverei dizer impróprio - dinheiros provenientes de subsídios estatais ou europeus.
Como bónus por tão notável comportamento deste tipo de gente, o governo equaciona a hipótese de atribuir uma prestação social quando uma destas criaturas resolve fechar a empresa de que é proprietário ou cessar a actividade que vem exercendo. Espero estar equivocado mas uma medida destas provocará uma vaga de encerramentos de pequenas empresas familiares. E logo para começar será, provavelmente, o fim dos mercados e feiras tal como os conhecemos…
terça-feira, 7 de abril de 2009
Soldados que queriam levar a cabo...
O período que se seguiu ao Vinte cinco de Abril foi um dos mais agitados da história recente do país. Se exceptuarmos, talvez, aquele Verão em que no chamado defeso futebolístico, Sousa Cintra, o então Presidente do Sporting, todos os dias contratava um jogador do Benfica. Mas futebolices à parte, até porque não embarco em futebóis, principalmente desde que o glorioso deixou de ser tão glorioso como era antes, o Verão de mil novecentos e setenta e cinco foi um tempo de alucinação colectiva em que cada dia surgiam acontecimentos novos, mais estranhos que os do dia anterior, disparatados e desprovidos de qualquer senso comum.
Na imagem que hoje publico pode ler-se um manifesto dos SUV, Soldados Unidos Vencerão, uma “organização” que pretendia mobilizar a tropa para coisas que se proponha levar a cabo. Ou seja, já nessa altura, a causa que verdadeiramente motivava essa malta era a promoçãozinha…
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Uma espécie de premiozinho...
Esta malta dos blogues gosta de distribuir prémios e, vai daí, de vez em quando lembram-se de mim. Agora foi o JP, do Palavra Estranha, que resolveu presentear-me. Coisa que, obviamente, muito me apraz. A imagem do dito prémio vai causar sorrisos trocistas nos leitores que me conhecem, mas façamos de conta que neste caso se aplicam os mesmos princípio dos apoios aos agricultores em que, para efeito do subsidiozinho, a juventude dos ditos se prolonga generosamente por mais umas quantas décadas.
Como umas das “regras” é passar a mais uns quantos, vou optar por distribuir a coisa ao pessoal que me linka e que, desconfio, é jovem. Já quanto à parte do pensar não tenho dúvidas. Ou não fossem leitores do Kruzes…Então cá vai:
O Requerimento é Idiota; As Crónicas de Lambão; Tasca Real; La Finestra del Mondo; Verbum pro Verbo; Estremoz Revisited e Arrifanasea.
Eis as regras:
1. Exiba a imagem do prémio
2. Poste o link do blog que o premiou
3. Indique dez blogs para fazerem parte do “Manifesto Jovens que Pensam”
4. Avise os indicados
5. Publique as regras
(Não se aceitam reclamações, devoluções nem outras atitudes à Pedro Silva)
domingo, 5 de abril de 2009
Taça de Portugal de Maratonas (XCM)

Este não é um blogue noticioso nem de reportagem. Primeiro porque o seu autor não tem qualificações para isso, segundo porque não quer e, terceiro, porque acha completamente parvo faze-lo. Por isso a referência à prova a contar para a Taça de Portugal de Maratonas (XCM), a decorrer hoje em Estremoz, serve apenas para manifestar o meu apreço por aqueles que utilizam as suas bicicletas para percorrer caminhos onde não incomodam ninguém, ao invés de outros que, nas suas pasteleiras, andam por aí a empatar o trânsito. Pelo menos é o que dizem os maníacos dos automóveis…onde, obviamente, não me incluo.
"Modus operandis" do passado e do presente
Numa acção de formação promovida pelo Tribunal de Contas que frequentei já lá vão para aí vinte anos, o formador, distinto jurista daquela instituição, explicou o “modus operandi” que, à época, aquele Tribunal utilizava na recolha das primeiras impressões quando realizava auditorias externas às autarquias locais, nomeadamente às mais pequenas, do interior do país e com presidentes menos mediáticos.
