domingo, 28 de dezembro de 2008

No gastar é que está o ganho!

De repente todos os economistas passaram a considerar que afinal o aumento da despesa pública é uma coisa boa. Isto se o dinheiro passar directamente dos cofres do Estado para o das empresas, porque se esse dinheiro se destinar a remunerações de funcionários públicos, aumentar as reformas mais baixas e as prestações sociais, conceder benefícios fiscais aos trabalhadores por conta de outrem ou servir para melhorar o funcionamento de serviços básicos como a saúde a educação e a justiça, aí o aumento da despesa pública continua a ser abominável.

Sobre este assunto José Sócrates proferiu uma declaração extraordinária. Quando instado a pronunciar-se acerca da opção governativa, o primeiro-ministro declarou que injectar o dinheiro na economia através da baixa de impostos, nomeadamente do irs, não seria boa ideia. Segundo ele não haveria, nessa circunstância, garantia que as famílias gastassem o dinheiro – podia-lhes dar para poupar - e que, assim, o Estado gastá-lo-ia de certeza absoluta.

Esta falta de confiança na capacidade dos portugueses para gastar dinheiro, aliado ao desfazer do conceito que “no poupar é que está o ganho”, até agora tão defendido, deixa-me incrédulo, perplexo e ligeiramente confuso. Neste caso, ou o governo não conhece o povo que governa ou está claramente a subestimar o nosso poder de derreter cada euro que nos chega às contas. Ele que me dê aquilo que me cabe e verá que não o desiludo…

sábado, 27 de dezembro de 2008

Happy hour (ário)

Os trabalhadores da Câmara de Mafra vão, a partir de Janeiro, deixar de trabalhar à sexta-feira, embora o horário de trinta e cinco horas semanais continue a ser cumprido. Segundo a autarquia mafrense “esta modalidade de horário flexível contribui para promover o apoio social aos trabalhadores, permitindo a conciliação da vida profissional e familiar, disponibilizando tempo para a resolução de questões pessoais e a redução de custos em transportes e alimentação fora de casa”.

Contra tão arrojada medida rapidamente se levantou um coro de protesto. Argumentos, por norma mesquinhos e carregados de sentimentos de inveja, não têm faltado aos opositores desta decisão. Principalmente porque ainda recentemente esteve em discussão no parlamento europeu a possibilidade de alargar o horário de trabalho até às sessenta e cinco horas semanais e porque há já quem pretenda que mais alguns serviços dos municípios venham, num futuro próximo, a estar abertos aos sábados.

Medidas deste tipo apenas suscitam polémica porque envolvem trabalhadores da área técnica e administrativa. Em muitos municípios, talvez na maioria, os grupos de pessoal operário e auxiliar praticam há muitos anos a jornada de trabalho continua - seis horas por dia, cinco dias por semana – e isso não parece incomodar os espíritos que se mostram agora tão escandalizados. Mesmo que a dita jornada comece às oito e trinta, termine à uma e meia da tarde e inclua transporte à borla de e para casa.

Com as autárquicas no horizonte é provável que venham a surgir propostas que visem alterar o horário de funcionamento dos diversos serviços municipais em muitas autarquias do país. Quer no sentido do concentrar em menos ou de o alargar em mais dias de trabalho. Aos defensores da última opção recordo o exemplo de algumas Câmaras que, durante um ou dois anos, resolveram estar abertas no período de almoço e que, nesse horário, atendiam um munícipe de três em três meses...

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Autárquicas 2009 (Os retornáveis)

São muitos os ex-Presidentes de Câmara que já anunciaram a intenção de se candidatarem aos seus antigos lugares nas próximas autárquicas. Assim de repente lembro-me de dois. Narciso Miranda e Pedro Santana Lopes. Estes dois figurões, com a sua recandidatura e provável retorno à ribalta autárquica, farão com que o debate político se torne muito mais animado e o anedotário nacional muito mais rico.

Narciso candidata-se como independente. O seu partido tem outras prioridades, outros candidatáveis e aquele que se considera como um homem simples (que em tempos teve uma sondage que lhe dava uma vantage...) começou já a animar as hostes criticando as frequentes visitas ministeriais a Matosinhos. Segundo ele é um corrupio de ministros e secretários de estado em direcção aquela terra, sem que se saiba ao certo o motivo de tanta visita. Adianta o ex-presidente que uma dessas deslocações terá servido para uma ministra inaugurar um elevador. Por mim nem me parece mal. Sou até de opinião que é sempre bom ter ministras que façam elevar coisas. Embora, também nesse aspecto, o governo seja uma verdadeira desgraça.

Quanto a Santana Lopes, impôs a sua candidatura em Lisboa e promete construir mais uns quantos túneis na capital do reino. Obras em que o homem se especializou no mandato anterior que, recorde-se, deixou a meio para mal do país. Ora, como se sabe, os túneis são lugares perigosos. Que o digam todos os que são forçados a passar pelo da Luz ou do Dragão, para apenas mencionar os mais famosos. Assim sendo, parece começar mal a sua tentativa de voltar à Câmara Municipal de Lisboa. Facilmente poderá ser acusado de fomentar a insegurança, de promover jogadas subterrâneas ou quem sabe até ser apelidado de toupeira política...

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Post de Natal

Desejo a todos os leitores deste blogue um Natal muito alegre, feliz e com muita saúde! E, já agora, com muitos doces e muitas prendas, também.