quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Bicha na caixa

Quando vou às compras a caixa a que me dirijo é invariavelmente a mais lenta. Mesmo que a bicha – neste blogue não se alinha em brasileirismos – tenha metade das pessoas que as caixas ao lado, aquela em que eu estou demora sempre mais tempo. E qualquer razão é boa. Produtos com defeito, preços incorrectos ou velhotas que insistem em encontrar moedas de cêntimo no fundo da carteira. Principalmente em carteiras que não tem cêntimos no fundo.

Ontem, optei por pagar as compras numa caixa onde apenas se encontrava um grupo de três jovens, com pouco mais de meia dúzia de produtos visivelmente destinados a uma festarola de fim de ano e que aparentemente pareciam ser breves. O pior é que eles resolveram meter-se com a empregada, toda gira, diga-se, ainda que vagamente parecida com a Popota, que ficou deleitada com a tanga que a rapaziada lhe estava dar. O resultado foi larguíssimos minutos de espera em consequência de vários enganos provocados pela animada troupe e pela atrapalhação evidenciada pela rapariga que provavelmente nunca ouvira tanto elogio em tão pouco tempo.

Ainda assim não foi dos dias piores. Até nem havia ciganos. Devem ter ido todos passar o ano fora. Ou dentro, sabe-se lá.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

O Homem do Bloco

Fim de ano é tempo de eleger, nomear ou simplesmente apontar, aqueles que ao longo do ano mais se distinguiram seja naquilo que for. Uma discriminação, diria eu, porque os que não conseguiram ser os melhores em qualquer coisa só porque houve alguém que conseguiu ser ainda melhor, também merecem a nossa atenção. Tal como também merecem os muitos que nem sequer conseguiram ser bons mas que, apesar de tudo, não foram maus.

Foi dentro deste espírito que resolvi considerar o Homem do Bloco a “Personalidade Assim-assim do Ano”. Como repetidamente aqui – e noutros locais, também - foi referido ao longo do ano que agora termina, o nosso homem não é de esquerda e não tem por hábito escrever em jornais. Nem mesmo, pelo menos que se saiba, anda metido nessa coisa dos blogues. Não gosta, não lê e, como muitos outros, acha que isso é para quem não tem mais nada que fazer. Alguém de manifesto bom senso, portanto.

Foi todo este conjunto de qualidades que me levou a considerá-lo a “Personalidade Assim-assim” de 2008. Não consta que tenha feito algo útil para a sociedade, como poucas vezes fazem os seus iguais, mas isso não é matéria que releve para o caso. O facto de andar por aí já é suficiente.

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Sem os melhores

É verdade que o KruzesKanhoto não é um blogue tão bom quanto outros que por aí se vão publicando mas, porra, não constar desta lista é intolerável. Principalmente quando se vê o que ficou em centésimo lugar...

Deve ser do lenço...

No conflito israelo-árabe é politicamente correcto no ocidente ser contra os israelitas. Nunca me revi nessa posição nem, sequer, a entendo. Principalmente quando todos sabemos quem são os inimigos da civilização ocidental. Esta manifesta simpatia pela causa palestiniana parece ser ainda mais estranha por não se estender a outros povos a quem não é igualmente reconhecido o direito de ter o seu próprio país. Como, por exemplo, os curdos. Provavelmente é porque estes não usam lenços amaricados ao pescoço, põem menos bombas, não se explodem em autocarros e esplanadas ou, pior, não atacam Israel.

Claro que não me agrada ver toda a destruição que o conflito está a gerar, até porque seremos nós europeus – os tais que os palestinianos odeiam – a pagar toda a reconstrução. Tal como já subsidiamos a sobrevivência daquela gente com um subsídio mensal de duzentos euros por família. Uma coisa assim a modos que rendimento mínimo garantido em moldes mais modestos, como se tivéssemos obrigação moral de dar de comer a quem nos morde a mão.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

"Levantamentos" e outros assaltos

O ano que está prestes a terminar fica marcado por um significativo aumento da criminalidade. Pelo menos daquela que chega aos noticiários televisivos. Entre as imagens mais marcantes de dois mil e oito estarão certamente a dos assaltantes do BES de Campolide a serem abatidos pela polícia e aquelas que nos têm dado conta dos problemas na banca provocados pela actuação de uns quantos indivíduos que se auto intitulam gestores, administradores, investidores ou qualquer outro título mais ou menos fino mas que na prática fazem o mesmo que um vulgar larápio. Com a diferença que correm menos riscos de levar com um balázio nos cornos.

Na altura do tal assalto estávamos longe de imaginar o que sucederia poucos meses depois no sistema financeiro. Daí para cá sucederam-se as revelações de fraudes e manigâncias diversas cometidas por uns quantos indivíduos que até então a maioria dos portugueses tinham como pessoas sérias. Ou, pelo menos, relativamente respeitáveis. A actuação da polícia, recorde-se que escudada pelo aval do ministro da Administração Interna, que à época recebeu o aplauso praticamente unânime, seria hoje muito mais difícil de justificar e de aceitar por parte de uma opinião pública que começa a manifestar uma inquietante desconfiança relativamente aos bancos e banqueiros e uma preocupante condescendência por aqueles que de vez em quando vão lá fazer um “levantamento”. É a velha história do ladrão que rouba a ladrão no seu melhor…