segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Portáteis para todos

A distribuição massiva de computadores portáteis, sejam eles Magalhães ou daqueles mais a sério, pelo governo no âmbito dos programas e-escola e outros, tem sido ridicularizada e alvo das mais variadas e contundentes críticas. Não me parece justo. Esta iniciativa permitiu, entre outras coisas, massificar o acesso à internet e fez baixar de forma significativa o preço deste equipamento, o que teve como principal consequência a “democratização” do seu uso.

Como em tudo na vida também este processo terá os seus excessos e aproveitamentos. Nada, no entanto, que chegue para ofuscar o brilhantismo de uma medida que faz chegar computadores a quem nunca supôs possuir um. Como aqueles dois ciganitos, de doze ou treze anos, que encontrei um destes dias numa loja da cidade, onde alguém dotado de uma paciência infinita lhes preenchia o modelo do Ministério da Educação para requisitarem o seu portátil. Embora não saibam ler nem escrever, a perspectiva de efectuarem um bom negócio era mais que suficiente para justificar o brilho de contentamento que era bem visível no seu olhar.

domingo, 12 de outubro de 2008

Vendas sem estratégia

Durante o fim-de-semana um banal incidente doméstico envolveu a necessidade de utilização de um dispositivo para fixar solidamente dois objectos entre si. Dado que, na situação em causa, o pequeno problema apenas podia ser resolvido mediante o recurso a um parafuso e uma porca, e não dispondo em casa destes acessórios nas dimensões adequadas, tentei adquiri-los numa grande superfície comercial da cidade. Até porque, estando o restante comércio encerrado, nem o podia fazer noutro sítio.

Estavam-me, no entanto, reservadas algumas surpresas. Após encontrar a medida dos parafusos pretendidos constatei que a embalagem não incluía as respectivas porcas. Uma inovadora estratégia de vendas ou uma imposição legislativa visando proteger o consumidor incauto que apenas pretenda comprar parafusos e tenha que gramar com as porcas, foi o que primeiramente me ocorreu. Nada disso. Uma mais cuidada observação permitiu-me constatar que nenhuma das espécies de parafusos e porcas, à venda em embalagens separadas, tinham qualquer relação de medida entre si. Ou seja, nenhuma das porcas enroscava em nenhum parafuso exposto. O que me leva a concluir que, afinal, é só burrice da parte de quem vende.

Sem estes acessórios, apenas umas artimanhas manhosas permitiram minorar os estragos. Resta-me ter esperança que a coisa aguente até o comércio tradicional reabrir.

sábado, 11 de outubro de 2008

Quase gaja nua

Como é reconhecido, este blogue não é um espaço de informação nem de debate. Tão pouco pretende ser uma espécie de serviço público - nem privado – para os leitores que assídua, ou ocasionalmente, por aqui vão passando. Não encontro uma forma fácil de o dizer mas, há que assumi-lo com toda a frontalidade, este blogue optou desde o seu início pelo culto do desagradável. E, sempre que possível, pelo inconveniente.

Raras são as ocasiões em que aqui se procura ir ao encontro dos gostos ou sugestões dos visitantes. Fazê-lo constituiria uma cedência intolerável e podia conduzir-nos por caminhos mais ou menos tenebrosos, até que um dia isto se tornasse num sítio razoavelmente agradável. Ou, pior ainda, com alguma “Qualidade”. Por iso não trilharei esse caminho.

No entanto hoje estou disposto a quebrar essa regra que impus a mim próprio. A foto que acompanha este post visa, na medida do possível, satisfazer os visitantes que insistentemente continuam a pesquisar no Google por “gajas nuas”, “gaijas nuas”, “mulheres peladas” e outras expressões assaz curiosas, que só não reproduzo por, apesar de tudo, pretender manter alguma dignidade neste espaço. Talvez não corresponda inteiramente às expectativas de quem faz este tipo de pesquisas, mas é o que se pode arranjar.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

O Rendimento que não é minimo

Hoje foi dia de Rendimento Mínimo. Ou Rendimento Social de Inserção, como agora pomposamente se chama. Embora nenhuma das denominações se afigure muito adequada. Excepto, talvez, no que diz respeito ao termo rendimento, porque ao que se sabe não é assim tão mínimo e quanto à inserção social, que os defensores garantem que o mesmo visa promover, toda a gente sabe como as coisas funcionam com os destinatários desta medida saída da cabeça do primeiro-ministro mais incompetente que Portugal já alguma vez viu.

Hoje, foi um daqueles dias do mês em que bancos e correios se enchem de reformados e de outra gente em muito boa idade para trabalhar, que vão receber as pensões de reforma e o dito “Rendimento” que, como já vimos, não é mínimo, nem social, nem de inserção. É apenas garantido. E de tal forma os seus beneficiários têm a garantia que o irão receber durante muitos e bons anos – pelo menos para eles – que gozam descaradamente com os restantes cidadãos que, por alguma azarada coincidência, necessitaram de se deslocar àquelas instituições na mesma altura. Como se não fosse tortura suficiente ter de suportar a arrogância, a impertinência e a má educação de gente que desconhece em absoluto qualquer norma civilizacional.

Ao que parece, consta das normas de atribuição deste subsídio estatal à preguiça que quem o recebe assina uma espécie de contrato onde se obriga a cumprir um conjunto de regras que visam a sua inserção na sociedade. Das duas, uma. Ou os citados contratos não incluem ensinamentos comportamentais básicos ou então o trabalho dos técnicos de apoio social está a falhar rotundamente. E alguém terá de ser responsabilizado por isso.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Expectativas

Os economistas gostam de dizer que a economia é feita com base nas expectativas. Provavelmente terão razão. E talvez por isso as medidas anunciadas pelo poder, seja central ou autárquico, para ajudar as famílias e as empresas têm, pelo menos para já, o condão de nos deixar expectantes.

Da parte do governo anuncia-se a redução do IRC e o alargamento do 13º mês do subsídio a crianças e jovens a todos os escalões. São, sem dúvida, duas medidas simpáticas. A primeira deixará satisfeitas as empresas que apresentam lucros e a segunda relativamente contentes os pais que em Setembro de 2009 receberão mais uns trocos, coisa que dá sempre jeito e provoca expectativas animadoras, em vésperas de eleições ou do início do ano lectivo.

Não querendo ficar atrás, também o poder local entrou nesta onda solidária para com as empresas e empresários, embora por vezes a coisa assuma dimensões que simpaticamente podíamos classificar de ridículas. Ou demagógicas se formos mauzinhos. Conta-se até o caso de um município que, argumentando com as dificuldades que as empresas estão a sofrer por força da actual conjuntura, terá resolvido isentar as empresas de pagarem a derrama, poupando-lhes assim cerca de setenta ou oitenta mil euros, mas que terá uma divida, quase na totalidade ao sector empresarial, a rondar os vinte milhões de euros… Ou seja, quase o equivalente a duzentos e cinquenta anos de isenção!