terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ostentações de merda

Bairro da Salsinha à porta de quem não tem cão
Bairro da Salsinha junto ao infantário "Os Fofinhos"
Monte da Razão junto ao lar da Cerciestremoz

No último número de um dos jornais cá da terra, no caso o “Ecos”, são entrevistados vários cidadãos que têm em comum o facto de serem donos de cães. Instados a pronunciarem-se sobre o que fazem aos dejectos dos respectivos animais de estimação quando os levam a passear, todos garantem que os recolhem com um saco plástico e os depositam no lixo. Obviamente que, quanto aos cidadãos em causa, não tenho a mais pequena razão para duvidar que assim procedam. Diria mesmo que deles nem esperaria outra coisa.

Pena que o seu exemplo não seja seguido por outros habitantes, nomeadamente pelos moradores dos bairros da Salsinha, Quinta das Oliveiras ou Monte da Razão. Mesmo não querendo generalizar - as generalizações são sempre perigosas - muitos dos que por aqui moram não têm igual cuidado com os seus animais. A prática corrente é soltá-los ou conduzi-los pela trela, para que estes façam as necessidades fisiológicas longe das suas casas ou quintais, preferencialmente à porta ou até mesmo no quintal dos outros, sem qualquer preocupação pela limpeza das ruas nem com a saúde de quem por ali circula.

Muitos dos que tem estas atitudes são pessoas com instrução acima da média, algumas com responsabilidade nas áreas da formação e da educação de crianças, pelo que este tipo de comportamento lhes fica ainda pior. Gostava de acreditar no contrário mas, infelizmente, não creio que os exemplos oportunamente divulgados venham a ter eco junto de gente que ostenta tudo menos consciência cívica.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Ranking

O ranking das escolas, recentemente divulgado pela comunicação social, tem provocado as mais espantosas reacções. Desde o governo até aos responsáveis pelas escolas que ficaram classificadas nos últimos lugares, passando por teóricos alegadamente especialistas nas mais variadas coisas, todos, ou quase todos, têm opinado contra a comparação que, inevitavelmente, é feita entre os resultados obtidos pelos alunos que frequentam a escola pública e os que estudam em instituições privadas. Também a comparação entre os resultados obtidos em escolas do litoral desenvolvido e as do interior deprimido, merece a reprovação dessa malta que se dedica a teorizar acerca do aproveitamento escolar da nossa rapaziada.

Por mim estou-me perfeitamente nas tintas para todos esses analistas. Resultados são resultados, ainda mais quando, como foi o caso, obtidos na realização de provas de igual dificuldade (?!) para todos. Portanto, como em tudo na vida terá de haver uns melhores e outros piores. Normalmente os melhores são-no porque têm mais capacidades intelectuais ou, na maior parte das vezes, porque trabalharam mais ou melhor. Ou ambas as coisas. Tentar branquear os maus resultados de alguns com desculpas de mau pagador é, antes mais, menosprezar o fruto do trabalho desenvolvido por quem quis trabalhar e se empenhou em obter boas notas. São risíveis alguns argumentos que tentam justificar os piores resultados de escolas do interior, nomeadamente no Alentejo, por, dizem eles, não terem os alunos do interior acesso ao mesmo nível de informação que têm os seus colegas do litoral. Como se, nos dias de hoje, isso fosse possível.

As causas são bem mais simples e só não estão à vista de quem as não quer ver. Reportagens publicadas em alguns órgãos de comunicação social, que nas escolas classificadas no final do ranking procuraram justificações para o insucesso ouvindo alguns dos alunos que as frequentam, não podiam ser mais esclarecedoras. “Nós estudamos pouco, é verdade, mas não merecíamos este resultado”, “O problema é dos alunos que não têm, nem estão interessados em ter um método de estudo” foram, talvez, as respostas mais elaboradas. A maior parte terá respondido que “estudar é bué da chato”, “a escola não é nada cool” e outras coisas difíceis de decifrar.

domingo, 9 de novembro de 2008

Quanto custa avaliar?