Explicou-nos então o Doutor X, chamemos-lhe assim, que o trabalho iniciava-se umas semanas antes, com a leitura e compilação de notícias saídas na imprensa relacionadas com a localidade a visitar. Seguia-se uma visita onde, de forma incógnita, se iam ouvindo conversas de café, falando com alguns comerciantes e abordando um ou outro funcionário da autarquia – jardineiro, varredor ou algo do género – a quem perguntava o caminho para o edifício dos Paços Concelho e, como quem não quer a coisa, dava dois dedos de conversa sobre ordenados pequenos que por vezes são arredondados de formas mais ou menos ardilosas. Procedimentos que, garantia, se revelavam quase sempre eficazes na detecção de situações eventualmente menos transparentes.
Hoje nada disso é necessário. Comodamente sentado no seu gabinete, com meia dúzia de cliques, pode aceder a um leque de informação muito mais variada e completa acerca da instituição que lhe caiba auditar. É essa a força das novas tecnologias, nomeadamente dos blogues, que a alguns tanto assusta. O que se escreve acerca de determinada assunto pode ser lido em qualquer lugar do planeta a qualquer momento. Tanto pode ser lido num cyber-café do outro lado do mundo como no gabinete de um ministro. Hoje ou daqui por seis meses. Por mim considero este escrutínio claramente positivo. Sabendo-se de alguma forma vigiado o decisor tenderá, por norma, a ter um maior cuidado e um rigor redobrado nas decisões a tomar e, com isso, todos ficarão a ganhar.
sábado, 4 de abril de 2009
Coisas do PREC
Ironicamente nos anos loucos de setenta e quatro e setenta e cinco em pleno PREC, quando no país reinava a mais completa desorganização, todos os dias surgiam novas “organizações” que, cada uma à sua maneira, contribuía para desorganizar mais um bocadinho uma sociedade à deriva e sem saber ao certo o que o que fazer com a liberdade que lhe tinha sido dada. Sim dada, porque essa história de ter sido conquistada é uma grande treta…
Os militares, também eles, associavam-se segundo as mais diversas tendências e cada uma não hesitava em dar conta da sua existência e dos princípios que defendia para o país. Emitiam comunicados, que eram amplamente divulgados pelos meios de comunicação social, onde se escreviam coisas que hoje, vistas com um distanciamento de trinta e cinco anos, não passam de disparates desprovidos de qualquer sentido. De um “manifesto” aos soldados, marinheiros, classe operária e povo trabalhador em geral, publicado por uns auto-intitulados “Oficiais Revolucionários” em Novembro de mil novecentos e setenta e cinco, destaco as seguintes alarvidades:
“…foram dados passos importantes no sentido da organização autónoma da classe operária e do povo trabalhador”;
“A saída para a crise (já havia crise nessa altura) está pois na construção dum poder revolucionário assente num programa de unidade revolucionária”;
“Os trabalhadores só serão capazes de conquistar o poder e de o aguentarem nas mãos se estiverem armados”;
“Só o armamento dos trabalhadores e a sua organização com os soldados, formando um exército revolucionário, pode impedir a organização da burguesia”;
“Não admitimos mais conspirações de gabinete, alheias à organização dos trabalhadores e dos soldados”;
“Não admitimos mais as manobras dos políticos…”;
“É da base e para a base dos trabalhadores, que o poder tem de vir e tem que ir”.
sexta-feira, 3 de abril de 2009
Tvi, Sexta-feira
O jornal da noite das sextas-feiras da TVI constitui um dos momentos televisivos mais aguardados da semana e é com expectativa que apoiantes e detractores do primeiro-ministro e líder socialista - ou vice-versa – aguardam semanalmente o sacramental “boa noite, eu sou Manuela Moura Guedes”.
Com tanto rigor jornalistico, provavelmente ainda nos serão revelados crimes mais ou menos hediondos, alegadamente cometidos pelo improvável engenheiro, que a TVI descobrirá fruto de um exaustivo e rigoroso trabalho de investigação e nos apresentará em primeira mão. Estou em crer que várias testemunhas incriminarão José Sócrates por diversos crimes de triciclojaking, cometidos por volta de mil novecentos e sessenta. É mesmo provável que ainda surja alguém a revelar-nos um ou mais casos em que, por essa época, o homem tenha sido subornado com alguns berlindes.
