quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Insegurança

Há determinados grupos de pessoas a quem a generalidade das leis da República não se lhes aplica ou, na melhor das hipóteses, beneficiam da indulgência das autoridades na sua aplicação.

Quando nenhuma dessas circunstâncias se verifica, e alguém pretende que um desses indivíduos seja responsabilizado pelo incumprimento de uma qualquer norma legal é ofendido e muitas vezes agredido pelos incumpridores e pela legião de familiares ou amigos que prontamente acorrem em sua defesa. Foi o que aconteceu a um polícia que, em Vila Real de Santo António, pretendia autuar uma família, pertencente a um desses grupos, que se fazia transportar no seu carrinho sem que nenhum dos ocupantes fizesse uso do cinto de segurança.

Que me desculpem os agentes da autoridade que porventura leiam este post, mas foi bem feito. Ainda devia até ter levado mais. Não usando o dispositivo de retenção essas criaturas tem uma probabilidade bastante maior de baterem a bota num acidente de viação mas, graças à desastrada intervenção dos agentes, a partir de agora poderão ser tentadas a usar cinto de segurança.

Faz o que eu digo...

É do conhecimento público, são os próprios responsáveis que o afirmam, que a Câmara Municipal de Lisboa está financeiramente asfixiada. Por outras palavras, está afogada em dívidas ou, se preferirmos, gastou muito mais do que podia gastar e agora é uma grandessíssima chatice arranjar uns trocados para ir calando os credores.

Não obstante esse facto vai a dita edilidade estudar uma proposta apresentada pelos vereadores eleitos pela lista “Lisboa com Carmona” no sentido da autarquia criar uma estratégia própria para apoiar as famílias endividadas da capital. A ideia, parece, é prestar toda a informação necessária sobre o recurso ao crédito e evitar assim o sobre-endividamento. Não se sabe ainda se a proposta vai ou não ser aprovada, mas, a sê-lo, quase aposto que a ideia se irá propagar a muito mais autarquias, sempre prontas a aderir a iniciativas que permitam encaixar mais uma quanta rapaziada da cor. Seja ela qual for.

Mas, bem vistas as coisas, até faz sentido que a Câmara de Lisboa assuma este papel pedagógico junto dos seus munícipes. Tem uma vasta experiência em questões de endividamento e, por isso, poderá mostrar com o seu exemplo aquilo que qualquer cidadão não deve fazer.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Magalhães e Túpac Amaru

Hoje foram distribuídos os primeiros “Magalhães”. Ainda é cedo para conhecer as reacções das criancinhas ao novo brinquedo tecnológico, mas quanto ao filho de Túpac Amaru já se sabe que ficou entusiasmado. Num programa de televisão onde é o protagonista o homem atirou o pequeno aparelho ao chão e, perante o facto de o mesmo não se ter estragado nem sequer desligado, garantiu estar em presença do melhor computador que alguma vez foi fabricado. “Aguenta um bombardeamento”, terá assegurado a quem o ouvia.

Hugo Chavez, é dele que se trata, ficou de tal forma entusiasmado que irá comprar um milhão de “Magalhães” para também ele distribui pelas escolas da Venezuela. Já quanto ao nome atribuído ao computador é que parece que o filho de Túpac Amaru não acha grande piada…

O relógio do chinês

Ciclicamente recorro a lojas de chineses para comprar aquelas inutilidades de que necessitamos quando menos se espera e não nos resta outra alternativa porque todos os estabelecimentos normais já encerraram. Foi assim quando precisei de um cronómetro e a chinesa me tentou impingir um “pito” ou quando, inesperadamente, os velhos chinelos entregaram a alma ao criador e, antes que os calos iniciassem uma jornada de protesto, comprei um par de calcantes de trazer por casa que exalavam um odor capaz de fazer parecer certa malta, daquela que passa o dia no Modelo por não querer fazer mais nada, cheirar bem.

Há poucos dias voltei a um destes espaços comerciais. A velha cebola deu por terminada a sua tarefa de medir o tempo e arrisquei experimentar um relógio de baixo preço e qualidade a condizer. Como quase tudo o que os comerciantes vindos da terra que já foi do Mao têm à venda. Ainda não me arrependi da compra e acho até que fiz um bom negócio. Aparentemente a máquina apenas tem um pequeníssimo defeito. Insignificante, quase. O ponteiro dos minutos demora trinta e um minutos a percorrer a distância entre o “6” e o “12”. Com certeza é de ser a subir. Felizmente a coisa não tem grande importância porque na descida, entre o “12” e o “6”, demora apenas vinte nove!

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Dia europeu com carros

Embora nas deslocações diárias procure evitar ao máximo a utilização do automóvel e frequentemente me desloque a pé dentro da cidade, não sou adepto nem apreciador desse folclore a que resolveram chamar “Dia europeu sem carros”. E nem serei o único. Esta iniciativa tem vindo ano após ano a perder cidade aderentes e um destes dias limitar-se-á a uma ou duas terriolas onde o Presidente da Câmara tenha a mania das bicicletas. Que é uma mania que nem tem nada de mal, diga-se.

Felizmente em Estremoz nunca se deu especial importância a estas “comemorações”. A cidade não tem grandes condições para a circulação de bicicletas, possui amplos espaços para estacionamento em pleno centro urbano e não permitir a utilização do automóvel durante um dia não tem outro efeito que irritar os automobilistas e em nada contribui para alterar hábitos de muitos anos.

Iniciativas destas são, como diria o outro – seguramente a personagem mais citada neste blogue – mais uma idiotice de uma certa intelectualidade trotinete.