Não simpatizo por aí além com as lutas dos professores. Estranho mesmo que nos últimos vinte anos se tenham sucedido manifestações e greves contra todas as politicas educativas. Entre outras coisas, parece que a classe docente está permanentemente contra tudo e contra todos. O que não deixa de ser surpreendente porque, ao longo destes anos, tem sido maioritariamente gente saída da área da docência quem tem dirigido o sector em Portugal.

No entanto, relativamente ao processo de avaliação alvo de contestação, considero que toda a razão está do seu lado. Não sei se fará algum sentido a existência de “avaliação” e de “objectivos” na administração pública – professores incluídos – parece evidente que o modelo implementado não passa de mais um aborto legislativo que visa, unicamente, evitar que professores e demais funcionários públicos progridam nas suas carreiras.

É legitimo perguntar o que já ganharam os portugueses, em prol de quem trabalham todos os que são pagos pelo Estado, com a implementação do conceito de avaliação da função pública. A resposta a esta e a outras questões, provavelmente, apenas será conhecida quando todos os organismos oficiais dispuserem de um sistema contabilístico que permita apurar, de forma fiável, os custos de todos os seus serviços. Aí ficaremos a saber quanto custam aos cofres do Estado, portanto a todos nós, ter dez ou vinte professores no caso das escolas, ou outros tantos técnicos superiores quanto se trata de outros organismos - o que quer dizer gente relativamente bem remunerada - reunida numa sala durante cinco ou seis horas por dia, várias vezes por mês, em lugar de estar a fazer o trabalho para o qual foi contratada.

Desconheço que modelo de avaliação existe numa empresa privada, mas não tenho dúvidas que terá de ser incomparavelmente mais barato. E mais eficaz, também.

sábado, 8 de novembro de 2008

Cortes do c...

A política de saúde tem nos últimos anos sido caracterizada por inúmeros cortes orçamentais, encerramento de serviços, nomeadamente no interior, e uma diminuição acentuada das comparticipações do Estado nos custos com os cuidados de saúde. Pior ainda é o facto de diversas especialidades praticamente nem existirem num Serviço Nacional de Saúde, cada vez menos tendencialmente gratuito e cada vez mais longe de prestar aos cidadãos um serviço minimamente aceitável e ajustado às necessidades da população.

Há, no entanto, bizarras contradições. Enquanto tratamentos aparentemente simples, rotineiros e banais, como por exemplo extrair um dente, não são garantidos de forma gratuita à generalidade dos utentes, quem quiser mudar de sexo pode fazê-lo completamente de graça. À borla, se preferirem. O Estado paga. O mesmo Estado que não tem recursos para garantir a gratuitidade de medicamentos indispensáveis à sobrevivência de alguns, proporciona a outros a possibilidade de efectuarem cirurgias só porque, por um desequilíbrio mental qualquer, acham que deviam ser do sexo contrário. Ou seja, vivemos num país onde, a qualquer cidadão, cortar a pila sai mais barato que arrancar um dente ou tratar de uma unha encravada.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Jogo do Galo

Não é que esteja com nenhuma espécie de azia relativamente a acontecimentos recentes. Nomeadamente desportivos. Ainda menos se trata de uma piada a pretender atingir benfiquistas. É apenas a versão muçulmana do jogo do galo e pode constituir um óptimo entretenimento familiar para o fim-de-semana.

Ao que parece, nesta versão do popular jogo, quem joga com o crescente ganha sempre. Ou quase. Rezam – de cú para o ar, evidentemente – algumas crónicas que, quando assim não acontece, costuma ouvir-se uma explosão precedida de vozes que guincham “Allah Achbar” estridentemente. Calúnias, está bem de ver, porque, como se sabe, essa malta da toalha enrolada à cabeça é conhecida pelo seu sentido de humor.