Não sei se ouvi bem, mas pareceu-que o realizador de um filme, recentemente estreado, sobre o golpe de Estado de 25 de Abril de 1974 terá confessado, numa entrevista televisiva, que desconhecia terem naquela data falecido cinco pessoas vitimas dos tiros disparados pela PIDE sobre a multidão. Terá sido por isso que, quando soube, teve a ideia de realizar um filme sobre o assunto. Provavelmente muitos das gerações mais novas também não saberão. Nem isso nem outros dramas que se sucederam nos meses seguintes. Sabem pouco mais do que a visão romanceada que lhes é transmitida pela propaganda. Alguns até acreditam que o PCP lutou pela liberdade dos portugueses, pasme-se. É, contudo, esta gente que hoje me quer dar lições acerca do significado da “Revolução de Abril”. Talvez pelo entusiasmo deste pessoal quase me deixar comovido – a ingenuidade das pessoas tem o efeito de me comover – evito o mais que posso as dissertações sobre a época revolucionária daqueles que não a viveram. Lamento, mas se não estiveram lá não sabem nada. Há coisas que não se explicam, têm de ser vividas para as perceber. E aquilo, apesar de tudo, foi bonito de viver.
Boa noite, Kruzes Kanhoto
ResponderEliminar"Alguns até acreditam que o PCP lutou pela liberdade dos portugueses, pasme-se."
De pasmar é sua ignorância ou a sua cegueira anticomunista. Qualquer delas sem perdão.
Boa noite,
Zé Onofre
Boa noite, caro Zé Onofre
ResponderEliminarO PCP lutou, antes e depois do 25 de Abril, pela implementação de um regime socialista à semelhança dos que então existiam no leste da Europa. Por mais voltas que se dê não há como considerar que a democracia e a liberdade eram um apanágio desses regimes.
Por mim, como já escrevi noutras ocasiões, nada me incomoda que existam pessoas, felizmente poucas, a defender esse tipo de sociedade e que a implementem nos respectivos quintais. E sim, sou profundamente anti-comunista. Mas, como democrata quero que exista sempre liberdade para cidadãos como o Zé Onofre defenderem aquilo em que acreditam e para outros como eu combaterem essas ideias. A diferença é que se as suas ideias vencerem lá se vai a minha liberdade...
Boa noite, Kruzes Kanhoto
ResponderEliminar«Olhe que não, olhe que não.»
Zé Onofre
De facto, pretender supor que o Cunhal e seus camaradas lutavam por um regime democrático, pluralista e livre, dá vontade de rir. É mesmo um atentado à inteligência das pessoas. Apesar disso, não é por aí que merece desculpa o regime, mas ditadura por ditadura, o Salazar comparado com o Staline e os que "democraticamente" se lhe seguiram, era um menino do coro.
ResponderEliminarSão muito democratas mas ainda me lembro, quando nos meses seguintes ao 25 de Abril, se começou a gritar pela instauração da "ditadura do proletariado". Até estranho que actualmente ainda ninguém tenha reivindicado a sua instauração. Dos "valores de Abril" deve ser só já o que falta ...
ResponderEliminarE quais são os valores de Abril?
ResponderEliminarCumprimentos, caro KK.
Deviamos avaliar ainda as atrocidades cometidas pela COPCON de Otelo: pisões arbitrárias, torturas, ameaça de fuzilamento, etc, etc. As milicias, os bloqueios de estrada, a demonização de patrões e proprietários, a destruição das nossas indústrias mais pujantes levou-nos à miséria num ano.
ResponderEliminarDeviamos averiguar como demos as provincias ultramarinas ao imperialismo russo e como estas foram lançadas numa guerra cívil que matou 1 milhão de pessoas.
Os acordos de Alvor e as condições em que foi feita a negociação mereciam muita investigação.
Não há cá valores de Abril nenhuns. Isso é tudo treta. Não passam de uma história da carochinha que uns quantos tótós gostam de repetir por esta época do ano.
ResponderEliminarCumprimentos, caro António.
O que se seguiu ao 25A constitui uma das principais causas do nosso atraso em relação a Espanha. Eles foram muito mais espertos e não alinharam nessas badalhoquices rvolucionárias. Eram, em 1974, muito mais pobres do que nós e veja-se o salto que deram!
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