Sou dos que acreditam que o desenvolvimento se faz também com o betão e com a construção civil. Igualmente não me incomodam por aí além alguns estilos mais arrojados, saídos dos piores pesadelos dos arquitectos e projectistas, a que vulgarmente se chamam mamarrachos.
Mas tudo tem limites. E isto está para lá dos meus limites. Independentemente de projectos, aprovações e fiscalizações, não consigo deixar de considerar como principal responsável pela situação que a imagem demonstra o idiota do dono da obra que usurpou de forma descarada o espaço público. A ironia da coisa é que o prédio em causa tem o nome de “Edifício elegante”...
O assalto do dia, em que o alvo era a máquina multibanco instalada numa bomba de abastecimento de combustível em Reguengos de Monsaraz, teve o condão de desmistificar um conceito erroneamente instalado na sociedade portuguesa. A lentidão exasperante que, garantem quase todos os que não nasceram cá, caracteriza os alentejanos. Afinal os militares da Guarda Nacional Republicana local, ao conseguir evitar o roubo, foram não só mais rápidos que os seus camaradas de outras regiões do país como também mais céleres que os meliantes. Oriundos, ao que parece, da região da grande Lisboa. Ora toma!
Tróia constituiu durante a década de oitenta do século passado um destino turístico de eleição para muitos alentejanos. Aos domingos, durante todo o verão, muitas dezenas de autocarros idos de todo Alentejo levavam alguns milhares de pessoas, que na altura não tinham automóvel nem possibilidade de passar uns dias de férias noutro qualquer destino, até àquele complexo turístico que, nessa altura, ainda tinha em funcionamento o parque de campismo, vários aparthotéis, piscinas, restaurantes, lojas e um cinema. Talvez tenham sido esses os anos dourados daquele empreendimento que, no final dessa mesma década entrou em declínio tendo praticamente fechado portas.
Pode dizer-se que, por estes dias, estamos a assistir ao renascimento de Tróia. Para isso muito contribuíram a coragem política de resolver um imbróglio que parecia não ter solução e a coragem empresarial de um grupo económico português que resolveu investir no seu país.
Possivelmente não voltaremos a ter naquele local os turistas – excursionistas talvez seja mais apropriado - de chapéu-de-sol e mala térmica que abancavam no areal e degustavam o arroz de pato e os pastéis de bacalhau regados com o tinto vertido do velho palhinhas. Nem mesmo aqueles que limitavam a refeição à sandes da avó, como ouvi um gaiato irrequieto e de voz estridente reclamar enquanto projectava areia em todas as direcções, principalmente para a minha toalha, numa das últimas deslocações que fiz àquela praia. Mas daí não virá mal ao mundo.
Com alguma regularidade vão sendo encontrados mais motivos para ficarmos deprimidos. Mas, antes que os muitos admiradores de José Sócrates que frequentam este blogue me comecem a jurar pelas barbas, garanto que desta vez o homem não está envolvido. O que é raro quando o assunto é deprimir os portugueses, diga-se.
O caso é que estudiosos destas coisas do comportamento humano, na ânsia de arranjarem clientes para as suas clinicas e consultórios, não param de inventar “doenças” para os hipocondríacos urbano-depressivos se queixarem.
Depois da recente e risível descoberta de homens que sofrem de depressão pós parto foi agora a vez de alguém diagnosticar a existência de um stress de fim de férias. Parece que é uma espécie de ansiedade, angustia até, que se apodera de quem está a acabar os merecidos dias de repouso anual e fica extremamente desagradado com a perspectiva do regresso ao trabalho.
Embora não seja comum encontrar quem ande por aí exultante e aos saltos de alegria quando o fim das férias se aproxima, parece manifestamente exagerado, abusivo e de muito mau gosto, “ficar doente” pelo facto de estas terminarem e ter de regressar ao emprego. Até pelo respeito que os desempregados nos devem merecer.
Trabalhar em casa parece ser uma actividade cada vez mais rentável, mesmo que isso não implique lavar pratos, limpar o pó ou dar umas quecas com o patrão. Ou com a patroa, se for o caso. A julgar pela quantidade de anúncios publicados diariamente na imprensa o que está verdadeiramente a dar dinheiro é dobrar circulares e metê-las em envelopes. Não parece difícil e a julgar por aquilo que se promete é possível auferir um montante bastante simpático com este trabalho feito no aconchego do lar e que nem requer conhecimentos por aí além.
Não se sabe ao certo do que tratam as circulares que, pelos vistos, muitos andam por aí a enviar nem, tão pouco, quem as recebe, mas calculo que versem assuntos sérios e importantes. Garanto no entanto que vou investigar e um destes dias divulgo aqui os resultados das minhas investigações.
Esta poderá ser a abertura de uma nova e fantástica janela de oportunidades que ajude a conseguir os tais cento e cinquenta mil empregos prometidos pelo engenheiro, melhor remunerados – entre dois e cinco mil euros por mês - e com a enorme vantagem de nem ser necessário sair de casa. O que, em última análise, é bom para o ambiente.
“Al Gore sou eu e tu…Al Gore sou eu e tu…Vamos salvar a Terra…O nosso “pelaneta”…O “pelaneta” azul!”