Até eu, que não acredito em campanhas qualquer que seja a cor, começo a estar farto. Felizmente, no caso da TVI, posso mudar de canal.
quinta-feira, 2 de abril de 2009
Proposta indecente
Acabo de descobrir um novo blogue. Chama-se “Pensando no tempo” - já foi adicionado à lista daqueles que se atrevem a linkar o Kruzes apesar da má fama que isso acarreta - e parece estar no ar desde ontem. Provavelmente o seu autor deverá estar ligado à meteorologia ou, pior, anda com a cabeça nas nuvens. É o mínimo que se pode concluir da sugestão que apresenta, num post que acaba de publicar, onde defende a ideia de transformar Estremoz numa freguesia do concelho de Évora, no âmbito de uma eventual e futura divisão administrativa do país!
A regionalização é um tema que me é caro. Penso que os portugueses desperdiçaram, no referendo onde a questão foi a votos, uma ocasião soberana de pôr um ponto final no centralismo de Lisboa e iniciar um novo caminho onde os centros de decisão estariam perto dos eleitores. Lamentavelmente os eleitores não entenderam assim e, é minha convicção, que todos ficámos a perder. Nomeadamente todos os que estão longe dos corredores do poder.
Quanto à reorganização da divisão administrativa parece-me evidente que ela terá de acontecer. É, mesmo, urgente. A extinção de algumas freguesias será, então, um dado adquirido no nosso concelho, porque casos como o de S. Bento de Ana Loura e Santo Estevão, pelo menos, não têm qualquer razão para continuar a existir por evidente falta de população. Já a extinção de concelhos, salvo um ou noutro caso noutras regiões do país, não se afigura como necessária no distrito de Évora. E, como defende o autor do “Pensando no tempo” despromover Estremoz e os restantes municípios a freguesias é, no mínimo, uma piada de muito mau gosto.
Parada ou não no tempo – isso normalmente depende do lado de que se olha e da cor que se aprecia – os problemas de Estremoz pouco têm a ver com a forma como é, foi ou será gerida. O verdadeiro drama é a falta de pessoas. E, enquanto a tendência de desertificação que há décadas se vem verificando não for invertida, as coisas pouco irão melhorar. Mas enquanto os casais mais jovens preferirem ter cães a fazer filhos não sairemos da cepa torta.
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Dia das mentiras
Hoje foi o dia em que tradicionalmente se diz uma mentira sem que ninguém se importe com isso. Ou quase. É que há mentiras e mentiras.
Uma das mais geniais e bem elaboradas que conheço, contada já lá vão uns bons anitos, garantia que um helicóptero se teria despenhado nas imediações de Estremoz e que miraculosamente todos os tripulantes teriam saído do aparelho sem um único arranhão. Afiançava ainda o seu autor que os estragos nas capoeiras e quintais das redondezas eram avultados, toda a zona apresentava um cenário de destruição nunca vista por aquelas zonas e que tratar-se-ia de uma coisa digna de um filme de Hollywood. A descrição dos pormenores do suposto acidente foi de tal forma convincente que motivou por parte dos vizinhos uma verdadeira romaria até ao local onde a queda teria tido lugar e que distava cerca de dois quilómetros do sítio onde a narrativa foi efectuada…Claro que quando estes constataram o logro em que tinham caído ficaram ligeiramente chateados mas, como bons praticantes deste tipo de humor, levaram a partida com fair-play e depressa reconheceram a genialidade da brincadeira.
