domingo, 25 de janeiro de 2009

Coisas que me fazem espécie

Ao que parece o novo código do trabalho, recentemente aprovado pelo melhor governo que alguma vez governou Portugal, prevê que parte da remuneração seja paga em espécie. Ora aí está uma coisa que realmente me faz espécie.

Que a um farmacêutico paguem parte do ordenado em comprimidos, a uma empregada de supermercado sejam fornecidos géneros alimentares como contrapartida do seu trabalho ou a um funcionário de um posto de abastecimento forneçam combustível em troco de uma parte do seu salário, ainda se compreende. Já as remunerações auferidas noutros sectores de actividade é que, por mais voltas que dê, não estou a ver como podem ser substituídas. Um coveiro, por exemplo. Quando muito pode ter funeral à borla, mas isso afigura-se mais com um PPR… E um nadador-salvador?! E um politico?! E a um taxista?! E um varredor?! Como se vê tudo questões inquietantes e simultaneamente perturbadoras.

Já se idêntica medida fosse aplicada às prestações sociais seria, isso sim, uma grande ideia. Substitua-se o abono de família por fraldas, livros e game-boys. O Rendimento Social de Inserção por arroz, leite ou feijão carrapato. Bom, neste último caso se calhar seria melhor substituir os géneros alimentares por plasmas ou balas para a metralhadora da família. Os destinatários ficariam seguramente mais satisfeitos.

Quanto a mim, se a medida um dia se me aplicar, estarei preparado para receber o que me queiram dar em troca de uma parcela do meu vencimento e, também, para pagar uma parte significativa dos meus impostos em espécie. Em merda de cão. Que é coisa que não falta nas redondezas.

sábado, 24 de janeiro de 2009

Xuninng amoroso

O tunning é uma mania que consiste em fazer alterações de carácter mecânico, aerodinâmico ou outras, quase sempre para pior, aos automóveis. Algumas constituem verdadeiras afrontas ao gosto – que nem precisa de ser bom – e transformam carros relativamente jeitosos em aberrações do asfalto completamente insuportáveis.

Do carrito da foto não podemos afirmar que tenha sido vítima de tunning. Tratou-se apenas de um pequeno e amoroso retoque de um dono provavelmente apaixonado. E o amor, como quase todos sabemos, é uma coisa muito linda.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Sócrates e as malucas

O casamento entre pessoas do mesmo sexo vai voltar à agenda política. Pelo menos é o que promete o engenheiro José Sócrates. O que, convenhamos, não é grande garantia.

Embora este não seja um tema consensual na sociedade portuguesa creio que a intenção do nosso primeiro terá uma abrangência muito maior do que numa primeira e superficial analise pode aparentar. Sabe-se que o negócio dos casamentos, desde a sua organização até ao divórcio, movimenta muito dinheiro e representa uma vasta área de negócio que, com o incremento que se espera através do alargamento deste mercado, poderá contribuir para a criação de emprego e consequente geração de mais riqueza.

O homem, génio auto proclamado e idolatrado entre os seus correligionários, a conseguir levar a sua avante, mata dois coelhos de uma só cajadada. Por um lado agrada à esquerda modernaça e, por outro, promove um relativamente importante estimulo à economia. Imagine-se, apenas a título de exemplo, a janela de oportunidades que se abre aos advogados com o aumento de divórcios que se forçosamente irá ocorrer quando as “malucas” se começarem a desentender.

FreePort

Com o aproximar das eleições a história do FreePort, tentando envolver num caso de suposta corrupção algumas pessoas ligadas a um anterior governo, volta a ser noticia. Nada de mais, nem que surpreenda por aí além. Trata-se, afinal, do folclore habitual da política portuguesa.

Agora o que é verdadeiramente surpreendente, é que alguém ouse sequer supor que seja possível um político aceitar dinheiro para decidir, rápida e favoravelmente, acerca do licenciamento de um espaço comercial a implantar numa zona protegida. Lembram-se de cada coisa!

Reinserção musculada

A Associação Académica de Coimbra, num gesto supostamente filantrópico, resolveu oferecer diversos equipamentos para o ginásio da prisão daquela cidade. Provavelmente, todas as instituições privadas de solidariedade social ou de apoio aos mais desfavorecidos da cidade do Mondego estarão devidamente equipadas e não necessitarão de nenhum tipo de auxílio. Mesmo que não estejam, cada um oferece o que quer ou pode a quem muito bem lhe apetecer. E até lhe pode apetecer oferecer coisas ao Estado, que ninguém tem nada a ver com isso.

Não posso, ainda assim, deixar de achar mal. Se, como foi anunciado, a ideia é ajudar na reinserção dos reclusos, podiam ter optado por outro tipo de apoios. Ou um criminoso musculado e em boa forma física reintegra-se melhor na sociedade?! Não me parece. Quando muito assalta com mais violência e foge muito mais depressa. Inquieta-me que meliantes musculados andem por aí a cometer as suas travessuras. É que, a ser assaltado, prefiro que o assaltante seja um lingrinhas a quem possa, sem grande risco, assentar dois tabefes.