Uma mãe indignada – as mães indignam-se com relativa facilidade – manifestava um destes dias a sua indignação por a escola frequentada pelo seu rebento se encontrar em obras. Pior ainda, em obras daquelas que demoram muito tempo e são vulgarmente conhecidas como obras de Santa Engrácia. A indignação da criatura, captada como convém por uma câmara de televisão e mostrada ao país em pleno telejornal do horário nobre, levou-a a declarar peremptoriamente que o atraso nas obras era injustificado e injustificável. Afinal “aquilo não era o Alentejo” onde, segundo o que a mentecapta senhora pretenderia insinuar, são todos uma cambada de malandros e tudo é feito devagar.
Não sei se a extremosa e preocupada mãe, habitante da região de Leiria, conhece o Alentejo e os alentejanos. Provavelmente não. Será apenas alguém com um sentido de humor quase tão lixado como o meu. Tão lixado que tenho já em “stock” umas quantas graçolas sobre ribeiras poluídas, milagres e porcos, para proferir da próxima vez que me indigne.