Outras, principalmente quando o seu autor tem o mau gosto de inventar doenças a terceiros, não têm piada nenhuma. São apenas parvoíces.
terça-feira, 31 de março de 2009
Uma espécie de campanha negra
Um livro recentemente publicado ou a publicar em breve, não sei ao certo, nos Estados Unidos dará conta de vários aspectos menos conhecidos da vida do Presidente Barack Obama. Entre eles estarão alegadas relações homossexuais que este terá mantido durante a sua juventude. Provavelmente tudo não passarão de calúnias visando desacreditar o homem que, como se sabe, tem tomado algumas medidas incomodativas para gente poderosa que não está habituada a prestar contas da utilização que faz do dinheiro dos outros nem suporta ser incomodada pelo poder político.
Embora mantenha que cada um com o respectivo cú faz o que muito bem entende e que mandar o “besugo” à merda é uma opção que só ao próprio diz respeito, espero que essas afirmações não passem de miseráveis atoardas. Ou de uma espécie de campanha negra. É que, finalmente, começava a acreditar que os eleitores americanos tinham feito uma boa escolha.
segunda-feira, 30 de março de 2009
Twitando
Não consigo achar ponta de utilidade ao twitter. Criei lá uma conta, nem sei se é assim que se diz, mas continuo sem perceber para que raio serve aquilo ao cidadão apenas relativamente parvo. Salvo melhor opinião não passa de uma “invenção” patética destinada a verdadeiros patetas. Daqueles mesmo à séria.
Goza no entanto, ao que relatam os média, de grande popularidade entre os deputados que, com esta nova ferramenta informática, se podem assim ofender e mandar para os mais diversos sítios muito mais discretamente.
A importância suprema do penalti
Ficámos agora a saber, pela boca de Isaltino Morais, que afinal muitos e muitos – políticos entenda-se – não entregariam a declaração de património e rendimentos ao Tribunal Constitucional. Obrigatória, segundo a lei. Ao que parece não servia para nada e, portanto, ninguém ligava a isso.
Faltas deste género pouco importam aos portugueses. A prova disso é a eleição sucessiva de vários políticos que, apesar de não terem sido considerados culpados de qualquer crime ou sobre eles recaiam suspeitas fundamentadas de algum ilícito, não gozam de especial boa fama devido a diversas traquinices ciclicamente divulgadas pela comunicação social. Abuso de poder, apropriação de bens públicos em benefício próprio ou corrupção na classe política não é coisa que preocupe ou interesse por aí além na hora de decidir o sentido de voto. Deve ser do hábito.
Importante mesmo, determinante até, é punir severamente o sacana do árbitro que marca erradamente o penalti que não foi ou, descaradamente, fecha os olhos ao que foi. Malandro!
domingo, 29 de março de 2009
Pesquisa da semana
A semana que passou foi parca em pesquisas “fora do anormal”. A maior parte dos visitantes chegam até ao Kruzes directamente ou através de links de outros blogues que apontam para este espaço e, por isso, não são muitos os que vem ao engano de pesquisas feitas nos diversos motores de busca. A bem dizer nem são muitos os que perdem o seu tempo a vir até este blogue seja de que forma for. O que se compreende. Por cá não se publicam informações daquelas que não se encontram em mais lado nenhum, como a realização da “Festa do Ovo Estrelado” em Frigideira de Cima, nem tão pouco existem motivos para, por obrigação ou devoção, este blogue constituir motivo da reverencial visita obrigatória.
Considerandos à parte, até porque não é esse o tema do post, a pesquisa merecedora de destaque na semana que passou não é difícil de escolher. Foi feita por alguém que procurou saber mais acerca de "subida de categoria função pública 2009”. É uma busca tão estranha que, sinceramente, fiquei sem palavras. Parece-me um abuso, falta de respeito até, que alguém ainda pense em subidas de categoria, de índice remuneratório, de ordenado ou seja do que for. Vão mas é trabalhar, ó!
Ruas do meu país

Estas duas fotografias foram obtidas hoje na minha rua. Mas podiam ter sido tiradas ontem, anteontem, antes de anteontem, amanhã, depois de amanhã ou depois de depois de amanhã. Na minha rua ou em qualquer outra rua da minha cidade. Ou noutra rua de qualquer outra cidade.
