sábado, 29 de novembro de 2008

Larica, viagens e tvcabo.

A acção desenvolvida pelo Banco Alimentar é por demais reconhecida, pelo que nem vale a pena prolongar-me em considerandos acerca dela. O mesmo se aplica a todos os que, desinteressadamente, colaboram nas acções de recolha de alimentos, como a que este fim-de-semana decorre por todo o país, ou nas restantes actividades decorrentes de todo o processo de armazenamento, manutenção e distribuição dos produtos recolhidos.

Contribuir com alguma espécie de alimentos constitui por isso, para mim, quase uma obrigação que cumpro sempre de bom grado. Principalmente quando sei que a esmagadora maioria dos beneficiários dos bens recolhidos são idosos a quem a reforma não chega para pagar a conta da farmácia e famílias a quem o desemprego, ou outra contingência da vida, atirou para uma situação que era de todo improvável vir a ocorrer.

Nos últimos tempos, no entanto, tem surgido notícias na comunicação social que me causaram alguma inquietação e que, também, me fizeram ficar mais atento a certos sinais que, se não exteriores de riqueza, são pelo menos muito pouco compatíveis com a condição de alegado pobre e de alguém que necessite de recorrer à assistência alimentar prestada pelas instituições de solidariedade social a que se destinam os alimentos recolhidos em campanhas como a que está a decorrer.

Consta, são os próprios responsáveis que o admitem, que recorrem à ajuda alimentar cada vez mais pessoas que não pretendem abdicar de um estilo de vida dificilmente compatível com os rendimentos auferidos. Ou seja, pedem alimentos – via correio electrónico na maior parte dos casos – enquanto gastam o ordenado, ou o dinheiro proveniente de outras fontes de rendimento, em coisas tão essenciais como “viagens ou na Tvcabo”.

Outros, esses com evidentes sinais de pobreza, diariamente apoiados por instituições que se dedicam a estas causas, podem ser vistos a tomar o pequeno-almoço ou o lanche nas diversas pastelarias e cafés da cidade ou passeando e fumando o seu cigarrito enquanto a generalidade dos cidadãos trabalha. E, pior do que isso, roubando e achincalhando os que trabalham e contribuem para sustentar a sua existência.

O número de casos deste tipo, provavelmente, não será significativo. Mesmo que o seja não coloca em causa o trabalho destas instituições. Pode, eventualmente, é tirar a alguns a vontade de contribuir. E isso sim, é preocupante.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Opções...

Desde a entrada em vigor da nova lei das Finanças Locais, os municípios portugueses têm direito a uma participação até 5% da receita do imposto sobre o rendimento de pessoas singulares pago pelos munícipes residentes na sua área territorial. O seu valor é fixado anualmente pelos órgãos autárquicos, que podem, inclusivamente, abdicar da totalidade desta receita garantindo assim um significativo benefício fiscal aos contribuintes.

Este imposto, tal como o IMI, IMT e a Derrama, constitui uma importante fonte de financiamento autárquico. No entanto, apesar do seu peso nos orçamentos autárquicos ser menor que qualquer um dos outros impostos mencionados, a sua redução não tem constituído uma prioridade para a esmagadora maioria dos executivos municipais. Nem, estranhamente, para as oposições.

Embora a discussão acerca de impostos como o IMI ou a derrama seja mais ou menos frequente, e amiúde surjam opiniões contestando o elevado valor do primeiro ou a necessidade de não cobrar a segunda sob o pretexto de um pretenso apoio às empresas, nomeadamente a banca, gasolineiras ou as grandes cadeias de distribuição, já quanto à parte do IRS destinado aos municípios não tem surgido vozes a questionar o seu valor. Provavelmente por ignorância. Ou por se escaparem ao seu pagamento.

O impacto da percentagem do IRS destinado aos municípios, bem como qualquer alteração à taxa a aplicar, pode ser constatado pela apreciação do mapa seguinte. Para outros valores de colecta, como diria um tristemente célebre engenheiro – mais um – é fazer a conta.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

O Zé, afinal, não faz falta

O Bloco de Esquerda retirou a confiança política no seu único vereador na Câmara de Lisboa. Alega que José Sá Fernandes, o tal Zé que fazia falta, não passa cavaco ao partido e se está perfeitamente nas tintas para aquilo que o Bloco entende deve ser a politica a seguir pela edilidade da capital. Nada de estranho, se atendermos que todos os partidos, alguma vez em algum lugar, já passaram pelo mesmo.

A retórica do vereador em causa, quando instado a pronunciar-se acerca desta situação, é a mesma que todos usam nestas circunstâncias. E noutras, também. Entre os lugares comuns do costume sobressai o inevitável “Lisboa está acima do Bloco...”. Este desprendimento em relação a outras causas e a devoção - sempre presentes no discurso dos políticos - ao interesse das suas terras, no caso dos autarcas, ou ao interesse nacional no caso dos governantes, são comoventes. De ir às lágrimas, até. De riso, claro.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

"O" 25 de Novembro

O dia vinte cinco de Novembro constitui para mim uma referência incontornável. Foi o meu primeiro dia de trabalho. Faz, precisamente, vinte e oito anos.

O dia de amanhã – vinte seis de Novembro – também. Faz, precisamente, vinte e oito anos que recebi o meu primeiro ordenado. Bons tempos.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

(N) as tais Festas

O Natal é uma festa bonita. As festas de Natal também. Vai-se aproximando a época em que se sucedem as confraternizações promovidas pelas empresas dedicadas aos seus colaboradores e respectivas famílias. O que, sem dúvida, constitui um acto de boa gestão de recursos humanos na medida em proporciona um salutar convívio entre todos os que colaboram na empresa. (Ou seja laboram em colaboração na empresa, daí a designação de colaboradores. Bem visto! Só mesmo eu é que ainda não tinha percebido.)

Embora estes encontros anuais sejam enternecedores e todos reconheçamos a sua importância, não ficam nada baratos quando chega a hora de fazer a conta. Será, por isso, no mínimo questionável a oportunidade da sua realização em empresas onde os efeitos da crise se fazem sentir de forma mais acentuada e estão mesmo anunciadas dispensas de colaboradores – dito assim nem parece que vão para o desemprego - ou, noutros casos, paragens mais ou menos prolongadas na laboração. E também, claro, na colaboração.

Evidentemente que estas coisas, sendo do domínio privado das empresas, são lá com elas. Mas lá que dá para desconfiar que haja mais de cem mil euros para fazer uma festa e, simultaneamente se reclame ajuda do governo, lá isso dá…