Um ano depois de aqui ter manifestado a minhas reservas acerca da sinalização então acabada de implementar no meu bairro e em particular na minha rua, nomeadamente quanto à imposição de sentidos únicos, é ocasião para um breve balanço.
Como à época referi esta alteração obriga-me a, em cada deslocação ao centro da cidade, percorrer mais trezentos metros. Em média faço-o três vezes por dia o que acarreta um percurso diário superior em novecentos metros àquilo que fazia antes desta alteração. Fácil é concluir que nos últimos trezentos e sessenta e cinco dias terei percorrido mais trezentos e vinte e oito quilómetros. Tratando-se do inicio de viagem, normalmente a frio e em percurso citadino, acredito que o meu carrito consuma, nesta parte do trajecto, uma média de nove litros ao cem. Ou seja, só à conta desta alteração manhosa terei queimado uns vinte e sete litros de gasolina. Mesmo partindo do principio que abasteci sempre com gasolina de noventa e cinco octanas e que o preço médio, durante este período, terá rondado o euro e trinta, esta brincadeira ter-me-á custado ao fim do ano uns trinta e cinco euros. Estes valores representam a emissão de 0,56 toneladas de CO2, o que significa que, apenas à minha conta, deviam ser plantadas quatro árvores para compensar os estragos feitos ao ambiente pela emissão de gases de efeito estufa.
Perante isto nem sequer vale a pena alegar questões de segurança. Em vinte e dois anos de trânsito nos dois sentidos nunca dei conta de nenhum acidente na rua e, quanto a conflitos de trânsito são mais frequentes agora porque muitos não ligam nenhuma aos sinais e continuam a circular como sempre fizeram.
Não sei quem são os técnicos que elaboraram e propuseram esta alteração. Nem isso interessa. Tão pouco desconfio das suas aptidões técnicas em matérias como o ordenamento de trânsito, mas não tenho qualquer dúvida que não têm nenhuma sensibilidade relativamente a questões económicas, de protecção ambiental, nem um conhecimento minimamente razoável do local para onde elaboraram o estudo que deu origem a esta situação.
Os números não deixam margem para dúvidas que a opção adoptada é errada. Acontece. Os melhores também erram, mas, normalmente, corrigem os erros. É isso que distingue os homens inteligentes dos outros.