Pode argumentar-se que não há nada a fazer e que os cães têm de cagar em algum lugar. Também é verdade que há muitíssima gente com animais em casa e que tomar medidas – por exemplo fazer cumprir a lei – relativamente a coisas destas é chato, desagradável e pode, em última instância, prejudicar eleitoralmente quem o fizer. Portanto o melhor é fazer como os canitos. Cagar para o problema. O que não sei se será a melhor opção, porque quem não tem cão também vota e pessoas indignadas com este tipo de situação são cada vez mais. Sou eu que vos digo.
sábado, 28 de março de 2009
Sustos
“É assustador jogar contra Portugal”. Quem o garante é Cristiano Ronaldo algumas horas antes do jogo de logo mais à noitinha com a Suécia. Talvez seja. Principalmente antes de o jogo começar. Essa é a altura em que somos mesmo bons e não há, no planeta, quem nos passe a perna.
Ainda assim, em matéria de sustos, as afirmações do craque do pontapé na bola não são completamente descabidas. É, de facto, assustador ver Portugal jogar.
Gestores e outros ladrões
São cada vez mais as vozes, todas de economistas, gestores e outros nababos bem instalados na vida, a defenderem a redução de salários em Portugal. Não a redução dos ordenados ultra-mega milionários de que por aí se ouve falar, mas sim a baixa generalizada dos vencimentos dos trabalhadores que, argumentam, recebem muito acima daquilo que é a produtividade do país.
Para defender esta tese são usados argumentos brilhantemente rebuscados dignos de uma classe que, não só não foi capaz de prever a crise que actualmente se vive como, pior, tem enormes responsabilidades na sua existência. Uma classe a que, recorde-se, pertence a corja de ladrões e vigaristas responsável por falências fraudulentas e desfalques de muitos e muitos milhões.
Defendia hoje uma besta qualquer desta área de actividade, que sim senhor os ordenados dos trabalhadores deviam ser reduzidos em virtude da sua produtividade não estar ao nível daquilo que lhe é pago. Questionado acerca da aplicação do mesmo princípio aos gestores, respondeu que não porque esses, num ápice, mudar-se-iam para outros países deixando as empresas portuguesas desprovidas de gestores qualificados.
Confesso-me atónito perante tamanha barbaridade e inusitada prova de estupidez. Milhões de portugueses saíram do país em busca de um emprego e de um ordenado digno, mas entre eles contar-se-ão, seguramente, bem poucos gestores. E se num futuro próximo esses bandalhos conseguirem levar a sua avante muitos outros irão embora, rumando a outras paragens e a outras economias geridas por gente menos tacanha. Quanto aos gestores também acredito que emigrem. Podem sempre ir lavar sanitas para a Suíça ou para a Alemanha porque, para outro cargo, duvido que alguém os queira.
sexta-feira, 27 de março de 2009
Arcebispo bem disposto
Dotado de um sentido de humor fabuloso o Arcebispo de Cantuária constitui para mim um ponto de referência no panorama blogosférico nacional. É um daqueles blogues que visito praticamente todos os dias e que não me canso de recomendar. Simplesmente imperdível.
Magalhães a dez euros!
O pequeno Magalhães, computador destinado à miudagem do primeiro ciclo do ensino básico, constitui hoje uma fonte quase inesgotável de piadas. A culpa vai inteirinha para o seu principal promotor que se encarregou de transformar uma boa ideia num dos objectos mais ridicularizados de sempre em Portugal.
Como se não bastassem as mais variadas peripécias que tem envolvido a divulgação e a distribuição do minúsculo portátil, soube-se agora que os pais de alguns alunos a que o mesmo foi distribuído o estão a vender. Confesso que esta notícia, embora não me surpreenda, deixa-me chocado. Gente que beneficia de toda a espécie de apoios do Estado e que vive parasitando a sociedade em que não se quer inserir, impede desta forma nojenta e abjecta os seus filhos de acederem a um meio que, seguramente, os ajudaria a elevar os níveis de conhecimento e a aceder a informação que seria importante no seu desenvolvimento e formação.
Um destes dias venderão igualmente os manuais escolares e, quando encontrarem maneira de o fazer, até o almoço a que na escola os seus filhos têm direito irão vender.
