sexta-feira, 24 de maio de 2024

Dinheiro? Há que esturrá-lo!

É por demais conhecida a iliteracia financeira dos portugueses. Tanta que muitos até acreditam que recebem IRS. Daí que não exista entre nós a valorização da poupança e do investimento. Estes conceitos são até, em muitas circunstâncias, alvo da critica social. E quando se trata de usufruir do retorno desse investimento ou dessa poupança o investidor ou o aforrador é visto quase como um criminoso. Provavelmente, mais do que qualquer outro, talvez seja este o principal motivo do atraso e da pobreza do país. Até porque os dirigentes replicam na governação estes sentimentos da população.


Um bom exemplo do que escrevo foi o diálogo entre a jovem vencedora de um concurso televisivo e a apresentadora do dito programa. “E agora, o que vai fazer como o dinheiro do prémio? Uma viagem, não?”, questionava a apresentadora. “Não…”, retorquiu a premiada. “Oooohhhhhh…” interrompeu desapontada a apresentadora sem deixar a jovem ganhadora terminar a frase. “Vou investir num projecto que tenho em mente...” concluiu esta perante o manifesto desinteresse da interlocutora.


E é isto. Valorizável mesmo é esturrar. Depois a culpa da falta de guito é do capitalismo selvagem, das políticas liberais e do que mais calhar. Nossa é que não é.

8 comentários:

  1. É isso. Tanto que acha-se normal pagar uma viagem às prestações (recorrendo às agências financeiras), as prestações não são como antigamente em que um vendedor ambulante batia à porta a mostrar o catálogo têxteis lar e artigos de cozinha. Compravam o trem de cozinha mas sem juros e não havia prestação fixa, num mês davam dois contos e no noutro podiam dar cinco contos para abater a dívida para comprar outra coisa para o enxoval da neta. A poupança é vista como algo antiquado, mas depois têm cobiça por alguém ter umas poupanças no banco. Vamos lá compreender o ser humano.
    Bom fim de semana.

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  2. A iliteracia financeira (e não só) existente não é por falta de recursos para aprender...

    Ex. https://cidadania.dge.mec.pt/literacia-financeira-e-educacao-para-o-consumo/cadernos-de-educacao-financeira
    Bom fds

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  3. Subscrevo, Kruzes
    É assustador a iliteracia financeira dos portugueses, até mesmo aqueles com formação académica.

    Beijinhos
    Feliz Dia

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  4. Manuel da Rocha3:27 p.m.

    O problema é nas universidades. 100% dos cursos da área económico-social eliminaram a ideia do poupar para tempos maus ou ter o pé de meia para uma despesa inesperada. É que funciona para o capitalismo em todas as vertentes, que o consumo saque 80% do rendimento de cada cidadão. Pagam mais impostos (IVA!!!) e quando tiverem algum problema (como uma avaria no carro ou fazer obras em casa) vão recorrer ao crédito (pagando 5 vezes o valor que gastaram a resolver o problema).
    E quem não faça isso, é considerado apoiante do comunismo (assim o refere Cavaco Silva, num estudo que faz parte dos cursos de Gestão e Economia Pública, usado em 99% das universidades portuguesas). Daí que a banca faz 350000 milhões de euros, em comissões e há uma coisa interessante: as comissões por investimentos em bolsa ou carteiras de títulos, tem duplicado anualmente, de 2018 até agora. Com a subida dos juros vimos 500000 milhões a serem despejados (literalmente) para acções e obrigações, para manter valores acima dos 3%, pois os clientes acabam por pagar mais do que recebem dos investimentos. Há muitos PPR que estão com rendibilidade de 3,5%, só que pagam 5% em comissões anuais. Quando forem resgatados, o cliente perdeu 1,5% do que investiu. Foi por isso que o actual governo contestou a existência dos certificados de aforro e que já estão a planear acabar com eles, passando o governo a fazer emissões de dívida, via banco (com 10% de comissões!!) para os clientes subscreverem (pagando 5% de comissões), mantendo a banca a dar lucros de 300000 milhões de euros anuais, para cima. Em troca o governo corta 99% dos impostos e taxas, para as empresas. Na teoria funciona e o salário médio irá subir 4000%, o problema é que 90% da população vai ficar a receber menos e a trabalhar o dobro do tempo.

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  5. E depois queixam-se...que é a parte que mais me aborrece!

    Cumprimentos

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  6. Pois não, mas eles até acham que sabem muito... e se calhar sabem, porque a descobrir empresas que financiam os seus desvarios são verdadeiros especialistas.

    Cumprimentos

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  7. Esses nem reconhecem a sua ignorância nestes temas. Pelo contrário, até se acham cheios de certezas e mesmo não sabendo governar a própria casa sabem tudo sobre a maneira como governar o país.

    Cumprimentos

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  8. "Na teoria funciona e o salário médio irá subir 4000%" em que é que se baseou para escrever isto?! Vozes na sua cabeça?

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