terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Indignaçãozinha

A quadra que atravessamos não é especialmente propícia a indignações. Ainda assim estou indignado. Mas relativamente menos do que me indignaria numa qualquer outra época do ano.

Hoje, ao final do dia, de regresso a casa, cruzei-me com um cão de raça perigosa. Não percebo grande coisa de marcas de cães mas acho que se tratava de um rotweiler. Passeava-se completamente sozinho pela rua sem que os donos, uma pacata – fica sempre bem usar esta expressão - e normalíssima família, se encontrassem pelas imediações. É verdade que o animal não me ligou nenhuma. Creio até que manifestou um profundo desprezo pela minha presença. Mas, ainda assim, não gostei nada deste encontro.

Com um animal deste género não pode nunca existir qualquer tipo de descuido. São frequentes os casos de ataques de cães destas raças a pessoas, quase sempre causados por distracções que, não raramente, se revelam fatais.

Podia ainda questionar o que motiva uma normalíssima e pacata família a ter um bicho destes em casa. Mas não me apetece. É Natal e afinal a minha indignação não está em patamares assim tão elevados.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Coisas simplex's

Actualmente não há serviço do Estado que se preze (o serviço, não o Estado) que não solicite toda e qualquer informação, a todo e qualquer outro serviço do Estado, da Administração Pública em geral, empresas ou até mesmo ao cidadão comum, através da internet. Diz que é do “Simplex” e que desta forma se desmaterializa a dita informação, se poupa no papel e agilizam os procedimentos.

Porreiro, pá. Pena é depois pedirem fotocópias de toda a informação que foi enviada pela net…

domingo, 21 de dezembro de 2008

Cartão vermelho...

Nada parece sensibilizar os comerciantes a separar os lixos e a proceder à sua deposição, nos recipientes adequados a cada tipo de resíduos, no ecoponto mais próximo. Este tipo de comportamento acarreta custos bastante elevados para o município e que podiam ser evitados com um pouco mais de civismo e de respeito pelas regras ambientais. Até porque, no final, somos nós todos a pagar a factura.

Contas às compras

Devo ser dos poucos habitantes desta zona do país que não vê grande vantagem em ir fazer compras ao outro lado da fronteira. Principalmente se o objectivo único da passeata for, exclusivamente, adquirir bens de consumo corrente. Acho até que as romarias semanais ao Carrefour atestar o depósito e a despensa apenas se justificam, no primeiro caso, se a deslocação não for superior a escassas dezenas de quilómetros ou a viatura a abastecer tiver um depósito com capacidade fora do comum.

Já quanto à despensa nem é bom falar. À excepção de um ou outro produto, ou uma ou outra promoção, nem com o iva significativamente mais baixo se justifica uma deslocação, no caso de Estremoz, de sessenta quilómetros para cada lado. A esmagadora maioria dos produtos à venda, de marca igual ou até mesmo de marca branca, são quase sempre mais caros do que em qualquer superfície comercial da cidade.

A pretexto de assistir a mais uma prova de natação da minha mais nova debandei até Badajoz e, de caminho, como bom tuga, aproveitei para atestar o Clio. O preço da gasolina está em Espanha nos 0.849. O que, comparativamente aos 1.049 do Intermarché cá do burgo, representa uma bela poupança de vinte cêntimos por litro. Feitas as contas à quantidade do precioso líquido que coube no depósito, conclui que poupei oito euros. Importância com a qual compraria em Portugal sete litros e sessenta e dois centilitros do mesmo combustível. Nada mau, portanto.

Quando regressei a casa, por curiosidade, verifiquei o consumo da viatura. Gastou na viagem de ida e volta, mais as curvas dentro da cidade até encontrar a piscina, sete litros e sessenta…

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

E tudo o banco levou

Um noticiário televisivo dos últimos dias deu-nos a conhecer a história de um depositante do Banco Privado Português. Uma história triste, diga-se. Trata-se de um cliente, já reformado e com algumas posses, que acredita estar em vias de perder tudo o que tinha depositado – ou deverá dizer-se investido? – naquele banco e está, muito naturalmente, desolado. O fruto de quarenta e oito anos de trabalho estará prestes a esfumar-se e, dizia, restava-lhe agora viver da pequena reforma de trezentos e vinte sete euros e setenta e dois cêntimos.

É, de facto, desolador. Principalmente para quem ao longo da vida, apesar do ordenado miserável que auferia e que deu origem a uma reforma tão baixa, conseguiu amealhar uma quantidade de dinheiro que, apesar de tão divulgada, se deixa antever significativa.

Muito possivelmente a aflição do senhor, e de outros como ele, nem se justificará. Enquanto ele e mais uns quantos arranjavam fortunas, invariavelmente a trabalhar como todos garantem, outros pagavam os impostos que permitem ao Estado assegurar que nenhum deles vai perder um cêntimo.