Exemplos de sucesso
Fátima Felgueiras foi, com as consequências conhecidas, julgada por diversos crimes que era acusada de ter cometido na gestão do município a que preside.
Avelino Ferreira Torres foi hoje absolvido, pelo tribunal da terra onde foi presidente de Câmara um ror de anos, de todos os crimes que o acusavam de ter praticado no exercício das suas funções de autarca.
Isaltino Morais está, por estes dias, a ser julgado por alguns actos menos lícitos que alegadamente terá cometido ao longo dos muitos anos em que vem dirigindo os destinos do município de Oeiras.
Perante estes factos espanta-me que ainda haja em Portugal quem duvide da eficácia do sistema judicial. Direi mesmo que é uma injustiça pôr em causa o funcionamento da justiça.
Também a democracia funciona por cá de modo verdadeiramente exemplar. Tanto assim é que lá para Outubro, estas três figuras bem representativas do que é o “ser português”, conquistarão com relativa facilidade e por uma expressiva margem de votos o lugar de Presidente a que não deixarão de se candidatar.
quinta-feira, 26 de março de 2009
Andar a pé é uma "cansêra"
A ideia, amplamente generalizada entre os portugueses, que a Policia apenas se dedica à caça à multa em detrimento de efectuar um policiamento digno desse nome, não é verdadeira. Embora, verdade seja dita, que a ser essa a prática corrente das forças policiais não era coisa para deixar ninguém surpreendido. Sabe-se que, pelo menos teoricamente, um automobilista é potencialmente menos perigoso para a integridade física do agente do que um qualquer meliante e que uma multa de trânsito dá muito menos chatice do que uma detenção.
A fotografia ao lado confirma em absoluto aquilo que escrevo. Este cenário repete-se diariamente, a qualquer hora do dia, e mostra de forma inequívoca que por ali não há sinal que atemorize os condutores nem policia que se dedique a qualquer tipo de caça. Provavelmente todos terão uma boa razão para assim proceder. Uns porque a necessidade imperiosa de introduzir cafeína no organismo não lhes permite atrasar a sua ingestão por dois minutos, tempo que perderiam a estacionar no Rossio, e outros apenas porque não se querem cansar a andar a pé. O que se compreende. Chegavam estafados ao ginásio ou cansadinhos em demasia para a caminhada do final do dia.
quarta-feira, 25 de março de 2009
Fantasias
A Assembleia da Republica no âmbito de uma das muitas Comissões de inquérito - ou de outra coisa qualquer - que os deputados da nação entendem constituir, chamou a prestar declarações um tal Fernando Fantasia. O homem teria estado envolvido num negócio de terrenos, que envolveria também o Banco Português de Negócios onde, suspeitam os nossos mui dignos representantes parlamentares, poderá ter feito uso de informações privilegiadas tendo em vista a concretização da dita transacção imobiliária.
Evidentemente não vale a pena estar aqui com pormenores acerca do que se passou na dita audição. A função deste blogue não é dar noticias – a propósito devo referir que ainda não sei ao certo se tem alguma função mas, garanto, quando descobrir digo qualquer coisa - e os leitores deste blogue são pessoas cultas, informadas e que, quase todos, sabem destas coisas bastante mais do que eu. Quero, por isso, apenas salientar a ironia da situação. Estamos perante deputados que pretendem averiguar se o BPN terá feito um negócio menos transparente. E para isso chamam um senhor chamado Fantasia. Tá bem, tá!
terça-feira, 24 de março de 2009
Sex shop longe do templo
Em diversas ocasiões manifestei, neste e noutros blogues onde já escrevi, a minha indignação e repúdio pelas regras que algumas religiões impõem aos seus seguidores e, principalmente, por pretenderem que essas imposições se estendam a toda a sociedade. Este conflito de interesses entre uns e outros deverá ser regulado pelo Estado, que se quer laico, e visará manter um equilíbrio razoável entre aquilo que é o direito à fé e à liberdade religiosa dos que professam as mais variadas – e avariadas também – religiões, com os direitos, liberdades e garantias dos restantes cidadãos que entendam não se reger pela lei de nenhuma divindade.
Ora é este ponto de equilíbrio que muitas vezes está desequilibrado. Muitos são os exemplos, mesmo em países democráticos e evoluídos como Portugal, (sim queiram ou não somos evoluídos) de situações em que o ponto de vista da confissão religiosa maioritária faz lei ou em que o culto religioso, ainda que de outra natureza, é protegido de uma forma que chega a ser absurda. Até a actividade económica - mesmo em tempos de crise - é condicionada pelas regras proteccionistas que o Estado entendeu promover em relação à prática da religião.
Exemplo disso foi o encerramento de uma sex-shop, feito hoje pela Asae numa cidade do interior do país. O estabelecimento comercial estaria a violar a legislação em vigor para este tipo de comércio por se encontrar instalado a menos de trezentos metros de um local de culto. O que contraria o disposto no decreto nº 647/76 de 31 de Julho que estabelece que “os estabelecimentos de comércio de objectos ou meios de conteúdo pornográfico ou obsceno não poderão funcionar a menos de 300 metros de locais onde se pratique o culto de qualquer religião…”.
Este larguíssimo raio de protecção não parece, de forma alguma, justificável. Certamente não será isso que impedirá as beatas de comprar preservativos, nem nenhum mariola de enfiar um dildo pelo rabiosque acima daqueles gajos que rezam de cú para o ar.
segunda-feira, 23 de março de 2009
O Blackout que não chegou a ser
Afinal não vai haver “greve” – ou deverei dizer layoff?, ou, até mesmo, blackout? – de alguns bloggers estremocenses contra alegadas pressões que terão existido sobre eles próprios ou, não cheguei a perceber, acerca da linha de orientação dos respectivos blogues.
Acho que fizeram bem em reconsiderar. Apesar de haver já quem considere a blogosfera como o quinto poder, o que a vai expondo a manobras habituais noutros “poderes”, é bom que as coisas sejam relativizadas e que cada um perceba a importância que tem. No caso, pouca. E mesmo essa porque alguns insistem em demonstrar tais preocupações com a imagem que os outros têm de si, que acabam por “se pôr a jeito” ou, se preferirem, “estar mesmo a pedi-las”.
Bem esteve a Comissão instaladora da Associação Nacional de Blogues, que tem mantido um imperturbável silêncio relativamente a esta matéria.
Penalty's
À medida que o Benfica se começou a desabituar de ganhar fui deixando de me entusiasmar com as coisas da bola. Talvez por isso veja os jogos e as suas incidências com algum distanciamento e sem muita da paixão com que noutros tempos os via. E, no jogo da final da Taça da Liga o que vi foram duas equipas a jogar miseravelmente, pouco dignas das históricas camisolas que envergam, e uma equipa de arbitragem incapaz de disciplinar jogadores que mais pareciam estar num ringue de wrestling e que inacreditavelmente acabou por expulsar um que, pelo menos naquela ocasião, não merecia.
Embora compreenda os adeptos e, principalmente, os jogadores do Sporting, não me parece que haja motivo para tanto alarido nem para a crucifixação pública que se pretende fazer a Lucílio Batista. Tal como não havia noutras ocasiões, algumas ainda recentes, em que os protagonistas equipavam de outras cores. Nada disto é novo, a influência das arbitragens nos resultados é prática corrente e são inúmeros os campeonatos e outros troféus ganhos graças à acção dos árbitros. Premeditada ou não.
No caso de Sábado parece-me injusto atribuir todas as culpas ao juiz da partida. Afinal, nos pontapés da marca da grande penalidade, quem falhou foram os jogadores do Sporting que não conseguiram imitar Mário Jardel quando, no ano em que ganhou o campeonato, o clube de Alvalade dispôs, em trinta e quatro jornadas, de dezanove penalties dos quais o avançado brasileiro transformou dezassete em golo. O que deu, se não erro muito, a inusitada média de mais de um penaltie jogo sim, jogo não…
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